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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O que aconteceu com a Arca da Aliança?


Em 70 d.C., após um brutal cerco que durou meses, as tropas romanas sob o comando do general Tito invadiram Jerusalém para esmagar uma revolta judaica contra o domínio imperial. A cidade caiu e o Segundo Templo — o coração espiritual do judaísmo — foi saqueado e incendiado. Os soldados romanos apoderaram-se de seus tesouros sagrados. No entanto, um artefato crucial estava visivelmente desaparecido: a Arca da Aliança. O historiador judeu Flávio Josefo, testemunha ocular dos eventos, escreveu um relato alguns anos depois em A Guerra Judaica , detalhando a destruição do templo e o desfile triunfal em Roma que se seguiu.

“A mesa de ouro, do peso de muitos talentos; o candelabro também, que era de ouro... e o último de todos os despojos foi a Lei dos Judeus.” Entre todos os tesouros, não há menção da arca, na qual as Tábuas da Lei deveriam ter sido guardadas. A arca não foi destruída no cerco. Ela havia desaparecido séculos antes.

Origens da arca

A história da arca é difícil de precisar, principalmente porque as fontes apresentam relatos divergentes. Alguns estudiosos levantaram a possibilidade de que mais de uma arca possa ter existido — talvez construídas em épocas diferentes, ou mesmo usadas simultaneamente — deixando em aberto a questão de qual, se alguma, foi a original. O Tanakh (Bíblia Hebraica) descreve detalhadamente as origens da arca. Depois que os israelitas fugiram do Egito durante o Êxodo, no século XIII a.C., acamparam no Sinai, descrito como uma região selvagem localizada fora do Egito. Permaneceram lá por dois anos, recebendo a lei divina e a orientação para o seu futuro como nação. Javé (Deus) deu a Moisés as Tábuas da Lei, nas quais havia inscrito os seus dez mandamentos. Javé ordenou a Moisés que as guardasse em um cofre feito de madeira e ouro, com cinco compartimentos principais. O baú seria feito de madeira de acácia, com dimensões de 2,5 x 1,5 x 1,5 côvados (3,75 x 2,25 x 2,25 pés), com revestimento de ouro por dentro e por fora.

Quatro anéis deveriam ser fixados na parte inferior de cada canto, pelos quais seriam inseridas varas de madeira de acácia, também revestidas de ouro. Finalmente, os israelitas deveriam colocar dentro dela as tábuas da lei, um pote de maná e a vara de Arão, irmão de Moisés, que se dizia possuir poderes miraculosos.

Um lar para a arca

I - AS TÁBUAS DA LEI
Após fugirem do Egito, os israelitas entram no deserto, onde permanecerão por cerca de 40 anos. Quando chegam ao sagrado Monte Sinai, Moisés, seu líder, é chamado ao topo por Javé, que aparece envolto em densa nuvem e entrega a Moisés as Tábuas da Lei, com os Dez Mandamentos inscritos. Javé também dá instruções sobre como os israelitas devem oferecer-lhe sacrifícios. (Canto superior esquerdo)

II - A CONSTRUÇÃO DA ARCA
Após descerem do Monte Sinai, Moisés cumpre as ordens de Javé para construir uma arca para abrigar as Tábuas da Lei: “Façam uma arca de madeira de acácia, com dois côvados e meio de comprimento, um côvado e meio de largura e um côvado e meio de altura. Revesti-a de ouro puro, por dentro e por fora, e faça uma moldura de ouro ao redor dela” (Êxodo 25:10). (Canto superior direito)

III - O TABERNÁCULO
Javé também ordena a Moisés que cubra a arca com um tabernáculo — uma espécie de tenda — feito com cortinas de linho azul, púrpura e escarlate. O livro de Êxodo menciona vários outros itens que deveriam ser feitos para acompanhar a arca. Estes incluem um candelabro (menorá) de ouro puro e os utensílios necessários para fazer ofertas. Esta miniatura retrata Moisés colocando as tábuas dentro da arca e Arão colocando sua vara. (Canto inferior esquerdo)

IV - HOLOFOTES
Os israelitas realizam o primeiro sacrifício ou holocausto após receberem as Tábuas da Lei. Eles estão obedecendo ao seguinte mandamento dado por Javé: “Tragam o novilho para a entrada da tenda da congregação, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a sua cabeça. Imergam-no na presença do Senhor, à entrada da tenda da congregação” (Êxodo 29:10-11). (Canto inferior direito)

Os israelitas trouxeram séculos de contato com a cultura egípcia para a construção da arca. O projeto da arca está imerso no estilo ritualístico do final da Idade do Bronze (c. 1550-1200 a.C.), particularmente nos cofres em forma de barco usados ​​em festivais religiosos egípcios para transportar imagens dos deuses. A construção da arca também evoca os santuários de madeira revestidos de ouro encontrados na tumba de Tutancâmon. Os querubins no topo da arca, guardiões alados, apresentam uma semelhança impressionante com figuras da arte egípcia e do Oriente Próximo. No sarcófago de quartzito de Tutancâmon, por exemplo, deusas com asas estendidas são esculpidas em cada canto, protegendo o faraó na morte. Contudo, a inclusão desses querubins levanta uma tensão teológica: parece contradizer o mandamento: “Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êxodo 20:4).

A presença de Javé

Os antigos israelitas tratavam a arca com grande cuidado, pois ela continha os Dez Mandamentos. Contudo, o vaso sagrado não era venerado em si mesmo. Em vez disso, a tampa, quando fechada, tornava-se o trono de Yahweh, como ele havia dito a Moisés: “Ali, acima da tampa, entre os dois querubins que estão sobre a arca da aliança, eu me encontrarei contigo e te darei todos os meus mandamentos para os filhos de Israel” (Êxodo 25:22).

Enquanto os israelitas ainda vagavam pelo deserto, Yahweh se manifestava em uma coluna de nuvem durante o dia e de fogo durante a noite, guiando-os adiante. Acreditava-se que, com a arca, sua presença habitava no “propiciatório” entre os querubins, oferecendo uma lembrança constante da aliança. Após a destruição do Templo pelos romanos em 70 d.C., os mestres da lei judaica desenvolveram o conceito de Shechinah para significar a “presença de Deus” (literalmente “habitação”). Shechinah não se referia à presença física de Yahweh, mas sim a um sinal inconfundível de sua proximidade. Com o tempo, mesmo sem a arca ou o Templo, dizia-se que essa presença permanecia.

Essa contradição entre o mandamento que proibia a confecção de imagens esculpidas e a inclusão de querubins de ouro sobre a Arca da Aliança intriga os estudiosos há muito tempo. Para resolver essa questão, muitos estudiosos bíblicos e teólogos têm apontado para o contexto e o propósito dos querubins. Eles não eram ídolos destinados à adoração, mas guardiões simbólicos da presença divina, colocados sobre a arca no santuário mais interno, onde nenhum adorador comum podia vê-los ou acessá-los. Seu papel não era representacional, mas teológico: eles emolduravam o “propiciatório”, o espaço onde se dizia que a presença de Deus habitava. Os querubins eram divinamente sancionados e funcionavam mais como arte ritual do que como imagens proibidas, ressaltando a natureza única e controlada da adoração israelita. A Arca da Aliança tornou-se central para a vida religiosa dos israelitas e, durante os 40 anos que passaram vagando pelo deserto após sua fuga do Egito, a arca sempre foi carregada à frente deles. Os israelitas acreditavam que a arca e seu precioso conteúdo tinham o poder de protegê-los e punir seus inimigos.

A jornada

Josué sucedeu Moisés após a sua morte e, por fim, liderou o seu povo até Canaã, a Terra Prometida. De acordo com o Livro de Josué, quando chegaram ao rio Jordão, este estava inundado. Seguindo a ordem de Deus, os sacerdotes que carregavam a arca pisaram a água, e milagrosamente ela parou de fluir, permitindo que os israelitas atravessassem em terra seca. Quando enfrentaram o seu primeiro desafio militar, a captura da fortaleza cananeia de Jericó, a marcha dos israelitas ao redor da cidade, com a arca como guia, provocou o desmoronamento das muralhas. A arca possuía uma aura de imenso poder, até mesmo perigoso. Dizia-se que olhar para dentro dela ou tocá-la poderia levar à morte.

Após diversas conquistas, os israelitas finalmente se estabeleceram em Canaã e fundaram a cidade de Siló como seu centro religioso. Ali, ergueram o Tabernáculo (uma tenda portátil), colocando a arca sagrada em seu compartimento mais interno, seu primeiro santuário permanente. Mas quando foram à batalha contra os filisteus em Ebenézer, em 1116 a.C., os israelitas levaram a arca para a linha de frente em busca de proteção — apenas para perderem tanto a batalha quanto a própria arca. Os filisteus a capturaram e a levaram pelas cidades de Asdode, Gate e Ecrom, mas por onde passava, pragas a seguiam. Convencidos de que haviam desagradado o deus israelita, os filisteus devolveram a arca.

Mais tarde, o rei Davi (r. 1000–962 a.C.), segundo rei de um Israel unificado, levou a arca para sua nova capital, Jerusalém, onde também foi guardada em um santuário de tenda. Seu filho, Salomão, finalmente lhe deu um lar permanente, o Templo no Monte Moriá. Ali, no Santo dos Santos, o cofre sagrado repousava — oculto da vista, acessado apenas uma vez por ano — e somente pelo sumo sacerdote.

O paradeiro da arca

O Livro das Crônicas menciona a provável presença da arca no Templo na época do rei Josias de Judá, que viveu na segunda metade do século VII a.C.: “Ele disse aos levitas, que instruíam todo o Israel e que haviam sido consagrados ao Senhor: ‘Coloquem a arca sagrada no templo que Salomão, filho de Davi, rei de Israel, construiu. Ela não deve ser carregada sobre os ombros.’” (2 Crônicas 35:3). A passagem não esclarece a localização da arca antes da ordem de devolvê-la ao Templo.

A trilha segue para a Etiópia

A visita da Rainha de Sabá a Salomão, um episódio mencionado na Bíblia Hebraica, deu origem à teoria de que a Arca da Aliança foi contrabandeada para a Etiópia. O Kebra Nagast, ou Glória dos Reis, um texto do século XIV que traça a genealogia dos reis da Etiópia até Salomão, narra a história.

Quando a Rainha de Sabá visitou Salomão, eles conceberam um filho, Menelik. No seu 22º aniversário, Menelik voltou a Israel para encontrar seu pai. Salomão o reconheceu como seu filho e herdeiro, o que enfureceu as elites religiosas. Salomão foi forçado a enviar seu filho de volta à Etiópia, mas, irritado com a forma como Menelik fora recebido, ordenou que todos os primogênitos de Israel, cerca de 12.000 homens, acompanhassem Menelik até a Etiópia. Segundo essa lenda, foram eles que roubaram a arca e a levaram consigo, dizendo a Menelik que a tinham apenas quando já era tarde demais para recuperá-la. Diz-se que a arca permaneceu na Etiópia, na Igreja de Santa Maria de Sião, em Axum, onde se acreditava que só era acessível ao monge encarregado de cuidar dela.

Fontes não bíblicas afirmam que, quando o rei Nabucodonosor II da Babilônia conquistou Jerusalém e destruiu o Templo em 586 a.C., não há menção de que ele tenha encontrado a arca. O cofre sagrado também não foi mencionado nos relatos da destruição do Templo por Tito seis séculos depois. A Bíblia não explicita quando, ou como, a arca desapareceu do templo. Com base em relatos bíblicos e de outras fontes, alguns estudiosos argumentam que o desaparecimento ocorreu em algum momento entre a época de Josias, no final do século VII a.C., e 586 a.C., quando os babilônios conquistaram Jerusalém.

Surgiram diversas explicações sobre o possível destino do objeto sagrado. Vários escritos religiosos não bíblicos relatam o paradeiro da arca. O Talmude, corpo fundamental do direito civil e religioso judaico compilado entre os séculos III e VI d.C., narra que, alguns anos antes da destruição do Primeiro Templo pelos babilônios em 586 a.C., o rei Josias previu a ameaça e escondeu a arca. Segundo essa versão, ela foi enterrada, juntamente com outros artefatos sagrados, em uma câmara sob o Templo que Salomão havia preparado séculos antes para tal propósito.

Relatos adicionais aparecem em textos cristãos não bíblicos conhecidos como Apócrifos. Um texto apócrifo baseado no Livro de Esdras descreve cenas de devastação enquanto as forças do Rei Nabucodonosor destruíam o Templo. Entre os horrores testemunhados, o texto afirma que os babilônios levaram a arca. Se isso for verdade, sugeriria que o babilônio foi levado para a Babilônia; no entanto, nenhuma fonte antiga confirma esse relato.

Outra história centra-se no profeta Jeremias, do início do século VI a.C. De acordo com o Segundo Livro dos Macabeus (um texto reconhecido como parte do cânone bíblico por algumas denominações cristãs, mas não por outras), Jeremias recebeu uma revelação divina que o advertia sobre a queda de Jerusalém: “O profeta, em virtude de um oráculo, ordenou que a tenda e a arca o acompanhassem, e... ele foi até o mesmo monte que Moisés subiu para contemplar a herança de Deus”. Os estudiosos acreditam que o monte em questão seja o Monte Nebo, no atual Jordânia, de cujas alturas Moisés teria vislumbrado a Terra Prometida antes de sua morte. Lá, Jeremias escondeu os objetos sagrados em uma caverna e selou a entrada. Segundo essa tradição, ninguém que o acompanhou conseguiu encontrar o local novamente.

Os saqueadores

Estudiosos por vezes especulam sobre o destino da arca em textos bíblicos e religiosos onde não há referência explícita ao cofre sagrado. O Primeiro Livro dos Reis, capítulo 14, afirma: “No quinto ano do reinado de Roboão, Sisaque, rei do Egito, atacou Jerusalém. Ele levou os tesouros do Templo do Senhor e os tesouros do palácio real. Levou tudo.” A maioria dos pesquisadores identifica este Sisaque do relato bíblico com o faraó Sesoquê I, fundador da 22ª dinastia, que por volta de 935 a.C., empreendeu uma campanha militar na Palestina.

Se Sesonque I atacou Jerusalém e levou “os tesouros do templo do Senhor”, a arca poderia estar entre esses despojos. No entanto, neste texto, Jerusalém não está incluída na lista de cidades subjugadas durante a campanha. Todas as cidades conquistadas mencionadas estão, na verdade, localizadas no deserto do Neguebe, a região ao sul do reino de Judá, perto do Egito, mas longe de Jerusalém.

Não há menção de um objeto semelhante à arca nas fontes egípcias. Pode-se argumentar que, para os egípcios, o cofre sagrado não passava de uma caixa de madeira revestida de ouro e que, acostumados a ver objetos muito mais suntuosos, não lhe davam muita importância. Essa, aliás, é a teoria explorada em Os Caçadores da Arca Perdida, de Steven Spielberg, estrelado pelo caçador de tesouros e professor de arqueologia Indiana Jones. No filme, acredita-se que a arca esteja na cidade de Tânis, no Delta do Nilo, em um local conhecido como o "Poço das Almas", tendo sido escondida ali por Sisaque. É provável que o faraó tenha sido de fato sepultado na necrópole real de Tânis, embora seu túmulo não tenha sido encontrado; e, se existiu, provavelmente foi saqueado séculos atrás.

A arca e os templários

Nas últimas décadas, o destino da arca tem sido associado aos Cavaleiros Templários, uma poderosa ordem militar francesa fundada por volta de 1120 (oficialmente reconhecida em 1129), sob a autoridade da Igreja Católica. Os Templários estabeleceram-se em Jerusalém apenas 30 anos após a conquista da cidade pelos cruzados, instalando seu quartel-general no palácio do Rei Balduíno II, dentro do complexo da Mesquita de Al-Aqsa, exatamente no local onde o antigo Templo outrora se erguia. A ordem recebeu seu nome dessa associação.

Os cavaleiros ocuparam a área próxima ao que hoje é conhecido como Domo da Rocha. Isso alimentou inúmeras lendas que ligam os Templários à Arca da Aliança perdida. Algumas histórias afirmam que os cavaleiros vasculharam em vão os cofres subterrâneos; outras sugerem que eles, de fato, descobriram a arca e a transportaram secretamente para a Inglaterra ou França. Uma das versões mais persistentes vem de um livro de 1966 de Louis Charpentier, que argumentou que um grupo de Templários, fugindo da perseguição após a violenta repressão da ordem em 1312, contrabandeou a arca para a França e a escondeu sob a catedral de Chartres.

Pesquisadores da Arca encontraram outras passagens na Bíblia que podem se referir à Arca da Aliança sem mencioná-la explicitamente. Um desses relatos remonta a antes da destruição do Primeiro Templo de Salomão. Durante o reinado do "ímpio" Rei Manassés, no século VII a.C., Judá enfrentou novamente a agressão assíria. O Segundo Livro das Crônicas descreve como Manassés foi capturado e levado para a Babilônia com um gancho no nariz e grilhões de bronze. Embora eventualmente libertado, ele retornou a Jerusalém como vassalo, sujeito ao império assírio. Como tal, esperava-se que ele pagasse tributo — com ofertas ou presentes regulares — ao rei assírio. A Bíblia retrata Manassés como um governante que profanou o Templo e se afastou de Javé. Isso levou alguns a especularem que a arca revestida de ouro poderia ter sido oferecida como tributo. Outra teoria é que os sumos sacerdotes removeram a arca do Templo para que Manassés não pudesse derretê-la.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

General Tito Vespasiano, o homem que levou Jesus às lágrimas( Lucas 21:23)

Tito Flávio Vespasiano Augusto (em latim Titus Flavius Vespasianus Augustus) (Roma, 30 de Dezembro de 39 — Aquae Cutiliae, Sabina, 13 de Setembro de 81) foi imperador romano entre os anos de 79 e 81. Foi o filho mais velho e sucessor de Vespasiano.

Antes de ser proclamado imperador alcançou renome como comandante militar ao servir sob as ordens do seu pai na Judeia, durante o conflito conhecido como a Primeira Rebelião Judaica (67 — 70). Esta campanha sofreu uma breve pausa após a morte do imperador Nero (9 de junho de 68), quando o seu pai foi proclamado imperador pelas suas tropas (21 de dezembro de 69). Neste ponto, Vespasiano iniciou a sua participação no conflito civil que assolou o Império durante o ano da sua nomeação como imperador, conhecido como o ano dos quatro imperadores. Após essa nomeação, recaiu sobre Tito a responsabilidade de acabar com os judeus sediciosos, tarefa realizada satisfatoriamente após sitiar e destruir Jerusalém (70), cujo templo foi demolido no incêndio. A sua vitória foi recompensada com um triunfo e comemorada com a construção do Arco de Tito. Seu pai o associou, a partir de 71, ao poder tribunício.

Sob o reinado do seu pai, Tito coletou receios entre os cidadãos de Roma devido ao seu serviço como prefeito do corpo de guarda-costas do imperador, conhecido como a Guarda Pretoriana, bem como devido à sua intolerável relação com a rainha Berenice de Cilícia. Apesar destas faltas à moral romana, Tito governou com grande popularidade após a morte de Vespasiano a 23 de junho de 79 d.C. e é considerado como um bom imperador por Suetônio e outros historiadores coetâneos.

O mais importante do seu reinado foi o seu programa de construção de edifícios públicos em Roma (Tito finalizou o anfiteatro Flávio, conhecido habitualmente como o Coliseu). A enorme popularidade de Tito também foi devida à sua grande generosidade com as vítimas dos desastres que sofreu o Império durante o seu breve reinado, a erupção do Vesúvio em 79 d.C. e o incêndio de Roma de 80 d.C. Após dois anos no cargo, Tito faleceu sofrendo de febre, a 13 de setembro de 81 d.C. A grande popularidade de Tito fez com que o Senado o deificasse.

Prometia ser um imperador à altura do seu pai, mas o seu breve reinado foi marcado por catástrofes. Em 24 de Agosto de 79, o vulcão Vesúvio destruiu as cidades de Pompeia e Herculano e, em 80, Roma foi de novo consumida por um incêndio.

Estabeleceu um governo indulgente, respeitando os privilégios do Senado e realizando grandes obras públicas. Umas das mais importantes que fez como imperador foi inaugurar, em 80 d.C., a obra que seu pai, Vespasiano, iniciara, o anfiteatro Coliseu, embora este ainda estivesse incompleto.

Tito foi sucedido pelo seu irmão menor, Domiciano.

Juventude

Tito nasceu em Roma, filho primogénito de Tito Flávio Vespasiano e Domitilla a Maior. Tito teve uma irmã chamada Domitila a Menor e um irmão, chamado Tito Flávio Domiciano, embora conhecido habitualmente com o nome de Domiciano.

As décadas de guerra civil durante o século I a.C. contribuíram enormemente para o decaimento da velha aristocracia de Roma, que fora gradualmente substituída no poder por uma nova nobreza provincial durante a primeira parte do século I. A família Flávia surgiu da obscuridade na Dinastia Júlio-Claudiana, adquirindo a riqueza e influência necessárias para chegar ao poder. O bisavô de Tito, Tito Flávio Petro, serviu como centurião sob Cneu Pompeu Magno durante a Segunda Guerra Civil da República de Roma. A sua carreira militar terminou quando Pompeu sofreu uma derrota esmagadora às mãos de Júlio César na Batalha de Farsália (48 a.C.).Contudo, Petro conseguiu melhorar a sua situação casando-se com uma tértula sumamente rica, cuja fortuna garantiu a ascensão do filho de ambos, Tito Flávio Sabino I, o avô de Tito. O mesmo Sabino amassou uma grande riqueza como arrecadador de impostos na Ásia e como banqueiro na Helvécia. Casando-se com Vespásia Polião aliou-se com uma das famílias patrícias de maior ascendência aristocrática. A riqueza e a linhagem de Vespásia Polião e Tito Flávio Sabino I garantiram a ascensão dos seus filhos, Vespasiano e Tito Flávio Sabino II, à classe senatorial.

A carreira política de Vespasiano incluiu os cargos de questor, edil, pretor, e culminou em um consulado em 51 d.C., o ano em que nasceu Domiciano. O pouco conhecido da juventude de Tito chegou através dos escritos de Suetônio. O historiador relata que o futuro imperador foi criado na corte imperial junto a Britânico, o filho do imperador Cláudio, que seria assassinado por Nero em 55 d.C. Poucos detalhes chegaram sobre a sua educação, mas aparentemente mostrou pronto uma grande inclinação pelas artes militares, era um poeta experto e um grande orador tanto em grego quanto em latim.

Carreira militar

Tito serviu como tribuno militar na Germânia entre 57 d.C. e o 59 d.C. e na Britânia (60 d.C.) chegando com os reforços necessários após a revolta de Boudica. Em 63 d.C. regressou para Roma e casou-se com Arrecina Tértula, filha de um antigo prefeito da Guarda Pretoriana. A mulher de Tito faleceria em 65 d.C. e este tomou uma nova mulher chamada Márcia Funila que pertencia a uma família aristocrática. Porém, esta família era disposta a unir-se à oposição ao Imperador Nero. O seu tio Quinto Márcio Barea Sorano e a sua filha Servília faleceram após a fracassada conspiração de Caio Calpúrnio Pisão em 65 d.C. Alguns historiadores modernos teorizam que Tito se divorciou da sua esposa devido à conexão da sua família com a conspiração. Não voltou a casar-se de novo. Tito parece ter tido muitas filhas, sendo ao menos uma delas de Márcia Furnila. A única que chegou à idade adulta foi Júlia Flávia, que pôde ser filha de Arrecina, pois a mãe desta também se chamava Júlia.[13] Durante este período Tito dedicou-se à justiça, sendo questor.

Campanha da Judéia

Em 66 d.C. os judeus da Província de Judeia rebelaram-se contra o Império Romano. Céstio Galo, o governador da Síria, foi derrotado na batalha de Beth-Horon e forçado a se retirar de Jerusalém. O rei pró-romano Herodes Agripa II e a sua irmã Berenice fugiram para a cidade de Galileia. Nero designou a Vespasiano para esmagar a rebelião, este marchou imediatamente à região com a V e X legiões. Vespasiano uniu-se a Tito e à XV legião em Acre. Com uma força de 60.000 soldados profissionais, os romanos dispuseram-se a varrer a rebelião através de Galileia e marchar sobre Jerusalém.

A Guerra foi coberta pelo historiador judeu-romano Flávio Josefo no seu trabalho A guerra dos judeus. Josefo serviu como comandante na defesa da cidade de Jotapata quando o exército romano invadiu Galileia em 67 d.C. Após um duro sítio de 47 dias, a cidade caiu, tomando uns 40.000 prisioneiros, que foram assassinados, enquanto o restante dos resistentes se suicidaram. O próprio Josefo rendeu-se a Vespasiano, que o liberou ao observar a sua inteligência. Durante 68 d.C. toda a costa e o norte da Judeia caiu sob o controle romano. Esta expedição serviu para que Tito se distinguisse como um general experto.

Ano dos quatro imperadores

A última e importante fortaleza que resistia era a cidade judaica de Jerusalém. Contudo, a campanha sofreu uma pausa quando chegaram notícias de Roma da morte do imperador Nero e da nomeação de Galba pelo Senado como sucessor. Vespasiano decidiu enviar Tito a apresentar os seus respeitos ao novo imperador. Contudo, quando Tito se aproximava à cidade, recebeu notícias da morte de Galba e da nomeação de Otão como sucessor, além da marcha para Roma desde a Germânia de Vitélio. Não querendo arriscar-se a ser capturado por nenhum dos dois bandos, Tito cancelou a viagem e voltou a unir-se ao seu pai na Judeia.Enquanto isso, Otão fora derrotado na batalha de Bedriacum e suicidara-se tão nobremente que emocionara Roma. Quando chegaram notícias aos exércitos de Judeia e Egito, estes decidiram nomear Vespasiano como imperador a a 1 de julho de 69 d.C. Vespasiano aceitou, e mediante intensas negociações levadas por Tito, uniu-se ao governador da Síria, Caio Licínio Muciano, formando uma força muito importante no Oriente . Esta força mudou-se para Roma liderada por Muciano, enquanto Vespasiano marchou para Alexandria, ficando Tito ao comando para que acabasse com a rebelião. No fim de 69 d.C. as tropas de Vitélio foram derrotadas e o Senado declarou Vespasiano como imperador a 21 de dezembro, finalizando deste jeito o Ano dos quatro imperadores.

Sítio de Jerusalém

Enquanto isso, os judeus encontravam-se num conflito civil entre eles, dividindo a resistência entre os sicários, liderados por Simão Bar Giora e os fanáticos conduzidos por João de Giscala. Tito aproveitou então a oportunidade de começar o assalto sobre Jerusalém. Ao exército romano uniu-se a XII Legião, que fora derrotada sob o comando de Céstio Galo. Desde Alexandria, Vespasiano enviou Tibério Júlio Alexandre para que agisse como segundo de Tito. Tito rodeou a cidade no comando de três legiões (V, XII e XV) sobre o lado oeste e enviou a (X) sobre o Monte das Oliveiras a leste. Tito cortou os alimentos e a água à cidade, depois permitiu a entrada de alguns judeus para celebrar a Páscoa negando depois a saída. O exército romano era acossado continuamente pelos judeus e numa ocasião estes quase capturaram Tito.

Após as tentativas de Josefo de negociar uma rendição, os romanos retomaram as hostilidades e destroçaram depressa as primeiras fases da muralha. Para intimidar a resistência, Tito crucificou os desertores judeus em torno das muralhas. Neste ponto os judeus estavam a ponto de se renderem por causa da fome e os romanos aproveitaram a debilidade para irrompir na cidade após quebrar a última fase da muralha. Os romanos penetraram na cidade, capturaram a fortificação Antônia e iniciaram um assalto frontal sobre o Templo. Segundo Josefo, Tito ordenara que o Templo não fosse destruído, porém, durante a batalha pela cidade, um soldado lançou uma antorcha para o interior do Templo e este ardeu depressa. O cronista Sulpício Severo, no entanto, afirma que Tito ordenou a destruição do Templo. Fosse o que for, o Templo foi totalmente destruído e a cidade saqueada, após o qual os soldados proclamaram-no Imperator no campo de batalha. Segundo Josefo 1.100.000 pessoas foram assassinadas durante o sítio, destes a maioria eram judeus. Fontes antigas informam de que 97.000 pessoas foram capturadas e escravizadas, incluindo Simon Bar Giora e João de Giscala. Muitos escaparam a locais próximos do Mediterrâneo. Aparentemente Tito recusou aceitar uma Coroa de erva (condecoração militar romana) alegando que "não há mérito em vencer umas gentes abandonadas pelo seu próprio Deus".

Herdeiro de Vespasiano

Incapaz de navegar para a Itália durante o Inverno, Tito celebrou uns esplendorosos jogos na Cesareia Marítima e Berytus, depois viajou para Zeugma do Eufrates, onde se apresentou com uma coroa a Vologases II de Partia. Visitando Antioquia confirmou os direitos tradicionais dos judeus naquela cidade. No seu caminho para Alexandria, deteve-se em Mênfis onde consagrou o touro sagrado de Ápis portando uma diadema. Esta diadema era para os romanos um símbolo de realeza. Segundo Suetônio estes fatos causaram uma grande consternação em Roma, onde se temia que se rebelasse contra Vespasiano. Segundo Suetônio Tito viajou imediatamente para Roma com o fim de dissipar os rumores sobre a sua conduta.

Após a sua chegada à cidade em 71 d.C. recompensou-o com um triunfo. Acompanhado por Vespasiano e o seu irmão Domiciano, desfilou a cavalo pela cidade sendo saudado de maneira entusiasta pela população e acompanhado pelos seus tesouros e prisioneiros de guerra. Josefo descreve-o como uma procissão com ingentes quantidades de ouro e prata. A procissão incluía os prisioneiros de guerra e os tesouros do Templo de Jerusalém. Simão Bar Giora foi executado no Fórum Romano, depois disso, a procissão ufanou-se em realizar os requeridos sacrifícios religiosos no Templo de Júpiter. O Arco do Triunfo de Tito, que fica na entrada do Fórum, comemora a vitória de Tito.

Com Vespasiano declarado imperador, Tito e o seu irmão Domiciano receberam o título de César em nome do Senado. Além de compartir o poder tribunício com o seu pai, Tito foi designado cônsul em sete ocasiões durante o reinado do seu pai e atuou como o seu secretário comparecendo em certas ocasiões no Senado no seu nome. Tito foi designado comandante da Guarda Pretoriana, fazendo mais sólida a posição de Vespasiano como monarca legítimo. Contudo Tito tornou-se infelizmente famoso entre a população devido às suas violentas ações ordenando a execução de pessoas suspeitosas de traição. Quando em 79 d.C., foi destapado um complô dirigido por Aulo Cecina Alieno e Éprio Marcelo para derrocar a Vespasiano. Alieno foi convidado a uma ceia, na que foi assassinado por punhaladas no coração.

Durante as revoltas judaicas, Tito iniciou uma relação com Berenice de Cilícia, irmã de Herodes Agripa II, que colaborara com os romanos durante a campanha e depois/(portanto)logo apoiara a Vespasiano no seu caminho para o trono. No 75 d.C., ela voltou junto a Tito e viveu abertamente com ele no palácio como a sua prometida. Os romanos eram cépticos sobre/(acerca_de:)em_relação) esta relação e a desaprovavam. A pressão do (gentes:)povo/(localidade:)povoação fez com que Tito separara-se dela, porém a sua reputação sofreu muito por causa desta relação.

Imperador

Vespasiano faleceu o 23 de Júnio do 79 d.C. por causa de uma infecção e foi sucedido pelo seu filho Tito. Os romanos, por causa dos seus supostos vícios, temiam que Tito tornara-se em outro Nero. Contra todos os prognósticos Tito demonstrou ao povo que era um imperador eficaz e foi muito querido por todos os romanos. Um dos seus primeiros atos como imperador foi ordenar publicamente suspender os juízos baseados em traição. A lei de traição, ou a lei de maestas, a princípio foi usada para processar os que corruptoramente tinham prejudicado as pessoas e a majestade de Roma por qualquer ação revolucionária. Contudo, sob o reinado de César Augusto, esta lei também fora aplicada para condenar os escritos difamatórios. Sob o reinado de Tibério, Calígula e Nero utilizou-se para justificar as execuções, criando uma rede de informadores que fez tremar a administração romana durante décadas. Tito acabou com esta prática, declarando:

É impossível que eu seja insultado ou ultrajado. Eu nada faço que mereça ser censurado, e não me importam as falsidades que sobre mim sejam escritas. E, quanto aos imperadores que já estão mortos e enterrados, já se vingarão por si mesmos caso alguém lhes fazer algum mal, se em verdade são semideuses e possuem algum poder."

Portanto, nenhum dos senadores foi assassinado durante o seu reinado; Tito manteve assim a sua promessa de que assumiria o cargo de Pontifex Maximus" com o objetivo de manter as mãos limpas". Os informadores públicos foram castigados e desterrados da cidade. Como imperador, Tito ficou conhecido pela sua generosidade, e Suetônio declara que para compreender que ele não tirara nenhuma benefício de ninguém durante um dia inteiro ele comentou, "Amigos, perdi um dia".

Desafios

Embora o seu reinado ficasse livre de conflitos militares ou políticos, Tito teve de afrontar um grande número de desastres. A 24 de agosto de 79 d.C., apenas dois meses depois da sua ascensão ao trono, o Monte Vesúvio entrou em erupção, causando a quase completa destruição das cidades da Baía de Nápoles. As cidades de Pompeia e Herculano foram sepultadas sob toneladas de pedra e lava causando a morte de um grande número de pessoas. Tito designou dois ex-cônsules para dirigir as tarefas de reconstrução e doou uma grande quantidade de dinheiro do Tesoro Imperial a fim de ajudar as vítimas do vulcão. O próprio Tito visitou Pompeia após a erupção e depois outra vez mais no ano seguinte.

Durante a segunda visita, um incêndio que durou três dias estourou em Roma. Embora o grau de destruição não fosse tão desastroso quanto o do grande incêndio do 64 d.C., Dião Cássio registrou uma longa lista de edifícios públicos danificados parcialmente ou consumidos totalmente pelo fogo. Entre eles, estavam o Panteão de Agripa, o Templo de Júpiter, o Diribitorium, o Teatro de Pompeu e a Saepta Júlia, entre outros. De novo Tito pagou do seu bolso os danos ocasionados pelo fogo. Aparentemente houve uma praga durante o incêndio, embora se desconheça a natureza da doença e o número de falecidos.

Enquanto isso, a guerra continuara na Britânia, onde Cneu Júlio Agrícola se internou na Caledônia e dirigiu o estabelecimento de várias fortificações. Como consequência das suas ações, Tito foi aclamado Imperator por decimo-quinta vez.

O seu reinado também sofreu a rebelião de Terêncio Máximo, um de vários Neros falsos que continuaram aparecendo ao longo dos anos 70. Embora Nero seja conhecido nomeadamente como um tirano, chegaram escritos que informam que foi enormemente popular nas províncias orientais durante o seu reinado.

Segundo Dião Cássio, Terêncio Máximo seria parecido com Nero na voz e no aspecto e, como ele, tocava a lira. Terêncio estabeleceu-se na Ásia Menor, mas pronto foi forçado a escapar para além de Eufrates, tomando refúgio entre os Partos. Além disso, as fontes antigas declaram que Tito descobriu que o seu irmão Domiciano conspirava contra ele, mas recusou a opção de assassiná-lo ou desterrá-lo.

Obras Públicas

A construção de Anfiteatro Flávio, conhecido habitualmente como o Coliseu de Roma, começou na década de 70 sob o reinado de Vespasiano e finalizou sob o reinado de Tito nos anos 80. Além das espetaculosas dimensões do Coliseu, que ofereciam um grande entretenimento para a população romana, o Coliseu representava também os sucessos militares dos Flávios durante as guerras judaicas. Os jogos inaugurais duraram cem dias, e foram sumamente elaborados, incluindo combates de gladiadores, pelejas de animais selvagens, representações de batalhas navais (para as que foi inundado o teatro), corridas de cavalos e de carros. Durante os jogos, passaram entre o público umas bolas de madeira, inscritas com vários prêmios com os que os ganhadores eram obsequiados.

Junto ao anfiteatro, dentro do recinto da Domus Aurea de Nero, Tito ordenara a construção de uns novos banhos públicos públicos, que deviam levar o seu nome. A construção deste edifício terminou de pressa para que coincidisse com a finalização das obras do Anfiteatro Flávio.

A prática do culto imperial foi ressuscitada por Tito, embora aparentemente isto encontrou algumas dificuldades, pois Vespasiano não foi deificado senão seis meses depois da sua morte. Para honra e glória da dinastia dos Flávios, começaram as obras do Templo de Tito e Vespasiano que finalizaria durante o governo de Domiciano.

Morte

Ao finalizar os jogos, Tito dedicou oficialmente ao povo a construção do anfiteatro e os banhos, o que deveu ser o seu último ato como imperador. Tito partiu para os territórios dos sabinos mas caiu enfermo e faleceu por causa de umas febres, aparentemente no mesmo imóvel que o seu pai. Segundo parece, as últimas palavras que pronunciou Tito foram "somente cometi um erro". Tito governara o Império Romano durante dois anos, da morte do seu pai em 79 d.C. até a sua morte a 13 de setembro do 81 d.C. Tito foi sucedido por Domiciano cujo primeiro ato foi deificar o seu irmão.

Os historiadores especularam muito sobre a morte de Tito e do erro ao qual se refere nas suas últimas palavras, Filóstrato defende que foi envenenado por Domiciano e que a sua morte fora prognosticada por Apolônio de Tiana. Suetônio e Dião Cássio sustêm que faleceu de causas naturais, mas acusam Domiciano de abandonar o seu irmão enfermo e segundo Dião, o erro ao que Tito refere é o de não ter executado o seu irmão que descobriu a sua participação no complô contra ele.

Legado

Os relatos sobre Tito escritos por historiadores antigos são mais exemplares que sobre qualquer outro imperador. Os escritos que sobreviveram, a maioria de autores contemporâneos a Tito, oferecem uma visão estremadamente favorável para o imperador, sobretudo comparado com o tirânico governo do seu irmão Domiciano.

A obra de Josefo A guerra dos judeus oferece uma visão de primeira mão sobre ,o caráter de Tito durante a rebelião judaica. Contudo a neutralidade do escrito de Josefo foi questionado, pois Josefo estava em dívida com o imperador. Quando Tito chegou a Roma em 71 d.C. Josefo acompanhava-o como parte do seu séquito, e depois o historiador naturalizaria-se cidadão romano e tomaria o nome e o praenomen dos seus padroeiros. Josefo recebeu uma pensão anual e viveu em palácio. Sob o patrocínio do imperador, Josefo escreveu muitas das suas obras mais conhecidas. A obra conhecida como A Guerra dos Judeus inclina-se contra os líderes da rebelião, apresentando o levantamento como uma operação mal organizada e culpando aos judeus de causar a guerra.

Outro contemporâneo de Tito, Públio Cornélio Tácito, que começou a sua carreira pública em 80 d.C. ou 81 d.C. e que deve a sua ascensão à dinastia Flávia, oferece uma visão sobre o imperador Tito. As suas Histórias foram escritas neste período, e publicadas durante o reinado de Trajano. Porém, os cinco primeiros livros deste texto, que abrangem os reinados de Tito e Domiciano não foram preservados.

Suetônio oferece um relato curto mas muito favorável sobre o reinado de Tito na sua obra As vidas dos doze césares. Suetônio ressalta os seus sucessos militares e a sua generosidade; assim, a sua descrição de Tito diz:

"Tito, chamado do mesmo jeito que o seu pai, foi querido por todo o povo romano, coisa muito difícil. Era tão superior que era um prazer para a raça humana, foram estas características o que lhe fizeram ganhar o afeto da população."

Outro autor, Dião Cássio, escreveu a sua História de Roma uns cem anos depois da morte de Tito; Cássio tem uma visão muito similar à de Suetônio, e é muito provável que utilizara a este como a sua fonte principal:

"O fato de as fontes falarem muito bem de ele é devido a que esteve pouco tempo no trono, e apenas teve oportunidade de fazer o mal. Desde a data em que o nomearam imperador transcorreram somente dois anos, dois meses e vinte e nove dias -além dos vinte e nove anos, cinco meses e vinte e cinco dias que vivera até então. Certamente, por isso é acreditado que igualou o longo reinado de Augusto, pois Augusto nunca teria sido amado caso viver menos, nem Tito caso viver mais. Augusto, embora se mostrasse irascível pelas guerras e outros contratempos, foi muito capaz, com o tempo, de conseguir uma brilhante reputação pelos seus generosos atos; Tito, pelo contrário, governou com temperança e faleceu no apogeu da sua glória. De ter vivido muito mais, ficaria demonstrado que deve mais a sua fama atual à fortuna do que aos seus próprios méritos."

Plínio o Velho, que faleceu após a erupção do Vesúvio, dedicou a sua obra Naturalis Historiæ ao imperador.