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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Medindo o tempo através das árvores

 

Restos de madeira carbonizada encontrados em uma construção
 da Idade do Ferro nas escavações da Cidade de Davi, em Jerusalém

A maioria das pessoas sabe que é possível contar os anéis de crescimento de uma árvore para determinar sua idade. Muitas também sabem que os anéis indicam o clima em qualquer ano da vida da árvore: um anel maior indica um ano chuvoso, enquanto anéis menores indicam seca. Os anéis de crescimento de uma árvore formam um padrão, semelhante a um código de barras, que os cientistas conseguem "ler", permitindo-lhes:

1) saber quando uma árvore cresceu e foi cortada
2) construir cronologias ininterruptas, comparando sequências de anéis de diferentes árvores da mesma região ao longo do tempo

Em outras palavras, as árvores são cronistas e falam a linguagem dos anéis. Suas histórias podem remontar a milhares de anos, oferecendo um registro histórico escrito não por pessoas — que inventaram a escrita apenas por volta de 3000 a.C. — mas pela natureza. A ciência que estuda esse arquivo natural é chamada de dendrocronologia.

Podemos mais uma vez nos maravilhar com a dendrocronologia graças às grandes vigas de madeira recentemente encontradas durante as escavações da Cidade de Davi, em Jerusalém. Uma escavação conjunta entre a Universidade de Tel Aviv e a Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) prevê o uso desse método para datar amostras excepcionalmente grandes de anéis de crescimento de árvores antigas.

As vigas faziam parte do telhado de um pátio interno de um edifício. O prédio pegou fogo, causando o desabamento do telhado e a queda das vigas no chão. A diretora da escavação, Efrat Bocher, sugere que as paredes de gesso do edifício foram expostas a um calor tão intenso que o gesso se desprendeu ou derreteu parcialmente antes de desabar sobre as vigas queimadas. Essa camada de gesso e entulho selou os restos de madeira por mais de 2.600 anos.

A madeira é muito rara na arqueologia do antigo Israel. Condições climáticas quentes, microrganismos, insetos e a reutilização repetida da madeira contribuíram para dificultar sua preservação.

As vigas possuem um valor científico excepcional devido ao seu tamanho e à quantidade de anéis de crescimento preservados. Evidências estratigráficas sugerem que as vigas datam da destruição de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C., data que a equipe agora planeja testar por meio da dendrocronologia. Eles também esperam que os anéis de crescimento das vigas permitam refinar as cronologias regionais, à medida que novas peças de madeira forem sendo coletadas em outros sítios arqueológicos.

Para datar vestígios antigos, os arqueólogos geralmente combinam diversas linhas de evidência. Para Jerusalém durante a Idade do Ferro (c. 1200–586 a.C.), as mais comuns incluem estratigrafia, mudanças na cerâmica, estilo arquitetônico e datação por radiocarbono. Juntos, esses métodos geralmente restringem os eventos a décadas ou séculos.