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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Jesus, o Messias e o Cristianismo

 



JESUS ​​— O MESSIAS

Jesus foi visto como curador, mestre moral, reformador, pregador apocalíptico, radical, revolucionário e, em última análise e mais importante, o Messias. A palavra Messias é uma versão em português da palavra hebraica Moshiach, que significa "ungido". Os judeus acreditam que Deus designará um Messias, um descendente do Rei Davi, que acabará com o mal, reconstruirá o Templo, trará os exilados de volta a Israel e salvará o mundo. Os mortos ressuscitarão no "Tempo Vindouro", ou em hebraico, Olam HaBa, a vida após a morte. A separação entre o judaísmo e o cristianismo ocorreu principalmente por causa dessa crença. Os cristãos acreditam que Jesus Cristo foi o Messias, enquanto os judeus não.

Após completar seu jejum de 40 dias depois do batismo, Jesus assumiu o papel de rabino itinerante e percorreu o interior pregando. As pessoas começaram a chamá-lo de Messias e ele começou a atrair pessoas. O professor John Dominic Crossan disse: “Jesus fala com muita clareza sobre o Reino de Deus, sem hesitação. E isso significa que esta é a vontade de Deus. Jesus está fazendo declarações sobre o que Deus quer para a Terra. E não há nenhum 'A palavra do Senhor veio a mim' ou 'Eu pensei sobre isso'. Parece auto evidente. Acho que é exatamente isso que significa para Jesus.”

“Agora, seus seguidores lhe farão, é claro, uma pergunta muito óbvia: 'Quem é você?' E não vejo problema algum em que, durante a vida de Jesus, alguns de seus seguidores pudessem ter dito: 'Ele é divino'. E por divino, entendendo: 'É aqui que vemos Deus agindo. É assim que vemos Deus' ou 'Ele é o Messias'. Mas então, eles teriam que interpretar o Messias à luz do que Jesus estava fazendo. Ele não parece ser um Messias militante, ou talvez desejássemos que ele fosse um Messias militante. Todas essas opções poderiam ter existido durante a vida de Jesus. Não tenho nenhuma evidência de que Jesus estivesse minimamente preocupado em aceitar qualquer uma delas, ou mesmo em discuti-las. Foi ele quem anunciou o Reino de Deus.”

Jesus era o Messias?

Pelos Evangelhos, parece que Jesus se considerava, e era considerado por muitos judeus, o Messias judeu. Os judeus rejeitaram Jesus como o Messias quando ele morreu pelas mãos dos romanos, em vez de levá-los para o paraíso. Muitos estudiosos parecem ver Jesus mais como um Messias designado do que como o próprio Messias, porque um Messias deveria ter presidido o Fim do Mundo, e Jesus não o fez. Através de sua morte e ressurreição, ele mudou a perspectiva, transformando-a de um Messias judeu em um mártir cristão que removeu a barreira entre o homem e Deus e derrotou os poderes do mal.

Houve outros que foram considerados o Messias. Em 132 d.C., um líder chamado Kochva estabeleceu um estado judeu apoiado por 200.000 soldados, que resistiu por três anos. Aclamado como messias, Kochva teria cavalgado um leão, lutado na linha de frente com seus soldados e derrotado uma legião romana inteira antes de ser capturado.

Jaroslav Pelikan escreveu: “Pois Rabi e Profeta cederam lugar a duas outras categorias, cada uma delas expressa igualmente em uma palavra aramaica e, em seguida, em sua tradução grega: Messias, a forma aramaica de “Messias”, traduzida para o grego como ho Christos, “Cristo”, o Ungido (João 1:41, 4:25); e Marana, “nosso Senhor”, na fórmula litúrgica Maranatha, “Vem, Senhor nosso!”, traduzida para o grego como ho Kyrios (1 Coríntios 16:22). O futuro pertencia a esses títulos e à sua identificação como Filho de Deus e segunda pessoa da Trindade. Mas, no processo de se estabelecerem, Cristo e Senhor, assim como Rabi e Profeta, muitas vezes perderam muito de seu conteúdo semítico. Para os discípulos cristãos do primeiro século, a concepção de Jesus como Rabi era evidente; para os discípulos cristãos do segundo século, era constrangedora; para os discípulos cristãos do terceiro século em diante, era obscura.”

Candida Moss escreveu: "Os judeus do primeiro século, a maioria dos quais aguardava ansiosamente a chegada do Messias, tinham diversas opiniões sobre como esse Messias seria. A maioria esperava um líder militar ou político que derrubasse as autoridades judaicas e se tornasse um governante como o Rei Davi. O que ninguém parecia esperar era um camponês galileu da classe artesã que morreria de forma humilhante nas mãos do governo. Há algumas passagens em Isaías que descrevem um “servo sofredor” que suportaria maus-tratos por parte do seu povo, mas quase ninguém interpretou esses versículos de forma messiânica. Isso não significa que Jesus não fosse o Messias, é claro – apenas que ele não era o que ninguém esperava. A natureza inesperada do ministério de Jesus explica por que ele não atraiu tantos seguidores, mas também criou problemas quando seus seguidores tentaram explicar a outras pessoas que ele realmente era o Messias.

Crenças judaicas sobre o Messias

No judaísmo, espera-se que o Messias seja o libertador e rei dos judeus, conforme predito pelos profetas do Antigo Testamento. Os judeus acreditam que um Messias virá à Terra e ressuscitará os mortos, recompensará os fiéis, talvez levando-os para algum paraíso ou construindo um paraíso na Terra. Eles acreditam que o Messias é um deus e descendente de Davi que virá à Terra na forma de um homem. Messias significa "ungido". Este termo remonta à época de Davi, quando os reis eram ungidos para demonstrar sua eleição divina. 2 Samuel declara: "Ele dá grande triunfo ao seu rei e demonstra amor leal ao seu ungido".

Enquanto o Templo estava em Jerusalém, os messias eram os reis de Israel. Davi e Salomão foram ambos chamados de messias, o que, segundo estudiosos, sugere que o termo messias originalmente significava uma pessoa com grande santidade ou poder religioso. Há alguma controvérsia entre os estudiosos sobre se "messias" significa "salvador espiritual" ou "salvador militar".

Após a destruição do Primeiro Templo, a conquista do reino judaico e a expulsão dos judeus de Israel, enraizaram-se ideias de que um novo tipo de messias retornaria à Terra para restaurar o Templo e trazer os judeus de volta à sua pátria, Israel. Essas ideias ganharam força quando o Segundo Templo foi destruído e os judeus se dispersaram pelo mundo. Com o tempo, o retorno do Messias passou a abranger um significado mais amplo: o fim da guerra, a morte dos ímpios, o estabelecimento de uma aliança com os justos e a criação do reino de Deus na Terra.

O Messias e a Teologia Cristã

Michael J. McClymond escreveu: O cerne da teologia cristã reside em suas afirmações a respeito de Jesus como Messias, Senhor, Salvador, Redentor, Sacerdote, Profeta e Rei que retornará. Embora cada geração de cristãos tenha tendido a recriar Jesus à sua própria imagem, certas doutrinas permaneceram relativamente constantes. A principal delas é a doutrina da divindade, humanidade e unidade de Jesus como uma única pessoa indivisível. O termo “encarnação” refere-se à afirmação de que Deus assumiu a natureza humana em Jesus: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Os primeiros concílios cristãos dedicaram-se em grande parte à elaboração de doutrinas básicas sobre Jesus, sendo todas as divergências definidas como heresias. A heresia do ebionismo apresentava um Jesus humano, mas não divino, enquanto o docetismo retratava Jesus como divino, mas não humano. O Jesus do arianismo não era totalmente humano nem totalmente divino. O nestorianismo descrevia Jesus como divino e humano, porém dividido em duas pessoas distintas. 

Por acreditarem que a salvação está em jogo, pensadores cristãos de todas as épocas se preocuparam em descrever o caráter de Jesus. Em 451, o Concílio de Calcedônia buscou definir a relação exata entre suas naturezas divina e humana. O papel de Jesus como Salvador exige que ele funcione como mediador entre Deus e a humanidade. A salvação depende de uma encarnação plena e verdadeira de Deus na vida humana. Como Deus, Jesus pode salvar a humanidade caída; como humano, ele representa outros seres humanos e oferece a Deus a obediência perfeita que todos lhe devem. Como uma única pessoa indivisível, ele une divindade e humanidade. A Encarnação afirma que Deus entra na experiência humana, compreende os seres humanos de dentro para fora e valida o mundo material e o corpo físico por meio de sua união com eles: "Pois não temos um sumo sacerdote [Jesus] que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, em tudo foi tentado, porém sem pecado" (Hebreus 4:15). Graças à Encarnação, os seres humanos consideram Deus acessível e empático.

Para a teologia cristã, não apenas quem Jesus é, mas também o que ele faz é importante. Ao resumir o evangelho que pregava, Paulo mencionou dois aspectos: a crucificação de Jesus e sua ressurreição dentre os mortos (1 Coríntios 15:3-4). Paulo escreve que, por meio da cruz de Jesus, Deus se identifica misteriosamente com a culpa, a fraqueza e o sofrimento da humanidade para libertá-los (1 Coríntios 1:18-31). A doutrina da Expiação afirma que a morte de Jesus é a base da salvação. Diversas teorias sobre a Expiação buscam explicar esse fato. A morte de Jesus liberta os crentes do domínio de Satanás (teoria clássica), desperta o amor a Deus ao demonstrar a profundidade do amor de Deus pela humanidade (teoria exemplificativa), apresenta uma oferta de obediência perfeita a Deus (teoria anselmiana) ou serve como punição vicária infligida a Jesus em lugar de todos os outros seres humanos (teoria vicária). Cada teoria oferece uma perspectiva parcial sobre o significado da cruz de Jesus. A ressurreição de Jesus é a sua vindicação pública, pela qual ele é "declarado Filho de Deus com poder" (Romanos 1:4), e é o fundamento último da esperança cristã na vida após a morte. Porque ele ressuscitou dos mortos, aqueles que creem nele têm esperança na sua própria ressurreição (1 Coríntios 15:12-22).

Jesus era o único Filho de Deus?

Jesus não foi o único a afirmar ser o verdadeiro filho de Deus. Candida Moss escreveu: O mundo antigo foi lar, por um breve período, de uma pessoa divina extraordinária. Mesmo antes de seu nascimento, era evidente que ele não era um ser humano comum. Antes do parto, uma figura apareceu do céu para sua mãe e lhe disse que a criança que ela daria à luz não era um mero mortal, mas um ser divino. Quando cresceu, tornou-se um pregador itinerante: viajava de cidade em cidade e de vila em vila proclamando sua mensagem. Reuniu discípulos, curou enfermos, expulsou demônios e ressuscitou mortos. Mas suas ações atraíram atenção negativa: seus oponentes fabricaram acusações contra ele e ele foi executado. Após sua morte, alguns de seus seguidores afirmaram que ele havia aparecido para eles; que o haviam tocado; ou que ele havia ascendido ao céu. Alguns desses seguidores passaram a espalhar sua mensagem e, depois de algum tempo, a história de sua vida foi registrada por escrito.

Esta não é a história de Jesus. O homem nasceu na Anatólia Central; tornou-se seguidor não de João Batista, mas de Pitágoras; e estabeleceu-se no Templo de Asclépio. Esta é a história de Apolônio de Tiana, um mestre neo-pitagórico e uma espécie de homem santo cuja biografia foi preservada nos escritos de um seguidor posterior chamado Filóstrato. 

É fácil perceber o problema: uma das afirmações centrais do cristianismo é que Jesus é único. Os paralelos entre Jesus e Apolônio são ainda mais complexos do que descrevi até agora; assim como aconteceu com Jesus, sinais sobrenaturais ocorreram em seu nascimento. Assim como Jesus (pelo menos no Evangelho de Lucas), Apolônio era uma espécie de criança prodígio. Mas há um problema bastante substancial com a ideia de que os seguidores de Jesus simplesmente se apropriaram da história da vida de Apolônio: Filóstrato escreveu no século III d.C., depois que os seguidores de Jesus já haviam registrado os quatro evangelhos canônicos que encontramos no Novo Testamento. Portanto, mesmo que tenham sido influenciados pelas histórias sobre Apolônio, certamente não estavam plagiando. Mas muito tempo depois de suas mortes, tanto os seguidores de Jesus quanto os de Apolônio alegariam que o outro grupo seguia um impostor e que seu fundador era o verdadeiro Filho de Deus.

Mas a história de Apolônio levanta uma questão importante: quantos Filhos de Deus existiam no Mediterrâneo antigo? E a resposta é: mais do que você imagina. Em primeiro lugar, havia “homens piedosos” como Apolônio de Tiana, Asclépio e Pitágoras. Esses eram indivíduos aparentemente humanos cujos poderes desafiavam a experiência comum. E, certamente no caso de Apolônio, eles deixaram um grupo de seguidores. Depois, havia outros que se autoproclamavam “Filhos de Deus”. O principal entre eles era Augusto, filho adotivo de Júlio César, cuja propaganda o apresentava como “filho do divino Júlio César”. E, assim como Apolônio, Augusto era contemporâneo de Jesus (ele morreu em 14 d.C.). Moedas que o descreviam como um “filho de Deus” inundaram o Mediterrâneo antigo, incluindo as regiões da Judeia e da Galileia. Outros imperadores, como Vespasiano, eram conhecidos por realizar curas milagrosas. Segundo o historiador Cássio Dio, rumores de que Vespasiano curava pessoas circulavam no Egito. Histórias como essa quase certamente funcionavam como propaganda, mas, mesmo assim, contribuem para a sensação geral de que homens especiais podiam curar os doentes.

A ideia de que um ser humano poderia ser filho dos deuses remonta, na verdade, aos antigos gregos. Zeus não era apenas conhecido por gerar inúmeras figuras heroicas (como Hércules), mas Alexandre, o Grande, também defendia a ideia de que ele era divino. Filipe II da Macedônia, seu pai, alegava ser descendente de Hércules, enquanto os sacerdotes do templo de Siwa diziam a Alexandre que ele era filho de Zeus. E, segundo a lenda, assim como Jesus, o nascimento de Alexandre foi corroborado por uma série de eventos incomuns e milagrosos: raios que caíram sem causar danos; vitórias em batalha; e a estranha destruição do templo de Ártemis em Éfeso.

Febre messiânica na época do nascimento de Jesus

Jesus nasceu em uma época de agitação social, quando muitos judeus estavam interessados ​​na vinda de um Messias. Essa agitação remonta à revolta dos Macabeus em 167 a.C., uma rebelião nacionalista judaica contra os governantes gregos. Muitos jovens judeus morreram como mártires. A revolta dos Macabeus desencadeou um longo período de caos, convulsão social e expectativas em relação ao Messias.

Na época de Jesus, os judeus consideravam o Messias ideal como um redentor ou rei davídico, que conduziria os fiéis a um mundo pacífico, muito diferente do caos em que viviam. Como consequência, a religião passou a se concentrar mais no destino do indivíduo, buscando justiça de forma a corrigir as injustiças do mundo e abordando a vida após a morte. Disso surgiu o conceito do Dia do Juízo Final, da ressurreição e da salvação.

Na época de Jesus, os judeus acreditavam que o Messias seria mais provavelmente um líder militar forte do que um pregador gentil e moralizante. O profeta Isaías previu que o Messias seria um "Príncipe da Paz" que conquistaria os assírios "como a lama das ruas", reduziria Damasco a "um monte de ruínas", transformaria a Babilônia em uma cidade habitada apenas por corujas, sátiros e outras "criaturas tristes" e, no Egito, "incitaria todos contra seus vizinhos, cidade contra cidade e reino contra reino".

O profeta Jeremias expressou sentimentos semelhantes. Segundo ele, Deus disse que os filisteus "clamarão, e todos os habitantes da terra uivarão", os egípcios "se fartarão e se embriagarão com o seu sangue", e as filhas de Amom "serão queimadas no fogo" quando o Messias vier.

Messias que os judeus esperavam na época de Jesus

Candida Moss escreveu: “Para os judeus que viveram na virada da Era Comum, o Messias (ou messias, em alguns casos) estava muito presente em suas mentes. Na época, a Terra Santa era ocupada e controlada pelo Império Romano, e as pessoas lutavam com as ramificações econômicas e políticas da ocupação estrangeira. Matthew Novenson disse que o Messias era “uma espécie de mitologia, com uma base sólida em fontes bíblicas, que era útil para dar sentido religioso à complexa situação política da Judeia no início do Império Romano”.

Havia, contudo, uma considerável diversidade de pensamento sobre como seria o Messias. Alguns afirmavam que ele seria, como o Rei Davi, um monarca que lideraria uma rebelião militar bem-sucedida. Outros enfatizavam suas credenciais proféticas ou sacerdotais. Outros ainda, como os habitantes de Qumran que escreveram os Manuscritos do Mar Morto, pareciam acreditar que haveria dois messias. Esse modelo reproduz a estrutura organizacional do antigo Israel, quando o povo era liderado tanto por um Rei quanto por um Sumo Sacerdote.

“Esses messias”, disse-me Novenson, “eram frequentemente associados a certos heróis bíblicos antigos, em particular Aarão, o sumo sacerdote, e o rei Davi”. Podemos observar a mesma tendência entre os seguidores de Jesus: “Nossas fontes sobre Jesus o associam principalmente ao rei Davi, seja dizendo que ele era descendente de Davi, seja que ele fazia coisas como Davi, ou ambos”. Não havia um roteiro definido. O messias era uma construção mitológica que estava constantemente sendo reinterpretada e reescrita. Havia outros cristãos primitivos, observou Novenson, que tentaram distanciar Jesus de Davi, assim como havia judeus antigos que aparentemente não se importavam com a ideia de um messias.

Elementos antissemitas nas crenças cristãs sobre o Messias

Ao longo dos séculos, alguns elementos antissemitas foram incorporados à narrativa cristã do Messias. Entre eles, a ideia de que os judeus não conseguiam compreender suas próprias escrituras. Candida Moss escreveu: "Os judeus da época de Jesus, argumenta-se, podem ter esperado um messias político, mas estavam fundamentalmente enganados". O site cristão gotquestions.org, por exemplo, conecta esse suposto mal-entendido sobre o Messias a uma ideia ainda mais problemática: a rejeição de Jesus pelos judeus. O site afirma: "Os judeus rejeitaram Jesus porque Ele falhou, aos olhos deles, em fazer o que esperavam que seu Messias fizesse — destruir o mal e todos os seus inimigos e estabelecer um reino eterno com Israel como a nação preeminente do mundo. As profecias em Isaías 53 e Salmo 22 descrevem um Messias sofredor que seria perseguido e morto, mas os judeus escolheram se concentrar nas profecias que falam de suas gloriosas vitórias, e não de sua crucificação."

O problema maior aqui é a ideia de que os judeus rejeitaram Jesus: o próprio Jesus e todos os seus primeiros seguidores eram judeus. Historicamente, a ideia de que os judeus rejeitaram Jesus tem sido associada à ideia perigosa e errônea de que “os judeus” foram responsáveis ​​pela morte do messias.

Alguns cristãos vão ainda mais longe e afirmam que o messianismo judaico não é apenas errado ou equivocado, mas sim demoníaco. Em sua obra sobre messianismo, Novenson argumenta que essas explicações não são apenas tragicamente cruéis e antissemitas, mas também se baseiam em profundos erros históricos. Quando os cristãos afirmam que Jesus era um messias espiritual, fazem-no porque "tomam como certa a messianidade de Jesus e dizem o que for preciso para sustentar esse axioma". É precisamente porque Jesus sofreu e porque os cristãos acreditam que ele era o messias que eles defendem a existência de um messias espiritual que sofre.

“Na verdade”, diz Novenson, “os textos messiânicos cristãos não são categoricamente diferentes dos textos messiânicos judaicos”. Eles descrevem Jesus como uma figura política. Novenson me disse que “a ideia de Jesus como um messias político, e não apenas espiritual, aparece em vários ditos e histórias dos Evangelhos (por exemplo, Mateus 10:34: ‘Eu não vim trazer paz, mas a espada’), mas sobretudo na ideia difundida entre os primeiros cristãos da futura vinda (ou parusia) de Jesus para executar o julgamento e governar as nações”. Em outras palavras, os primeiros cristãos previam que Jesus se comportaria como um messias político, mas não naquele momento. O exemplo mais claro disso, disse Novenson, é o livro do Apocalipse, no qual Jesus retorna e uma Nova Jerusalém desce sobre a Terra. Há muitos motivos para preocupação nessa visão da Segunda Vinda — o Apocalipse descreve genocídio e a destruição em massa de não-crentes de maneiras que deveriam ser eticamente preocupantes para cristãos devotos —, mas a questão aqui é que o Jesus do fim dos tempos é um messias político por excelência.

Antiga tábua sobre o Messias e a ressurreição

Ethan Bronner escreveu: “Uma tábua de quase um metro de altura com 87 linhas de hebraico, que estudiosos acreditam datar das décadas imediatamente anteriores ao nascimento de Jesus, está causando um discreto alvoroço nos círculos bíblicos e arqueológicos, especialmente porque pode se referir a um messias que ressuscitará dos mortos após três dias. Se tal descrição messiânica realmente existir, contribuirá para uma reavaliação das visões populares e acadêmicas sobre Jesus, uma vez que sugere que a história de sua morte e ressurreição não era única, mas parte de uma tradição judaica reconhecida na época.”

“A tábua, provavelmente encontrada perto do Mar Morto, na Jordânia, segundo alguns estudiosos que a analisaram, é um raro exemplo de pedra com inscrições a tinta daquela época — em essência, um Manuscrito do Mar Morto em pedra. Está escrita, não gravada, em duas colunas organizadas, semelhantes às colunas de um rolo da Torá. Mas a pedra está quebrada e parte do texto está desbotado, o que significa que muito do que está escrito é passível de debate.

“Ainda assim, sua autenticidade não foi contestada até o momento, portanto, seu papel em ajudar a compreender as raízes do cristianismo na devastadora crise política enfrentada pelos judeus da época provavelmente aumentará. Daniel Boyarin disse que a pedra faz parte de um crescente conjunto de evidências que sugerem que Jesus pode ser melhor compreendido por meio de uma leitura atenta da história judaica de sua época. “Alguns cristãos acharão isso chocante — um desafio à singularidade de sua teologia — enquanto outros se sentirão confortados com a ideia de que se trata de uma parte tradicional do judaísmo”, disse Boyarin.

“Dada a atmosfera carregada que envolve todos os artefatos e escritos da época de Jesus, tanto no público em geral quanto na fragmentada e ferozmente competitiva comunidade acadêmica, bem como a preocupação com falsificações e charlatanismo, provavelmente levará algum tempo até que a contribuição da tábua seja totalmente avaliada. Já se passaram cerca de 60 anos desde que os Manuscritos do Mar Morto foram descobertos, e eles continuam a gerar enorme controvérsia em relação aos seus autores e significado.

Os pergaminhos, documentos encontrados nas cavernas de Qumran, na Cisjordânia, contêm algumas das únicas cópias conhecidas de escritos bíblicos anteriores ao primeiro século d.C. Além de citarem livros importantes da Bíblia, os pergaminhos descrevem uma variedade de práticas e crenças de uma seita judaica na época de Jesus.

“O quão representativas são as descrições e o que elas nos dizem sobre a época ainda são temas de intenso debate. Por exemplo, uma questão que surge é se os autores dos pergaminhos eram membros de uma seita monástica ou, de fato, da corrente principal do cristianismo. Uma conferência que marca os 60 anos da descoberta dos pergaminhos começará no domingo no Museu de Israel, em Jerusalém, onde a pedra e o debate sobre se ela se refere a um messias ressuscitado, como acredita um estudioso iconoclasta, também serão discutidos.”

Análise da antiga tábua sobre o Messias e a ressurreição

Ethan Bronner escreveu: “Curiosamente, a pedra não é exatamente uma descoberta recente. Ela foi encontrada na década de 1990 e comprada de um negociante de antiguidades jordaniano por um colecionador israelense-suíço que a manteve em sua casa em Zurique. Quando um acadêmico israelense a examinou de perto alguns anos atrás e escreveu um artigo sobre ela no ano passado, o interesse começou a crescer. Agora há uma série de artigos acadêmicos sobre a pedra, com vários deles previstos para serem publicados nos próximos meses. “Não consegui entender muita coisa quando a recebi”, disse David Jeselsohn, o proprietário, que também é especialista em antiguidades. “Não percebi sua importância até mostrá-la a Ada Yardeni, especialista em escrita hebraica, alguns anos atrás. Ela ficou impressionada. 'Você tem um Manuscrito do Mar Morto em pedra', ela me disse.”

A Sra. Yardeni, que analisou a pedra juntamente com Binyamin Elitzur, é especialista em escrita hebraica, especialmente da época do Rei Herodes, que morreu em 4 a.C. Os dois publicaram uma longa análise da pedra há mais de um ano na Cathedra, uma revista trimestral em hebraico dedicada à história e arqueologia de Israel, e afirmaram que, com base no formato da escrita e no idioma, o texto datava do final do século I a.C. Um exame químico realizado por Yuval Goren, professor de arqueologia da Universidade de Tel Aviv especializado na verificação de artefatos antigos, foi submetido a uma revista científica com revisão por pares. Ele se recusou a dar detalhes de sua análise até a publicação, mas disse não ter motivos para duvidar da autenticidade da pedra.

“Foi na revista Cathedra que Israel Knohl, um professor iconoclasta de estudos bíblicos da Universidade Hebraica de Jerusalém, ouviu falar pela primeira vez da pedra, que a Sra. Yardeni e o Sr. Elitzur apelidaram de “Revelação de Gabriel”, título também do artigo deles. Em um livro publicado em 2000, o Sr. Knohl apresentou a ideia de um messias sofredor antes de Jesus, utilizando uma variedade de textos rabínicos e apocalípticos antigos, bem como os Manuscritos do Mar Morto. Mas sua teoria não abalou o mundo da cristologia como ele esperava, em parte porque ele não tinha evidências textuais anteriores a Jesus. “Quando ele leu a ‘Revelação de Gabriel’”, disse ele, “eu acreditei ter encontrado o que precisava para solidificar minha tese, e publiquei meu argumento na última edição do The Journal of Religion. O Sr. Knohl faz parte de um movimento acadêmico mais amplo que se concentra na atmosfera política da época de Jesus como uma explicação importante para o espírito messiânico daquela era.” Como ele observa, após a morte de Herodes, os rebeldes judeus procuraram se libertar do jugo da monarquia apoiada por Roma, de modo que a ascensão de um importante lutador judeu pela independência poderia assumir conotações messiânicas.

Conteúdo da antiga tábua sobre o Messias e a ressurreição

Grande parte do texto, uma visão do apocalipse transmitida pelo anjo Gabriel, baseia-se no Antigo Testamento, especialmente nos profetas Daniel, Zacarias e Ageu. Ethan Bronner escreveu: “Na interpretação do Sr. Knohl, a figura messiânica específica incorporada na pedra poderia ser um homem chamado Simão, que foi morto por um comandante do exército herodiano, de acordo com o historiador do primeiro século, Flávio Josefo. Os autores das passagens da pedra provavelmente eram seguidores de Simão, argumenta o Sr. Knohl. O assassinato de Simão, ou qualquer caso do messias sofredor, é visto como um passo necessário para a salvação nacional, diz ele, apontando para as linhas 19 a 21 da tábua — “Em três dias vocês saberão que o mal será derrotado pela justiça” — e outras linhas que falam de sangue e matança como caminhos para a justiça. 

Para defender a importância da pedra, o Sr. Knohl concentra-se especialmente na linha 80, que começa claramente com as palavras “L'shloshet yamin”, que significam “em três dias”. A palavra seguinte da linha foi considerada parcialmente ilegível pela Sra. Yardeni e pelo Sr. Elitzur, mas o Sr. Knohl, especialista na linguagem da Bíblia e do Talmude, afirma que a palavra é “hayeh”, ou “viver”, no imperativo. Possui uma grafia incomum, mas condizente com a época.

Mais duas palavras difíceis de decifrar aparecem depois, e o Sr. Knohl disse acreditar que também as havia decifrado, de modo que a frase diz: “Em três dias viverás, eu, Gabriel, te ordeno”. A quem o arcanjo está falando? A próxima linha diz “Sar hasarin”, ou príncipe dos príncipes. Visto que o Livro de Daniel, uma das principais fontes para o texto de Gabriel, fala de Gabriel e de “um príncipe dos príncipes”, o Sr. Knohl argumenta que as inscrições na pedra se referem à morte de um líder dos judeus que será ressuscitado em três dias.

Ele afirma ainda que um messias sofredor como esse é muito diferente da imagem judaica tradicional do messias como um descendente triunfal e poderoso do Rei Davi. “Isso deveria abalar nossa visão fundamental do cristianismo”, disse ele, sentado em seu escritório no Instituto Shalom Hartman, em Jerusalém, onde é pesquisador sênior e professor titular da Cátedra Yehezkel Kaufman de Estudos Bíblicos na Universidade Hebraica de Jerusalém. “A ressurreição após três dias se torna um tema recorrente antes de Jesus, o que contraria quase toda a historiografia. O que acontece no Novo Testamento foi adotado por Jesus e seus seguidores com base em uma história messiânica anterior.” A Sra. Yardeni disse estar impressionada com a leitura e considerou provável que a palavra-chave ilegível fosse “hayeh”, ou “viver”. Se isso significa que Simão é o messias em questão, ela não tem tanta certeza.

Moshe Bar-Asher afirmou ter dedicado muito tempo ao estudo do texto e o considerou autêntico, datando de, no máximo, o primeiro século a.C. Em relação à tese do Sr. Knohl, o Sr. Bar-Asher também se mostrou respeitoso, porém cauteloso. "Há um problema", disse ele. "Em trechos cruciais do texto, há lacunas. Compreendo a tendência de Knohl de buscar ali chaves para o período pré-cristão, mas em duas ou três linhas cruciais do texto, faltam muitas palavras."

Moshe Idel afirmou que, considerando a forma como cada pequeno fragmento daquela época gerou inúmeros artigos e livros, a "Revelação de Gabriel" e a análise do Sr. Knohl mereciam atenção séria. "Aqui temos uma pedra real com um texto real", disse ele. "Isso é verdadeiramente significativo." O Sr. Knohl disse que era menos importante se Simão era o messias da pedra do que o fato de que ela sugeria fortemente que um salvador que morresse e ressuscitasse após três dias era um conceito estabelecido na época de Jesus. Ele observa que, nos Evangelhos, Jesus faz inúmeras previsões sobre seu sofrimento e que estudiosos do Novo Testamento dizem que tais previsões devem ter sido escritas por seguidores posteriores, porque essa ideia não existia em sua época. "Mas existia", disse ele, "e a 'Revelação de Gabriel' demonstra isso."

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Entendendo o Midrash: Moisés ou o Messias? Moisés um Servo Sofredor?

Jesus, o Servo sofredor.

O hino quarto do Servo do Senhor é um dos textos fundamentais, talvez a profecia do central do sofrimento expiatório e morte de Cristo. O próprio Jesus aplicou as palavras de Isaías 53:5-6 e 11-12 ao seu sofrimento (por exemplo, Marcos 10:45 em 14:41).

Estas palavras são textos fundamentais para a compreensão da pregação no Novo Testamento. Da mesma forma essas palavras entraram para a história da Igreja, como testemunho de Cristo e como um apelo à imitação. Assim, a Igreja prega Cristo, que sofreu.

O Antigo Testamento é judaico.

O Velho Testamento é em primeiro lugar o livro de Israel. Se isso for verdade, então devemos também escutar o que os judeus têm a dizer. Neste estudo, gostaria de rever alguns textos clássicos judaicos sobre o servo de Isaías 53. Isso vai nos dar algum insight importante no texto, em primeiro lugar na forma como o povo judeu entende a sua própria vocação.

O que diz o judaísmo sobre Isaías 53?

Quem é este hino do Servo do Senhor de acordo com o entendimento judaico e que é dito sobre ele?

É notável que no Midrash clássica (tradição exegética judaica) é relativamente pouco encontrado Isaías 53 como um todo. Somente o Targum Jonathan dá uma tradução interpretativa de todo o texto de Isaías 53.

Por outro lado versos de Isaías 53 são citados aqui e ali na literatura rabínica clássica. Esses lugares também lançam luz sobre a compreensão do texto. Não é até a Idade Média que encontramos textos que são compostos como comentários sobre Isaías 53. Livros são compilados que explicam o versículo bíblico após versículo ou perícope após perícope.

Depois de um breve olhar sobre o Targum Isaías 53 vamos rever um comentário Medieval retirado do Shimoni Yalkut. Na segunda parte deste estudo, vamos nos concentrar na famosa Medieval do estudioso judeu Rashi.

1. Targum Jonathan

O Targum aramaico é a tradução dos Profetas e os Escritos. Talvez paráfrase é um nome melhor. Embora não seja um Midrash, no sentido próprio, ainda que os gêneros sejam semelhantes: o meturgeman (tradutor ou intérprete) não apenas traduz, mas ao mesmo tempo, dá uma interpretação, uma aplicação do texto, seja ele nunca arbitrariamente. Isto é especialmente notável em Isaías 53. Aqui, o Servo do Senhor não é o sofrimento, mas o Messias triunfante.

Talvez o Targum reflita polêmica com o cristianismo. Por outro lado, outras circunstâncias históricas desempenham um papel, também, por exemplo, as tensões messiânica na época da Revolta de Bar Kochba (132-135 dC). O Targum Isaías 53, provavelmente deve ser datado neste período.

Isaías prega um Messias Triunfante!

De acordo com o targumist Isaías 53 é sobre a glorificação e a elevação do Messias. O Messias é descrito como o professor da Torá e como construtor do Templo, que foi profanado pelos pecados do povo. Através da retomada aos ensinamentos da Torá, o pecador, a intercessão do Messias, recebe o perdão de seus pecados. Comparado com o Messias, a glória dos reinos gentios são desprezíveis e transitórios. Eles se parecem com um homem de dores. O Messias entrega a Terra de Israel, tira os poderes das nações e restaura os exilados. O "resto do povo” é, purificados de seus pecados, vêem o reino do Messias e os seus descendentes irão multiplicar, e prolongados serão os seus dias. Finalmente, o Messias, que estava disposto a arriscar sua vida pelo seu povo, receberá como recompensa a riqueza das nações.

O targumist unifica vários conceitos iniciais do Messias judeu em uma pessoa: como intercessor, professor de Direito libertador, e construtor do Templo, Messias Davídico que se tornou o mediador exclusivo da redenção. A morte cairá sobre as nações dos gentios.

2. 2. Yalkut Shimoni

O Yalkut Shimoni é talvez uma obra menos conhecida. O Yalkut é uma compilação do Midrash sobre o Tanach inteiro (Antigo Testamento). O compilador, Shimon ha-Darshan, provavelmente viveu no século 13. O Yalkut é na verdade uma coleção de citações de trabalhos antigos, alguns dos quais são perdidos. O comentário leva Isaías 52:12-54:1 juntos em um parágrafo (476).

Nem todos os versos são comentados. O comentarista se restringe a apenas alguns versos: Isaías 52:13 e 53:5, 10 e 12. Talvez ele respeite estes versos como a principal linha da profecia, ou ele simplesmente não encontrou material adequado para os outros versos.

O que ele tem para nos dizer?

O Messias exaltado sobre os patriarcas.

Isaías 52:13: "Veja, meu servo agirá com sabedoria" (NVI). A NVI fornece uma tradução alternativa numa nota de rodapé: meu servo prosperará. Ou seja, diz o comentário Melech HaMashiach, o Rei Messias. “Texto e explicação continuam:”. “Ele será levantado e exaltado.” Raised acima de Abraão, pois é dito sobre ele (Gn. 14:22): '. Levantei a minha mão ao SENHOR Levantadas acima de Moisés, pois é dito sobre ele (Números 11:12): "Por que você me diz: Levá-los em meus braços" ("levantou" e "transportou" são derivados da mesma raiz hebraica). E mais do que os anjos servo, pois é dito sobre eles (Ez. 1:18): "Suas rodas eram altas e impressionantes" (a ligação é a palavra de altura). E assim diz a Escritura (Zacarias 4:7): "Quem és tu, ó monte poderoso." Para ele é maior do que os pais”.

Este comentário é notável, e não em primeiro lugar, porque o servo é interpretado como o Rei Messias. Vimos que, no Targum, também. Mas, embora devamos ter cuidado para não ler muito sobre o texto, mas a sugestão é que o Messias é na proximidade imediata de Deus. Qual é a origem dessa interpretação? O Yalkut cita-o com algumas modificações a partir do midrash Tanchuma. Nós encontramos o texto de um sermão sobre "Toledot" a porção da Torá (Gn 25:19-28:9).

De onde é que virá o socorro?

Vamos rever brevemente o sermão. O pregador começa com o Salmo 121: Elevo meus olhos para os montes. Este versículo ele liga com Zac. 4:7, que diz respeito ao Mashiach Ben David, o Messias Filho de Davi (o Messias triunfante, ao passo que o Messias Filho de Joseph é visto como o Messias sofredor). Por que ele chamou de "grande montanha"? Porque ele é maior do que os patriarcas. Segue então com a explicação de Isaías 52:13. Lá, o Tanchuma conecta as três instruções sobre a altura do Servo primeiro com os patriarcas: o Messias é levantado acima Abraão, levantando acima de Isaac e de Jacob exaltou acima.

O Messias vem com as nuvens como um filho do homem (Daniel 7:13). Ele julgará os pobres com justiça "(Isaías 11:4).

De onde ele veio? Ele vem sobre as montanhas (Isaías 52:7). E assim voltamos ao Salmo 121. "Eu levanto os meus olhos para os montes - de onde vem meu socorro vem? O meu socorro vem do Senhor, o Criador do céu e da terra.

Essa é a conclusão do sermão. O Messias ultrapassa os patriarcas e os grandes homens da história de Israel, ele vem de cima. Esta argumentação elaborada não é encontrada na Yalkut. Ele só cita brevemente a essência.

Três períodos de Sofrimento

O comentário agora continua com Isaías 53:5: "Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, foi esmagado por nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." Segundo a explicação do sofrimento é dividido em três partes: sobre os patriarcas, a geração da apostasia, e o Rei Messias.

O sofrimento tem significado expiatório? A palavra usada aqui também contém a noção de punição, castigo. Mas o Midrash não parece ir para o significado deste sofrimento. O aspecto expiatório está ausente.

Que o Messias também sofre, é baseado no Salmo 2. Isso faz com que o sofrimento é visto como atingidas por rebelião contra Deus e Seus servos.

Ao mesmo tempo, este Salmo mostra o que a residência do Messias é: Em Sião, meu santo monte.

O Senhor esmaga a pessoa amada

Agora segue o versículo 10. "Mas foi a vontade do Senhor esmagá-lo." Rabba usa este versículo para mostrar que Deus esmaga a pessoa amada com o sofrimento. Aquele que toma sobre si o sofrimento, isso voluntariamente e por amor, como uma oferta de culpa é uma ação consciente. “Mas ele receberá a sua recompensa:”. Ele verá sua prole e prolongará os seus dias. E mais que isso: os seus ensinamentos serão preservados com ele, como se diz: '. A vontade do Senhor prosperará em suas mãos. Que se quer dizer aqui? A tradição já não dá uma resposta direta, mas é alguém que é grande em ensinar a Torá: mestres de Israel, que sofrem por causa da Torá? Ou o Messias, em seu papel como professor Torá?

Moisés um Servo Sofredor?

Outra tradição talmúdica citado aqui no Yalkut, aplica-se o versículo 12 a Moisés. De acordo com R. Simlai, Moisés queria entrar na terra (Israel) para cumprir os mandamentos em nome de Israel. Deus o impediu de entrar, mas ele recebeu sua recompensa, como se tivesse cumprido. “Por isso está dito:” Portanto, eu lhe darei uma porção entre os grandes."

Moisés queria desistir de si mesmo até a morte por amor de Israel (Êxodo 32:32). “Então ele derramou a sua vida até a morte, e foi contado com os transgressores”. Ele fez a expiação pelo pecado do bezerro de ouro, e orou por misericórdia para os pecadores de Israel.

Em outro lugar, Moisés é visto como estando à frente de três categorias de sábios talmúdicos. Com cada um deles recebe sua recompensa.

Entendimento Midrash: Moisés ou o Messias?

É um procedimento bem conhecido no Midrash interpretar os versos dos profetas ou os Salmos como referentes a uma pessoa bíblica. Poderíamos também olhar na direção oposta: personagens bíblicos são compreendidos no âmbito dos textos proféticos e salmos. O significado da profecia é em primeira instância, muitas vezes buscado dentro da própria Bíblia. Em diferentes níveis cada palavra na Bíblia é ligada a todas as outras palavras de uma forma ou de outra. Devemos tentar ouvir esta conversa dentro do texto.

Podemos afirmar que Isaías 53 não é interpretado como uma unidade. Para cada verso observações e opiniões diferentes são unidos, que ainda têm em comum que eles giram em torno de uma pessoa concreta.

O servo não é tido como um coletivo, por exemplo, como Israel. Nas tradições a primeira coisa que vimos, ele é interpretado como o Messias, nos últimos dois anos, como Moisés.

Permanece a tradição de Rabba: quem é aquele que foi esmagado com o sofrimento e sacrifícios a si mesmo como uma oferta pela culpa? Seu sofrimento, as ligações dele com o que é dito sobre o Messias, e a sua grandeza nos ensinamentos com o relato de Moisés. No entanto, como vimos o Messias também instruirá na Torá. O exemplo de Moisés deixa claro que a tarefa expiatória cabe em primeiro lugar na oração de intercessor.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

David Flusser, Geza Vermes, e o Messiah

Todos os quatro evangelhos se referem, sempre e sempre, a Jesus como o “Cristo”, que é a tradução grega da palavra “Messiah” (Ungido) em Hebraico. Cada vez mais estranho à mente judaica é o fato de todos os autores se referirem a Jesus como o “Filho de Deus”. Juntando estes dois títulos, o evangelista Marcos inicia sua narrativa: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Marcos 1:1). Conforme lemos em Mateus 16:16, o apóstolo Pedro fez o mesmo, quando respondeu a Jesus: ”Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

Estas declarações nas narrativas dos evangelhos (bem como nos ensinos de Paulo e de outros escritores sagrados) suscitam uma questão importante ao item da historicidade de Jesus: se os autores dos evangelhos escreveram erroneamente dizendo que Jesus é o Messias, o Filho de Deus e até mesmo o próprio Deus, como podem ser confiáveis para nos dar uma exata descrição do Jesus histórico? Desse modo, devemos discutir se os autores dos evangelhos estiveram ou não errados, quando atribuíram messianismo e divindade a Jesus.

A ideia de que os autores judeus pudessem atribuir divindade a outro ser humano tem gerado muita crítica às narrativas dos evangelhos.

Ian Wilson, em seu livro “Jesus, The Evidence”, tem um capítulo intitulado “How He Became God”, no qual Wilson declara que “nenhum dos evangelhos declara Jesus como Deus e que nem mesmo Paulo fez isto”. Segundo Wilson, a deificação de Jesus foi especialmente um produto do século IV, não a crença dos cristãos primitivos.

Neste capítulo, é necessário, portanto, solucionar os detalhes históricos relacionados aos declarados messianismo e divindade de Jesus. O próprio Jesus achava que era o Filho de Deus? O que Ele queria dizer pelos termos “Filho de Deus” e “Filho do Homem”? O que as pessoas achavam que Ele queria dizer? Antes de responder estas perguntas, devemos entender com o que as pessoas esperavam que o Messias parecesse.

Expectações Messiânicas

Durante uns cem anos, começando em 64 a.C., o povo judeu gozou de independência. O Professor Jim Fleming, refletindo sobre a perda final da soberania judaica nacional, declara:

“Embora esse período tenha terminado abruptamente, com a campanha dos romanos e do General Pompeu (63 a.C.), a esperança de sua restauração jamais desapareceu totalmente. Jesus nasceu num tempo em que o povo antecipava a vinda do Messias (Cantares 2:17) para o libertar do jugo romano.Uma das melhores análises das expectativas messiânicas do Século I foi feita por Geza Vermes. Ele observa que, naquele tempo, havia tanto uma crença popular difundida de como seria o Messias como uma porção de opiniões secundárias fragmentadas: ‘Talvez fosse mais apropriado ter em mente a diferença entre as expectações generalizadas do judaísmo palestino e as peculiares expectações messiânicas características de certas minorias eruditas e/ou esotéricas’.”Para determinar qual o tipo de Messias que as massas judaicas em geral esperavam, Geza Vermes aconselha: “Uma resposta confiável deve ser encontrada na menos acadêmica, porém, ao mesmo tempo, mais normativa forma de oração. Assim, uma das melhores fontes sobreviventes com relação à expectação messiânica durante aquele tempo, está nos Salmos de Salomão, provavelmente escritos logo após a conquista da Judeia (63 a.C.). Estes refletem a visão comum de um Messias reinando com justiça, o Qual iria restabelecer militarmente a soberania de Israel, restaurando um justo governo sobre a nação:‘Contempla, Senhor, e levanta no meio deles o seu Rei, o Filho de Davi... E o cinge de força para que Ele dissipe os governantes injustos... Com sua vara de ferro ele quebrará em pedaços toda a sua substância; Ele destruirá as nações com a palavra de sua boca... Ele juntará todo o povo santo... Terá as nações pagãs sob o Seu jugo... E não haverá injustiça em Seus dias no meio delas, pois todas se tornarão santas e o seu rei, o ungido (do) Senhor“.O Salmo 18 de Salomão fala sobre o Ungido de Deus, o Qual vai usar a Sua “vara de ferro” para instilar o “temor do Senhor” em cada homem, conduzindo todos eles “às obras de justiça”.

Fleming Observa:

“Um livrete popular aceito em uma ou duas gerações, antes de Jesus, reflete os pensamentos dos muitos que correram para Jesus, ao longo da planície de Genesaré... ‘Um rei santo virá reinar sobre o mundo - e depois sua ira cairá sobre o povo do Lácio e Roma será arrasada até o chão... Ó, pobre e desolado que eu sou! Quando chegará o dia do julgamento do Deus eterno, do grande Rei?’”Os zelotes ou sicários encontraram nesta expectação comumente mantida, um solo fértil para o cultivo de sua causa militar. Outros, como os fariseus, contentavam-se em esperar por alguém que se adaptasse mais claramente aos moldes do Rei Davi. “Filho de Davi” era o termo popular tomado do Velho Testamento, para o esperado Messias. A descrição que Filo fez do Messias esperado provavelmente expressa melhor o poderio militar do futuro rei. Em seu livro “Rewards and Punishment”, ele interpreta a profecia de Balaão, em Números 24:7, da seguinte maneira: “Pois há de vir um homem, ‘diz o oráculo’, o qual, liderando suas hostes para a guerra, subjugará as nações grandes e populosas; porque Deus enviou em seu auxilio o reforço que beneficiará o piedoso e que terá intrépida coragem de alma e a totalmente poderosa força do corpo, ambas provocando temor em seus inimigos, quando unidos, sendo quase irresistíveis”.

Vermes termina:

“A antiga oração judaica e a interpretação da Bíblia demonstram inequivocamente, que, se na era intertestamentária, um homem afirmasse ser ou fosse proclamado como “o Messias”, os seus ouvintes, obviamente, teriam assumido que ele estaria ligado ao Redentor davídico e teriam esperado encontrar nele uma pessoa dotada dos combinados talentos de poderio militar, justiça e santidade.Desse modo, é compreensível que, em vista da ocupação romana da terra de Israel, a maioria do povo judeu não visse em Jesus o que esperava ver no Messias”.

Millar Burrows, de Yale, escreveu: “Jesus era tão diferente do que os judeus esperavam que fosse o “Filho de Davi” que até mesmo os Seus discípulos achavam difícil conectar a ideia do Messias entre eles”.

Finalmente, conforme o erudito judeu Samuel Sandmel coloca:

“Qualquer afirmação feita durante o tempo de vida de Jesus, de que Ele era o Messias que os judeus esperavam, seria recebida como puramente em favor de sua crucificação e do colapso de qualquer aspecto político do seu movimento, pela triste constatação de que a Palestina ainda não havia sido libertada do domínio romano”.O conceito popular do Messias reinando como o libertador militar era, então, um empecilho para a maioria da população judaica considerar Jesus como o Messias. A questão é: este conceito popular era correto?É claro que nem todo o povo judeu do tempo de Jesus mantinha a opinião majoritária.

Geza Vermes observa:

“Além do conceito real, a especulação messiânica incluía noções de um Messias sacerdote e profeta e, em alguns casos, de uma figura messiânica, a qual iria combinar todas as funções em uma”.O Testamento de Levi, por exemplo, dizia:“Então, o Senhor levantará um sumo sacerdote... E ele executará um julgamento justo sobre a terra... E sua estrela brilhará no céu como a de um rei... E haverá paz em toda a terra. E o conhecimento do Senhor será derramado... como as águas cobrem os mares... E o espírito de compreensão e santificação repousará sobre ele”.A comunidade de Qumram parece ter esperado três figuras messiânicas. Um dos seus documentos predizia: “Até que venha o profeta e o Messias de Aarão e Israel. O 2 Baruque 30:1 fala do Messias “voltando em glória”, da terra, presumivelmente para o céu. Esdras 14:9 fala do Messias (“Meu Filho”) habitando aparentemente no céu. O 4 Esdras 7:29 fala da morte do Messias, como o fazem outras referências, algumas delas talvez do ano 135 d.C. e, portanto, aludindo à morte de Simon Bar Koch, que o Rabino Akina afirmava ser o Messias.O ponto importante é que nem todo mundo mantinha o conceito popular de como seria o Messias e com o que uma porção de judeus, especialmente os religiosos, achava que o carisma de Jesus combinava, a fim de preencher a descrição do Messias. O fato de que eles também esperavam que o Messias libertasse Israel da opressão romana tornou mais complicada a missão de Jesus. Fleming explica:“As multidões ao longo do “nosso lago” (Mar da Galileia) pressionavam Jesus tão constantemente, que Ele tinha dificuldade para ensinar as pessoas. Sua reputação, como o rabino que curava, precedia o Seu desejo de se tornar conhecido como um Mestre. Quando Jesus está em “nosso lago”, Ele sempre fala às pessoas que Ele cura, dizendo que guardem segredo para que as multidões não se apinhem em busca de sinais e maravilhas. Muitos judeus associavam os dons de cura de Jesus com os do Messias, o Qual poderia governar, depois de Sua revolta contra Roma. Provavelmente, muitos na multidão, estariam curiosos para ver qual a posição que Ele iria assumir com respeito à opressão romana”.Se Jesus desejava ou não, antes de tudo, ser conhecido como Mestre precisa ser questionado. O que está claro é que o conceito popular sobre o Messias não combinava com o conceito de Jesus sobre o Messias.Junto com outro fator, fica absolutamente clara a razão pela qual Jesus não saía por ali, anunciando publicamente: “Eu sou o Messias. Sigam-me!” O grande problema eram os romanos. Eles estavam perfeitamente cônscios das expectações messiânicas do povo. Tácito (escrevendo no Século II d.C.) registra: “Havia uma firme persuasão... de que neste exato tempo o Oriente iria se tornar poderoso e os governantes vindos da Judeia iriam conseguir um império universal”. Pelo mesmo tempo, dissertando sobre a década seguinte à destruição do Templo, no ano 70 d.C., Suetônio escreveu: “Havia se espalhado em todo o Oriente a crença antiga e estabelecida do que iria acontecer naquele tempo, quando homens viriam da Judeia para governar o mundo”.É claro que os romanos estavam preparados para abafar qualquer insurreição messiânica. Não é de admirar, portanto, que Jesus não andasse por ali, alardeando: “Eu sou o Messias”. Como veremos, Ele também tinha maneiras mais efetivas para fazer este anúncio.Os evangelhos revelam, constantemente, as expectações messiânicas do povo. Desde o início da vida terrena, quando Simeão identificou Jesus como sendo o Messias, há muito tempo esperado, até o final de Sua vida, quando muitos O honraram como o Messias, na entrada triunfal de Jerusalém, as narrativas relatam exatamente estas expectações.As expectações messiânicas do povo judeu provêem uma das razões mais fortes para se confiar na exatidão das narrativas do evangelho, as quais descrevem as atividades de Jesus. Geralmente, os cépticos afirmam que a vida de Jesus, conforme é descrita nos evangelhos, é sobrenatural demais para ser acreditada. Contudo, o que é sempre esquecido é que esta foi a grande razão pela qual alguns dos Seus discípulos morreram na cruz. Certamente, Jesus preencheu as exigências messiânicas dos Seus discípulos. Algo teria de acontecer, algo não menos poderoso do que as narrativas dos evangelhos iriam registrar, a fim de motivar homens e mulheres judeus a arriscarem suas vidas, a fim de propagarem esta mensagem, a qual era tão tremendamente oposta à prevalecente opinião messiânica daquele tempo.

Jesus achava que era o Messias?

“De fato, visto como a figura do Messias não parece ter sido o ensino central do ensino de Jesus, e que nenhum registro sobreviveu de qualquer desafio hostil referente ao status messiânico, antes dos Seus últimos dias em Jerusalém, e que, além de tudo, Ele deliberadamente manteve Sua aprovação à confissão de Pedro, em geral Jesus deixou de declarar que era o Cristo. Por isso, existe toda razão para se duvidar se, realmente, Ele achava que era o Messias”.

Nesta declaração, Geza Vermes levanta as quatro objeções seguintes à proposição de que Jesus acreditava ser o Messias:

1. - Que a figura do Messias não era central no ensino de Jesus.

2. - Que não existe registro algum de qualquer desafio hostil, antes dos Seus últimos dias em Jerusalém.

3. - Que Jesus, deliberadamente, recusou (vide item 3 abaixo) Sua aprovação à confissão de Pedro de que Ele era o Cristo.

4. - Que, geralmente, Jesus deixou de se declarar como o Cristo.Avaliemos cada ponto, separadamente:

Objeção 1 - A figura do Messias não era central no ensino de Jesus.

Coloque-se você mesmo no lugar de Jesus. Se você fosse o Messias teria focalizado todo o Seu ensino sobre a correta contextualização do Messias? Considere estes pontos:

a) Seu ministério consiste em viajar e sabe que o tempo todo em que usa a palavra “Messias”, todos irão interpretar erroneamente o que você está falando. Esta é uma palavra perigosa!

b) A partir do seu ponto de vantagem (como o Messias), você sabe que o conceito popular sobre isto não é apenas algo desagradável e que a sua interpretação do Reino de Deus se tornou distorcida. Uma simples leitura do que está grifado em vermelho, no Evangelho de Mateus, vai esclarecer como Jesus devia também ensinar as pessoas como estas deviam ter uma visão correta do Messias.

c) As ações falam mais alto do que as palavras. Se você fosse de fato o Messias, não seria mais efetivo demonstrá-lo, em vez de apenas ensinar sobre isto?d) Jesus esclareceu, de maneira indireta, porém mais efetiva, a verdadeira significação e propósito do papel do Messias, através do que Ele disse. Olhando, novamente, apenas no Evangelho de Mateus, Jesus mostrou que...O Messias devia cumprir toda a justiça (Mateus 3:15).O Messias é o revelador do Reino dos Céus (Mateus 4:17).O Messias transforma homens comuns em pescadores de homens (verso 19).O Messias ensina com suprema autoridade, conforme os capítulos 5-7 de Mateus.O Messias veio cumprir toda a Lei e os Profetas (Mateus 5:17).

Poderíamos prosseguir, mas isto é suficiente. Tudo que Jesus falou apontava para a visão correta do Reino de Deus sendo estabelecido por Ele mesmo, como o Messias. Porém, mais diretamente, Ele tentou esclarecer através do Seu ensino a identidade do Messias.

Todos os três evangelhos sinópticos registram Sua pergunta feita a um grupo de rabinos e Sua consequente explicação: “Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. Disse-lhes ele: Como é então que Davi, em espírito, lhe chama Senhor, dizendo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é seu filho? E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo” (Mateus 22:42-46).

Jesus estava conduzindo o assunto a um ponto além da compreensão dos fariseus. O Messias poderia, certamente, ser o Senhor de Davi, desde toda a eternidade? A resposta é “sem comentários”...

Em meio ao Seu ensino, Ele declarou: “A ninguém chameis Mestre”. Mais tarde, Ele ensinou aos Seus discípulos como estes deveriam reconhecer os falsos messias e também identificar o Filho do Homem, Seu tema favorito de auto-referência como o Messias. A clara indicação de Suas palavras era que o Messias é mais importante do que uma simples figura terrena. Em João 7:25-26, Jesus busca esclarecer a natureza do Messias; desta vez, quando os soldados foram buscá-Lo para prendê-Lo.

Em João 17, na Oração Intercessória, Ele faz declarações surpreendentes, referindo-se, claramente a Si mesmo:

1. - Que Deus Lhe deu autoridade sobre toda a carne (João 17:2).

2. - Que Ele é o doador da vida eterna (verso 3).

3. - Que a vida eterna consiste em reconhecer o Pai como único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo por Ele enviado. (verso 3).

4. - Que Jesus estava na glória com o Pai, desde toda a eternidade (verso 5).

5. - Que Jesus saiu do Pai, e é UM com o Pai (verso 8).

6. - Que Jesus voltará para o Pai (verso 13).

7. - Que Deus o Pai está em Jesus.

Tendo em vista estas afirmações, o Messias puramente humano da crença popular seria, simplesmente, uma figura insignificante.

Desse modo, quando Geza Vermes afirma que Jesus não fez do Messias o Seu ensino central, devemos discordar. Ele não fez do Messias uma figura humana em Seu ensino central; porém, à medida em que vemos os procedimentos abaixo, Ele torna Sua identidade superior à de um Messias simplesmente humano.

Objeção 2 - não existe registro algum de qualquer desafio hostil, antes dos Seus últimos dias em Jerusalém.

Se Jesus evitou, especificamente, usar o termo “Messias”, por causa de sua errônea conotação, tendo em vista a ocupação romana, então por que deveríamos esperar qualquer registro de confrontação sobre o item messiânico? Tendo em vista Suas obras e afirmações, as testemunhas que Lhe eram hostis ficaram cônscias de um assunto muito mais sério - o da blasfêmia contra o Espírito Santo. O resultado demonstra que as confrontações quase sempre focalizavam a autoridade de Jesus para ensinar e fazer o que Ele dizia e fazia.

Objeção 3 - (Jesus), deliberadamente, recusou Sua aprovação à confissão de Pedro de que Ele era o Cristo.

Como alguém poderia afirmar que Jesus não aprovou a confissão de Pedro - “Tu és o Cristo” - é inacreditável! Mateus, uma testemunha ocular, registra que Jesus elogiou Pedro em, pelo menos, quatro maneiras específicas:

1. - Ele declarou que Pedro era bem-aventurado por reconhecer nEle o Messias. Será que Jesus [N.T.: a própria verdade] teria chamado Pedro de bem-aventurado, se Pedro tivesse feito uma confissão falsa?

2. - O desafio de todo o ministério de Jesus entre o povo judeu foi o de ajudar a abrir-lhe os olhos sobre um reino terreno, no qual Ele reinaria supremo sobre os gentios; e sobre o reino espiritual, cumprindo a promessa que Deus fizera a Abraão em Gênesis 12:3: “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra”. [N.T. - Ai dos povos que se voltam contra Israel.]

3.- Quando Pedro reconhece Jesus como o Messias, mesmo sem qualquer conotação militar, Jesus o elogiou, dizendo: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus”. (Mateus 16:17). (Observem a expressão “Meu Pai”. E não “Nosso Pai”, conforme os judeus costumavam se dirigir a Deus.)

4. - Logo em seguida, Jesus declara entregar a Pedro as “chaves do reino” - outro elogio enorme! Isto porque Pedro havia defendido os interesses divinos.Mas, o leitor acha que Jesus não seria capaz de recriminar Pedro, se ele tivesse feito uma declaração falsa? Então vamos ler abaixo, o que Ele disse a Pedro, quando este O tentou a abandonar a missão para a qual o Pai O havia enviado:“Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens”.

Objeção 4 - Geralmente, Jesus deixou de se declarar como o Cristo

As narrativas sobre a vida terrena de Jesus negam totalmente esta objeção. Já declaramos as razões importantes pelas quais Jesus, em geral, evitava declarar que era o Messias e também admoestava os discípulos a não revelarem, a pessoa alguma que Ele era o Cristo (Mateus 16:20). Isto é bem diferente de não se declarar como o Messias. De maneiras sempre muito mais sutis e poderosas, Jesus declarava ser o Messias, conforme constatamos em cada página dos evangelhos.Até mesmo na idade de 12 anos, Ele se referiu a Deus como “Meu Pai”, tendo continuado a usar este termo até os Seus dias finais, pelo menos 40 vezes. O Dr. Robert Lindsay explica a significação deste termo:

“As orações nas sinagogas contêm a expressão “Nosso Pai" (Avinu) que está no céu e muitas vezes Jesus ensinou os Seus discípulos a fazerem a oração que assim principia [N. T. - Por exemplo, a Oração do Senhor]. Mas “Meu Pai” (avi) era imprópria aos judeus, nesse período. Somente uma vez na Escritura Hebraica Deus é chamado “Meu Pai”, no Salmo 89:26, que fala da vinda do Messias. O Messias tem o direito exclusivo de chamar Deus de “Meu Pai”, mas o povo só poderia usar “Nosso Pai”.

A 2 Samuel 7:14-b contém uma profecia sobre o Messias: ‘Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.’” Este verso trata do Messias vindouro, o Filho de Deus.

Conhecida através do Salmo 89-26, 2 Samuel 7:14 e do Salmo 2:7: ‘Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei’ era a maneira pela qual se expressava a esperança do Messianismo. E foi esta a maneira pela qual Jesus falou, conforme o Espírito Santo.

Jesus também se declarava como o Messias, pelas coisas que fazia. Quando João Batista estava preso por ordem de Herodes, João mandou os seus discípulos para saber se Jesus era de fato Aquele que os judeus estavam esperando. A resposta de Jesus foi clara: ‘Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. E bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar’. (Lucas 7:22-23).

Estas palavras Ele retirou de dois versos de Isaías 35:5 e 61:1: “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se abrirão”.

“O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos” .

Obviamente, João Batista entendeu perfeitamente o que Jesus havia respondido, como sendo: “Sim, eu sou o Messias” e também: “Aqui estou para provar-te, que ninguém mais pode fazer esta afirmação, que é verdadeira”. Então cada vez que Jesus curava alguém ou operava um milagre comprovado, Ele estava afirmando ser o Messias.

Já mencionamos antes como Jesus declarou ser o Messias em Sua entrada triunfal em Jerusalém. Um verso no Talmude babilônico - Menaroth 78-b - mostra o Rabino Yoanan explicando que, “fora do muro” de Jerusalém significa “não muito longe de Betfagé”. Quando Jesus montou numa cria de jumenta em Betfagé, indo para Jerusalém, Ele estava declarando, definitivamente, que sabia ser o Messias. Ali, Ele pretendia, claramente cumprir Zacarias 9:9: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e salvo, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta”.

O povo entendeu claramente a intenção de Jesus. Fleming declara: “A palmeira havia se tornado um símbolo do nacionalismo judaico. Mas, naquele Domingo de Ramos, a população pobre de Jerusalém estava sentindo o peso do exército romano sobre ela. Havia uma compreensão popular, no tempo de Jesus, de que o Messias ia chegar na época da Páscoa. (Vocês se lembram da narrativa de Jesus alimentando 5.000 pessoas, quando o povo quis proclamá-Lo Rei, porque era Páscoa?). O papel do Messias na esperança popular é que Ele iria libertar o povo da opressão... como o havia feito no Êxodo do Egito. Ao levar folhas de palmeira, o povo estava querendo dizer: ‘Jesus, estamos contigo...Vê que tens muito a fazer contra o domínio romano em Jerusalém!’”

Foram cinco os incidentes registrados nas narrativas dos evangelhos, citados por Geza Vermes como sendo muitíssimos importantes, devendo ser usados para demonstrar como Jesus declarou ser o Messias. O primeiro (aliás, o único) que Geza Vermes aceita como autenticamente de Jesus é a ocasião da pergunta referente a Davi e ao seu filho como “Senhor”. Este ele descreve simplesmente como os fariseus costumavam usar métodos incorretos para interpretar as Escrituras, não que houvesse concordado que o “filho de Davi” era uma espécie de Senhor super-humano. Contudo, Jesus está mais definidamente expressando a natureza do Messias, quando inicia a conversa indagando: “Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi”. É como se Ele lhes tivesse dito: “Vocês ainda estão esperando por ele, mas se Davi o chama Senhor, então o Messias deve ter existido antes do início da história humana”. Ele diz: “Eu vim de Ti (Deus)”.

As outras quatro passagens são descartadas por Geza Vermes, como não autênticas, sem razão alguma, exceto que ele não crê que Jesus tenha dito o que os autores dos evangelhos escreveram. Este é o recurso favorito da alta crítica, quando as evidências são contra suas crenças. Estas passagens são: 1. - Jesus anunciando Sua Segunda Vinda; 2. - Jesus prometendo recompensa a quem der um copo dágua em Seu nome; 3 e 4.- Jesus ensinando aos dois discípulos no caminho de Emaús sobre a vinda do Messias, Sua morte e ressurreição, conforme predito nas Escrituras. Pelo menos, Geza Vermes deveria ter descartado as duas últimas, como não constantes da vida terrena de JESUS. Mas todas as quatro referências, vistas no contexto, são declarações definitivas de Jesus de que Ele se considerava o Messias.

Em João 4, Jesus falou à mulher samaritana, fora de Sicar. [N.T.: Leiam a passagem]. Aqui vemos que não existe qualquer razão para se afirmar que Jesus não sabia que era o Messias.
Outra declaração de Jesus, afirmando ser o Messias é vista em Seu julgamento diante do sumo sacerdote Caifás, quando este Lhe perguntou: “És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito? E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu”.Aqui “Filho do Homem” é como Jesus costumava se referir a Ele mesmo, conforme Daniel havia profetizado, após ter recebido suas visões...Que Jesus afirmava ser o Messias é confirmado pelo registro que Pilatos deve ter enviado ao Sinédrio. Norman Anderson explica:

“A crucificação fornece uma prova convincente sobre a qual tantos eruditos do Novo Testamento têm se dividido e sobre a qual uma referência anterior já foi feita, ou seja, Jesus acreditava ser o Messias? A verdade é que Ele não fez muitas afirmações, explicitamente, em sua pregação - parcialmente, sem dúvida, por razões políticas, mas amplamente por causa das expectações que estas poderiam gerar entre os ouvintes.Mas [Sua pregação] era, claramente, uma ameaça em potencial a Roma, tanto que Pilatos e seus servidores O entregaram à morte amplamente reservada aos assaltantes armados e aos políticos dissidentes. Isto está implícito na inscrição colocada sobre a cruz: “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus” (João 19:19), a qual parecia frisar, no registro dos evangelistas, que parte da conversa entre Pilatos e Jesus fora sobre assunto político. (Mateus 27:11; Marcos 15:2; Lucas 23:3 e João18:33-37). E esta [conclusão], por sua vez, deve ter sido obtida pelo fato de que foi por “blasfêmia” que o Sinédrio o condenou, quando ‘O sumo sacerdote lhe tornou a perguntar, e disse-lhe: És tu o Cristo, Filho do Deus Bendito? E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu. E o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que necessitamos de mais testemunhas? Vós ouvistes a blasfêmia; que vos parece? E todos o consideraram culpado de morte’. Esta foi uma resposta que levou o Sinédrio à conclusão de que Jesus era um agitador político”.Embora uma porção de eruditos, no passado, tenha tentado negar que Jesus achava que Ele era o Messias, outros hoje apoiam Sua conscientização disto. Um deles é Samuel Sandmel, reconhecido como uma autoridade em Novo Testamento e Cristianismo Primitivo, no Judaísmo americano. Ele foi professor em Yale, depois no Hebrew Union College, em Cincinnatti, até sua morte, em 1979. Sandmel concluiu: “Eu creio que Ele acreditava que era o Messias e os eruditos que o negam estão errados”.

David Flusser, professor de Religião Comparada na Universidade Hebraica em Jerusalém, vê, como outros eruditos judeus vêem, algumas passagens nos textos dos evangelhos como não autênticas. Contudo, ele apoia que “outras afirmações aparentemente autênticas de Jesus devem ser entendidas apenas se Ele tivesse assumido ser o Filho do Homem. Para Flusser, o conceito de Jesus de ‘Filho do Homem’ era tanto messiânico como divino”.

E já que estamos tratando deste assunto, façamos uma pausa para considerar a significação do termo “Filho do Homem”.

Filho do Homem Quem é Ele?

Pela expressão “Filho do Homem”, temos um simples, mas profundo conceito, que se tornou terrivelmente confuso entre os modernos eruditos. Geza Vermes escreve:

“A erudição contemporânea do Novo Testamento tem feito um esforço enorme, gastando erudição e tinta, para, finalmente, sem quase resultado algum, ter concordado que ‘Filho do Homem’ é um título vitalmente importante”. Mas, o próprio Geza Vermes chega ao ponto de confundir mais o assunto, afirmando que o termo não contém um ‘uso titular’, conforme usada por Jesus...“Vamos propor uma simples definição, para ver se o termo combina com o uso dos termos bíblicos usados. Na mais ínfima conotação do termo, ‘filho do homem” é alguém nascido ... da raça humana. No VT ele é usado quase sempre nesta maneira. Por exemplo, no salmo 144:3, lemos: ...Geralmente o termo acontece em paralelismo conforme vemos neste verso, isto é, ‘filho do homem” no VT, sempre se referindo a alguém nascido na humanidade ou a um representante da humanidade. Muito raramente ele se refere a um específico indivíduo. De suas 106 ocorrências, 91 aparecem em Ezequiel e uma em Daniel.” Que em apenas uma de suas ocorrências ela seja usada para descrever alguém de proporções aparentemente superiores às humanas, é verdade. O texto é Daniel 7:13, citado acima. Este ser foi citado como semelhante a um filho do homem, tendo forma de homem. Daniel conta: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o filho do homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele... Mas os santos do Altíssimo receberão o reino, e o possuirão para todo o sempre, e de eternidade em eternidade.... Até que veio o ancião de dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino... e o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão. (Daniel 7:7, 13,22,27).Estes santos, obviamente, serão os Seus súditos. Não é de admirar que este título fosse comumente aceito como o do Messias vindouro. Das mais de 80 referências ao Filho do Homem encontradas no Novo Testamento, todas, exceto uma, se referem a Jesus. E apenas três delas são encontradas fora dos evangelhos. Hebreus 2:6 cita o Salmo 8:4, referindo-se a alguém nascido na humanidade. Todas as outras se referem a Jesus, de algum modo. Algumas O mostram apenas em Sua humanidade, tais como “não tem onde reclinar a cabeça” (Mateus 8:20; Lucas 9:58), comendo e bebendo com os coletores de impostos e os pecadores (Mateus 11:19; Lucas 7:34), passagens nas quais o Filho do Homem é identificado com a Sua humanidade. Mas, na maioria dos textos dos evangelhos, Filho do Homem é identificado como tendo mais do que meras dimensões humanas. Ele tem autoridade para perdoar pecados; é chamado o Senhor do sábado; prediz Sua ressurreição; tem autoridade para executar julgamento, oferece alimento imperecível e deve ser glorificado.Contudo, a observação mais notável é que pelo menos 27 referências ao Filho do Homem aludem, de algum modo, a Daniel 7:13-14. As tentativas da alta crítica no sentido de descartar estas passagens são quase cômicas. Para Jesus e Seus discípulos, Filho do Homem foi a completa figura humana de alguém que assumiu a dimensão messiânica e as expectações messiânicas dos Seus dias.

Jesus era o Messias?

No Velho Testamento, existem centenas de alusões e profecias referentes ao Messias vindouro. O brilhante erudito do século 19, Prof. Henry Lindsay, encontrou 32 predições distintas, as quais foram literalmente cumpridas em Jesus.

Por exemplo, Daniel 9:25-26 indica que o Messias viria antes do segundo templo ser destruído (70 d.C.). Miquéias 5:2 fala sobre o lugar de nascimento como sendo Belém, Efrata, a cidade onde Jesus nasceu. Isaías 35:5-6 fala dos paralíticos e mudos sendo curados. Zacarias 9:9 prediz a entrada do Messias em Jerusalém, montado numa cria de jumento. O Salmo 22 provê a descrição gráfica de alguém sofrendo por crucifixão (embora o salmista não conhecesse este tipo de morte) e Jesus citou este verso, quando estava na cruz. Zacarias 12:9-10 menciona uma passagem onde se entendem as duas vindas distintas do Messias: “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito”.

Existem centenas de outras profecias no VT que ainda não se cumpriram em Jesus. Uma destas foi que o Messias deveria sofrer e morrer e, mais tarde, reinar num reino eterno, o que deixa entendido que o Messias teria de morrer, ressuscitar dos mortos, voltar ao céu e vir, novamente...

Os cristãos e os críticos, hoje em dia, tanto focalizam a ressurreição de Jesus que esqueceram a outra parte da pregação dos apóstolos. Pedro pregou no Templo: “.... Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer, isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios” (Atos 26:22-23).

Os apóstolos não estavam pregando novidade alguma. O próprio Jesus havia sempre declarado que iria a Jerusalém para ali sofrer, morrer e ressuscitar. Mas, onde no Velho Testamento isto foi profetizado? Em Isaías 53:1-15:
“QUEM deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR? Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido. E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. Ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.”

Durante mais de 1.700 anos, os rabinos interpretaram esta passagem, quase unanimemente, como se referindo ao Messias. Este fato é inteiramente documentado na obra “The Fitfty-Third Chapter of Isaiah According To The Jewish Interpreters”, de S.R. Driver e Adolf Neubauer. Eles citam vários rabinos durante este período, os quais equiparam Isaías 53 com o Messias.
Não antes do século 21 d.C., sem dúvida por causa do sofrimento dos judeus nas mãos dos cruzados, os intérpretes judeus começaram a interpretar Isaías 52:13 e 53:12 como se referindo a toda a nação de Israel. Mesmo depois que o Rabino Rashi (Rabino Salomn Yaschaki) propôs primeiro esta interpretação, muitos outros intérpretes judeus têm mantido, até hoje, a interpretação tradicional do Talmude de que Isaías 53 fala do Messias. Um dos mais respeitados intelectuais judeus de toda a história, Moses Maimonides (1135-1204 d.C.), rejeitou a interpretação de Rashi, ensinando que esta passagem se refere ao Messias.

Rashi e outros intérpretes judeus não estão necessariamente errados, quando sugerem que o servo é a nação de Israel. Isaías 43:10 diz ao povo de Israel: “Vós sois minhas testemunhas, diz o Senhor e o meu servo a quem escolhi. Certamente, portanto, o servo deve ser Israel”.

Que esta interpretação está em erro, logo se vê em Isaías 52:14, onde vemos que é a Jesus que a passagem se refere:“Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que a dos outros filhos dos homens”. Em Isaías 53:8, o servo (Jesus) recebe o castigo que deveria ser recebido pelo “meu povo” (obviamente Israel). Não faz sentido que a nação de Israel seja a substituta de sua própria punição. Desse modo, Israel não pode ser o servo mencionado em Isaías 52:13 e 53:12. Mas, o que dizer sobre Isaías 49:3: “E me disse: Tu és meu servo; és Israel, aquele por quem hei de ser glorificado”? Interessante! Foi bom vocês terem trazido este assunto. A chave para se identificar o servo em Isaías 52:13 e 53:12 é ver quem ele é, nas anteriores “canções do servo” de Isaías 42:1-9; 49:1-12 e 50:4-9. Visto como estas passagens falam do servo, como por exemplo, estabelecendo justiça na Terra, (Isaías 42:4) e resgatando o povo judeu do exílio em todo o mundo (Isaías 49:8-13), os intérpretes judeus têm, tradicionalmente, mantido as canções do servo como falando que o servo (Messias) é o verdadeiro Israel. Nos versos 49:5 e 6, vemos: “E agora diz o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó; porém Israel não se deixará ajuntar; contudo aos olhos do SENHOR serei glorificado, e o meu Deus será a minha força. Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra”. O caso é que Israel (Jacó) apostatou, especialmente na comissão que Deus lhe deu, conforme Gênesis 28:14: “E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra”. Agora, o servo (Messias) devia tomar o lugar de Israel, para realizar duas coisas: 1. Levar a nação de Israel de volta a Deus (Isaías 49:5); 2. ser luz aos gentios, conforme vemos no verso 6: “Pouco é que sejas o meu servo... também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra”.

Se vocês entenderem o que acontece aqui em Isaías, provavelmente vão verificar, agora mesmo, porque o servo Jesus tanto apelava e citava este profeta. O servo é o Messias. O Messias teria de sofrer e morrer por muitos. Ele também deveria ressuscitar dos mortos (Salmo 16:10). Quando o monumental evento da ressurreição aconteceu e os discípulos foram cheios do Espírito Santo, no Dia de Pentecoste, eles saíram pregando esta mensagem em toda parte: “O Messias morreu pelos nossos pecados, conforme as Escrituras; Ele foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, conforme as Escrituras”. A julgar pela literatura cristã mais antiga, a 1 Tessalonicenses, eles também pregavam que o Messias iria vir novamente.

Filho de Deus

Geralmente, os cristãos logo interpretam este termo significando divindade. Mas existe uma porção de ocorrências da expressão “Filho de Deus” nos evangelhos e no resto da Bíblia, onde este termo, provável e definitivamente, não significa “divindade” a quem usa ou então escuta o mesmo. Colin Brown declara, pela evidência dos evangelhos, que “Filho de Deus” apenas sugere uma série de conotações não necessariamente divinas. É simplificar demais afirmar que o título “Filho de Deus” expressa a divindade de Jesus e “Filho do Homem”, Sua humanidade.

De fato, devemos ir mais longe e dizer que quase ninguém no mundo judaico do tempo de Jesus escutou ou usou o termo ‘Filho de Deus’ no sentido de divindade. Após pesquisar o VT e a literatura intertestamentária, Geza Vermes concluiu o que achamos bem exato: “De todos os modos, parece que os palestinos do primeiro século d.C. quando escutavam a expressão ‘filho de Deus’ iriam pensar: primeiro, que se tratasse de seres angelicais ou celestes, e segundo, quando a conexão humana fosse esclarecida, de um homem santo”.

Até mesmo nas narrativas dos evangelhos, a conclusão de Geza Vermes é bem exata. Lucas chama Adão “o filho de Deus”, mas ninguém iria achar que Adão fosse divino. [N.T. - Exceto os Mórmons, claro]. Quando o centurião, ao pé da cruz, exclamou: ”Verdadeiramente, este era o Filho de Deus” (Mateus 27:54; Marcos 15:39), ele quis dizer no mesmo sentido em que Lucas o registrou”: ’Na verdade, este homem era justo”. Até mesmo Pedro, quando Jesus lhe indagou quem os homens achavam que Ele era, respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16), poderia, naquele tempo, não ter entendido perfeitamente o sentido divino do termo e ainda tivesse em mente um reino messiânico terreno, conforme a mensagem de Davi a Salomão: “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens” (2 Samuel 7:14).

Este mesmo verso de Samuel prediz a queda de Salomão na iniquidade e o resultante castigo que aconteceu com a divisão do reino. Mas, dois versos, imediatamente precedentes, falam de um reino eterno estabelecido através da semente de Davi. Então, mesmo que Pedro tivesse visto Jesus como o Messias de um reino terreno, poderia haver em sua mente a indagação de como o Messias iria continuar o Seu reinado “para sempre”. Existem lampejos no VT de que o Messias seria mais do que um simples homem mortal. Por exemplo, em Isaías 9:6, uma clara passagem messiânica deve ter causado algumas dores de cabeça aos judeus: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

O Dr. Norman Geisler, professor de Filosofia da religião no Seminário Teológico de Dallas, declara, com referência ao VT que:

“O Messias é identificado como Yavé ou Divindade, em muitas passagens. Ele é chamado Deus poderoso, em Isaías 9:6 e Yavé, em Zacarias 12:10 e 14:3-9. O Messias é chamado “Senhor” (Adonai) no Salmo 110:1, e Deus (Eloim), no Salmo 45:6. (conforme Hebreus 1:8). Segundo Miquéias 5:2, Ele preexistia antes de Belém. E Ele é identificado como o Anjo de Yavé no VT (Isaías 63:7-10), o qual é o “EU SOU” de Êxodo 3:14.

Sem dúvida, o firme monoteísmo dos rabinos judeus conduzia-os a outras interpretações destas passagens, em vez de lidar com a questão de como atribuir divindade ao Messias, enquanto mantendo o claro ensino do VT da existência de um só Deus. Para a maioria dos judeus, no tempo de Jesus, Messias significava Rei - mas não certamente Deus.

Por causa de passagens messiânicas como 2 Samuel 7:14 e Salmo 2:7: “Tu és meu filho, eu hoje te gerei”, o termo “Filho de Deus” naturalmente foi associado ao Messias. Por isso, Caifás exigiu de Jesus: “És tu o Cristo, Filho do Deus bendito?”. Caifás não estava perguntando se Jesus era Deus, apenas se Ele era o Messias. Mas Jesus deu a Caifás, e a todo o Sinédrio, mais do que eles poderiam desejar. Quebrando o silêncio mantido nas perguntas anteriores, Jesus resumiu os mais importantes aspectos do Seu ensino e crença sobre a Sua identidade: “... Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu”.

Lembrem-se que, apenas alguns dias antes, Jesus havia destruído as operações comerciais no pátio do templo. Agora, os membros do Sinédrio escutavam aquele rebelde galileu afirmando:*

Que o Messias, Filho do Deus bendito e o Filho do Homem eram a mesma Pessoa e se referiam a Ele.*

Que Ele se assentaria à direita do poder de Deus, governando sobre os Seus inimigos (Salmo 110:1-2)*
Que Ele era um Sacerdote, governando para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque (Salmo 110:4).*

Que Ele havia feito tudo com autoridade e poder (Salmo 110:5-7).*

Que Ele seria visto vindo sobre as nuvens do céu...

E o mais importante:* Que Ele era, de fato, Yavé, Deus.

John Buel e Quentin Hyder explicam:
“As palavras de Jesus, embora tranquilas, são chocantes em sua audácia. “Ani hu” nesta passagem é entregue como “EU SOU”, em muitas traduções, como uma resposta à pergunta de Caifás: ‘És tu o Cristo, Filho do Deus bendito?’. É a mesma usada na frase ‘Eu sou o que sou’. Certamente, Jesus verificou que Sua audiência, ansiosa na busca de provas contra Ele, iria interpretar Suas palavras na exata significação teofânica. Foi uma deliberada afirmação de Sua divindade e, se não foi a exata resposta que Caifás esperava, foi uma ‘blasfêmia’ bem maior aos ouvidos dele”.

Jesus Acreditava Realmente que Ele era Deus?

Os que escreveram as narrativas históricas da vida terrena de Jesus eram todos judeus. As próprias narrativas fornecem o claro testemunho de que a tendência natural das testemunhas era ver Jesus numa postura messiânica inquebrantável e não numa postura messiânica divina. Até mesmo na noite de Sua prisão, os discípulos lhe trouxeram espadas. Como devotos adoradores de Yavé, teria sido muito difícil para eles entender as coisas que Jesus havia falado e feito, as quais Lhe atribuíam divindade. Geza Vermes declara, com referência à alegada divindade de Jesus, que “a identificação de uma figura contemporânea e histórica com Deus era inconcebível para um judeu palestino do século 1 d.C.” A forte convicção de Geza Vermes é que o próprio Jesus jamais havia imaginado ser Deus. Mas, vejamos as evidências:

Em Mateus 12:6, Jesus diz aos fariseus:

“Pois eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo”. Ao referir-se a Si mesmo, Jesus declara ser “o Senhor do sábado”.

Como poderia alguém ser o Senhor do sábado, exceto Deus, que o havia instituído? Esta foi uma afirmação direta de Sua divindade.

Em Mateus 23:37, Jesus fala como se Ele tivesse, pessoalmente, testemunhado a história de Jerusalém: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”

Em Marcos 2:1-2, Jesus diz a um paralítico: “Perdoados são os teus pecados. E estavam ali assentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo: Por que diz este assim blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, senão Deus?”

(Marcos 2:6-7). Então Jesus falou: “Por que arrazoais sobre estas coisas em vossos corações? Qual é mais fácil? dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra poder para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa” (versos 8-11).
O paralítico foi curado e a implicação foi óbvia. Ninguém poderia perdoar pecados, senão Deus; portanto, Jesus estava afirmando claramente a Sua divindade.

O preletor John Buell e o autor O. Quentin Hyder escrevem:

“Não existe um só verso no VT (ou em qualquer literatura judaica) que dê ao Messias o poder de perdoar pecados, embora a mesma literatura dê este poder a Jeová. Desse modo, ao perdoar pecados, Jesus estava afirmando o Seu poder como Deus e não como o Messias”.

Antes, no Sermão do Monte (Mateus 7:21-23), Jesus fala de Si mesmo como o Juiz final, com autoridade para proibir a entrada no Reino do Céu. No parágrafo seguinte, em vez de “cada pessoa que ouve as palavras de Deus na torá, edificará um sólido fundamento em sua vida”, Jesus declara: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras” (Mateus 7:24).

David Biven, pesquisador da origem hebraica dos evangelhos conclui:

“Não era a maneira dEle ensinar, nem mesmo o conteúdo geral do Seu ensino que tornou Jesus único entre os rabinos. O que era exclusivo em Jesus era o que Ele afirmava ser e Ele raramente ensinava sem afirmar que era, não apenas o Messias de Deus, porém, admiravelmente, que Ele era o próprio Emanuel (Deus conosco).”

É surpreendente como os críticos tentam rejeitar as constantes referências de Jesus à Sua própria divindade. Ian Wilson, por exemplo, escreve:
“No Evangelho de Marcos, o que apresenta mais consistentemente a humanidade de Jesus, um homem é apresentado correndo até Jesus e a Ele se dirigindo com estas palavras: “Bom Mestre”.