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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Zoroastrismo e seus seguidores fervorosos - ...Um relato...

 

Em uma manhã bem cedo, em dezembro passado, Aaria Boomla levantou-se de sua cama dura na pensão onde estava hospedada na pequena cidade litorânea de Udvada, na Índia.

Não se comparava em nada à sua cama macia em casa, a sete horas de distância, em Pune. Ela se vestiu e escovou os dentes cuidadosamente ao redor dos dois dentes da frente que lhe faltavam, enquanto praticava em silêncio os versículos das escrituras que vinha memorizando há meses. Aos sete anos, a mais velha de dois irmãos, ela estava prestes a se juntar à família como seguidora de uma das religiões mais antigas do mundo.

O sol nasceu quente e enevoado enquanto Aaria, sua família e amigos caminhavam por uma estrada de terra até o Iranshah Atash Bahram, um grande complexo de templos de pedra branca e madeira, cercado por altos muros. O portão de entrada, ladeado por duas enormes esculturas de touros alados com cabeça humana, era vigiado por um atendente que garantia que apenas aqueles com pureza ritual suficiente pudessem entrar no recinto do templo — um dos lugares mais sagrados de toda a Índia.

Segundo a tradição, os ancestrais zoroastrianos de Aaria chegaram à costa de Gujarat há 1.300 anos em busca de proteção contra a perseguição religiosa dos muçulmanos árabes invasores. Ali, às margens do Mar Arábico, eles reviveram os preceitos e rituais de sua fé, incluindo um fogo alimentado por 16 fogueiras diferentes, acendidas por tudo, desde uma forja de ferreiro até um raio. Esse fogo arde continuamente desde então, sob os cuidados atentos dos mobeds, ou sacerdotes, que usam véus brancos. Hoje, ele serve a uma comunidade de fiéis cada vez menor.

Dentro do recinto do templo, Aaria banhou-se em água sagrada, tomou três goles de urina de touro purificada, vestiu um novo conjunto de roupas brancas e juntou-se à multidão. Eles se reuniram ao redor do fogo, que ardia em uma urna de prata. Orações se elevaram no ar, palavras de uma língua que não era usada no dia a dia há 3.500 anos. “Fravaraane mazdayasno Zarathushtrish Vee-daevo Ahura-tkaesho”, recitou Aaria: “Confesso-me um adorador do Criador Ahura Mazda, um seguidor da religião revelada pelo Profeta Zaratustra.”

Aaria e sua família estão entre o pequeno e cada vez menor número de fiéis ortodoxos no canto do mundo onde o Zoroastrismo surgiu e se espalhou. Menos de 100.000 adeptos permanecem nas regiões periféricas do antigo Império Persa, no Irã, na Índia e no Paquistão. Mas, no último século, a fé viajou muito além de suas origens — para lugares como Los Angeles, Cidade do México e Estocolmo — e inspirou novas comunidades progressistas, onde qualquer pessoa que siga os preceitos do antigo profeta Zaratustra pode ser considerada zoroastriana.

Em grande parte do imaginário mundial, o Zoroastrismo evoca algo antigo, e talvez um pouco exótico. Mas seus princípios básicos são fundamentais para pessoas em todos os lugares: o bem contra o mal, a ressurreição e a vida após a morte. Em sua essência está humata, hukhta, hvarshta: “bons pensamentos, boas palavras, boas ações”.

Segundo a tradição, Zaratustra — Zoroastro em grego — era um sacerdote desiludido de uma antiga religião politeísta que, após mergulhar em um rio, recebeu uma revelação de Ahura Mazda, o Ser Supremo. Não se sabe ao certo onde e quando Zaratustra viveu. Muitos estudiosos se baseiam em indícios das escrituras zoroastrianas, o Avestá, para situá-lo na Ásia Central, possivelmente no atual Afeganistão ou Tadjiquistão, por volta de 1700 a 1000 a.C. Diz-se que ele liderou inicialmente apenas um seguidor, seu primo. Mas, no século VI a.C., o Zoroastrismo já estava ligado ao Império Persa Aquemênida, uma das maiores e mais antigas superpotências do mundo, e os princípios de Zaratustra acabariam por se espalhar pelos luxuosos entrepostos da Rota da Seda no oeste da China e pelos pequenos santuários nas montanhas dos Bálcãs.

A crença zoroastriana em um ser supremo e na dicotomia entre o bem e o mal teve uma profunda influência nas religiões abraâmicas — judaísmo, cristianismo e islamismo. Ciro, o Grande, fundador do Império Persa Aquemênida, libertou os judeus do cativeiro na Babilônia em 539 a.C. e os levou de volta a Jerusalém, onde reconstruíram seu templo. Muitos estudiosos acreditam que a exposição ao zoroastrismo na Babilônia e na Pérsia ajudou a consolidar elementos básicos da crença judaica, incluindo a vida após a morte e o julgamento final. Os antigos gregos reconheceram a sabedoria dos sábios zoroastrianos, o que deu origem aos Três Reis Magos do Novo Testamento. E estudiosos observam a semelhança entre as práticas zoroastrianas e muçulmanas de orar cinco vezes ao dia e a ablução ritual que acompanha essas orações.

O deus zoroastriano não é uma divindade negociadora ou punitiva. Não existe a noção de pecado original que exija arrependimento. Em vez disso, o deus zoroastriano é mais como a força da gravidade, indiferente ao seu bem-estar diário. Sua missão é lutar por asha (verdade, retidão e ordem) e contra druj (imundície, mentiras e caos). Após a morte, sua alma, ou urvan, se reúne com seu espírito guardião, ou fravashi, e continua a viver em um mundo de canções ou em um mundo de purgatório. Então vem a batalha final, quando o bem triunfa sobre o mal e todos ressuscitam para viver em um mundo perfeito, livre de guerras, fome e desejos terrenos.

Os ensinamentos de Zaratustra, em certo sentido, criaram os "limites" das religiões abraâmicas, afirma Jamsheed Choksy, professor de estudos da Eurásia Central na Universidade de Indiana em Bloomington. "Começa-se com a discussão do bem contra o mal, e com o fato de que os humanos têm um papel a desempenhar — que não estamos apenas vivendo a vida. E, no final, a recompensa é que tudo será acertado; o mal será derrotado."

Para quem não é zoroastriano, como eu, o acesso à comunidade é bastante limitado. Leis rígidas de pureza proíbem a entrada de pessoas de fora no complexo do templo Iranshah, assim como em outros templos de fogo menores em Udvada. Na manhã da iniciação de Aaria, Zarine Bharda chegou a outro templo de fogo em uma scooter branca, com uma filha da idade de Aaria no sidecar. Bharda, vestida toda de branco, recusou meu aperto de mão suado com um sorriso de desculpas. "Se eu apertasse sua mão, teria que lavar a cabeça novamente antes de entrar no templo", explicou, apontando para o lenço branco amarrado em seus cabelos.

Bharda, ex-engenheira de uma família zoroastriana do Canadá, é hoje uma coach de bem-estar feminino. Por ser casada com um monge do templo Iranshah, ela precisa observar as mais rigorosas obrigações de pureza. Durante a menstruação, por exemplo, ela sai de casa e vai para outro apartamento na cidade, com roupas e utensílios separados. "É mais fácil", disse ela.

Mais fiéis vestidos de branco se aproximavam do templo, e a filha de Bharda puxava impacientemente a manga da mãe. Era hora de entrar.

Os zoroastrianos da Índia — conhecidos como parsis — afirmam ser os verdadeiros guardiões da religião. Na República Islâmica do Irã, antigo centro do Império Persa, os zoroastrianos têm sido perseguidos e forçados a praticar muitos de seus rituais clandestinamente. O zoroastrismo chegou a ter milhões de seguidores em seu auge; hoje, restam possivelmente entre 15.000 e 25.000 adeptos no Irã. Os parsis somam cerca de 50.000 na Índia, concentrados principalmente em Mumbai e no estado de Gujarat, com menos de mil no vizinho Paquistão. Os mais ortodoxos consideram apenas os filhos de pais zoroastrianos como verdadeiros parsis e desaprovam o casamento fora da fé. Essas restrições, juntamente com a queda da taxa de natalidade, levaram a um rápido declínio da população parsi.

Ramiyar Karanjia é o diretor de um seminário parsi no arborizado bairro de Dadar, no centro de Mumbai, onde os filhos de mobeds passam por um rigoroso treinamento em literatura e rituais religiosos, além de aulas de matemática e geografia. Magro e de voz suave, Karanjia frequentou o mesmo internato quando criança, há 50 anos, memorizando escrituras e passando por árduas cerimônias de purificação exigidas dos futuros mobeds. Essas cerimônias incluem um período de isolamento de 25 dias dentro de um templo do fogo, onde meninos pré-púberes são proibidos de tocar em qualquer coisa ou pessoa, ou de comer entre o nascer e o pôr do sol.

A escritura central, o Avesta, contém 17 Gathas, as palavras transmitidas por Ahura Mazda ao seu profeta, Zaratustra. As passagens mais antigas estão em avéstico antigo, uma língua que se acredita ter sido falada na Ásia Central durante a Idade do Bronze, há cerca de 3.500 anos. Há também o Vendidad, principalmente um compêndio de leis eclesiásticas e sociais, considerado um dos 21 livros que compunham o corpus zoroastriano original. É o único que sobreviveu totalmente intacto após o saque do Império Persa por Alexandre, o Grande — ou "Alexandre, o Maldito", como é conhecido por aqui — em 330 a.C. Talvez 10% das escrituras zoroastrianas em avéstico tenham sobrevivido até hoje, disse Karanjia.

As comunidades zoroastrianas buscam liderança em seus mobeds. Na tradição parsi, apenas os filhos de sacerdotes podem se tornar sacerdotes. Um mobed pode ganhar apenas 50.000 rúpias por ano, explicou Karanjia — cerca de US$ 600, uma quantia irrisória mesmo nas regiões mais pobres da Índia — e não há plano de saúde nem aposentadoria. Portanto, a maioria dos mobeds trabalha em tempo parcial e segue outras profissões.

Não faz muito tempo, mais de duas dezenas de alunos frequentavam o seminário de Dadar. "Atualmente, temos apenas 14", lamentou Karanjia. O único outro seminário parsi não tem alunos há quase uma década.

O pequeno número de candidatos ao seminário reflete a baixa taxa de natalidade nas comunidades parsis. Líderes religiosos e pesquisadores observam que homens e mulheres parsis tendem a se casar mais tarde, ou mesmo não se casar, e têm menos filhos do que antigamente. Estima-se que para cada parsi que nasce na comunidade, quatro morrem. O programa Jiyo Parsi, lançado em 2013 e patrocinado em parte pelo governo indiano, promoveu famílias parsis maiores com incentivos financeiros, aconselhamento, tratamentos de fertilidade e campanhas publicitárias irreverentes. “Seja responsável. Não use camisinha hoje à noite”, dizia um cartaz. Alguns parsis são ironicamente fatalistas em relação ao futuro de sua comunidade. “Você conhece aquele filme Quatro Casamentos e um Funeral?”, perguntou-me um jornalista parsi. “Para nós, são Quatro Funerais e um Casamento.”

Rohinton Nariman, um ex-juiz da Suprema Corte da Índia e figura controversa, admitiu que o preconceito contra o casamento inter-racial condenará os parsis. "A América do Norte é o único lugar atualmente que aceita tanto os cônjuges quanto os filhos", afirmou. "E tenho certeza de que o zoroastrismo florescerá lá."

O depósito de troféus de Behmam Abadian fica em um discreto parque industrial em Glendale, Califórnia. Lá dentro, as prateleiras estão repletas de deslumbrantes peças de bronze, vidro e zinco destinadas a executivos de empresas, atletas profissionais e cientologistas. Abadian é um engenheiro civil que deixou o Irã no dia da invasão iraquiana em 1980, e acabou se casando com “uma mulher muçulmana em uma igreja católica na cidade de Nova York”, como ele mesmo disse. Hoje, ele é membro do conselho do Centro Zoroastriano da Califórnia e distribui livros progressistas sobre a fé para seus irmãos na América do Norte. Além dos livros, Abadian se orgulha particularmente de sua obra mais recente: uma estátua de bronze de três metros de altura de Ciro, o Grande.

Almocei com Abadian e seu amigo Arman Ariane em um restaurante persa popular perto do depósito de troféus. Lá dentro, garçons com travessas de pão sírio e carnes grelhadas circulavam entre as mesas lotadas de famílias elegantemente vestidas. Era o fim de semana do Nowruz, o Ano Novo Zoroastriano que começa no equinócio da primavera, em março.

Embora seja impossível afirmar com certeza o quão fielmente Ciro, o Grande, seguiu os preceitos de Zaratustra, os zoroastrianos modernos apontam com orgulho para a forma como o rei persa restaurou os templos de muitas religiões sob a tutela de uma das primeiras superpotências mundiais — criando, essencialmente, o primeiro império multi-religioso. "E isso levou à primeira declaração mundial de direitos humanos", disse Ariane, estilista e proprietário da Xerxes for Gents, uma loja de roupas na cidade vizinha de Claremont. Originário do Irã, Ariane estudava em um internato na Áustria quando o aiatolá Khomeini tomou o poder no início de 1979. Sem ter para onde ir, Ariane trabalhou como caminhoneiro por um ano e depois recomeçou a vida em Los Angeles entregando pizzas.

Três Reis Magos no Presépio?



Poucas cenas no imaginário cristão são tão icônicas quanto a dos três viajantes ajoelhados diante do menino Jesus, com seus camelos aguardando pacientemente enquanto oferecem ouro, incenso e mirra. No entanto, esses visitantes — chamados de sábios, astrólogos ou reis — permanecem entre as figuras mais misteriosas do mundo bíblico.

O Evangelho de Mateus, a única fonte canônica que os menciona, fornece poucos detalhes sobre quem eram ou o que os motivou a empreender uma longa jornada para o oeste. Ao longo dos séculos, contadores de histórias, teólogos e artistas preencheram as lacunas. Como resultado, os Magos são algumas das figuras mais elaboradas da tradição cristã, inspirando desde dramas litúrgicos medievais até pinturas renascentistas.

O que são magos — e o que a Bíblia realmente diz?

Mateus se refere aos três homens que visitam Jesus como magos (em grego, magoi ). Séculos antes, o historiador grego Heródoto usou o termo para se referir a uma casta sacerdotal da Pérsia que interpretava sonhos. Autores clássicos como Xenofonte e Estrabão o usaram para descrever especialistas religiosos. O termo era frequentemente associado ao Zoroastrismo e, no primeiro século da era cristã, o mundo mediterrâneo de língua grega também passou a usar a palavra de forma mais ampla para se referir a astrólogos ou praticantes de conhecimento esotérico.

No Evangelho de Mateus, os Magos “vindos do Oriente” chegam a Jerusalém após observarem uma estrela crescente que anunciava o nascimento de um novo rei. A referência à estrela sugere fortemente que Mateus os considerava astrólogos. Os Magos consultam o Rei Herodes, que fica perturbado com a notícia, e então seguem a estrela até Belém. Lá encontram o menino Jesus, oferecem presentes de ouro, incenso e mirra, e partem “por outro caminho” após receberem um aviso em sonho.

Curiosamente, Mateus não identifica a terra natal dos Magos, não os chama de reis, não descreve seu modo de viagem e não especifica seu número. A tradição cristã posterior inferiu que eram três, devido aos três presentes. Mas, nas primeiras interpretações cristãs que sobreviveram, os Magos poderiam ser apenas dois ou até doze.

Relatos dos primeiros cristãos sobre os 'sábios'

Como o relato bíblico é tão sucinto, os primeiros cristãos buscaram elaborar sobre quem eram esses visitantes misteriosos. Uma das fontes mais ricas foi o Apocalipse dos Magos, um texto apócrifo preservado em um manuscrito siríaco do século VIII, traduzido para o inglês em 2010. Nessa versão, os Magos vêm de uma terra distante chamada "Shir" — um local que alguns intérpretes associam a regiões a leste da Pérsia, chegando até a China. Eles são descendentes do patriarca bíblico Sete, o terceiro e menos famoso dos filhos de Adão e Eva, que confiou a seus filhos uma profecia secreta: uma estrela de luz divina um dia apareceria e revelaria o Salvador do mundo. Na história, contada da perspectiva dos Magos, a estrela se transforma em um pequeno ser luminoso (provavelmente Jesus, embora isso nunca seja explicitamente declarado) que fala com eles e os guia, transformando a jornada em uma peregrinação visionária em vez de uma simples caminhada física. Os Magos finalmente retornam para casa, onde evangelizam sobre Jesus em sua terra natal.

Brent Landau, autor da primeira tradução para o inglês do Apocalipse dos Magos e professor associado de Estudos Religiosos na Universidade do Texas em Austin, afirmou que o texto “não é simplesmente uma 'ficção de fã' criada para entretenimento. O autor parece acreditar que, como Jesus pode aparecer a qualquer pessoa, em qualquer lugar, a qualquer momento, isso significa que potencialmente todas as revelações religiosas da humanidade se baseiam em aparições de Jesus. Portanto, o autor tem uma perspectiva relativamente incomum sobre religiões não cristãs em comparação com outros escritos cristãos antigos, que tendem a ser muito mais negativos em relação às religiões de outros povos.”

Entretanto, no século III, a Lenda de Afroditeno transformou os Magos em embaixadores reais que não apenas visitaram o menino Jesus, como também levaram um retrato dele para um templo de Hera na Pérsia.

Três reis... ou dois... ou doze?

A maioria dos detalhes agora associados aos Reis Magos se desenvolveu gradualmente ao longo dos séculos.

Segundo Raymond Brown, autor de O Nascimento do Messias , a ideia de que os Magos eram reis provavelmente deriva das primeiras interpretações cristãs de Isaías 60:3-6 (“Nações virão à tua luz… trarão ouro e incenso”) e do Salmo 72:10 (“Que os reis de Társis… tragam presentes”). Citando versículos adicionais da Bíblia Hebraica, o escritor cristão norte-africano Tertuliano escreveu que “o Oriente geralmente considerava os Magos como reis” e transformou os astrólogos em monarcas. No século VI, era dado como certo em todo o mundo cristão que os Magos eram reis.

O número de Reis Magos também variava de acordo com a região. Apenas dois Reis Magos aparecem na imagem mais antiga deles, nas catacumbas de São Pedro e São Marcelino, enquanto quatro são representados em um afresco do século III em Santa Domitila, e doze são mencionados nos textos siríacos do século XIII, o Livro da Abelha e o Apocalipse dos Magos. O número foi fixado em três na Igreja Ocidental por volta do século VI, tanto porque três presentes são mencionados em Mateus quanto porque o padrão triádico se encaixava bem com a crescente ênfase cristã na Trindade e nos números simbólicos.

Os nomes Melquior, Gaspar e Baltazar aparecem em textos latinos do Ocidente cristão, com a primeira referência encontrada na obra medieval Excerpta Latina Barbari . Antes disso, as fontes cristãs mais antigas, escreve Brown, os nomeiam Hormizdah, rei da Pérsia; Yazdegerd, rei de Sabá; e Perozadh, rei de Sabá (curiosamente, os estudiosos tendem a considerar Sabá e Sabá como o mesmo lugar). Um texto cristão etíope conhecido como o Livro de Adão e Eva os chama de Hor, rei dos persas; Bassanater, rei de Sabá; e Karusudan, rei do Oriente.

Seus companheiros animais — geralmente camelos — entraram na história por meio de convenções artísticas e da pragmática do comércio antigo. Representações romanas de embaixadas orientais frequentemente mostravam camelos porque, como escreveu Sarah Bond , os camelos eram usados ​​regularmente para transporte e até mesmo para serviço militar. (Restos osteoarqueológicos de camelos foram encontrados em locais tão distantes quanto a Grã-Bretanha romana.) Os primeiros artistas cristãos, familiarizados com esses modelos e munidos de uma referência a camelos em Isaías 60:6, conectaram visualmente os Magos a enviados diplomáticos da Arábia ou da Pérsia.

Em conjunto, essas elaborações míticas mostram como as comunidades cristãs criaram uma história que refletia suas próprias esperanças e preocupações — para alguns, os Magos eram “a personificação da realeza global”, diz Eric Vanden Eykel, autor de Os Magos: Quem Eles Foram, Como Foram Lembrados e Por Que Ainda Fascinam; para outros, astrólogos cuja expertise científica testemunha a revelação de Deus; e para outros ainda, santos missionários cuja fé precede a dos apóstolos.

Os Magos continuam fascinantes porque são buscadores. Na narrativa concisa de Mateus, eles observam um sinal no céu, interpretam-no e partem rumo a uma terra distante em busca de significado. Em tradições posteriores, eles se tornam reis, sábios, místicos, missionários e até mesmo visionários que encontram a luz divina de maneiras que transcendem a experiência humana comum.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Para além do Gnosticismo


Alguns autores fazem uma distinção entre “gnosis” e “gnosticismo”. A gnose seria uma experiência baseada não em conceitos e preceitos, mas na sensibilidade do coração e o gnosticismo, por outro lado, é uma visão de mundo baseada na experiência de Gnose, que tem por origem etimológica o termo grego gnosis, que significa “conhecimento”, mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico a “episteme” dos gregos, mas de caráter intuitivo e transcendental; sabedoria. Sendo usado para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua essência eterna, a centelha divina.

O movimento originou-se provavelmente na Ásia Menor, difundindo-se da região do Irã à Gália, exercendo a sua maior influência sobre o cristianismo entre os anos de 135 e 200. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na Babilônia, Antigo Egipto, Síria e Grécia Antiga, combinando elementos da astrologia e mistérios das religiões gregas como os do elêusis, do zoroastrismo, do hermetismo, do sufismo, do judaísmo e do cristianismo.

Num texto hermético lê-se que a gnosis da Mente é a “visão das coisas divinas“. G.R.S.Mead acrescenta que “Gnosis não é conhecimento sobre alguma coisa, mas comunhão, conhecimento de Deus“. Este é o grande objetivo, conhecer “Deus”, a Reali­dade em nós. Não é a crença, a fé ou o simples conhecimento o que importa. O fundamental é a comunhão interior, o religar da Mente individual com a Mente universal, a capacidade do homem “transcender os limites da dualidade que faz dele homem e tornar-se uma consciência divina“.

A posse da Gnosis significa a habilidade para receber e compreender a revelação e o verdadeiro Gnóstico seria aquele que conhece a revelação interior ou oculta desvelada e que também compreende a revelação exterior ou pública velada. Não é alguém que descobriu a verdade a seu respeito por meio de sua própria desamparada reflexão, mas alguém para quem as manifestações do mundo interior são mostradas e tornaram-se inteligíveis.

“Gnosis sobre quem éramos e no que nos tornamos; onde estávamos e onde viemos parar; para onde nos dirigimos e onde somos redimidos; o que é a geração, e o que é a regeneração”. Extratos de Theodotus

Doutrina Gnóstica

O pré-requisito essencial da filosofia gnóstica é o postulado da existência de uma “entidade imortal”, que não é parte deste mundo, que pode ser chamado de Deus interno, Centelha divina, Crístico, divina essência etc, que existe em todos os homens e é a sua única parte imortal. Os gnósticos consideram que o estado do homem neste mundo é “anti-natural”, pois ele está submetido a todo tipo de sofrimentos. Para eles, é necessário que o homem se liberte deste sofrimento, e isto só pode ocorrer pelo conhecimento.

Os gnósticos, de um modo geral, acreditavam que o Universo manifestado principia com emanações do Absoluto, seres finitos chamados de Æons que se reúnem no Pleroma. No princípio tudo era Uno com o Absoluto, então em um determinado momento, emanaram do Absoluto estes éons, formando o pleroma. O pleroma dos gnósticos é um plano arquetípico, abaixo do qual está o plano material, manifestado. Assim, o que antes era Uno, vivia no pleroma, se despedaça em partes, e este gera um estado de infelicidade, pela descida no pleroma (e separação do Todo Uno), é o que ocasiona o sofrimento do homem neste mundo.

Um dos éons, Sophia deu à luz o Demiurgo (artesão em grego), que criou o mundo material “mau”, juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem. Os gnósticos ensinavam que a salvação vem por meio de um desses éons, geralmente apresentado como o décimo terceiro éon, distinto dos doze éons que regem o mundo decaído. Segundo a doutrina, Cristo se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado.


Segundo algumas linhas gnósticas, Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico, nem foi sujeito à fraqueza e às emoções humanas, embora parecesse ser um homem, enquanto a principal linha de gnosticismo cristão, a Valentiniana defende a tese próxima do nestorianismo doutrina cristã, nascida no Século V, segundo a qual há em Jesus Cristo duas pessoas distintas, uma humana e outra divina, sendo Cristos (o ungido) o éon celestial que a um tempo se une a Jesus.

Alguns historiadores afirmam que o apóstolo João se refere a esse assunto quando enfatiza que “o Verbo se fez carne” (Jo l .14) e em sua primeira epístola que “todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus…” (l Jo 4.3). Os escritos joaninos são do final do primeiro século, quando nasceu o gnosticismo. No entanto, muitas comunidades gnósticas tinham o Evangelho de João em alta conta.

Dualismo e Monismo

Normalmente, os sistemas gnósticos são vagamente descritos como sendo “dualistas” em natureza, o que significa que tem a visão do mundo constituído ou explicável como duas entidades fundamentais. Hans Jonas escreve: “A característica central do pensamento gnóstico é o radical dualismo que rege a relação de Deus e o mundo e, correspondentemente, do homem e o mundo. “ Dentro desta definição, que funcionam a gama do dualismo radical dos sistemas de maniqueísmo, do dualismo mitigado de alguns movimentos gnósticos; a evolução Valentiniana indiscutivelmente aborda uma forma de monismo, expresso em termos anteriormente utilizados de forma dualista.

O dualismo radical – ou dualismo absoluto que postula duas forças divinas co-iguais. O Maniqueísmo concebe dois reinos anteriormente coexistente da luz e da escuridão que se envolveu em conflito, devido à caótica ações deste último. Posteriormente, alguns elementos da luz tornaram-se aprisionados dentro da escuridão, o propósito da criação material é para decretar o lento processo de extração destes elementos individuais, a fim de que o reino de luz prevalece sobre as trevas.

Esta mitologia dualista do zoroastrismo , no qual o espírito eterno Ahura Mazda é a oposição de sua antítese, Angra Mainyu , os dois estão envolvidos em uma luta cósmica, a conclusão de que será ver Ahura Mazda triunfante. A criação no mito Mandeano, emanações progressivas do Supremo Ser de Luz, com cada emanação provocando uma corrupção progressiva que resulta no aparecimento eventual de Ptahil, o deus das trevas, que teve uma mão na criação de regras e passam a constituir o reino material.

Além disso, o pensamento gnóstico geral, comumente incluíam a crença de que o mundo material corresponde a algum tipo de intoxicação provocada pelo mal os poderes das trevas para manter elementos da luz aprisionada dentro dele, ou, literalmente, para mantê-los no escuro “, ou ignorantes, em um estado de distração bêbado.

Dualismo mitigado – quando um dos dois princípios é, de alguma forma inferiores aos outros. Tais movimentos gnósticos clássicos como o Sethiniano concebeu o mundo material como sendo criado por uma divindade menor do que o verdadeiro Deus, que era o objeto de sua devoção.

O mundo espiritual é concebido como sendo radicalmente diferente do mundo material, co-extensivo com o Deus verdadeiro, é a verdadeira casa de alguns membros iluminados da humanidade, portanto, estes sistemas foram expressivos de um sentimento agudo de alienação do mundo, e seu objetivo era permitir um resultado da alma, para escapar das limitações apresentadas pelo reino físico.

Nesses mitos, a malevolência do demiurgo é mitigada; sua criação de uma materialidade falha não é devido a qualquer falha moral da sua parte, mas devido a sua imperfeição em contraste com as entidades superiores de que ele desconhece.

Para que o homem possa se libertar dos sofrimentos deste mundo, segundo os gnósticos, ele deve retornar ao Todo Uno, por ascensão ao pleroma, e isto só pode ser alcançado pelo Conhecimento Verdadeiro (representado pela Gnose). Este despertar só pode ocorrer se o homem se descobre, “conhecendo-se a si próprio”. Para o Gnosticismo existem três níveis de realização. No nível mais elevado estão aqueles que eram chamados eleitos, ainda que sem um sentido elitista de exclusão. Entre os gnósticos, eles eram conhecidos como pneumáticos, que significa espirituais.O grupo seguinte, os intermediários, são os psíquicos ou religiosos.

E, finalmente, os homens comuns, os muitos, na linguagem de Jesus, eram chamados pelos gnósticos, de ílicos ou materiais, pois aqueles que só estão voltados para os prazeres da vida material imediata, sem nenhum interesse pelo objetivo último da vida. Os textos gnósticos também tratam estes níveis como descendentes de Seth, Abel e Caim.

Assim, o ensinamento do Mestre Jesus, o Cristo – Aeon da Salvação, foi estruturado para atender as necessidades desses três grupos de pessoas. Para o povo em geral, para aqueles que estão voltados exclusivamente para a vida neste mundo, a ênfase eram os ensinamentos sobre a ética e a vida diária. Para os homens intermediários, que os gnósticos chamavam de religiosos, eram ensinamentos mais abrangentes sobre a vida e a prática espiritual, sendo esses ensinamentos encontrados nas escrituras cristãs.

E é interessante lembrar que esse grupo intermediário, eram aqueles que nesta vida, em função de suas decisões, determinações e postura de vida poderiam cair no grupo dos muitos, os materialistas, ou então, elevarem-se e entrar no grupo dos eleitos, daqueles que poderiam vir a ser salvos ou libertos. E, finalmente, para o grupo dos assim chamados espirituais, os poucos, a tradição oferece ensinamentos sobre o caminho acelerado. O caminho acelerado, com suas naturais exigências de purificação e dedicação, só está aberto a poucos.

Assim, os primeiros cristãos sabiam que dois tipos de pessoas se achegariam ao cristianismo, um tipo sem o toque pneumático, e, portanto, incapaz de aproximar-se da salvação pelo conhecimento e pela sabedoria dos Mistérios, mas possuindo apenas capacidade de assimilar pela fé o lado superficial da Lei; o outro tipo, tocado pelo dom pneumático, pela centelha-espírito, que possuiria plena capacidade de assimilar os conhecimentos e a sabedoria dos Mistérios divinos e descer ao nível profundo e espiritual da Lei, podendo gozar de completa iluminação e redenção.” Orígenes ” De Principiis”

Grandes escolas gnósticas e seus textos

As escolas do Gnosticismo podem ser definidas de acordo com um dos sistemas de classificação como membros de duas grandes categorias. São elas as escolas “Orientais/Persas” e as escolas “Siríacas/Egípcias”. As escolas da primeira categoria possuem tendências dualistas mais pronunciadas, refletindo a forte influência das crenças do Zorastrismo Zurvanista persa. Já as escolas síriaco-egípcias e os movimentos que elas deram origem têm tipicamente uma visão mais Monista.

Notáveis exceções existem, incluindo movimentos relativamente modernos, que parecem ter incluído elementos de ambas as categorias, como os cátaros, os bogomilos e os carpocracianos.

Gnosticismo persa

As escolas persas, que apareceram na província da Babilônia e cujos escritos foram produzidos originalmente em dialetos aramaicos falados na região na época, representam o que se acredita serem as formas mais antigas do pensamento gnóstico.

Estes movimentos são considerados pela maioria como religiões por si sós e não seitas emanadas do Cristianismo ou do Judaísmo.

Mandeísmo é ainda praticado por pequenos grupos no sul do Iraque e na província iraniana do Khuzistão. O nome do grupo deriva do termo Mandā d-Heyyi, que significa “Conhecimento da Vida”.

Embora a origem exacta deste movimento não seja conhecida, João Batista eventualmente se tornaria uma figura chave nesta religião, assim como ênfase no batismo se tornou parte do cerne de suas crenças. Assim como no Maniqueísmo, apesar de certos laços com o Cristianismo, os mandeanos não acreditam em Moisés, Jesus ou Maomé. Suas crenças e práticas também tem poucas sobreposições com as religiões fundadas por eles.

Uma quantidade significativa das Escrituras originais Mandeanas sobreviveram até a era moderna. O texto principal é conhecido como Genzā Rabbā e tem trechos identificados pelos estudiosos como tendo sido copiados já no século II dC. Existe também o Qolastā, ou “Livro Canônico de Oração” e o sidra ḏ-iahia, o “Livro de João Batista”.

Maniqueísmo, que representa toda uma tradição religiosa e que agora está quase extinto, foi fundado pelo profeta Mani (216-276 dC).

Embora acredite-se que a maior parte das Escrituras dos maniqueístas tenha se perdido, a descoberta de uma série de documentos originais ajudou a lançar alguma luz sobre o assunto. Preservados agora em Colônia, Alemanha, o Codex Manichaicus Coloniensis contém principalmente informações biográficas sobre o profeta e alguns detalhes sobre seus ensinamentos.

Como disse Mani, “O Deus verdadeiro não tem nada a ver com o mundo material e o cosmos”, e “É o Príncipe das Trevas que falou com Moisés, os judeus e seus sacerdotes. Portanto, cristãos, os judeus e os pagãos estão envolvidos no mesmo erro quando adora este Deus. Pois ele os leva para perdição através dos desejos que lhes ensinou”.

Gnosticismo siríaco-egípcio

A escola siríaca-egípcia deriva muito de sua forma geral das influências platônicas. Tipicamente, ela apresenta a criação numa série de emanações de um fonte primal monádica, finalmente resultando na criação do universo material.

Como consequência, há uma tendência nestas escolas em ver o “mal” (ou a maldade) como a matéria, inferior à bondade, sem inspiração espiritual e sem bondade, ao invés de retratá-lo como uma força igual.

Podemos dizer que estas escolas gnósticas utilizar os termos “bem” e “mal” como sendo termos “relativos”, pois se referem aos relativos apuros da existência humana, aprisionada entre estas realidades e confusa na sua orientação, com o “mal” indicando a distância extremada do princípio e fonte do “bem”, sem necessariamente enfatizar uma negatividade inerente.

Como pode ser visto abaixo, muitos destes movimentos incluíram fontes relacionadas ao Cristianismo, com alguns inclusive se identificando como cristãos (ainda que de forma distintamente diferente das chamadas formas ortodoxas ou católica romana).

Escrituras siríaco-egípcias

A maioria da literatura nesta categoria nos é conhecida ou foi confirmada pela descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi. Obras Setianas, assim chamadas em homenagem ao terceiro filho de Adão e Eva, Sete (ou Seth), que eles acreditavam possuir e ser o disseminador da gnosis. As obras tipicamente setianas são:

  • O Apócrifo de João
  • O Apocalipse de Adão
  • A Hipóstase dos Arcontes, também conhecido por “A Realidade dos Regentes”
  • Trovão, Mente Perfeita
  • Protenóia trimórfica
  • Livro Sagrado do Grande Espírito Invisível também conhecido por “Evangelho Copta dos Egípcios”
  • Zostrianos
  • Alógenes
  • As Três estelas de Sete
  • O Evangelho de Judas
  • Obras Tomistas, assim chamadas por causa da escola de Tomé Apóstolo. Todos são pseudepígrafos. Os textos geralmente atribuídos a ela são:
  • Hino da Pérola, também conhecido como “Hino de Tomé Apóstolo Dídimo no país dos Indianos”
  • Atos de Tomé
  • O Evangelho de Tomé
  • Livro de Tomé o Adversário

Obras Valentianas são assim chamadas em referência ao Bispo e professor Valentim (ca. 153 dC). Ele desenvolveu uma complexa cosmologia fora da tradição setiana. Em certo ponto chegou a estar próximo de ser nomeado o Bispo de Roma, naquela que hoje é a Igreja Católica Romana. As obras geralmente atribuídas a eles estão listadas abaixo, sendo que os fragmentos que podem ser diretamente relacionadas a elas estão marcados com asterisco:

  • A Divina Palavra presente na Criança (Fragmento A) *
  • Sobre as Três Naturezas (Fragmento B) *
  • A Habilidade de falar de Adão (Fragmento C) *
  • Para Agathopous: O Sistema Digestivo de Jesus (Fragmento D) *
  • Aniquilação do Reino da Morte (Fragmento F) *
  • Sobre Amizade: A Fonte da Sabedoria Comum (Fragmento G) *
  • Epístola sobre Conexões Sentimentais (Fragmento H) *
  • Colheita de Verão *
  • Evangelho da Verdade *
  • A versão Ptolemaica do Mito Gnóstico
  • Prece do apóstolo Paulo
  • Epístola de Ptolomeu à Flora
  • Tratado sobre a Ressurreição, ou Epístola a Reginus.
  • Evangelho de Filipe

Obras Basilidianas, assim chamadas por causa do fundador da escola, Basilides (132–? dC). Quase todas as obras são conhecidas por nós principalmente através da crítica de um de seus oponentes, Ireneu de Lyon, no seu livro Adversus Haereses. Outros trechos são conhecidos através das obras de Clemente de Alexandria, principalmente a Stromata:

  • O Octeto das Entidades Subsistentes (Fragmento A)
  • A The Singularidade do Mundo (Fragmento B)
  • Ser Eleito Naturalmente requer Fé e Virtude (Fragmento C)
  • O Estado da Virtude (Fragmento D)
  • Os Eleitos Trascendem o Mundo (Fragmento E)
  • Reincarnação (Fragmento F)
  • O Sofrimento Humano e a Bondade da Providência (Fragmento G)
  • Pecados Perdoáveis (Fragmento H)
  • Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo

A cruz circular, harmônica era um emblema utilizado pelos cátaros, uma seita medieval relacionada ao Gnosticismo.Simão Mago e Marcião de Sinope: ambos tinham tendências gnósticas, mas as ideias que eles apresentaram estavam ainda em formação; por isso, eles podem ser descritos como pseudo- ou proto-gnósticos.

Ambos desenvolveram um considerável conjunto de seguidores. O pupilo de Simão Mago, Menandro de Antióquia também pode ser incluído neste grupo. Marcião é popularmente identificado como gnóstico, porém a maior parte dos estudiosos não entende assim.
Cerinto (c. 100 dC), o fundador de uma escola herética com elementos gnósticos. Como gnóstico, Cerinto mostrou Cristo como um espírito celeste separado do homem Jesus e citou o Demiurgo como criador do mundo material.

Porém, ao contrário dos gnósticos, Cerinto ensinava os cristãos a observar a lei judaica; seu demiurgo era sagrado e não inferior; e acreditava na Segunda vinda de Cristo. Sua gnosis era um ensinamento secreto atribuído a um apóstolo. Alguns estudiosos acreditam que a Primeira Epístola de João foi escrita em resposta a Cerinto.

Os Ofitas, assim chamados por reverenciarem a serpente do Gênesis como um fonte de conhecimento.

Os Cainitas, que como o nome implica, veneravam Caim, assim como Esaú, Korah e os sodomitas. Há pouca evidência sobre a natureza deste grupo; porém, é possível inferir que eles acreditavam que indulgência no pecado era a chave para a salvação, pois dado que o corpo é intrinsecamente mau, é preciso denegri-lo com atitudes imorais (veja libertinismo). O nome ‘cainita’ não é utilizado aqui no sentido bíblico de “descendentes de Caim” (que segundo a Bíblia foram exterminados no Dilúvio).

Os Carpocracianos, uma seita libertina que acreditava unicamente no Evangelho dos Hebreus.

Os Borboritas, uma seita libertina gnóstica, que acredita-se ser uma derivação dos Nicolaítas

Os Paulicianos, um grupo adocionista, também acusado por fontes medievais como sendo gnóstica e quasi-maniqueísta. Eles floresceram entre 650 e 872 na Armênia e nas províncias (ou temas) orientais do Império Bizantino.

Os Bogomilos, a síntese (no sentido do sincretismo) entre o Paulicianismo Armênio e o movimento reformista da Igreja Ortodoxa Búlgara, que emergiu durante o Primeiro império búlgaro entre 927 e 970, e se espalhou pela Europa.

Os Cátaros (Cathari, Albigenses ou Albigensianos) são tipicamente vistos como imitadores do Gnosticismo. Se os cátaros possuíam ou não uma influência histórica direta do antigo Gnosticismo ainda é tema disputado, embora alguns acreditem que numa transferência de conhecimento dos bogomilos.

Embora as concepções básicas da cosmologia gnóstica possam ser encontradas nas crenças cátaras (principalmente a noção de um deus criador inferior, satânico). Catarismo é a religião do Espírito (do Paracleto). Eles se separaram dos outros gnósticos deixando de lado os éons, os arcontes, os diagramas e os números cabalísticos.

Conceitos e Termos Importantes

Note que o texto a seguir é formado por resumos das várias interpretações gnósticas existentes. Os papéis de alguns seres mais familiares, como Jesus Cristo, Sophia e o Demiurgo geralmente compartilham os temais centrais entre os vários sistemas, mas pode haver algumas diferentes funções ou identidades atribuídos a eles em cada uma.

Æon
Em muitos sistemas gnósticos, os aeons são várias emanações de um deus superior, que também é conhecido por nomes como Mônada, Aion teleos (grego: “O Perfeito Aeon”), Bythos (grego: Βυθος – ‘profundidade’) e muitos outros.

Deste ser inicial, também um Aeon, uma série de diferentes emanações ocorreram, começando em alguns textos gnósticos com o hermafrodita Barbelo de quem sucessivos pares de Aeons emanam, frequentemente em pares masculino-feminino chamados de sizígias; o número destes pares varia de texto para texto, embora alguns identifiquem seu número como sendo trinta.

Os Aeons como uma “totalidade” constituem o Pleroma, a “região de luz”. As regiões mais baixas do Pleroma estão mais perto da escuridão, ou seja, do mundo material.

Dois dos Aeons mais frequentemente emparelhados são Jesus e Sophia (em grego: sabedoria). Ela se refere a Jesus como seu ‘consorte’ em Exposição Valentiana. Sophia, emanando sem o seu parceiro resulta na criação do Demiurgo (em grego: “construtor público”) também chamado de Yaldabaoth (ou variações) em alguns textos.

Esta criatura está escondida fora do Pleroma em isolamento, e acreditando-se sozinha, ela cria a matéria e uma horda de co-atores, referidos como Arcontes. O Demiurgo é reponsável pela criação da humanidade, pois assim ele pode aprisionar as fagulhas do Pleroma roubadas de Sophia em corpos humanos.

Em resposta, o Mônada emana dois Aeons salvadores, ‘Cristo e o Espírito Santo; Cristo então se incorpora na forma de Jesus para poder ensinar aos homens como alcançar a gnosis, pela qual eles poderão retornar ao Pleroma.

Arconte
No final da antiguidade, algumas variantes do Gnosticismo utilizaram o termo “Arconte” para se referir aos diversos servos do Demiurgo. Neste contexto, eles podem ser entendidos como tendo o papel dos anjos e demônios do Antigo Testamento.

De acordo com Contra Celso, de Orígenes, a seita dos Ofitas (veja acima Gnosticismo posterior e grupos influenciados pelo Gnosticismo) propuseram a existência de sete arcontes, começando com o próprio Yaldabaoth, que criou os próximos seis: Iao, Sabaoth, Adonaios, Elaios, Astaphaios e Horaios.

Assim como o Chronos mitráico e o Narasimha védico (uma forma de Vishnu), Yaldabaoth tem a cabeça de um leão (embora tenha o corpo de uma serpente de acordo com o Apócrifo de João).

Demiurgo

Uma divindade com face de leão encontrada numa gema gnóstica em L’antiquité expliquée et représentée en figures de Bernard de Montfaucon pode ser uma representação do Demiurgo; porém, veja também Chronos.

O termo Demiurgo deriva da forma latinizada do termo grego dēmiourgos (δημιουργός), significando literalmente “servidor público ou trabalhador habilidoso” e se refere à uma entidade responsável pela criação do universo e de todo o aspecto físico da humanidade.

O termo dēmiourgos ocorre em diversas outras religiões e sistemas filosóficos, principalmente o Platonismo. Julgamentos morais sobre o demiurgo variam de grupo para grupo dentro da grande categoria do Gnosticismo – estes julgamentos geralmente correspondem ao julgamento de cada grupo sobre o status da materialidade como sendo intrinsecamente má, ou meramente falha e tão boa quanto a passiva matéria que a constitui permite.

Como Platão faz, O Gnosticismo apresenta uma distinção entre uma realidade supranatural, incognoscível e a materialidade sensível, da qual o Demiurgo é o criador.

Porém, em contraste com Platão, os diversos sistemas gnósticos apresentam o demiurgo como um antagonista do Deus Supremo: seu ato de criação, seja ele inconsciente e uma imitação fundamentalmente falha do modelo divino (veja o Mito da Caverna), ou formado com a intenção maligna de aprisionar aspectos do divino “na” materialidade.

Portanto, nestes sistemas, o Demiurgo age como uma solução para o problema do mal. No Apócrifo de João, o Demiurgo – ali chamado de Yaldabaoth – se proclama como Deus:

“ Agora o arconte que é fraco tem três nomes. O primeiro nome é Yaldabaoth, o segundo é Saclas e o terceiro é Samael. E ele é ímpio em sua arrogância, que está nele. Pois ele disse: ‘Eu sou Deus e não há outro Deus além de mim’, pois ele é ignorante de sua força, do lugar de onde veio. ”

— Apócrifo de João

“Samael”, na tradição judaico-cristã, se refere ao anjo mau da morte e corresponde ao demônio cristão de mesmo nome, atrás apenas de Satã. Literalmente, pode significar “deus-cego” ou “deus dos cegos” em aramaico ; o outro título, Saclas, aramaico para “tolo”.

No mito de Sophia, sua mãe, Sophia, também um aspecto parcial do Pleroma (ou “Totalidade”), desejava emanar de si algo sem a autoridade do Espírito Supremo. Neste ato abortivo e imperfeito, ela deu à luz ao monstruoso Demiurgo. Envergonhada com seu ato, ela o envolveu numa nuvem com um trono no meio para que os demais Aeons não percebessem.

O Demiurgo então, isolado, sem ver sua mãe e ninguém mais, concluiu que era o único que existia e, ignorante, criou o mundo material, a humanidade e uma hierarquia de “poderes” (Arcontes) para governá-lo.

Os mitos gnósticos descrevendo estes eventos são cheios de nuances intrincadas retratando a declinação de aspectos do divino até a forma humana; este processo acontece através do trabalho do Demiurgo que, tendo roubado um pouco do poder de sua mãe, passa a trabalhar na criação de uma imitação inconsciente do reino superior do Pleroma (como sombras das imagens).

Assim, o poder de Sophia (as “fagulhas” ou “sopro” divino)fica aprisionado dentro das formas materiais da humanidade, também presa dentro do mundo material: o objetivo de todos os movimentos gnósticos era tipicamente acordar esta fagulha, o que permitiria o retorno do indivíduo à realidade superior, não material onde estava a fonte primal.

Alguns filósofos gnósticos identificam o Demiurgo com Yahweh, o Deus do Antigo Testamento, em oposição e contraste ao Deus do Novo Testamento. Ainda outros o igualam com Satã. Os cátaros aparentemente herdaram sua idéia de Satã como o criador do mundo maligno diretamente ou indiretamente do Gnosticismo.

Gnosis (ou Gnose)

Gnosis vem da palavra grega para “conhecimento”, gnosis (γνῶσις). Porém, gnosis em si se refere a uma forma muito especial de conhecimento, derivada tanto do significado exato do termo grego quanto seu uso na filosofia de Platão.

O grego antigo era capaz de discernir entre diversas formas diferentes de “conhecer”.

Essas formas podem ser descritas em língua portuguesa como sendo conhecimento proposicional, indicativo de um conhecimento adquirido “indiretamente” através de reportes de outros ou por inferência (como em “Eu sei que Lisboa está em Portugal”), e o conhecimento conhecimento empírico, adquirido através de “participação direta” (como em “Eu sei que Lisboa está em Portugal pois estive lá”).

Gnosis (γνῶσις) se refere ao conhecimento do segundo tipo. Portanto, em um contexto religioso, ser ‘gnóstico’ deve ser entendido como confiar não em conhecimento no sentido geral, mas como sendo especialmente receptivo às experiências místicas ou esotéricas de participação direta com o divino.

De facto, na maior parte dos sistemas gnósticos, a causa suficiente para salvação é este “conhecimento do” (‘ser familiar com’) divino. Isto é geralmente identificado com o processo de conhecimento interno ou de auto-exploração, comparável com o que foi encorajado por Plotino.

Porém, como se pode ver, o termo ‘gnóstico’ tem um uso precendente em diversas tradições filosóficas que precisa também ser levado em consideração para que seja possível entender as implicações sutis que este epíteto tem para diversos grupos religiosos antigos.

Mônada

Em muitos sistemas gnósticos (e heresiológicos), o Ser Supremo é conhecido como Mônade, o Uno, o Absoluto Aiōn teleos (O Perfeito Aeon, αἰών τέλεος), Bythos (Profundidade, Βυθός), Proarchē (Antes do Início, προαρχή, Hē Archē (O Início, ἡ ἀρχή) e Pai inefável. O Uno é a fonte primal do Pleroma, a região de luz. As várias emanações do Uno são chamados “Aeons”.

A cosmogonia setiana como está no famoso Apócrifo de João (ou Livro Secreto de João) descreve um deus desconhecido, muito similar à Teologia negativa ortodoxa, embora muito diferente dos ensinamentos do credo ortodoxo de que existe um deus assim que também seja o criador do céu e da terra.

Teólogos ortodoxos, quando descrevendo a natureza do deus criador associado aos textos bíblicos, muitas vezes tentam defini-lo através de uma série de afirmações explícitas e positivas (cataphrasis), por si sós universais, e que associadas ao divino se tornam superlativas: ele é onisciente, onipotente e verdadeiramente benevolente.

Já na concepção setiana do deus trascendente e escondido descrita no texto, ele é definido, por contraste, através da teologia negativa (apophasis): ele é imóvel, invisível, intangível e inefável. Geralmente, ‘ele’ é visto como uma sendo hermafrodita, um símbolo potente para um ser, pois ele é o que ‘tudo contém’.

Uma abordagem apofásica na discussão da Divindade pode ser encontrada por todo o Gnosticismo, nos Vedas, nas teologias de Platão e Aristóteles e em algumas fontes judaicas.

Pleroma

Pleroma (em grego: πληρωμα geralmente se refere à totalidade dos poderes de deus. O termino significa “plenitude” e é usado em vários contextos teológicos cristãos: tanto gnósticos em geral, como também no cristianismo (como em «Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade» (Colossenses 2:9).

O Pleroma celeste é o centro da vida divina, uma região de luz “acima” (o termo não deve ser entendido espacialmente) do nosso mundo, ocupado por seres espirituais como os Aeons e, às vezes, por arcontes.

Jesus é interpretado como sendo um aeon intermediário que foi enviado do Pleroma e cuja ajuda seria fundamental para que a humanidade recupere o conhecimento perdido (ou esquecido) das suas origens divinas. O termo é, portanto, central na cosmologia gnóstica.

Pleroma também é utilizado na língua grega comum e é utilizado pela Igreja Ortodoxa Grega na sua forma geral pois a palavra aparece em Colossenses. Proponentes da visão que Paulo seria na verdade gnóstico, como Elaine Pagels da Universidade de Princeton, enxergam a referência em Colossenses como algo a ser interpretado no sentido gnóstico.

Sophia

Sophia (em grego: Σοφία) é aquilo que detém o “sábio” (em grego: σοφός; “sofós”). Na tradição gnóstica, Sophia é uma figura feminina, análoga à alma humana e simultaneamente um dos aspectos femininos de Deus. Os gnósticos afirmam que ela é a sizígia de Jesus (veja a Noiva de Cristo) e o Espírito Santo da Trindade.

Ocasionalmente é referenciada pelo equivalente hebreu Achamōth (em grego: Ἀχαμώθ) e como Prouneikos (em grego: Προύνικος, “A Libidinosa”). Nos textos da Biblioteca de Nag Hammadi, Sophia é o mais baixo dos Aeons ou a expressão antrópica da emanação da luz de Deus.

Cristãos Gnósticos

Nos séculos I e II o gnosticismo produziu manifestações dentro da cristandade, sobretudo no Egito, onde se destacaram líderes como Carpócrates, Basílides, Isidoro e Valentim, este último fundador de uma importante escola em Roma.

Os Cristãos Gnósticos constituíram, nos primeiros anos dessa nossa era, uma comunidade fechada, iniciática, que guardou os aspectos esotéricos dos evangelhos, principalmente das parábolas do Mestre Jesus, o Cristo, apresentando um cristianismo muito mais profundo e filosófico do que daqueles cristãos que ficaram conhecidos como a ortodoxia.

Dentre os grupos mais activos nos dois primeiros séculos de nossa era destacam-se os naasenos (palavra em aramaico com o mesmo significado de ofitas, de origem grega), perates, sethianos (de orientação judaica) docéticos (que propunham que a natureza exterior do Cristo era ilusória), carpocráticos, basilidianos e valentinianos.

Com o passar do tempo, os herdeiros da tradição gnóstica e maniqueísta foram mudando de nome, podemos indicar o aparecimento dos seguintes grupos: entre os séculos III e IX: Euchites, Magistri Comacini, Artífices Dionisianos, Nestorianos e Eutychianos; no século X: Paulicianos e Bogomilos; no século XI: Cátharos, Patarini, Cavaleiros de Rodes, Cavaleiros de Malta, Místicos Escolásticos; no século XII: Albigenses, Cavaleiros Templários, Hermetistas; no século XIII: a Fraternidade dos Winklers, os Beghards e Beguinen, os Irmãos do Livre Espírito, os Lollards e os Trovadores; no século XIV: os Hesychastas, os Amigos de Deus, os Rosa-cruzes e os Fraticelli; no século XV: os Fraters Lucis, a Academia Platônica, a Sociedade Alquímica, a Sociedade da Trolha e os Irmãos da Boêmia (Unitas Fratrum); no século XVI: a Ordem de Cristo (derivada dos Templários), os Filósofos do Fogo, a Militia Crucífera Evangélica e os Ministérios dos Mestres Herméticos; no século XVII: os Irmãos Asiáticos (Irmãos Iniciados de São João Evangelista da Ásia), a Academia di Secreti e os Quietistas; no século XVIII: os Martinistas; no século XIX: a Sociedade Teosófica.

Os Paulicianos formavam um grupo gnóstico ativo no Império Romano. Se declaravam contra todas hierarquias que exerciam seu poder para combater a iluminação interior. Até o século XI, os paulicianos foram mortos pela igreja romana, assim como o Maniqueísmo antes deles.

Mas o gnosticismo sobreviveu, sua luz e força continuaram a irradiar com os bogomilos…A herança Gnóstica dos séculos XII e XIII, foram transmitidas aos Cátaros, que também foram perseguidos e mortos pela igreja romana. Na Idade Média, o gnosticismo manifestou-se na Ordem dos Templários, foi revivificada pela Rosa-cruz ,pelas mãos de Johannes Valentinus Andreae, mantiveram ligações com a Maçonaria,com a Teosofia e com o Martinismo.

Todos testemunhando o Cristianismo Interior, descrevendo o caminho de retorno a Deus, que foi aberto pelo seu filho, Mestre Jesus, o Cristo.

Fontes

Pouco material chegou até os dias de hoje, a maioria dos personagens e suas doutrinas só puderam ser conhecidos por meio dos críticos do gnosticismo. A maior polêmica contra os gnósticos apareceu no período patrístico, com os escritos apologéticos de Irineu(130-200), Tertuliano (160-225) e Hipólito (170-236).

Por isso a descoberta da Biblioteca de Nag Hammadi,em 1945, foi de suma importância, visto que seu conteúdo é eminentemente gnóstico. O achado impulsionou as pesquisas sobre o assunto na segunda metade do século XX.

Estes manuscritos totalizavam cinquenta e dois textos, em treze códices de papiro, escritos em copta. Entre as obras aí guardadas encontravam-se diversos tratados gnósticos, três obras pertencentes ao Corpus Hermeticum e uma tradução parcial da República de Platão. Parte deles conhecidos também como Evangelhos gnósticos

Os Manuscritos Pistis Sophia,”Piste Sophiea Cotice” ou “Códice Askew”, atribuidos a Valentim foi adquirido do médico e colecionador de manuscritos antigos Dr. Askew pelo Museu Britânico em 1795 , datam de 250–300 AD, relatam os ensinamentos Gnósticos do Mestre Jesus, o Cristo transfigurado aos apóstolos.

Até a descoberta da biblioteca de Nag Hammadi em 1945, o Códice Askew era um dos três códices que continha quase todos os escritos gnósticos que tinham sobrevivido, sendo os dois outros códices o Códice Bruce e o Códice de Berlim.

Mais recentemente um outro documento gnóstico foi encontrado, gerando diferentes especulações sobre o verdadeiro relacionamento de Jesus Cristo com o seu discípulo Judas, este documento é o Evangelho de Judas que estava desaparecido por mais de 1700 anos, tendo sido encontrado finalmente no Egito.

Elaine Pagels professora de religião na Universidade de Princeton e Ph.D. da Universidade de Harvard.Em Harvard ela fez parte de um grupo que estudou os rolos de Nag Hammadi, dessa experiência resultou a base para o seu primeiro livro Os Evangelhos Gnósticos,

Esse livro é uma introdução aos textos de Nag Hammadi para o público leigo e é, desde o seu lançamento, um best-seller. Nos EUA, ganhou os prêmios National Book Critics Circle Award e National Book Award e foi escolhido pela Modern Library como um dos 100 melhores livros do século XX.

George Robert Stowe Mead (1863 – 1933).Com formação em línguas e filosofia por Oxford, estudioso altamente intuitivo e perspicaz, deve ser considerado como um pioneiro de primeira ordem no domínio dos escritos gnósticos e estudos herméticos, foi autor, editor, tradutor e um influente membro da Sociedade Theosophica.

Seu maior mérito teria sido a sua capacidade de discernir o significado interior e espiritual dos dos escritos, capacidade esta reconhecida por C.G.Jung que fez uma viagem especial a Londres no último período de vida de Mead, para lhe agradecer por seu trabalho brilhante e pioneiro de traduzir e comentar as escrituras gnósticas.

Bentley Layton(1941) é Professor de Estudos Religiosos e Professor do Oriente Próximo Línguas e Civilizações (copta) na Universidade de Yale (desde 1983).Autoridade reconhecida internacionalmente, em literatura gnóstica. Membro do projeto da UNESCO, CAIRO, que publicou a Biblioteca de Nag Hammadi.

Formado em Harvard, “Redescoberta tardia do gnosticismo”, foi o título da conferência internacional que ele apresentou na Universidade de Yale em 1980. Seus interesses encontram-se na história do cristianismo desde suas origens até o surgimento do Islã, os estudos gnósticos e copta . Seu livro mais acessível é “As Escrituras Gnósticas”, que apresenta parte da literatura gnóstica enigmáticos do cristianismo.

Ele apresenta sua seleção de escrituras gnósticas, os escritos de Valentino e seus seguidores, e os escritos relacionados que exibem tendências gnósticas no contexto mais amplo de cristianismo primitivo e do judaísmo helenístico, com introduções generosas e anotações abundantes.

Para os especialistas, a gramática copta de Layton é um texto padrão. Ele catalogou todos os manuscritos coptas na Biblioteca Britânica. Ele é membro do conselho da Harvard Theological Review eo Journal of Studies copta.

James M. Robinson (nascido em 1924) é professor Emérito de religião, na Universidade de Claremont, Califórnia. É o mais proeminente erudito do século 20, da biblioteca de Nag Hammadi.

Stephan A. Hoeller (1931 – ) Ph.D. em filosofia da religião da Universidade de Innsbruck em Áustria, escritor, erudito e líder religioso.

Dr. Marvin Meyer (Ph.D., Claremont Graduate University, M. Div. Calvin Theological Seminary) é professor de Bíblia e Estudos Cristãos e co-presidente do Departamento de Estudos Religiosos, Chapman University. Ele também é diretor do o Albert Schweitzer Chapman University Institute.

Ele é diretor do Projeto dos Textos Mágicos Coptas do Instituto de Antiguidade e Cristianismo, Claremont Graduate University, membro do Seminário Jesus, e um ex-presidente da Society of Biblical Literature (Pacific Coast). Dr. Meyer é o autor de numerosos livros e artigos sobre a civilização greco-romana e religião cristã na antiguidade e da antiguidade tardia, e no Albert Schweitzer é ética de reverência pela vida.

Kurt Rudolph (03 de Abril de 1929) Pesquisador do gnosticismo e Mandeismo.Nascido em Dresden Rudolph estudou teologia protestante, religião , história semitas nas universidades de Greifswald e de Leipzig.

Posteriormente, durante seis anos, ele foi assistente de pesquisa , enquanto ele trabalhava em paralelo para o doutorado em teologia e, assim como a história religiosa. Em 1961 ele recebeu sua habilitação em história da religião e religião comparada.

Durante seu trabalho na Universidade de Leipzig , Chicago e Marburg e Santa Barbara(University of California), ele adquiriu uma reputação internacional como um conhecedor do gnosticismo e maniqueísmo.Além disso, ele também ocupou-se com o Islão e questões metodológicas em estudos religiosos.

Jakob Böhme ou Jacob Boehme, (Alt Seidenberg, 1575 — Görlitz, 17 de Novembro de 1624) foi filósofo e místico cristão alemão,as obras que escreveu são o maior monumento de conhecimentos teogônicos (concernentes ao surgimento dos primeiros princípios em Deus) e cosmogônicos (concernentes à criação do Universo e das criaturas) da história do cristianismo.

Platão Πλάτων, Plátōn. (Atenas, 428/427– Atenas, 348/347 a.C.) foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental.

Plotino(ca. 205 – 270) O pai do neoplatonismo, natural de Licopólis, Egito, foi discípulo de Amônio Sacas e mestre de Porfírio. A influência de Plotino e dos neoplatônicos sobre o pensamento cristão, islâmico e judaico, bem como sobre os pensadores de proa do Renascimento, foi enorme.

Foram direta ou indiretamente influenciados por ele, Dionísio Pseudo-Areopagita, Alberto Magno, Dante Alighieri, Mestre Eckhart, João da Cruz, Marsílio Ficino, Pico de la Mirandola, Giordano Bruno, Avicena, Ibn Gabirol, Espinosa, Leibniz.

Hermes Trismegistus; em grego Ερμης ο Τρισμεγιστος, “Hermes, o três vezes grande” é o nome dado pelos neoplatônicos, místicos e alquimistas ao deus egípcio Thoth, identificado com o deus grego Hermes. Ambos eram os deuses da escrita e da magia nas respectivas culturas.

Hermes era o autor de um conjunto de textos sagrados, “herméticos”, contendo ensinamentos sobre artes, ciências e religião e filosofia: O Corpus Hermeticum , datado entre o século I ao século III, representou a fonte de inspiração do pensamento hermético e neoplatônico renascentista.

Na época acreditava-se que o texto remontasse à antiguidade egípcia, anterior a Moisés e que nele estivesse contido também o prenúncio do cristianismo. Autor também do Livro dos Mortos, e do mais famoso texto alquímico a “Tábua de Esmeralda”.

Huberto Rohden, São Ludgero, 31 de Dezembro de 1893 foi um filósofo, educador e teólogo catarinense, radicado em São Paulo. escreveu mais de 100 obras (ao final da vida, condensadas em 65 livros), onde franqueou leitura ecumênica de temáticas espirituais e abordagem espiritualista de questões pertinentes à Pedagogia, Ciência e Filosofia, enfatizando o autoconhecimento, auto-educação e a auto-realização.Lecionou na Universidade de Princeton, American University, de Washington D.C.(EUA)

Raul Branco Autor, tradutor é membro da Sociedade Teosófica, economista, mora em Brasília e dedica-se ao estudo da tradição cristã e do gnosticismo. Tradutor para o português de Pistis Sophia – G.R.S. Mead.

Carl Gustav Jung, nasceu a 26 de Julho de 1875, em Kresswil, Basiléia, na Suíça, no seio de uma família voltada para a religião. Seu pai e vários outros parentes eram pastores luteranos, o que explica, em parte, desde a mais tenra idade, o interesse do jovem Carl por filosofia e questões espirituais e o pelo papel da religião no processo de maturação psíquica das pessoas, povos e civilizações.

Criança bastante sensível e introspectiva, desde cedo demonstrou uma inteligência e uma capacidade intelectual notável. Gnóstico assumido, ficou célebre a resposta que Jung deu, em 1959, a um entrevistador da BBC que lhe perguntou: “O senhor acredita em Deus?” A resposta foi: “Não tenho necessidade de crer em Deus.

Eu o conheço” Escreveu o livro Os Sete Sermões aos Mortos, foi amigo, admirador e colaborador de G.R.S.Mead, tradutor dos Manuscritos da Nag Hammadi, particularmente do Códice Jung, trabalho patrocinado pela Fundação Jung.

Fernando Pessoa, 13 de Junho de 1888 nascia em Lisboa, gnóstico possuía ligações com a Tradição, com destaque para a Maçonaria e a Rosa-Cruz, havendo inclusive defendido publicamente as organizações iniciáticas, no Diário de Lisboa de 4 de Fevereiro de 1935, contra ataques por parte da ditadura do Estado Novo. O seu poema hermético mais conhecido e apreciado entre os estudantes de esoterismo intitula-se “No Túmulo de Christian Rosenkreutz”. Deixou escrito o Livro Rosa Cruz.

Paralelos com religiões orientais

O gnosticismo tem alguns elementos em comum com o sufismo, o budismo, o helenismo, o hermetismo, o zoroastrismo e o hinduísmo.

Gnosticismo e psicologia

No século XX, Carl Gustav Jung pesquisou profundamente as doutrinas gnósticas, inclusive ajudando no trabalho de organização da Biblioteca de Nag Hammadi, e fez uma ligação entre os mitos gnósticos e os arquétipos do inconsciente coletivo.

Escreveu o livro “Sete sermões aos mortos”, sob o pseudônimo de Basilides de Alexandria, onde coloca a sua visão gnóstica em sete textos no formato dos evangelhos.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Rabi Tovia Singer: E a Origem de Satanás.

Por que Deus não destruiu Satanás? Essa é uma das perguntas mais dificeis para qualquer pastor ou pregador. Existem diversas teorias e explicações para isto. Desde as mais simples até as mais complexas. A maioria se baseia principalmente na parabola de Yeshua sobre o Joio e o trigo (Mt 13,24-30) de modo analogo, comparando o joio com o diabo. Ateus e céticos são grandes criticos desta teologia e desta exegese, porque causa um certa impressão de impotência da parte de Deus, ou até mesmo, masoquismo, segundo ateus. Em partes, tais criticas possuem um certo grau de fundamento, pois se cremos que Deus é onipotente, onisciente e onipresente, é no minimo contraditório supôr que ele não possa ou não queira destruir seu inimigo, permitindo que ele corrompa os homens e os leve a pecar.

Certas religiões, como o judaismo ortodoxo, por exemplo, não crêem na existência de satanás como um ser, antropormófico, mas como uma inclinação para o mal de cada ser humano. Outras crenças, como a doutrina espirita, por exemplo, também seguem uma linha de raciocinio semelhante. Ja a grande maioria de religiões cristãs, crêem na existência fisica de satanás, como um ser, inimigo de Deus e da humanidade e que será derrotado na segunda vinda do messias. Algumas religiões possuem isto como dogma fundamental e pilar de fé. Para alguns fundamentalistas a crença na existência do diabo tornou-se tão fundamental quanto a crença no messias. Ja para teologos universitarios, a exegese judaica é mais coerente e menos blasfêmica, pois não torna o criador maligno, nem incapaz, mas tolerante e bom para com o homem.

A primeira coisa que observamos, se seguirmos uma linha do tempo biblica, é a diferença do monoteismo judeu para o cristianismo atual, que segundo alguns teologos, esta mais parecido com a cultura grega que a judaica. Antes de Abraão, os povos do mundo antigo eram politeistas e tinham um deus para tudo. Um deus da agricultura, um dos rios, um das chuvas, em do amor etc...Abraão foi o primeiro homem a reconhecer a existência de um único Deus. A partir dai, surgiu o monoteismo, a crença em um Deus invisivel, poderoso, que era tudo e responsavel por tudo. A partir de Abraão Deus formou seu povo, que se destacava dos demais por ser um povo monoteista e que tinha sempre a presença desse único Deus consigo, abençôando e até ajudando em combates e castigando quando seu povo desobedecia seus mandamentos. Essa caracteristica monoteista, vemos presente também em suas escrituras sagradas. Tudo era atribuido á Deus, até mesmo fatos que são de dificil compreesão para nós humanos, mas que tinham um propósito maior.

Era o próprio Deus que endurecia o coração do faraó do egito,para não libertar seu povo (Ex 9,12); foi o próprio Deus que enviou um espirito mau, o que nós chamamos de demônio, para atormentar o Rei Saul (1Sm 18,10); foi o próprio Deus que levantou Nabucodonossor, rei da Babilônia, contra seu povo como castigo por sua idolatria (Jr21,7) e tudo era atribuido a um único Deus. Quando então satanás entrou nas escrituras? Segundo alguns teologos, ele surge logo no livro de gênesis, como a serpente do Edén que tentou o homem e leovou a sua queda. Isto baseado no que diz o livro das revelações, apocalipse:
"E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele" Ap12,9.

Mas segundo alguns teologos a narrativa do gênesis não é literal, é simbólica. O judaismo mesmo não interpreta gênesis, Bereshith, literalmente. Alguns teologos ainda atribuem a serpente de forma simbolica, aos anjos que pecaram narrado no livro apócrifo de Enoque. E estes supostos anjos não teriam relação alguma com satanás, sendo que segundo as próprias escrituras eles estariam presos até o dia do juizo:
"Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;" 2Pe2,4.

A palavra "Satã" significa em hebraico "acusador", "opositor". Aparece, pela primeira vez no livro de Ióv (Jó), sendo como um promotor celestial. A sua intimidade com Deus e o direito de entrar no "Céu", de ir e vir livremente e dialogar com Ele, torna-o uma figura de muito destaque. Veja o livro de Jó 1:6 "Um dia em que os filhos de Deus se apresentaram diante do Senhor, veio também Satanás entre eles".

O livro de Jó foi escrito depois do Exílio Babilônico. Sabemos que o povo judeu, tendo retornado a Israel com a permissão de Ciro, rei persa, no ano 538 a.C, assimilou muitos costumes dos persas. Isto ocorreu devido à simpatia e apoio que receberam do rei, que inclusive permitiu a construção do Segundo Templo judaico e ainda devolveu muitos de seus tesouros, que haviam sido roubados. A religião dos persas, o Zoroastrismo, influenciou sobremaneira o judaísmo. No Zoroastrismo, existe o Deus supremo Ahura-Mazda, que sofre a oposição de uma outra força poderosa, conhecida como Angra Mainyu, ou Ahriman, "o espírito mau". Desde o começo da existência, esses dois espíritos antagônicos têm-se combatido mutuamente.

O Zoroastrismo foi uma das mais antigas religiões a ensinar o triunfo final do bem sobre o mal. No fim, haverá punição para os maus, e recompensa para os bons. E foi do Zoroastrismo que os judeus aprenderam a crença em um Ahriman, um diabo pessoal, que, em hebraico, eles chamaram de SATAN - Por isso, o seu aparecimento na Bíblia só ocorre no livro de Jó e nos outros livros escritos após o exílio Babilônico, do ano 538 a.C. para cá. Irônicamente no mesmo livro, todo o mal que Jó passara também é atribuido somente á deus:...e o consolaram acerca de todo o mal que YHWH lhe havia enviado....Jó42,11.

Nestes livros já aparece a influência do Zoroastrismo persa. Observe ainda que a tentação de Adão e Eva é feita pela serpente e não por Satanás, demonstrando assim que o escritor do Gênesis não conhecia Satanás. Os sábios judaicos, interpretando o Eclesisastes 10:11, afirmam (Pirkei de Rabi Eliezer 13) que, na verdade, a cobra que seduziu Adão e Eva era o Anjo Samael, que apareceu na terra sob a forma de serpente. Ele, que é conhecido como o "dono da língua", usou sua língua para seduzir Adão e Eva ao pecado. O poder do mal está em sua língua, e este poder pode ser usado somente para dominar o sábio. Ele não pode prevalecer sobre um ignorante. "Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos" Mt11,25.

Uma outra observação interessante é que o livro de Samuel foi escrito antes da influência persa no ano de 622 a.C. e, no II livro de Samuel em seu capítulo 24:1, você lê com relação ao recenseamento de Israel o seguinte:
"A cólera de YHWH se inflamou novamente contra Israel e excitou David contra eles, dizendo-lhe: Vai recensear Israel e Judá".

Agora veja esta mesma passagem no I livro das Crônicas, que foi escrito no começo do ano 300 a.C, portanto, já sob a influência do Zoroastrismo persa, com o já conhecimento de Ahriman/Satanás. No capítulo 21:1 desse livro está escrito:
"E levantou-se Satã contra Israel, e excitou David a fazer o recenseamento de Israel".

Portanto, o que era YHWH no livro de Samuel aparece agora no livro das Crônicas como SATANÁS (Confira em sua Bíblia). Assim, está evidenciado que Satanás não é um conceito original da Bíblia, e sim, introduzido nela, a partir do Zoroastrismo Persa.O livro de Jó também não possui uma interpretação literal. Na biblia hebraica ele figura dentre os livros sábios. Não situa uma época, um rei ou mesmo outro livro da biblia. Ele retrata a história de um homem justo e fiel, mesmo que sem nada e a relação de d'us com o sofrimento humano. Interpreta-lo literalmente também implica em contradições com outros livros da biblia. "Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta" Tg1,13.

Outra passagem interessante que observamos é em Mateus 16 a partir do versiculo 16, onde Kefa (Pedro) reconhece Yeshua como o Messias: "E Shimon Kefá, respondendo, disse: Tu és o Mashiach, o Filho do Elohim vivo..." E logo em seguida Yeshua mesmo lhe diz que quem lhe revelara isto não foram os homens, mas o próprio Eterno o revelara:...E Yeshua, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Shimon Bar Yona, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus...E logo depois Yeshua lhes diz que terá que sofrer e padecer nas mãos dos homens (vs21) Pedro o repreende pois não queria ver seu mestre sofrer e Yeshua então lhe diz:..."Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens".

Muitos exegetas interpretam esta passagem como se o diabo estivesse usando o apostolo Kefá. Mas esta interpretação gera dois problemas. Primeiro que é estranho imaginar uma manifestação demôniaca, bem na presença de Yeshua HaMashiach, ou mesmo o diabo estar usando o apostolo Kefá no mesmo instante que a Ruach do Eterno estava com ele e acabara de reconhecer Yeshua como messias. Segundo que é também estranho o diabo usar o apostolo Kefá para num ato de compaixão querer impedir que Yeshua sofresse e fosse preso. É no minimo contraditório. Se formos analisar sob a ótica teologica mais profunda, de que satã é só uma palavra que significa opositor, então podemos entender que Yeshua chamou Kefá de Satanás porque ele estava se opondo ao sacrificio que Yeshua teria de passar, portanto, por isso Yeshua o chama de satanás, não por uma possessão.

O mesmo ocorre no exemplo acima, do senso de Israel. Não foi um ser, satã que se levantou em Israel ou utilizou o rei David, mas uma idéia opositora, e o levou a pecar, indo contra a vontade do Eterno. Vemos nos versiculos seguintes do capitulo vinte e quatro de Samuel, que o Eterno Elohim oferece a Davi a opção de escolha de como deveria ser castigado e o próprio rei Davi diz: ...Eis que eu sou o que pequei...(vs17) Observe também que das três opções de castigo que o Eterno lhe oferece, nenhuma é para o diabo, mas todas para os homens: ...Queres que sete anos de fome te venham à tua terra; ou que por três meses fujas de teus inimigos, e eles te persigam; ou que por três dias haja peste na tua terra?(vs13)...Então onde fica a justiça divina neste exemplo? Satã se levanta em Israel, leva o rei David a pecar e quem é castigado é o povo? É claro que isto é incoerente com a própria natureza justa do criador. A explicação teologica e a judaica parecem mais coerente neste caso, que uma idéia opositora tomou conta do Rei David, não um ser.

Para analisarmos bem este tema, primeiro temos que entender que o cristianismo era originalmente uma crença judaica e que depois passou por uma transformação de Roma. Vejamos então a visão judaica sobre este tema. A seguir um texto do Rabi Tovia Singer :

A Idéia Original acerca do Satán.

Pra começar, Satán é um conceito judaico, que os cristãos usurparam, deturparam, modificaram, corromperam e antropoformizaram. Como dissemos, a palavra hebraica remete-nos a um inibidor, opositor, adversário [humano; jamais de D-us!] Segundo o Judaísmo, ele é um Maláh (Um ser espiritual autômato enviado por D-us para específicas missões, cuja indicação missionária está no título {nome} que é dado ao ser. Podemos no momento entender este ser simplesmente como “anjo”.) Um anjo, neste contexto é um princípio de força guiada pela Inteligência Suprema, D-us. A função ou missão do Satan é explicada no Talmud da seguinte forma: Esta entidade é o Ietzer Hará.

Esta entidade é o Satan. Esta entidade é o Maláh HaMávet (Anjo da Morte). Começando pela primeira explicação, quando falamos de Ietzer Hará, estamos nos referindo à má inclinação; às NOSSAS idéias estranhas ao nosso próprio objetivo ético e moral; ao desejo que cometer ações contrárias à Lei divina, e às justificativas mentais que são geradas POR NÓS enquanto decidimos sobre fazer ou não fazer aquilo que ferirá os princípios da Lei de D-us que decidimos observar. Do mesmo modo que temos dentro de nós o Ietzer Hará o Instinto ao Mal, temos na mesmíssima medida o Ietzer HaTov o Instinto ao Bem. Do mesmo modo, este nosso lado se mostra presente quando manifestamos pensamentos e conceitos que nos levam a agir à favor do bem e da justiça. Ambos estão dentro de nós na mesma medida.

Assim, por exemplo; se uma pessoa se levanta contra você para te matar, e você subitamente se vê motivado a se defender e proteger sua vida, mesmo que custe a vida daquele que primeiro se levantou contra você, esta é a motivação do Ietzer A essência do Ietzer Hará é o “fervor do sangue”. E a arma do Ietzer Hará é a imaginação, o devaneio. Mas o Ietzer Hará por si mesmo, não é mau, assim como a Imaginação ou o devaneio não são maus por si mesmos. O que ocorre é que a pessoa é aquela que caracteriza as forças dentro de si, tornando-as boas ou más. Outro conceito importante é que somente o ser humano pode ser mau. Portanto, o Ietzer Hará é a natureza humana voltada - pela própria pessoa - para o mal. Em si mesmo, não é mais que uma força neutra que podemos utilizar para o que desejarmos, inclusive para temas espirituais bons e de caráter justo. Já a natureza animal/ emotiva precisa ser controlada pelo intelecto. Após estar convencido de fazer o mal, a decisão da pessoa é levada pelo Satan diante da Corte Celestial para o veredicto. Então ele pode voltar com a missão de punir a pessoa, ou mesmo como a missão de ser o Maláh HaMávet (“anjo” da morte) e por um fim na vida de crimes vivida pela pessoa. Tudo isso são temas de caráter espirituais e portanto, NÃO PODEM SER COMPREENDIDOS LITERALMENTE.

Todas estas colocações são meros exemplos de conceitos puramente espirituais! Uma outra alegoria que explica o que dizemos, é o que é dito em Kabalá: O ar dos céus e o ar do inferno estão sempre nos rodeando. Quando uma pessoa faz uma boa ação esta é escrita no ar dos céus. Quando faz uma má ação é escrita no ar do inferno.A completa explicação destas alegorias é maior do que o que posso oferecer por agora, mas o ponto principal disso tudo, é que Satán não é mesmo o cara com chifres.

As Escrituras Hebraicas deixam bem claro, que o Altíssimo colocou no mundo, tanto o bem como o mal como está Escrito: Devarim {Deuteronômio} 30:15, "Vê que pus diante de ti hoje a vida e o bem, a morte; e o mal". Em Ieshaiáhu {Isaías} 45:7, o profeta descreve o plano da criação de D-us expressando que, "Eu formo a luz e crio a escuridão; Eu faço a paz e Sou Eu quem cria o mal; EU SOU o ETERNO que tudo faz".

Estes versos declaram abertamente que o único responsável pelo que chamamos de mal é D-us. Estes versos apóiam e comprovam a idéia judaica sobre o balanço espiritual perfeito entre o que denominamos “bem e o mal”, que toda alma confronta. Este é o plano de criação de seres conscientes, realizado pelo D-us o Altíssimo. Ieshaiáhu 45:7 e Devarim 30:15 (ver tbm Is8,,13) apresentam problemas teológicos ao Cristianismo, que mantém que D-us haveria criado o Satan, o anjo que ficou mal. De acordo com a doutrina cristã, o Satán teria sido um anjo elevado, o qual; por um ato de corrupção espiritual e rebelde desobediência, tornou-se o chefe adversário e caluniador de D-us, e teria sido ele quem introduzira o mal no mundo. Na teologia cristã D-us não criou aquilo que chamamos mal, ELE somente seria o autor do que chamamos bem. Portanto - dizem os cristãos - D-us jamais criaria algo tão sinistro como o diabo. Ao invés disso, foi o diabo mesmo que teria se tornado perverso e se transformado no diabo que é hoje. Esta concepção é completamente estranha ao pensamento hebreu (de onde a idéia de Satán se origina), e obviamente não tem suporte nos textos originais hebraicos; nem no sistema legal judaico. Afinal, sugerir que D-us teria criado o Satán perfeito, mas mesmo sendo “perfeito” o Satán ainda pudesse se rebelar contra D-us, mostra que D-us fez algo “perfeito” de forma “imperfeita”. Afinal, se D-us cria somente o bem, o mal é algo fora do seu plano, ou seja; uma conseqüência inesperada, que O levou para um “plano B”...E se o Satan tirou de dentro de si mesmo, sua própria rebelião, então não era de fato perfeito. Satan teria então, um “defeito de fábrica” que transferiria a responsabilidade para D-us, em última análise!

Ignorando esta contradição por enquanto, o Judaísmo ensina que o propósito da criação do Satán é justamente o sugerido por seu nome “ser um inibidor do homem”. Como servo de D-us, o Satan leva adiante os propósitos divinos em todos os seus detalhes. Satan é um dos “anjos” mencionados nas Escrituras Hebraicas. Em momento algum ele é chamado de diabo ou demônio. Em momento algum a palavra hebraica Maláh que significa mensageiro é usada nas Escrituras Hebraicas para referir-se a seres diabólicos!Não existe um único exemplo nas Escrituras Hebraicas, sobre o Satan ser inimigo de D-us ou ter um reino paralelo ao de D-us.

O Satán jamais se opõe a vontade de D-us! Em parte alguma da Bíblia Hebraica isso é mais evidente do que o livro de Ióv (Jó). No primeiro capítulo, Satan aparece juntamente com outros anjos diante de D-us, e sugere que a fé a fidelidade de Ióv poderia ser simples resultado da sua falta de dificuldades. Então propõe que Ióv fosse testado em suas convicções. D-us concorda com a elaboração de Satan, e não somente permite que ele realize o que sugeriu, mas ainda lhe concede instruções específicas, que ele por sua vez observa religiosamente. Ou seja, não estamos diante do relacionamento de dois inimigos! Estamos diante de D-us e uma de suas criaturas! Numa alegoria que procura nos revelar um pouco mais do caráter espiritual do mundo. Em última análise, todo o sofrimento de Ióv foi a vontade de D-us para ele para testá-lo e elevá-lo.

Enquanto em termos de interpretação cristã, o triunfo pessoal de Ióv é algo teologicamente impossível, enquanto que, em termos autenticamente judaicos sua história (a de Ióv) é apenas o reflexo da própria missão humana, e o modelo do projeto de D-us para a humanidade. Em Devarim {Deuteronômio} 30:15 a Torá declara abertamente sobre D-us colocar o que chamamos “mal” diante de nós, enquanto que em Ieshaiáhu {Isaías} 45:7 este mesmo conceito está vivo no Judaísmo ecoando a mensagem da Torá de que D-us mesmo é o criador do bem e do mal. E como tais conceitos obviamente foram problemáticos para os “tradutores”.

Como podem os cristãos manter a opinião de que D-us não criou o mal, se as Escrituras Hebraicas declaram que sim, ELE criou o mal? É até compreensível que os “tradutores” - por exemplo – os da Bíblia Católica Ave Maria, ao invés de traduzir corretamente a palavra Hebraica “ráh” (mal) registrada em Ieshaiáhu {Isaías} 45:7 escrevam ao invés disso: 7. formei a luz e criei as trevas, busco a felicidade e suscito a infelicidade. Sou eu o Senhor, que faço todas essas coisas.

As palavras “felicidade” e “infelicidade” foram eleitas para deturpar o conceito original do termo que nada mais é que o reflexo do próprio pensamento hebreu no uso da palavra “ráh” que significa literalmente Mal. Isso não incomoda nem mesmo os protestantes, e apenas demonstra o mau uso e desonestidade dos cristãos em geral no uso das Escrituras Hebraicas. Se existem Bíblias que procuraram traduzir corretamente este trecho em particular, não deixam de usar outros para continuar impondo seu sistema particular de pensamento em frente ao texto original hebraico. Agora, vale a pena mencionar que o Cristianismo apresenta Ieshaiáhu {Isaías} 14:12 como se fosse uma referência sobre a mitologia de um demônio rebelde que teria caído do céu, um anjo caído. Eles argumentam dizendo que Ieshaiáhu {Isaías} teria usado o termo “estrela da manhã”.

Temos aí sérios problemas com tais alegações.

Primeiro, caso cristãos mantenham que a expressão “estrela da manhã” seja uma referência ao Satan exclusivamente; como é que irão explicar que no seu próprio livro religioso, em Apocalipse 22:16 Jesus é chamado “estrela da manhã” também?

Em segundo lugar, uma leitura atenta de Ieshaiáhu {Isaías} 14 revela que ele está se referindo a Nevuhadnetzar (Nabucodonosor), o perverso rei da Babilônia e não ao Satán.Em 14:4 o profeta explicitamente menciona diretamente do rei da Babilônia como o tema da sua profecia: Que pronunciarão esta parábola sobre o rei da Babilônia: Como o opressor cessou de oprimir e como se esgotou sua arrogância? Por intermédio de todo este capítulo e do capítulo anterior, o profeta prediz o levante e a queda deste arrogante rei, que usou seu poder para atacar Jerusalém e destruir o Templo; mas que no fim; sofreria também uma queda cataclísmica. Em 14:12 Nevuhadnetzar é comparado ao planeta Vênus, cuja luz ainda pode ser vista no começo da manhã, mas que finalmente se esvai quando surge o sol. Assim como a luz de Vênus, Nevuhadnetzar reinaria e brilharia com um curto período de tempo, mas como o profeta disse, ele seria ofuscado pela luz de Israel que perduraria para além de seu tempo, e ofuscaria toda sua glória arrogante.

Rabi Tovia Singer

Então como vemos, segundo o conceito judaico, satãn nada mais é que um mensageiro a serviço do Eterno, ou nossa própria inclinação para o mal, nosso Ietzer Hará. Até os primeiros séculos da igreja, era assim que os primeiros seguidores do messias enchergavam satã, como um mensageiro ou uma palavra que indica oposição, não como um ser. Em sua segunda epistola aos corintios o apostolo Shaul (Paulo) parece exemplificar bem este conceito judaico:

"E, para que não me exaltasse pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de não me exaltar." 2Cor 12,7.

Esta explicação parece ser mais coerente, e de acordo com o pensamento judaico. Senão teremos que imaginar explicações estranhas para algumas passagens controversas, como quando Paulo manda que se entregue pessoas a Satanás para se salvarem (1Cor5,55) e o mesmo admite que entregou dois homens, Himineu e Alexandre para satanás (1Ti1,20). Qual a lógica do apostolo Paulo, entregar dois homens á satanás e ainda recomendar que se entregue um para que seu espirito se salve no dia do juizo? Se tormarmos o significado da palavra como opositor, então o texto passa a ter mais lógica nos dois casos. Um exemplo muito citado por religiosos e ja praticamente um chavão é o de 2 corintios 11,14:

"E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz."

Mas se vemos o versiculo anterior, vemos que Shaul não esta falando de um ser espiritual mas de homens:
"Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo".

Ou seja, homens falso, que fingiam-se apostolos, mas opunham-se ao evangelho de Cristo. Estranhamente quase ninguém ve este versiculo anterior ou o contexto deste. Será que é porque Shaul esta criticando justamente os falsos apostolos e obreiros? O mesmo ocorre com João 10,10, onde ao contar uma parabola, sobre o bom e o mau pastor, Yeshua diz que o Ladrão (o mau pastor) vem somente para roubar, matar e destruir. Religiosos ignoram este contexto e atribuem ao diabo esta passagem, mudando não só o contexto original como ignorando o que o próprio Yeshua disse neste mesmo contexto: "Eu sou o bom pastor". Atribuindo esta passagem ao diabo, eles além de blasfemarem contra o único Deus negando-lhe atributos e transferindo-os ao seu suposto inimigo, como contradizem as próprias escrituas como o livro do profeta Jeremias, onde o Eterno disse: "Olha, ponho-te neste dia sobre as nações, e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e também para edificares e para plantares". Jeremias 1,10.

Interpretar Satanás literalmente gera estes tipos de contradições dentro da própria escritura. Principalmente sobre a suposta queda de satanás que a teologia tradicional diz que se refere ao oraculo de Isaias 14,12 e ezequiel 28. (vide estudo sobre: lucifer e a estrela da manhã) Então segundo esta teologia ele caiu do céu no Edén, mas também caiu quando Yeshua enviou seus setenta discipulos a pregarem(Lc10,18), mas ainda cairá no final dos tempos(Ap12,9) Ou seja, não tem como respaldar esta teologia sem entrar em inumeras contradições. Todas essas passagens e todas que aparecem esta palavra, podem ser analisadas de uma forma mais coerente segundo uma ótica judaica que havia nos primeiros séculos.

Após a formação da igreja romana, isto virou uma grande Bavel, dividiram a glória de Elohim atribuindo-lhe um suposto inimigo, e ainda tranformaram isto em um dogma fundamental, sendo acusado de heresia, qualquer um que não interprete Hasatã como um ser, antropormófico. Mas nenhum consegue responder de maneira lógica e livre de contradições o porque Deus não destruiu o diabo e permite que ele continue corrompendo os homens. Respeito a visão teologica da maioria dos segmentos cristãos, mas acho produtivo e edificante analisar sob uma ótica judaica, afim de se evitar certas contradições e ter uma interpretação mais coerente e racional.

Por que Deus não destruiu satanás? Porque ele não é um ser. È só uma palavra que simboliza um mensageiro da vontade divina ou nossa inclinação para o mal.