quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Sacerdotes-Astrônomos do Mundo Antigo

 

Os templos no antigo Crescente Fértil foram construídos por governantes. Eram grandes edificações destinadas a exibir a riqueza e o poder do governante. Foram erguidos em importantes fontes de água, como o Eufrates, o Tigre ou o Nilo.

Os templos no Egito e na Babilônia eram alinhados com os corpos celestes para sincronizar rituais religiosos e ciclos agrícolas. Os templos eram observatórios onde os sacerdotes registravam os movimentos do Sol, da Lua e de cinco "estrelas errantes" (planetas) para determinar quando plantar e quando realizar festivais religiosos. Os sacerdotes astrônomos levavam a sério sua responsabilidade de fixar as datas das festas e jejuns, pois acreditavam que o padrão para uma vida correta na Terra se encontrava no padrão estabelecido por Deus nos céus.

Os templos babilônicos possuíam sete níveis, representando o número de corpos celestes visíveis: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. A arquitetura tinha como objetivo expressar uma realidade celestial na Terra. O templo tornou-se o arquétipo dos céus, um costume arquitetônico comum entre as populações antigas, como Mircea Eliade demonstrou em seu livro O Sagrado e o Profano.

No templo dedicado ao Sol no Alto Egito, nas ruínas de Babian, havia sete urnas. Estas representavam os sete corpos celestes visíveis que dão nome aos dias da semana em muitas línguas (por exemplo, segunda-feira - dia da lua em inglês, luas - dia da lua em espanhol).

O templo dedicado ao deus supremo (Amon-Rá) em Karnak foi alinhado com o nascer do sol do solstício de inverno, de modo que, nesse dia, um feixe de luz atravessava os enormes pilares e iluminava o santuário interno. No Egito Antigo, a palavra Ré significa "pai".

Por volta de 4245 a.C., os sacerdotes do Alto Nilo já haviam estabelecido um calendário baseado no aparecimento da estrela Sirius, que se torna visível a olho nu a cada 1.461 anos. Aparentemente, os sacerdotes do antigo Vale do Nilo vinham observando essa estrela e relacionando-a às mudanças sazonais e à agricultura há milhares de anos. O sacerdote Maneto relatou em sua obra histórica (241 a.C.) que os nilotas já "observavam as estrelas" há pelo menos 40.000 anos. Platão, que estudou por 13 anos no Egito, afirmou que os africanos já observavam os céus há 10.000 anos.

Bênçãos e Maldições do Alto

No mundo antigo, os corpos celestes eram por vezes representados como taças das quais se derramavam maldições e bênçãos sobre a Terra. A pior maldição possível envolvia sete taças ou um derramamento sétuplo. Taças de maldição ou "taças de encantamento", como a mostrada acima, foram encontradas na Mesopotâmia e no Egito. Esta taça de maldição data de cerca de 3000 a.C.

Ainda hoje falamos de bênçãos que descem do céu. Tiago fala de toda boa dádiva que vem do Pai das luzes.

A bênção mais sublime envolvia um derramamento sétuplo, como ocorre na cerimônia de casamento dos Agharias (Orissa, Índia). Começa com o pai da noiva entregando-lhe uma pulseira (como fez o servo de Abraão a Rebeca) e sete pequenas tigelas de barro. A noiva senta-se ao ar livre, e sete mulheres seguram as tigelas sobre sua cabeça, uma sobre a outra. A água é então derramada de uma tigela para a outra, enchendo-as uma a uma, até que a água caia sobre a cabeça da noiva. Derramar a água de cima representa a bênção divina. A noiva é então banhada e carregada em uma cesta sete vezes ao redor do poste do casamento. Em seguida, ela se senta e sete mulheres colocam suas cabeças ao redor dela, enquanto um parente do sexo masculino enrola um fio sete vezes em volta das mulheres.

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