Mostrando postagens com marcador Aserá. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aserá. Mostrar todas as postagens

domingo, 20 de setembro de 2026

A oração mais famosa do judaísmo não é monoteísta?

 


Acesse o Link

Quando lemos a Bíblia Hebraica hoje, muitas vezes a abordamos sob a ótica do monoteísmo estrito. Mas o Dr. Joel Baden explica que o antigo Israel emergiu de um mundo repleto de muitos deuses, e sua religião se desenvolveu gradualmente do politeísmo para a monolatria e, eventualmente, para o monoteísmo. A discussão começa com o Shemá em Deuteronômio 6:4: “Ouve, ó Israel, Yahweh, nosso Deus, Yahweh é o único Deus”. O Dr. Baden argumenta que a expressão “nosso Deus” é especialmente reveladora. Em vez de negar a existência de outros deuses, ela enfatiza a lealdade exclusiva de Israel a Yahweh. A Bíblia menciona frequentemente outras divindades, incluindo Baal, Aserá, El, Quemos e Milcom. 

Nesse contexto antigo, reconhecer múltiplos deuses, embora se adorasse apenas um, era comum. Os estudiosos chamam esse sistema de *monolatria*, e provavelmente era praticado por várias pequenas nações da região, cada uma centrada em sua própria divindade nacional. O episódio também examina o mundo divino que cercava Javé, incluindo a ideia de um conselho celestial de seres divinos menores. Isso ajuda a explicar as passagens bíblicas em que Deus fala no plural sem implicar que Israel adorava vários deuses igualmente. 

Finalmente, em “Perdido na Tradução”, o Dr. Baden explora Aserá. Na Bíblia, o termo pode se referir tanto a uma deusa quanto a um objeto sagrado que os israelitas foram ordenados a destruir. Inscrições arqueológicas que se referem a “Javé e sua Aserá” sugerem que alguns israelitas podem ter adorado Javé juntamente com uma figura divina feminina. Juntas, essas pistas mostram que a religião dos antigos israelitas não era uniforme nem estática. 

A Bíblia reflete a teologia de autores e editores específicos, enquanto a arqueologia revela que a prática religiosa cotidiana podia ser muito mais diversa. 

Três principais conclusões deste episódio: 

1. A monolatria, e não o monoteísmo, definiu a religião dos primeiros israelitas: A religião dos primeiros israelitas frequentemente reconhecia muitos deuses, ao mesmo tempo que exigia a adoração exclusiva de Javé. A ênfase era na lealdade ao Deus de Israel, e não na negação da existência de outros deuses. 

2. O Conselho Divino de Javé explica a linguagem plural: Passagens como "Façamos o homem à nossa imagem" refletem a ideia do Antigo Oriente Próximo de um deus supremo que preside um conselho celestial de seres divinos inferiores. 

3. A religião israelita evoluiu de um mundo politeísta: Evidências bíblicas e arqueológicas sugerem que a religião israelita se desenvolveu a partir de um contexto politeísta cananeu. A adoração de figuras como Baal e Aserá persistiu ao lado de Javé, mostrando que a teologia oficial e a prática cotidiana nem sempre coincidiam.