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sábado, 10 de outubro de 2026

O gênero de Gênesis 1: uma abordagem histórica

 


Introdução: um debate acalorado

É bem sabido por qualquer pessoa com um mínimo de interesse no tema das 'origens' que o relato bíblico da criação (Gênesis 1:1 – 2:3) tem sido alvo de um debate acalorado nos últimos anos entre os chamados 'criacionistas dos seis dias' e aqueles rotulados como 'materialistas científicos'. Esses rótulos são frequentemente usados ​​de forma pejorativa, portanto, gostaria de esclarecer que meu uso desses epítetos é por conveniência, e não por crítica.

Os criacionistas da criação em seis dias insistem, baseando-se principalmente em Gênesis 1, que o universo foi criado em apenas uma semana, há cerca de 6.000 anos, e que nenhuma outra interpretação do material bíblico é possível para aqueles que buscam ser fiéis às Escrituras como divinamente inspiradas. Os materialistas científicos retrucam, baseando-se principalmente em dados científicos, que tal visão é patentemente falsa e que o universo tem cerca de 14 bilhões de anos. Portanto, o relato judaico-cristão de nossas origens, dizem eles, deve ser descartado como irrelevante para os nossos dias. Existem, é claro, inúmeras "posições intermediárias" que são menos relevantes para o argumento deste artigo.

No que se segue, espero demonstrar que ambos os lados do debate — tal como normalmente se apresentam — cometem um erro semelhante. Formularam as suas conclusões sobre o relato bíblico da criação isoladamente das conclusões de muitos historiadores bíblicos contemporâneos de renome. E é na qualidade de historiador que pretendo abordar este tema.

Literalístico ou literal?

Os criacionistas do seis dias e os materialistas científicos abordam o capítulo inicial da Bíblia de maneira "literalista". Uso a palavra "literalista" deliberadamente, pois quero distinguir entre literalismo e literalidade. Uma leitura literalista toma as palavras de um texto ao pé da letra, interpretando-as com mínima atenção ao gênero literário e ao contexto histórico. Uma leitura literal, como a que adoto, por outro lado, leva em consideração tanto o estilo literário quanto o contexto histórico do texto. Ela busca compreender não apenas o que é dito, mas também o que se quer dizer — ou seja, o que o autor original pretendia transmitir. Às vezes, na literatura, o que se quer dizer e o que se diz não têm uma correspondência direta. Na metáfora, por exemplo, o que se quer dizer é maior do que o que é dito ("O Senhor é o meu pastor", Salmo 23:1). Na hipérbole, o que se quer dizer é menor do que o que é dito ("Se a tua mão direita te faz pecar, corta-a e lança-a fora", Mateus 5:30). Pode-se ler tais recursos literários literalmente — tentando discernir o que a literatura pretende transmitir — sem lê-los de forma literalista.

Tanto os criacionistas da criação em seis dias quanto os materialistas científicos abordam Gênesis 1 como se o autor original tivesse a intenção de narrar os mecanismos da criação em prosa histórica. Acredito que essa seja uma leitura literalista equivocada. Há mais de um século, muitos historiadores bíblicos têm detectado, nas palavras iniciais da Bíblia, um estilo que vai além da simples prosa e um propósito que não se limita a explicar como o universo foi criado. Essas duas questões — gênero e propósito — são cruciais para a compreensão dessa porção fundamental da Bíblia judaica e cristã. A seguir, portanto, pretendo analisar o que muitos estudiosos modernos têm dito sobre essas questões e demonstrar que, quando compreendido corretamente, Gênesis 1 não ensina nada que seja cientificamente problemático para o pesquisador moderno. Enfatizo o advérbio "cientificamente", visto que há muito em Gênesis 1 que é teológica e existencialmente desafiador. Esse é o objetivo do texto, segundo meu entendimento.

Mas, antes de mais nada, um esclarecimento importante: devo enfatizar que este artigo não assume nenhuma visão específica sobre as origens da humanidade. As questões exploradas são literárias e históricas, não científicas. Minha rejeição à leitura literal de Gênesis 1 não oferece apoio direto ao criacionismo progressivo da Terra antiga (ou "evolução teísta", como às vezes é chamado), nem pretende fazê-lo. Na verdade, o argumento apresentado a seguir é consistente com praticamente qualquer explicação científica das origens. Para dizer de forma direta, mas não menos precisa, mesmo que a ciência viesse a provar que o universo foi criado em seis dias, há cerca de 6.000 anos, essa feliz correspondência entre os dados científicos e a estrutura superficial de Gênesis 1 não afetaria em nada minha interpretação do texto. Eu ainda insistiria que o capítulo inicial da Bíblia não visa ensinar uma cronologia cósmica específica e que sugerir o contrário distorce a intenção original do autor.

Uma analogia pode ajudar. Consideremos a famosa parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:30-37). Suponhamos que se descobrisse alguma evidência histórica clara de que, por volta de 29 d.C., um samaritano viajava pela estrada entre Jerusalém e Jericó e encontrou um judeu despido e quase morto de tanto apanhar. O samaritano prontamente cuidou de seus ferimentos e pagou dois denários por seus cuidados em uma hospedaria próxima. Essa descoberta fortuita — talvez em algum relato passageiro de Flávio Josefo ou Filo — teria alguma relação com o ponto principal da parábola de Jesus, onde esses detalhes são narrados com precisão? A resposta é: não. 

Certamente seria uma feliz coincidência se uma das ilustrações didáticas de Jesus se revelasse também uma história verdadeira, mas isso não alteraria o fato de que a própria "parábola" — um recurso literário bem conhecido da antiguidade judaica — nunca teve a intenção de ser interpretada como uma narrativa histórica. A questão aqui não é que Gênesis 1 também seja uma parábola. De forma alguma. Estou simplesmente enfatizando que algumas partes das Escrituras, quando interpretadas corretamente, não nos comprometem com nenhuma visão específica sobre a veracidade do que é descrito. Não acredito que Gênesis 1 ensine uma criação em seis dias, mas isso não significa que eu endosse o evolucionismo teísta nem negue o criacionismo de seis dias. É simplesmente uma constatação literária e histórica. Prefiro deixar a ciência para os cientistas.

Algumas partes das Escrituras, quando interpretadas corretamente, não nos obrigam a adotar uma visão específica sobre a veracidade dos fatos descritos

Interpretando Gênesis 1 na era pré-científica

Antes de apresentar o que os estudiosos contemporâneos estão dizendo sobre o gênero e o propósito de Gênesis, quero deixar claro para os leitores que uma interpretação não literal de Gênesis 1 não é, de forma alguma, um fenômeno recente. Amigos céticos frequentemente me dizem que minha interpretação de Gênesis 1 é, na verdade, apenas um ato de aquiescência às conclusões problemáticas da ciência moderna: “'Agora está claro que a vida surgiu ao longo de bilhões de anos', dizem eles, 'então agora você está tentando parecer respeitável escolhendo a dedo como interpretar a Bíblia'”. Richard Dawkins ecoou essa crítica com grande veemência recentemente. Curiosamente, os criacionistas do seis dias dizem a mesma coisa. Eles insistem que a leitura não literal de Gênesis 1 é resultado de estudiosos bíblicos terem perdido a coragem ou terem sido aprisionados pelo espírito da época.

É importante perceber que os precedentes para uma leitura não literal de Gênesis 1 podem ser encontrados em um passado muito remoto. O que se segue não pretende ser uma prova ou validação da minha interpretação; é simplesmente um contra-argumento à sugestão acima. Gênesis 1 já era interpretado de forma não literal muito antes de a ciência moderna se tornar um "problema" para alguns cristãos.

O erudito judeu Filo

O prolífico erudito judeu Filo, que viveu e trabalhou em Alexandria no primeiro século (10 a.C. – 50 d.C.), escreveu um tratado intitulado Sobre o Relato da Criação do Mundo por Moisés. Nesta obra, Filo afirma que Deus provavelmente criou tudo simultaneamente e que a referência a 'seis dias' no Gênesis indica não uma sequência temporal, mas uma ordem divina ( Sobre a Criação 13, 28). É importante notar que Filo não era uma figura marginal. Ele era o principal intelectual da maior comunidade judaica fora da Palestina. Não sabemos quão difundidas eram suas ideias, mas sua discussão sobre o tema não revela qualquer indício de controvérsia.

Os 'Pais' Gregos

Filo é seguido nessa interpretação pelo teólogo e evangelista cristão do século II, Clemente de Alexandria (150-215 d.C.), para quem os seis dias são simbólicos (Stromata VI, 16). Uma geração depois, Orígenes (185-254), o teólogo mais influente do século III — novamente, um alexandrino — entendeu os dias 2 a 6 do relato do Gênesis como dias no tempo. No entanto, ele considerou o primeiro dia como um dia atemporal. Ele argumentou que, sem matéria, que foi criada no segundo dia, não poderia haver tempo; portanto, nenhum 'dia' verdadeiro. O interessante aqui é que um importante estudioso cristão da antiguidade se sentia à vontade para misturar abordagens concretas e metafóricas em relação a Gênesis 1.

Os Padres Latinos e além

Passando para os estudiosos de língua latina, o bispo de Milão do século IV, Santo Ambrósio (339-397 d.C.), ensinou uma compreensão totalmente simbólica de Gênesis 1. Além disso, seu maior convertido, e talvez o teólogo mais influente da história, Santo Agostinho, defendeu uma leitura bastante sofisticada e não literal do texto. Agostinho entendia os "dias" em Gênesis 1 como épocas sucessivas nas quais a substância da matéria, que Deus havia criado num instante num passado remoto, foi moldada nas várias formas que hoje reconhecemos. A visão de Agostinho foi endossada por alguns dos maiores nomes da Igreja medieval, incluindo o Venerável Beda no século VIII (Hexaemeron 1, 1), Santo Alberto Magno ( Comentário sobre a Sentença 12, B, I) e o incomparável Tomás de Aquino ( II Sentenças 12, 3, I) no século XIII.

É preciso dizer que tais pontos de vista não eram a posição majoritária durante esse período. A leitura literalista parece ter sido a dominante desde o século V até os dias de hoje. Seja como for, o ponto principal que desejo destacar é que uma interpretação não literalista de Gênesis 1 não é necessariamente uma reação nervosa e moderna ao avanço da ciência contemporânea. Trata-se de um ponto de vista (ainda que minoritário) com uma longa e venerável história tanto nas tradições judaicas quanto cristãs.

Dito isto, há aspectos da interpretação moderna de Gênesis 1 que só se tornaram possíveis entre os séculos XVI e XIX, precisamente na época da revolução científica. Isso não é coincidência. Os períodos do Renascimento e do Iluminismo precipitaram uma revolução literária em paralelo com a científica. Foi uma época de crescente sofisticação na análise histórico-crítica de textos antigos em seus idiomas originais, e dessas análises surgiram conclusões específicas sobre o gênero e o propósito do capítulo 1 de Gênesis.

O gênero de Gênesis 1

Com o surgimento da crítica literária, os estudiosos bíblicos modernos começaram a apreciar mais plenamente a importância do gênero literário para a interpretação de textos antigos. Quando você e eu pegamos o jornal diariamente, não temos dificuldade em passar da notícia para o editorial, da sátira para a programação da TV, para as tirinhas e assim por diante. Não precisamos de notas laterais indicando as transições. Todos nós entendemos as formas literárias e lemos os textos relevantes de forma apropriada.

Os povos antigos agiam de maneira muito semelhante. Somente na Bíblia podemos discernir não apenas poesia e prosa, mas também fórmulas legais, relatos históricos, parábolas, aforismos, profecias, hipérboles, credos, hinos, epístolas, lamentos proféticos, homilias e textos apocalípticos. Todos esses elementos devem ser lidos de forma diferente, e assim o eram para o público antigo. A noção de que os antigos eram simplórios que só sabiam interpretar o texto de forma literal é comprovadamente falsa.
O exemplo de 'apocalíptico' no Apocalipse

O termo "apocalíptico" oferece um bom paralelo para a presente discussão. No livro do Apocalipse, o texto final da Bíblia, o autor narra visões cósmicas repletas de símbolos e códigos envolvendo números, cores e até animais (o famoso "666" ou "marca da Besta" vem do livro do Apocalipse).

Uma interpretação literalista, digamos, de Apocalipse 19 — para citar apenas um exemplo — nos levaria a crer que Jesus retornará à Terra um dia com olhos de fogo, montado em um cavalo branco, vestindo uma túnica manchada de sangue e com múltiplas coroas na cabeça. Alguns cristãos modernos podem sinceramente esperar que as coisas aconteçam dessa maneira, mas tal concretização das imagens jamais teria passado pela cabeça dos crentes da antiguidade. Há muito tempo, estudiosos apontaram que grandes trechos do livro do Apocalipse correspondem ao antigo recurso literário conhecido como "apocalíptico", no qual números, cores, animais e outros elementos eram empregados com referentes específicos. O autor do Apocalipse jamais teria previsto que o público um dia abordaria sua obra de forma literalista.

Uma situação semelhante ocorre com o primeiro livro da Bíblia. Gênesis 1 não está escrito em estilo apocalíptico, é claro, mas é composto em um estilo bastante diferente da "narrativa histórica" ​​dos Evangelhos, por exemplo, em seus relatos da ressurreição de Jesus. Não há como negar que os autores dos Evangelhos afirmavam estar escrevendo história naquele momento — independentemente de os leitores aceitarem ou não o que é relatado. Gênesis 1, por outro lado, não está escrito no estilo que normalmente associamos a relatos históricos. É difícil até mesmo descrever a passagem como prosa. O hebraico original dessa passagem é marcado por uma estrutura intrincada, ritmo, paralelismo, quiasmo, repetição e o uso abundante de simbolismo numérico . Essas características não são observadas juntas nas partes da Bíblia que reconhecemos como prosa histórica.

Pode-se concluir com segurança que as preocupações de Gênesis 1 não se limitam a fornecer uma cronologia cósmica

Essa observação deve ser levada em consideração. Embora, do ponto de vista literário, não se possa afirmar que o mundo não foi criado em seis dias, pode-se concluir com segurança que as preocupações de Gênesis 1 vão além de fornecer uma cronologia cósmica. O gênero do texto sugere que o autor pretendia transmitir seu significado por meios sutis e sofisticados, e não pela trama superficial da narrativa (ou seja, a criação em seis dias).

Simbolismo numérico em Gênesis 1

Uma descrição completa de todos os recursos literários em Gênesis seria inadequada aqui, e eles são bem descritos em inúmeros estudos técnicos e comentários. No entanto, chamarei a atenção para o simbolismo numérico presente em nossa passagem. Isso fornece um exemplo convincente da natureza incomum do texto e da maneira como o autor busca transmitir sua mensagem por meios que vão além da trama superficial.

É sabido que, no pensamento hebraico, o número sete simboliza a 'totalidade' como uma característica da perfeição de Deus. Um exemplo bem conhecido é o candelabro de sete velas, ou Menorá, que há muito tempo é um símbolo da fé judaica e é o emblema do moderno Estado de Israel.

Em Gênesis 1, múltiplos de sete aparecem de maneiras extraordinárias. Para os leitores antigos, acostumados a observar tais detalhes, esses múltiplos de sete transmitiam uma mensagem poderosa. Sete era o número divino, o número da bondade e da perfeição. Sua onipresença no capítulo inicial da Bíblia deixa uma ideia inequívoca sobre a origem e a natureza do próprio universo. Considere o seguinte:

A primeira frase de Gênesis 1 consiste em sete palavras hebraicas. Instantaneamente, a atenção do leitor antigo é capturada;
A segunda frase contém exatamente quatorze palavras. Um padrão está se formando;
A palavra 'terra' — uma das metades da esfera criada — aparece 21 vezes no capítulo; 12
A palavra 'céu' — a outra metade da esfera criada — também aparece 21 vezes.
'Deus', o ator principal, é mencionado exatamente 35 vezes.
O refrão 'e assim foi', que conclui cada ato criativo, ocorre exatamente sete vezes;
A frase que resume a ideia de que "Deus viu que era bom" também ocorre sete vezes;
É quase desnecessário ressaltar que toda a narrativa é estruturada em torno de sete cenas ou sete dias da semana.

A beleza artística do capítulo é deslumbrante e, para os leitores antigos, inconfundível. Apresenta a criação como uma obra de arte, participante da perfeição de Deus e derivada dele. Meu ponto é óbvio: a menos que incluísse um prefácio para o benefício dos leitores modernos, o autor original dificilmente poderia ter deixado mais claro que sua mensagem está sendo transmitida por meios literários, e não prosaicos. O que encontramos em Gênesis 1 não é exatamente poesia do tipo que encontramos no livro bíblico dos Salmos, mas também não é reconhecível como simples prosa. É um inventário rítmico e carregado de simbolismo de mandamentos divinos.

Estilo literário e a questão da 'verdade'

Nada disso deveria incomodar os cristãos modernos, ou os céticos, aliás. Pode ser que você opte por descartar a relevância e o valor da Bíblia, mas essa escolha não deve derivar dessa questão específica. Não é como se as verdades expressas por meio de recursos literários fossem de alguma forma menos verdadeiras do que aquelas expressas em prosa simples. Já citamos os exemplos da parábola e do apocalipse. Fora da Bíblia, também reconhecemos a capacidade das imagens de transmitir a verdade. Quando Romeu diz: "Que luz é essa que irrompe daquela janela? É o Oriente, e Julieta é o sol!", todos nós entendemos o que está sendo dito. A afirmação não é menos real do que se Romeu tivesse dito: "Julieta está na janela e ela é bonita". Somente alguém que desconhece a tradição literária inglesa questionaria as discrepâncias ontológicas entre uma mulher e o sol.

Será que Deus criou a 'luz' no primeiro dia da criação? É possível que sim. Mas provavelmente esse não é o ponto central de Gênesis 1:3. O estilo altamente 'literário' da nossa passagem torna improvável, na minha opinião, que o autor tenha pretendido que ligássemos a sua narrativa superficial de uma semana de sete dias a uma sequência de eventos físicos no tempo. Novamente, o exemplo do livro do Apocalipse me vem à mente. Há consenso entre os estudiosos de que o número de judeus presentes na descrição do reino celestial em Apocalipse (144.000) é simbólico, não literal. Sendo um múltiplo de 12 (o número das tribos de Israel), a cifra de 144.000 transmite a ideia de um número completo de israelitas. 

Isso é reconhecido até mesmo em círculos populares (embora eu observe que as Testemunhas de Jeová interpretam o número literalmente). Da mesma forma, a natureza literária de Gênesis 1 sugere a mim e a muitos outros historiadores bíblicos que o autor original do texto, quaisquer que fossem seus pensamentos sobre os mecanismos da criação, não pretendia transmiti-los neste texto. Muitos discordarão dessa conclusão por razões teológicas e (talvez) científicas. Respeito o direito deles de discordar e permaneço aberto a aprender mais sobre essa passagem de suma importância das Escrituras Judaico-Cristãs.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Negando a historicidade de Jesus

Além de vários cientistas, pensadores, historiadores, filósofos e escritores como Nietzsche, Einstein, Strauss, Emílio Bossi, Ernest Renan, José Saramago, Bertrand Russell, Richard Dawkins..., vários outros também não criam no "Deus" dos Cristãos, nem em Jesus Cristo e muito menos na Bíblia e nos Evangelhos, como "livros sagrados".

E quanto à historicidade de Cristo, muitos foram os que se pronunciaram contrários, escreveram livros, ensaios e até sofreram perseguições em suas vidas, por terem a coragem de assumir publicamente suas posturas. Dentre alguns dos mais notórios que se manifestaram contra a historicidade de Cristo, segue, abaixo, uma relação cronológica, extraida do site Jesus Never Existed (http://www.jesusneverexisted.com/scholars-portuguese.html), na qual e segundo minhas fontes, poderia eu ainda, se quisesse, fazer inúmeras outras inserções, como, por exemplo e para citar só um nome, Bart D. Ehrman, uma lamentável ausência na lista, com 3 excelentes livros sobre o assunto ("Evangelhos Perdidos: As Batalhas pela Escritura e os Cristianismos que não Chegamos a Conhecer (2003)"; " O Que Jesus Disse e o que Jesus Não Disse: Quem mudou a Bíblia e por quê?" (2006); "Pedro, Paulo e Maria Madalena: A verdade e a lenda sobre os seguidores de Jesus (2006)". Só não o fiz por respeitar a autoria e manter os créditos ao artigo original, aqui reproduzido, na íntegra, e apenas reformatado nos grifos.

Veja a matéria e a lista:
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Demolindo o Mito de Jesus – Uma História
Por mais de duzentos anos, uma minoria de corajosos pesquisadores têm ousado questionar a historicidade de Jesus. Apesar dos riscos de ataque físico, ruína profissional e ostracismo, eles duvidaram seriamente da veracidade da saga dos evangelhos, descascaram as camadas de fraude e engano e finalmente desafiaram a própria existência do homem-deus.

Hermann Samuel Reimarus (1694-1768).1778, Sobre a Intenção de Jesus e Seu Ensinamento. Pensador iluminista e professor de línguas orientais do Ginásio de Hamburgo, sua extensa obra -- publicada após sua morte -- rejeita a “religião revelada” e defende um deísmo naturalista. Reimarus acusou os escritores dos evangelhos de fraude proposital e inumeráveis contradições.

Francois Marie Arouet (Voltaire) (1694-1778) A mais influente figura do Iluminismo, foi educado num colégio jesuíta e ainda assim concluiu “O cristianismo é a religião mais ridícula, absurda e sangrenta que jamais infectou o mundo... O verdadeiro Deus não pode ter sido dado à luz por uma garota, nem sido morto num cadafalso e nem ser comido numa porção de hóstia.” Preso, exilado, seus livros banidos e queimados, a grande popularidade de Voltaire na França assegurou-lhe um descanso final no Panteão, em Paris. Extremistas religiosos roubaram seus restos mortais e os atiraram numa pilha de lixo.

Count Constantine Volney, 1787, As Ruínas; ou, Meditação sobre as revoluções dos impérios (Ruína dos Impérios). Pesquisador napoleônico, viu com seus próprios olhos evidências de precursores egípcios do cristianismo.

Edward Evanson, 1792, A Dissonância dos Quatro Evangelistas Geralmente Recebidos e a Evidência de suas Respectivas Autenticidades. Racionalista inglês que contestou a autoria apostólica do Quarto Evangelho e denunciou como espúrias várias epístolas Paulinas.

Charles François Dupuis, 1794, Origem de todos os Cultos ou a Religião Universal. Interpretação astrológico-mítica do Cristianismo (e de toda religião). “Um grande erro é mais facilmente propagado que uma grande verdade, porque é mais fácil crer que raciocinar e porque as pessoas preferem o maravilhoso do romance à simplicidade da História.” Dupuis destruiu a maior parte de seu próprio trabalho por causa das violentas reações que causou.

Thomas Paine, 1795, A Idade da Razão. Panfleteiro que fez o primeiro apelo à independência dos Estados Unidos (Bom Senso, 1776; Direitos do Homem,1791) Paine derramou sátiras virulentas nas contradições e atrocidades da Bíblia. Como muitos revolucionários americanos, Paine era deísta:
"Eu não creio na fé professada pela igreja judaica, pela igreja romana, pela igreja grega, pela igreja turca, pela igreja protestante ou por qualquer outra de que tenha notícia... Cada uma destas igrejas acusa a outra de descrença; e de minha parte eu descreio de todas.” – A Idade da Razão

Robert Taylor, 1828, Sintagma de Provas da Religião Cristã; 1829, Diegesis. Taylor foi aprisionado por afirmar as origens míticas do cristianismo. “Os primeiros cristãos entendiam as palavras como nada mais que a personificação do princípio da razão, da bondade, ou daquele princípio, seja qual for, que pode ser mais benéfico à humanidade durante o curso de uma vida.”

Godfrey Higgins (1771-1834). 1836, Anacalipse – Uma Tentativa de Remover o Véu da Ísis Saíta ou um Inquérito da Origem das Línguas, Nações e Religiões. Pioneiro inglês da arqueologia e maçom.
Bruno Bauer, 1841, Crítica da História Evangélica dos Sinóticos. 1877, Cristo e os Césares. A Formação da Cristandade entre os Romanos Helenizados. O iconoclasta original. Bauer contestou a autenticidade de todas epístolas paulinas (nas quais viu a influência de pensadores estóicos, como Sêneca) e identificou o papel de Fílon no cristianismo emergente. Bauer rejeitou a historicidade do próprio Jesus. "Tudo que se sabe sobre Jesus pertence ao reino da fábula.” Como resultado, em 1842, Bauer foi ridicularizado e removido de sua cátedra de Novo Testamento em Tübingen.

Ralph Waldo Emerson, 1841, Ensaios. Inicialmente cristão trinitário e posteriormente ministro unitário, defendeu que Jesus era um “verdadeiro profeta”, mas que o cristianismo institucionalizado era um “despotismo oriental”: “Nossas escolas dominicais, igrejas e ordens monásticas são jugos sobre nossos pescoços."

Mitchell Logan, 1842, A Mitologia Cristã Revelada. “A opinião predominante, embora infundada e absurda, é sempre a rainha das nações.”

Ferdinand Christian Baur, 1845, Paulo, o Apóstolo de Jesus Cristo. Estudioso alemão que identificou como “inautênticas” não apenas as epístolas pastorais, mas também Colossenses, Efésios, Filêmon e Filipenses (deixando apenas as quatro principais epístolas paulinas consideradas genuínas). Baur foi o fundador da assim chamada “Escola de Tübingen”.

David Friedrich Strauss, 1860, A Vida de Jesus Examinada Criticamente. Vigário luterano que se tornou estudioso, expôs magistralmente os milagres evangélicos como mito e, no processo, reduziu Jesus a um homem comum, o que lhe custou sua carreira.

Ernest Renan, 1863, Vida de Jesus. Educado como padre católico, escreveu uma biografia romanceada do homem-deus, sob a influência dos críticos alemães. Custou-lhe seu emprego.

Robert Ingersoll, 1872, Os Deuses. Extraordinário orador de Illinois, seus discursos atacavam a religião cristã. “Sempre me pareceu que um ser vindo de outro mundo, com uma mensagem de infinita importância para a humanidade, deveria pelo menos ter escrito tal mensagem de seu próprio punho. Não é admirável que nenhuma palavra foi jamais escrita por Cristo?”

Kersey Graves, 1875, Os Dezesseis Salvadores Crucificados da Humanidade. Quacre da Pensilvânia que viu um fundo pagão através das invenções cristãs, embora raramente citasse fontes para suas conclusões avançadas.

Allard Pierson, 1879, O Sermão da Montanha e outros Fragmentos Sinóticos. Historiador de arte, literatura e teologia que identificou o Sermão da Montanha como uma coleção de aforismos da literatura sapiençal judaica. Esta publicação foi o começo da Crítica Radical Holandesa. Não apenas a autenticidade das epístolas paulinas, mas a própria existência histórica de Jesus foi trazida à baila.

Bronson C. Keeler, 1881, Pequena História da Bíblia. Uma exposição clássica das fraudes cristãs.

Abraham Dirk Loman, 1882, "Quaestiones Paulinae," in Theologisch Tijdschrift. Professor de teologia em Amsterdã que declarou que todas as epístolas paulinas datam do segundo século. Loman explicou que o cristianismo era a fusão do pensamento judaico ao helenístico-romano. Ao perder a visão, Loman acabou enxergando através das trevas da história da igreja.

Thomas William Doane, 1882, Os Mitos Bíblicos e seus Paralelos em Outras Religiões. Desatualizado, mas uma revelação clássica dos antecessores pagãos dos mitos e milagres bíblicos.

Samuel Adrianus Naber, 1886, Verisimilia. Laceram conditionem Novi Testamenti exemplis illustrarunt et ab origine repetierunt. Classicista que viu mitos gregos escondidos dentro das escrituras cristãs.

Gerald Massey, 1886, O Jesus Histórico e o Cristo Mítico. 1907, Antigo Egito-A Luz do Mundo. Outro clássico da pena de um inimigo precoce do clero. Esse egiptologista britânico escreveu seis volumes sobre a religião do antigo Egito.

Edwin Johnson, 1887, Antiqua mater. Um Estudo das Origens Cristãs. Teólogo radical inglês, identificou os primeiros cristãos como os primeiros cristãos como os “crestianos”, seguidores de um bom (Chrestos, em grego) Deus que havia se apossado do mito de Dionísio Eleutério (“Dionísio, o Libertador”) para produzir um homem-deus altruísta que se sacrificou. Denunciou que os doze apóstolos eram uma completa invenção.

Rudolf Steck, 1888, A Epístola aos Gálatas investigada quanto à sua pureza e uma Observação Crítica das Principais Epístolas Paulinas. Estudioso radical suíço que classificou todas as epístolas paulinas como falsas.

Franz Hartman, 1889, A Vida de Johoshua: Profeta de Nazaré.

Willem Christiaan van Manen, 1896, Paulus. Professor em Leiden e mais famoso dos Radicais Holandeses, um clérigo que não acreditava na ressurreição física de Jesus Cristo. Depois de resistir à conclusão por vários anos, van Manen admitiu que nenhuma das epístolas paulinas era genuína e que os Atos dos Apóstolos se baseiam nas obras de Josefo.

Joseph McCabe, 1897, Porque Deixei a Igreja. 1907, A Bíblia na Europa: Investigação da Contribuição da Religião Cristã à Civilização. 1914, As Origens da Moral Evangélica. Monge franciscano que se tornou evangélico e depois ateu. McCabe, prolífico autor, destroçou muitas partes da lenda cristã – "Não há uma "figura de Jesus" nos Evangelhos. Há uma dúzia de figuras" – mas continuou a admitir a plausibilidade de um fundador histórico, apesar disso.

Albert Schweitzer, 1901, O Mistério do Reino de Deus. 1906, A Busca pelo Jesus Histórico. O famoso teólogo e missionário alemão (35 Anos nos Camarões) ridicularizou o Jesus humanitário dos liberais e teve, ao mesmo tempo, coragem para reconhecer o trabalho dos Radicais Holandeses. Sua conclusão pessimista foi a de que o super-herói foi um fanático apocalíptico que morreu desapontado. Autor da célebre frase: "aqueles que buscam um Jesus histórico apenas encontram um reflexo de si mesmos."

Wilhelm Wrede, 1901, O Segredo Messiânico. Demonstrou como, no evangelho de Marcos, uma falsa história foi criada pelas crenças dos primeiros cristãos.

George Robert Stowe Mead, 1903, Jesus Viveu em 100 a.C.? Uma discussão das histórias judaicas sobre Yeshu que leva Jesus para uma época mais antiga.

Thomas Whittaker, 1904, Origens da Cristandade. Declarou que Jesus era um mito.

William Benjamin Smith, 1906, O Jesus Pré-Cristão. 1911, Os Ensinamentos Pré-Cristãos do Jesus Pagão. Defende a existência de um culto a um Jesus pré-cristão na ilha de Chipre.

Albert Kalthoff, 1907, Ascensão do Cristianismo. Outro radical alemão que identificou o Cristianismo como uma psicose de massas. Cristo era essencialmente o princípio transcedental da comunidade cristã que buscava uma reforma social apocalíptica.

Gerardus Bolland, 1907, O Josué Evangélico. Filósofo em Leiden, identificou a origem do cristianismo no antigo gnosticismo judaico. O super-astro do Novo Testamento é o “filho de Num” do Velho Testamento, o homem a quem Moisés renomeou como Josué. A virgem nada mais é que um símbolo do povo de Israel. De Alexandria, os "Netzerim" levaram seu evangelho até a Palestina.

Em 1907, o Papa Pio X condenou os Modernistas que estavam “atuando dentro dos limites da Igreja”. Um juramento anti-Modernista foi introduzido em 1910.

Prosper Alfaric (1886-1955) Professor francês de teologia, abalado pela posição de Pio X, renunciou à sua fé e deixou a Igreja em 1909 para trabalhar em prol do racionalismo.

Mangasar Magurditch Mangasarian, 1909, A Verdade Sobre Jesus? Ele É um Mito? Perspicaz ministro presbiteriano que enxergou o mito por trás da farsa.

Karl Kautsky, 1909, As Fundações do Cristianismo. Teórico socialista que interpretou o cristianismo como uma manifestação da luta de classes.

John E. Remsburg, 1909, O Cristo: Uma revisão crítica e análise de Sua existência. Afirmou que os evangelhos estavam cheios de contradições, duvidou que Jesus tenha existido e afirmou que o Cristo sobrenatural é apenas certamente um dogma cristão.

Arthur Drews, 1910, Die Christusmythe (O Mito de Cristo). 1910, Die Petruslegende (A Lenda de Pedro). 1924, Die Entstehung des Christentums aus dem Gnostizismus (A Emergência do Cristianismo a partir do Gnosticismo). Eminente filósofo que foi o maior expoente da Alemanha na argumentação em favor do caráter mitológico de Cristo. Segundo Drews, os evangelhos historicizaram um Jesus mítico pré-existente cujo caráter foi derivado dos profetas e da literatura sapiençal judaica. A Paixão foi baseada em especulações de Platão.
John Robertson, 1910, Christianismo e Mitologia. 1911, Cristos Pagãos. Estudos em Hagiografia Comparativa. 1917, O Problema de Jesus. Robertson chamou atenção para a universalidade de muitos dos elemtnos da biografia de Jesus e para a existência de rituais de crucifixão no mundo antigo. Identificou Jesus/Josué com um antigo deus efraimita em forma de cordeiro.

Gustaaf Adolf van den Bergh van Eysinga, 1912, Visões Radicais sobre o Novo Testamento. 1918, Cristandade Pré-Cristã. O surgimento do Evangelho no mundo helenístico. Teólogo e último dos “radicais holandeses” a ter uma cátedra universitária.

Alexander Hislop, 1916, As Duas Babilônias. Exaustiva exposição dos rituais e parafernálias pagãs do Catolicismo Romano.

Edward Carpenter, 1920, Credos Pagãos e Cristãos. Elaborou uma descrição das origens pagãs do Cristianismo.

Rudolf Bultmann, 1921, A História da Tradição Sinótica. 1941, Novo Testamento e Mitologia. Teólogo luteraon e professor da Universidade de Marburgo, Bultmann foi o expoente da “crítica formal” e fez muito para desmistificar os evangelhos. Identificou as narrativas sobre Jesus como teologia expressa em linguagem mítica. Observou também que o Novo Testamento não é a história de Jesus, mas o registro da crença dos primeiros cristãos. Argumentou que a busca por um Jesus histórico era infrutífera: “Nós não podemos saber praticamente nada a respeito da vida ou da personalidade de Jesus.” (Jesus e a Palavra, 8)

James Frazer, 1922, O Ramo Dourado. Interpretação antropológica do progresso do homem a partir da magia, através da religião, até a ciência. O Cristianismo é um fenômeno cultural.

P. L. Couchoud, 1924, O Mistério de Jesus.1939, A Criação de Cristo. Couchoud era adepto da historicidade de Pedro, mas não de Jesus, e defendeu que a Paixão foi modelada a partir da morte de Estêvão.

Georg Brandes, 1926, Jesus – Um Mito. Identificou o Apocalipse como a parte mais antiga do Novo Testamento.

Joseph Wheless, 1926, Palavra de Deus? Uma Exposição das Fábulas e Mitologia da Bíblia e das Falácias da Teologia. 1930, Falsificações no Cristianismo. Advogado americano, criado no “Cinturão da Bíblia”, destroçou as fantasias bíblicas.

Henri Delafosse, 1927, As Cartas de Inácio de Antióquia. 1928, "Os Escritos de São Paulo" em Cristianismo. Epístolas de Inácio são denunciadas como falsificações tardias.

L. Gordon Rylands, 1927, A Evolução do Cristianismo. 1935, Jesus Viveu?

Edouard Dujardin, 1938, Antiga História do Deus Jesus.

John J. Jackson, 1938, Cristianismo Antes de Cristo, Chamou atenção para precedentes egípcios das crenças cristãs.

Alvin Boyd Kuhn, 1944, Quem É o Rei da Glória? 1970, Renascimento para o Cristianismo. Jesus não foi uma pessoa, mas um símbolo da alma humana que existe em cada ser humano.

Herbert Cutner, 1950, Jesus: Deus, Homem ou Mito? Natureza mítica de Jesus e o sumário do contínuo debate entre os mitologistas e os historicizantes. A hipótese mítica é uma tradição contínua, não nova. Cristo teve origens pagãs.

Georges Las Vergnas, 1956, Porque Deixei a Igreja Romana.

Georges Ory, 1961, Uma Análise das Origens de Cristo.


Guy Fau, 1967, A Fábula de Jesus Cristo.

John Allegro, 1970, O Cogumelo Sagrado e a Cruz. 1979, Os Manuscritos do Mar Morto e o Mito de Cristo. Jesus não foi mais que um cogumelo mágico e a sua vida, a interpretação alegórica de um estado alterado de consciência. Não foi preso, mas sofreu descrédito e teve sua carreira arruinada.

George Albert Wells, 1975, Jesus Existiu? 1988, A Evidência Histórica de Jesus. 1996, A Lenda de Jesus. 1998, Jesus Mito. 2004, Podemos Confiar no Novo Testamento? Considerações sobre a Confiabilidade dos Mais Antigos Testemunhos Cristãos. O Cristianismo surgiu da literatura sapiençal judaica. Em seus livros mais tardios, admite a possibilidade de influência de um pregador real.

Max Rieser, 1979, O Verdadeiro Fundador do Cristianismo e a Filosofia Helenística. O Cristianismo começou com os judeus da Diáspora e depois, retroativamente, ambientado na Palestina de antes de 70. O Cristianismo chegou por último à Palestina, e não primeiro – eis porque achados arqueológicos cristãos aparecem em Roma, mas não na Judéia, até o século IV.

Abelard Reuchlin, 1979, A Verdadeira Autoria do Novo Testamento. Teoria de Conspiração do melhor tipo: o aristocrata romano Arius Calpurnius Pisus (alias, “Flavius Josephus”) conspirou para ganhar o controle de todo o Império Romano através da invenção de uma religião inteiramente nova.

Hermann Detering, 1992, Cartas de Paulo sem Paulo?: As cartas de Paulo segundo os críticos radicais holandeses. Ministro religioso holandês adepto da antiga tradição dos radicais. Nem Jesus nem Paulo existiram.

Gary Courtney, 1992, 2004 Et tu, Judas? Então Caiu Jesus! A Paixão de Cristo é essencialmente a história de César sob um disfarce judaico, mesclada ao culto da morte/ressurreição de Átis. Fãs judaicos de César assimilaram o “salvador da humanidade” ao “servo sofredor” de Isaías.

Michael Kalopoulos, 1995, A Grande Mentira. Historiador grego que descobriu paralelos notavelmente semelhantes entre os textos bíblicos e a mitologia grega. Denunciou a natureza astuta, mentirosa e autoritária da religião.

Gerd Lüdemann, 1998, A Grande Ilusão: E o que Jesus Realmente Disse e Fez. 2002, Paulo: O Fundador do Cristianismo. 2004, A Resurreição de Cristo: Uma Investigação Histórica. Depois de 25 anos de estudo, o professor alemão concluiu que Paulo, não Jesus, iniciou o Cristianismo. Lüdemann foi expulso da faculdade de teologia da Universidade de Göttingen pour ousar dizer que a Ressurreição foi um “pio auto-engano”. Demais para a liberdade acadêmica.

Alvar Ellegard, 1999, Jesus, Cem Anos Antes de Cristo. O Cristianismo visto como originário da Igreja Essênia de Deus, com Jesus sendo um protótipo do Mestre da Virtude.

D. Murdock (“Acharya S”) 1999, A Conspiração Cristã: A Maior Mentira Que Já Foi Vendida. 2004, Sóis de Deus: Krishna, Buda e Cristo Revelados. Adiciona uma dimensão astro-teológica à demolição do mito cristão. Murdds a astro-theological dimension to christ-myth demolition. Murdock identifica Jesus Cristo como uma divindade composta usada para unificar o Império Romano.

Earl Doherty, 1999, O Enigma de Jesus. O Cristianismo Primitivo Começou com um Cristo Mítico? Poderosa afirmação de como o Cristianismo começou como uma seita mística judaica, sem necessidade de Jesus!

Timothy Freke, Peter Gandy, 1999, Os Mistérios de Jesus. 2001, Jesus e a Deusa Perdida: Os Ensinamentos Secretos dos Cristãos Originais. Examina a relação próxima entre a história de Jesus e a de Osíris/Dionísio. Jesus e Maria Madalena são figuras míticas baseadas na dualidade Deus/Deusa do paganismo.

Harold Liedner, 2000, A Criação do Mito Cristão. Anacronismos e erros geográficos dos evangelhos denunciados. O Cristianismo é uma das fraudes mais bem-sucedidas da História.

Robert Price, 2000, Deconstruindo Jesus. 2003 O Incrível Encolhimento do Filho do Homem: Quão Confiável é a Tradição Evangélica? Ex-ministro e estudioso reputado, mostra como Jesus é o amálgama de diversos profetas do primeiro século, redentores de cultos de mistério e “aions” gnósticos.

Hal Childs, 2000, O Mito do Jesus Histórico e a Evolução da Consciência. O ataque de um psicoterapeuta ao deus-homem.

Michael Hoffman, 2000, Filósofo e teórico da “morte do ego” que descartou a existência de um Jesus histórico.

Burton Mack, 2001, O Mito Cristão: Origens, Lógica e Legado. Formação social da criação do mito.

Luigi Cascioli, 2001, A Fábula de Cristo. Indicia o Papado por lucrar com uma fraude!

Frank R. Zindler, 2003, O Jesus que os Judeus Nunca Conheceram: Sepher Toldoth Yeshu e a Busca por um Jesus Histórico em Fontes Judaicas. Sem evidências em fontes Judaicas que corroborem o Messias espectral.

Daniel Unterbrink, 2004, Judas, o Galileu. Carne e Sangue de Jesus. Paralelos entre o líder da revolta fiscal de 6 AD e o fantasma dos Evangelhos explorados em detalhe. “Judas é Jesus”. Bem, pelo menos em parte, sem dúvida.

Tom Harpur, 2005, O Cristo Pagão: Recuperando a Luz Perdida. Estudioso canadense do Novo Testamento e ex-padre anglicano que reafirma as idéias de Kuhn, Higgins e Massey. Jesus é um mito e as idéias originais do Cristianismo se originaram no Egito.

Francesco Carotta, 2005, Jesus Era César: Sobre a Origem Juliana do Cristianismo. Exaustiva lista de paralelos. Estranhamento afirma que César era Jesus.

Joseph Atwill, 2005, O Messias de César: A Conspiração Romana para Inventar Jesus. Outra análise das similaridades entre Josefo e os Evangelhos. Atwil argumenta que os conquistadores da Judéia, Vespasiano, Tito e Domiciano, usaram judeus helenizados para manufaturar os textos “Cristãos” para estabelecer uma alternativa pacífica ao judaísmo militante. Jesus foi Tito? Não creio.

Michel Onfray, 2005, Tratado de Ateologia Filósofo francês que defende o ateísmo positivo, desmistifica a existência histórica de Jesus, entre outras coisas.

Kenneth Humphreys, 2005, Jesus Não Existiu. O livro deste site. Reúne as mais convincentes exposições sobre o suposto super-herói messiânico; O autor ambienta sua exegese dentro do contexto sócio-histórico de uma religião maligna em evolução.

Jay Raskin, 2006, A Evolução de Cristo e dos Cristianismos. Acadêmico e ativo cineasta, Raskin olha além da cortina de fumaça oficial de Eusébio e encontra um Cristianismo fragmentário e um Cristo composto a partir de vários personagens históricos e literários. Especula que a camada mais antiga da criação do mito foi uma peça escrita por uma mulher chamada Maria. Talvez.

Thomas L. Thompson, 2006, O Mito do Messias. Teólogo, deão e historiador da Escola de Compenhague que concluiu que tanto Jesus como Davi são amálgamas de temas mitológicos do Oriente Médio originados na Idade do Bronze.