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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O julgamento após a morte no Cristianismo, islamismo, Egito antigo e Budismo

 


IDEIAS CRISTÃS SOBRE A RESSURREIÇÃO DOS MORTOS

A ressurreição corporal é um dogma oficial do judaísmo, mas é uma doutrina que muitos judeus modernos têm dificuldade em aceitar. Foi incorporada ao judaísmo por volta de 600 a.C., presumivelmente a partir dos persas zoroastristas.

No Antigo Testamento, Isaías 26:19 diz: “os cadáveres ressuscitarão e cantarão”. Após a destruição do Templo em 586 a.C., os judeus foram exilados para a Babilônia, onde o profeta Ezequiel previu a ressurreição dos judeus e descreveu um campo de ossos secos aos quais Deus ordenou que se juntassem “osso por osso” e voltassem a viver.

Acredita-se que os conceitos judaicos de ressurreição tenham sido influenciados pelos gregos e egípcios. O judaísmo não aborda muito o julgamento, diferentemente do cristianismo e do islamismo. Menciona brevemente a bênção de algumas pessoas e a condenação de outras, mas não apresenta episódios em que as pessoas comparecem perante Deus, que as julga e as envia para o céu ou para o inferno.

Durante o período de convulsão que se seguiu à profanação do Templo pelos gregos em 167 a.C., a ideia da ressurreição ganhou mais credibilidade. De acordo com o Livro de Daniel, escrito em 165 a.C., “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Os sábios resplandecerão como o fulgor do firmamento, e os que a muitos conduzem à justiça, como as estrelas, para todo o sempre.”

O historiador judeu Flávio Josefo escreveu que os fariseus, uma seita judaica, “acreditam que as almas são dotadas de poder imortal e que, em algum lugar sob a terra, recompensas e punições lhes serão distribuídas, de acordo com o fato de terem vivido no vício ou na virtude. Os primeiros serão condenados à prisão perpétua, mas os outros terão permissão para retornar à vida.”

Visão cristã do julgamento

Os cristãos têm uma doutrina de dois julgamentos: um para o indivíduo após a morte e outro para a humanidade no fim do mundo. O conceito de julgamento foi adaptado pelo Zoroastrismo e transmitido ao Cristianismo e ao Islamismo, sofrendo influência dos gregos. Um dos primeiros a sugerir que, após a morte, a alma se libertava da carne e ocorria um julgamento no qual os bem-aventurados eram escolhidos para os Campos Elísios (o paraíso grego) foi Platão. O Judaísmo não aborda muito o julgamento. Menciona brevemente a bênção de algumas pessoas e a condenação de outras, mas não apresenta episódios em que as pessoas comparecem perante Deus, que as julga e as envia para o céu ou para o inferno.

Joanne M. Pierce escreveu: Durante períodos de guerra ou peste na Antiguidade e na Idade Média, os cristãos ocidentais frequentemente interpretavam o caos social como um sinal do fim do mundo. No entanto, com o passar dos séculos, a Segunda Vinda de Cristo tornou-se, em geral, um evento mais distante para a maioria dos cristãos, ainda aguardado, mas relegado a um futuro indeterminado. Em vez disso, a teologia cristã passou a se concentrar mais no momento da morte individual. “O julgamento, a avaliação do estado moral de cada ser humano, não foi mais adiado para o fim do mundo. Cada alma foi julgada individualmente por Cristo imediatamente após a morte (o Julgamento “Particular”), bem como na Segunda Vinda (o Julgamento Final ou Geral).”

Os rituais de leito de morte, ou "Extrema Unção", desenvolveram-se a partir de ritos anteriores para os doentes e penitentes, e a maioria tinha a oportunidade de confessar seus pecados a um sacerdote, ser ungida e receber a comunhão "final" antes de dar o último suspiro. Os cristãos medievais rezavam para serem protegidos de uma morte súbita ou inesperada, pois temiam que o batismo por si só não fosse suficiente para entrar diretamente no céu sem a Extrema Unção.

“Outra doutrina havia se desenvolvido. Alguns morriam ainda culpados de pecados menores ou veniais, como fofocas comuns, pequenos furtos ou mentiras insignificantes que não esgotavam completamente a graça de Deus em suas almas. Após a morte, essas almas seriam primeiro “purificadas” de qualquer pecado ou culpa remanescente em um estado espiritual chamado Purgatório. Após essa purificação espiritual, geralmente visualizada como fogo, elas estariam puras o suficiente para entrar no céu. Somente aqueles que eram extraordinariamente virtuosos, como os santos, ou aqueles que haviam recebido a Unção dos Enfermos, podiam entrar diretamente no céu e na presença de Deus.”

O Juízo Final

Segundo Mateus, o Dia do Juízo Final ocorrerá “quando o Filho do Homem vier em sua glória” e será anunciado por “anjos com um forte toque de trombeta” que estarão nos quatro cantos da terra. Naquele dia, todas as pessoas que viveram serão julgadas. Aqueles que praticaram o bem e mantiveram sua fé em Deus e em Jesus serão separados dos ímpios, que serão condenados “ao castigo eterno, e os justos à vida eterna”. Jesus desempenha o papel de juiz e redentor, pedindo a Deus que mostre misericórdia.

O Juízo Final é presidido por Jesus como governante do mundo. O livro de Apocalipse 20:11-21:8 diz: “Então vi um grande trono branco e aquele que estava assentado sobre ele; da sua presença desapareceram a terra e o céu, e não ficou lugar para eles. Vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e abriram-se livros. Abriu-se também outro livro, o livro dos viventes; e, de acordo com o que estava escrito nesses livros, os mortos foram julgados segundo o registro das suas obras.”

“O mar entregou os seus mortos”, continua a passagem, “e a Morte e o Hades entregaram os mortos que estavam sob seus cuidados; cada um foi julgado segundo o registro de suas obras. Então a Morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. Este lago de fogo é a segunda morte; e nele foram lançados todos aqueles cujos nomes não foram encontrados no registro dos viventes.”

Visões sobre o julgamento por judeus e diferentes denominações cristãs

Os católicos acreditam que o julgamento final ocorrerá no fim dos tempos. Nesse momento, toda a humanidade ressuscitará e o corpo e a alma de cada pessoa serão reunidos. Ali, todos serão julgados por Cristo, que terá retornado em toda a sua glória. Em contraste, para os ortodoxos orientais e ortodoxos orientais, somente Deus tem a palavra final sobre quem entra no céu. 

Tradicionalmente, os protestantes esperam um dia do juízo final, no qual todos os mortos ressuscitarão com corpos transformados. Essa crença está fundamentada na ressurreição de Jesus e ressalta a importância desse evento na fé cristã. O resultado desse juízo determinará se os indivíduos entrarão no céu ou no inferno.

O judaísmo não aborda muito o julgamento, diferentemente do cristianismo e do islamismo. Menciona brevemente a bênção de algumas pessoas e a condenação de outras, mas não apresenta episódios em que as pessoas comparecem perante Deus, que as julga e as envia para o céu ou para o inferno.

A ressurreição corporal é um dogma oficial do judaísmo, mas é uma doutrina que muitos judeus modernos têm dificuldade em aceitar. Foi incorporada ao judaísmo por volta de 600 a.C., presumivelmente a partir dos persas zoroastristas. Acredita-se que os conceitos judaicos de ressurreição tenham sido influenciados pelos gregos e egípcios.

Ideias muçulmanas sobre o Dia do Juízo Final

Os muçulmanos acreditam que haverá um Dia do Juízo Final, conhecido como "Hisab" ("o Acerto de Contas"), no qual todos os homens ressuscitarão dos mortos e serão julgados com base em seus atos. Anunciado por uma trombeta tocada pelo arcanjo Asrafil, ele ocorrerá após a destruição do universo e sua recriação por Deus. Alguns muçulmanos acreditam que, no Dia do Juízo Final, a Caaba será transportada para Jerusalém e todos os mortos se encontrarão a caminho da cidade.

Durante a ressurreição muçulmana, as pessoas emergem de seus túmulos, com os pecadores exibindo deformidades proporcionais aos seus pecados. Todos se reúnem perante Deus em uma grande assembleia ("Hashr") e refletem sobre seus pecados e boas ações enquanto aguardam sua vez de serem julgados. Nada podem fazer; seu destino já foi selado por suas ações na Terra ou pela predestinação, dependendo da perspectiva. Segundo algumas estimativas, uma pessoa comum precisa esperar 50.000 anos por sua vez. Os únicos isentos dessa espera são os profetas e mártires que ascenderam diretamente ao paraíso.

À medida que se aproxima o momento do julgamento, as almas dos mortos são convidadas a prostrar-se. Os fiéis muçulmanos que oram religiosamente cinco vezes ao dia consideram essa parte fácil. Pecadores e infiéis, por outro lado, sentem as costas rígidas e não conseguem se curvar. Alguns dizem que, nesse momento, Maomé aparecerá e intercederá em favor daqueles que seguiram seu caminho.

Alcorão e Suna sobre o Julgamento

O Alcorão diz: “Então, pesem com justiça e não faltem na balança. Ele é Quem estendeu a terra para as Suas criaturas: nela há frutos e tamareiras, que produzem espádices (que envolvem as tâmaras); também o trigo, com suas folhas e talos para forragem, e plantas de aroma agradável. Então, qual das graças do vosso Senhor negareis?

As Sunnahs são as práticas e os exemplos extraídos da vida do Profeta Muhammad. Juntamente com os Hadiths, são os textos mais importantes do Islã depois do Alcorão. Devem seguir uma cadeia de narração rigorosa que assegure a sua autenticidade, levando em consideração fatores como o caráter das pessoas na cadeia e a continuidade da narração. Relatos que não atendem a esses critérios são desconsiderados.

A Sunnah diz: “O primeiro julgamento que Deus fará sobre o homem no dia da ressurreição será pelo assassinato. Quem se atirar do alto de uma montanha e se matar, estará no fogo do inferno para sempre; e quem se matar com ferro, o ferro estará em sua mão, e com ele ferirá o próprio ventre no fogo do inferno eternamente.” 

“Nenhum juiz deve decidir entre duas pessoas enquanto estiver irado. Não há juiz que tenha decidido entre homens, sejam justos ou injustos, que não compareça ao tribunal de Deus no dia da ressurreição sendo segurado pelo pescoço por um anjo; e o anjo erguerá a cabeça para os céus e aguardará as ordens de Deus; e se Deus ordenar que o lancem no inferno, o anjo o fará de uma altura equivalente a quarenta anos de jornada. Em verdade, um juiz justo, no dia da ressurreição, sentirá tanto medo e horror que desejará: 'Quem dera eu não tivesse decidido entre duas pessoas num julgamento para uma única data!"

Julgamento do Antigo Egito

Os antigos egípcios parecem ter acreditado em um Dia do Juízo Final após a morte e que a ascensão ao céu estava ligada a atos morais e bom comportamento na vida. Acreditavam que, durante uma cerimônia de julgamento, o coração do falecido era pesado em uma balança contra a pena da verdade para determinar o destino de seu dono na vida após a morte. Um trecho do "Livro dos Mortos" diz: "Ó meu coração que tive na Terra, não se levante contra mim como testemunha, não me transforme em vítima perante o grande deus". A pena da verdade, diz-se, era uma pena de avestruz, símbolo de Maat, a deusa responsável por manter o cosmos em ordem.

A cerimônia de pesagem do coração era supervisionada pelos deuses Osíris, Maat, Thoth, Anúbis e Hórus. Anúbis pesava o coração enquanto Osíris e os outros observavam como juízes. Os oficiais de Osíris eram compostos por demônios terríveis, que guardavam seus portões ou que se sentavam como assessores em seu grande salão do julgamento. Nesse salão da verdade, ao lado do rei dos mortos, agachavam-se quarenta e duas estranhas formas demoníacas, com cabeças de serpentes ou falcões, abutres ou carneiros, cada uma segurando uma faca na mão. Diante dessas criaturas — o devorador de sangue, o devorador de sombras, o olho de fogo, o quebra-ossos, o hálito de fogo, a perna de fogo e outras com nomes semelhantes —, o falecido tinha que comparecer e confessar seus pecados. Se eles pudessem declarar que não haviam roubado, nem cometido adultério, nem insultado o rei, nem cometido nenhum outro dos quarenta e dois pecados, e se a grande balança na qual seu coração era pesado mostrasse que eram inocentes, então Thoth, o escriba dos deuses, registrava sua absolvição. Hórus então tomava o falecido pela mão e conduzia os novos súditos até seu pai Osíris.

Morte e julgamento no budismo Mahayana

A doutrina dos Meios Hábeis é considerada por alguns como a mais importante do Budismo Mahayana. Segundo o estudioso religioso J.C. Clear: Meios hábeis referem-se a “estratégias, métodos e artifícios direcionados às capacidades, circunstâncias, gostos e desgostos de cada ser senciente, de modo a resgatá-lo e conduzi-lo à Iluminação. Assim, todas as formulações particulares do Ensinamento são apenas expedientes provisórios para comunicar a Verdade (Dharma) em contextos específicos.” “As palavras do Buda eram remédios para uma determinada doença em um determinado momento”, sempre infinitamente adaptáveis ​​às condições do ouvinte.

Ao conceber os Seis Cursos como uma forma de Meios Hábeis, o que realmente acontece no momento da morte? Em uma descrição típica, uma carroça flamejante, conduzida por oficiais de aparência horrenda, leva o falecido à corte do Rei Yama. O Rei Yama era um Juiz Chefe infernal, cuja corte ficava adjacente ao reino dos infernos. Os oficiais que vão buscar o morto o transportam através de um vasto rio e, em seguida, para uma sala de espera. Por que a sala de espera? Porque o sistema judiciário tem um enorme acúmulo de casos pendentes, e levará um tempo — talvez vários anos — até que o Rei Yama e seus secretários consigam analisar o processo de alguém. Enquanto isso, o falecido permanece sentado na sala de espera. Lá, ele não ouve música ambiente, mas os gritos daqueles que sofrem nos vários infernos. Sentado ali, pensando na vida passada de pecados e falhas, ele ou ela pode não ter nenhum desejo de ter uma audiência rápida.

Mas todos devem ter "seu dia no tribunal". E em muitos casos, após ler o grosso dossiê contendo anotações de cada boa e má ação da vida da pessoa, o rei infernal encontra pouco com que se alegrar. Claro, se as boas ações superarem as más (metafisicamente: uma redução no equilíbrio ou fardo cármico), o Rei Yama sorri e decreta que a pessoa renascerá em um reino de existência superior ao da vida anterior. Esse renascimento pode ser como um ser humano de nível superior ou até mesmo em um dos dois reinos superiores aos humanos.

Para aqueles, porém, cujas más ações superam as boas, o renascimento em um reino inferior é necessário. Em casos relativamente leves, o falecido pode renascer em um nível inferior da sociedade humana. Para casos piores, o renascimento como algum tipo de animal pode ser apropriado. Para os piores tipos de ofensas, no entanto (como negligenciar doações generosas a templos budistas!), será necessário um período difícil como um fantasma faminto ou em um ou mais infernos para pagar a dívida cósmica. Enquanto o rei infernal recita a lista de ofensas, o falecido pode protestar sua inocência. "Eu não fiz isso!" "Vocês prenderam a pessoa errada!", o réu poderia implorar. A justiça será feita, no entanto, graças a um sistema de reprodução de vídeo 100% eficaz, o "Espelho da Alma". Forçado a encarar esse espelho, o falecido vê todas as suas ofensas passadas reproduzidas diante de seus olhos. Não há como negar a dívida cármica de alguém, e os piores infratores são levados para os reinos dos fantasmas famintos ou para o inferno para quitar essa dívida por algumas dezenas, centenas ou milhares de anos — o tempo que for necessário. Uma vez que a dívida é paga, a pessoa em questão renasce como humana para tentar tudo de novo.

“Você deve saber que existem inúmeras variações nas maneiras como esse processo de julgamento pode ser descrito. Os parágrafos acima o explicam da forma mais simples possível. Em algumas versões, por exemplo, o falecido passa por dez julgamentos perante dez diferentes “reis” do inferno. Mesmo aqui, porém, o julgamento perante o Rei Yama e seu espelho da alma é o mais importante. Independentemente dos detalhes, contudo, a ideia básica de um julgamento em um tribunal de outro mundo é uma característica constante dos Seis Cursos como Meios Hábeis.”

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Muçulmanos: Allah, Trindade, e Cristianismo e Judaísmo

Alguns dos maiores equívocos que muitos não-muçulmanos cometem sobre o Islã têm a ver com a palavra “Allah.” Por várias razões, muitas pessoas passaram a acreditar que os muçulmanos adoram um Deus diferente dos cristãos e judeus. Isso é totalmente falso, uma vez que “Allah” é simplesmente a palavra árabe para “Deus” – e só existe Um Deus. Para que não haja dúvidas, os muçulmanos adoram o Deus de Noé, Abraão, Moisés, Davi e Jesus – que a paz esteja sobre todos eles. Entretanto, é certamente verdade que os judeus, cristãos e muçulmanos têm conceitos diferentes de Deus Todo-Poderoso. Por exemplo, os muçulmanos – como os judeus - rejeitam as crenças cristãs da Trindade e da Encarnação Divina. Isso, entretanto, não significa que cada uma dessas três religiões adore um Deus diferente - porque, como já dissemos, existe apenas Um Verdadeiro Deus. O Judaísmo, o Cristianismo e o Islã reivindicam ser “Fés Abrâmicas”, e todas elas são classificadas como “monoteístas.” Entretanto, o Islã ensina que outras religiões têm, de um jeito ou de outro, distorcido e anulado uma crença pura e correta em Deus Todo-Poderoso ao negligenciar Seus ensinamentos verdadeiros e misturá-los com idéias feitas pelo homem.

Primeiro, é importante notar que “Allah” é a mesma palavra que os cristãos e judeus que falam árabe usam para Deus. Se você pegar uma Bíblia árabe, você verá a palavra “Allah” sendo usada onde “Deus” é usado em português. Isso é porque “Allah” é a palavra em língua árabe equivalente a palavra em português “Deus” com “D” maiúsculo. Adicionalmente, a palavra “Allah” não pode ter plural, um fato que anda de mãos dadas com o conceito islâmico de Deus.

É interessante notar que a palavra aramaica “El”, que é a palavra para Deus na língua que Jesus falava, é certamente mais semelhante em som à palavra “Allah” do que a palavra em português “Deus.” Isso também é verdadeiro para as várias palavras hebraicas para Deus, que são “El” e “Elah”, e a forma plural ou glorificada “Elohim.” A razão para essas similaridades é que o aramaico, o hebraico e o árabe são todas línguas semitas com origens comuns. Também deve ser notado que ao traduzir a Bíblia para outros idiomas, o palavra hebraica “El” é traduzida de várias formas como “Deus”, “deus” e “anjo”! Essa linguagem imprecisa permite que tradutores diferentes, baseados em suas noções pré-concebidas, traduzam a palavra para adequá-la às suas próprias opiniões. A palavra árabe “Allah” não apresenta essa dificuldade ou ambigüidade, uma vez que é usada somente para Deus Todo-Poderoso. Adicionalmente, em português, a única diferença entre “deus”, significando um deus falso, e “Deus”, significando o Único Verdadeiro Deus, é o “D” maiúsculo. Devido aos fatos mencionados acima, uma tradução mais precisa da palavra “Allah” em português seria “O Único Deus” ou “O Único Verdadeiro Deus.”

O que é mais importante, deve também ser notado que a palavra árabe “Allah” contém uma mensagem religiosa profunda devido à raiz de seu significado e origem. É porque ela deriva do verbo árabe ta’allaha (ou alaha), que significa “ser adorado.” Portanto, em árabe, a palavra “Allah” significa “O Único merecedor de toda adoração.” Isso, em poucas palavras, é a mensagem de Monoteísmo Puro do Islã.

É suficiente dizer que apenas porque alguém clama ser um judeu, cristão ou muçulmano “monoteísta” não o impede de incorrer em crenças corruptas ou práticas idólatras. Muitas pessoas, incluindo alguns muçulmanos, reivindicam crença em “Um Deus” mesmo incorrendo em atos de idolatria. Certamente, muitos protestantes acusam os católicos romanos de práticas idólatras em relação aos santos e à Virgem Maria. Da mesma forma, a Igreja Ortodoxa Grega é considerada “idólatra” por muitos outros cristãos porque em muitas das suas adorações eles usam ícones. Entretanto, se você perguntar a um católico romano ou a um grego ortodoxo se Deus é “Um”, eles invariavelmente responderão: “Sim!.” Essa afirmação, entretanto, não os impede de serem idólatras “adoradores de criaturas”. O mesmo serve para os hindus, que apenas consideram seus deuses como “manifestações” ou “encarnações” do Único Deus Supremo.

Antes de concluir...existem algumas pessoas, que obviamente não estão do lado da verdade, que querem que as pessoas acreditem que “Allah” é algum “deus” árabe, e que o Islã é completamente “outro” – significando que não tem raízes comuns com outras religiões abrâmicas (ou seja, Cristianismo e Judaísmo). Dizer que os muçulmanos adoram um “Deus” diferente porque eles dizem “Allah” é tão ilógico quanto dizer que os franceses adoram outro Deus porque eles usam a palavra “Dieu”, que os que falam espanhol adoram um Deus diferente porque dizem “Dios” ou que os hebreus adoravam um Deus diferente porque às vezes O chamavam “Javé.” Certamente, esse tipo de raciocínio é muito ridículo! Também deve ser mencionado que reivindicar que qualquer idioma usa a única palavra correta para Deus é equivalente a negar a universalidade da mensagem de Deus para a humanidade, que foi para todas as nações, tribos e povos através de vários profetas que falavam línguas diferentes.

A razão é que a Verdade Suprema do Islã se baseia em solo firme e sua crença inabalável na Unicidade de Deus está acima de repreensão. Por essa razão os cristãos não podem criticar suas doutrinas diretamente, e ao invés disso fabricam coisas sobre o Islã que não são verdadeiras para que as pessoas percam o desejo de aprender mais. Se o Islã fosse apresentado da maneira correta para o mundo, certamente poderia fazer muitas pessoas reconsiderarem e reavaliarem suas próprias crenças. É muito provável que quando descobrirem que existe uma religião universal no mundo que ensina às pessoas a adorarem e amarem Deus, enquanto praticam o Monoteísmo Puro, sintam que devam ao menos reexaminar as bases de suas próprias crenças e doutrinas.

É um fato conhecido que todo idioma tem um ou mais termos que são usados para se referir a Deus e às vezes a divindades menores ao mesmo tempo. Esse não é o caso com Deus. Deus é o nome pessoal do Deus Único. Ninguém mais pode ser chamado Deus. O termo não tem plural ou gênero. Isso mostra a sua singularidade quando comparado com a palavra "deus," que pode ser usada no plural, como em "deuses", ou no feminino, como em "deusas." É interessante notar que Allah é o nome pessoal de Deus em aramaico, a língua de Jesus e uma língua irmã do árabe.

O Deus Único é uma reflexão do conceito singular que o Islã associa a Deus. Para um muçulmano, Deus é o Criador Todo-Poderoso e Sustentador do universo, Que não é semelhante a nada e nada é comparável a Ele. O Profeta Muhammad foi perguntado por seus contemporâneos sobre Deus; a resposta veio diretamente do próprio Deus na forma de um capítulo curto do Alcorão, que é considerado a essência da unicidade ou lema do monoteísmo. Esse é o capítulo 112, que diz:

“Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.”

“Dize [Ó Muhammad], Ele é Deus, o Único Deus, o Refúgio Eterno, que não gerou e não foi gerado, e não há ninguém igual a Ele.”

Alguns não-muçulmanos alegam que Deus no Islã é um Deus severo e cruel que exige ser obedecido completamente e, conseqüentemente, não é amoroso ou gentil. Nada poderia ser mais distante da verdade do que essa alegação. É suficiente saber que, com a exceção de um, cada um dos 114 capítulos do Alcorão começa com o versículo, “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.” Em um dos ditos do Profeta Muhammad, que Deus o exalte, nos é dito que:

“Deus é mais amoroso e gentil do que uma mãe para com o seu filho.”

Por outro lado, Deus também é Justo. Portanto, os malfeitores e pecadores devem ter sua parcela de punição, e os virtuosos devem ter a generosidade e favores de Deus. Na verdade, o atributo da Misericórdia de Deus tem manifestação plena em Seu atributo de Justiça. Pessoas que sofrem ao longo de todas as suas vidas em Seu nome não devem receber de seu Senhor o mesmo tratamento que as pessoas que oprimem e exploram outras as suas vidas inteiras. Esperar tratamento semelhante para elas seria equivalente a negar a crença na prestação de contas do homem na Vida Futura e, portanto, negar todos os incentivos para uma vida moral e virtuosa nesse mundo. Os versículos corânicos seguintes são muito claros e diretos a esse respeito.

“Verdadeiramente, para os Virtuosos haverá os jardins de Deleites, na Presença de seu Senhor. Então Nós devemos tratar as pessoas de Fé como as pessoas do Pecado? Que há convosco? Como julgais?” (Alcorão 68:34-36)

O Islã rejeita caracterizar Deus em qualquer forma humana ou descrevê-Lo como favorecendo certos indivíduos ou nações com base em fortuna, poder ou raça. Ele criou os seres humanos como iguais. Eles podem se distingüir e obter Seu favor somente através de virtude e devoção.

Os conceitos, como o de Deus descansar no sétimo dia da criação, Deus lutar com um de Seus soldados, Deus ser um conspirador invejoso contra a humanidade, ou Deus encarnar em qualquer ser humano, são considerados blasfêmia do ponto de vista islâmico.

O uso singular de Deus como um nome pessoal de Deus é uma reflexão da ênfase do Islã na pureza da crença em Deus, que é a essência da mensagem de todos os mensageiros de Deus. Por causa disso, o Islã considera a associação de qualquer deidade ou personalidade com Deus como um pecado mortal que Deus nunca perdoará, apesar do fato de que Ele pode perdoar todos os outros pecados.

O Criador deve ser de uma natureza diferente das coisas criadas porque, se Ele é da mesma natureza que elas, Ele será temporal e, portanto, precisará de um criador. Disso se segue que nada é como Ele. Além disso, se o Criador não é temporal, então Ele deve ser eterno. Se Ele é eterno, entretanto, Ele não pode ser causado, e se nada O trouxe à existência, nada fora Dele faz com que Ele continue a existir, o que significa que Ele é auto-suficiente. E se Ele não depende de nada para a continuação de Sua própria existência, então essa existência não pode ter fim e, portanto, o Criador é eterno e perene. Sendo assim, nós sabemos que Ele é Auto-suficiente ou Auto-subsistente e Eterno ou, para usar um termo corânico, Al-Qayyum: “Ele é o Primeiro e o Último.”

O Criador não cria apenas no sentido de trazer coisas à existência, Ele também as preserva e as tira da existência e é a causa suprema do que quer que lhes aconteça.

“Deus é o Criador de tudo. Ele é o guardião de tudo. A Ele pertencem as chaves dos céus e da terra." (Alcorão 39:62-63)

E Deus diz:

“Nenhuma criatura caminha sobre a terra sem que a sua provisão venha de Deus. Ele conhece a sua morada e seu repositório.” (Alcorão 11:16)

Atributos de Deus

Se o Criador é Eterno e Perene, então Seus atributos também devem ser eternos e perenes. Se for assim, então Seus atributos são absolutos. Pode haver mais de um Criador com tais atributos absolutos? Pode haver, por exemplo, dois Criadores absolutamente poderosos? Uma rápida reflexão mostra que isso não é viável.

O Alcorão resume esse argumento nos seguintes versículos:

“Deus não tomou para Si nenhum filho, nem existe com Ele qualquer deus: porque cada deus teria tomado o que criara e alguns deles teriam sido arrogantes em relação aos outros.” (Alcorão 23:91)

Também,

“E porque, se existissem deuses na terra e no céu além de Deus, eles [céu e terra] certamente se arruinariam.” (Alcorão 21:22)

A Unicidade de Deus

O Alcorão nos relembra da falsidade de todos os alegados deuses. Aos adoradores de objetos feitos pelo homem ele pergunta:

“Adorais o que esculpis?” (Alcorão 37:95)

Também,

“Ou tomais, além Dele, protetores que não trazem, para si mesmos, benefício nem prejuízo?” (Alcorão 13:16)

Aos adoradores de corpos celestiais ele cita a estória de Abraão:

“Quando a noite o envolveu, ele viu uma estrela e disse, ‘Esse é o meu Senhor.’ Mas quando ele se pôs, ele disse, ‘Eu não amo os que se põem.’ Quando ele viu a lua surgindo, ele disse, ‘Esse é meu Senhor.’ Mas quando ela se pôs, ele disse, ‘Se meu Senhor não me orienta, em verdade, estarei entre o povo desencaminhado.’ Quando ele viu o sol surgindo, ele disse, ‘Esse é meu Senhor; esse é maior.’ Mas quando ele se pôs, ele disse, ‘Ó meu povo, certamente eu rompi com o que idolatrais, eu volto a minha face Àquele que originou os céus e a terra; um homem de pura fé, eu não sou um dos idólatras.'" (Alcorão 6:76-79)

A Atitude do Crente

De modo a ser um muçulmano, isto é, se submeter a Deus, é necessário acreditar na unicidade de Deus, no sentido de Ele ser o único Criador, Preservador, Provedor, etc. Mas essa crença não é suficiente. Muitos dos idólatras sabiam e acreditavam que somente o Deus Supremo podia fazer tudo isso. Mas isso não era suficiente para torná-los muçulmanos. Além dessa crença, deve-se reconhecer o fato de que apenas Deus merece ser adorado e, portanto, abster-se da adoração de qualquer outra coisa ou ser.

Ao ter alcançado esse conhecimento do único verdadeiro Deus, o homem deve constantemente ter fé Nele, e não deve permitir que nada o induza a negar a verdade.

Isso significa que se alguém se submete conscientemente a Deus sem reservas, e admite que Ele é o único merecedor de sua adoração, esse alguém conseqüentemente deve adorá-Lo. Isto é, saber que devemos a Ele obediência significa colocar em prática o que nós reconhecemos em nossos corações. Deus pergunta, retoricamente:

“E supusestes que vos criamos sem propósito, e que não seríeis retornados a Nós?” (Alcorão 23:115)

Ele também afirma categoricamente:

“Eu não criei a Humanidade e os Jinns exceto para Me adorarem.” (Alcorão 51:56)

Portanto, quando a fé entra no coração de uma pessoa, ela provoca certos estados mentais que resultam em certas ações. Reunidos, esses estados mentais e ações são a prova de uma fé verdadeira. O Profeta, que Deus o exalte, disse:

“Fé é o que reside firmemente no coração e que é provado pelos atos.”

O mais importante desses estados mentais é o sentimento de gratidão a Deus, que se pode dizer que é a essência da adoração.

O sentimento de gratidão é tão importante que um não-crente é chamado de ‘kafir’, que significa ‘aquele que nega a verdade’ e também ‘aquele que é ingrato.’

Um crente ama, e é grato a Deus pelas graças que recebeu, mas por estar ciente do fato de que seus bons atos, sejam mentais ou físicos, estão longe de se equiparar aos favores Divinos, ele está sempre ansioso pela possibilidade de Deus o punir, aqui ou na Vida Futura. Ele portanto O teme, se submete a Ele e O serve com grande humildade. Não se pode estar em tal estado mental sem estar consciente de Deus praticamente o tempo todo. Relembrar Deus é, portanto, a força vital da fé, sem a qual ela perde o vigor e se esvai.

O Alcorão tenta promover esse sentimento de gratidão pela repetição dos atributos de Deus com muita freqüência. Nós encontramos a maioria desses atributos reunidos nos seguintes versículos do Alcorão:

“Ele é Deus; não existe deus exceto Ele. Ele é o Conhecedor do oculto e do visível; Ele é o Clemente, o Misericordioso. Ele é Deus; não existe deus exceto Ele. Ele é o Rei, O Puro, A Paz, O Confortador, O Preservador, o Todo-Poderoso, o Transcendente, o Sublime. Glorificado seja Deus, acima do que idolatram! Ele é Deus, o Criador, o Iniciador da Criação, o Configurador. A Ele pertencem os Mais Belos Nomes. Tudo que está nos céus e na terra O glorifica; Ele é O Todo-Poderoso, O Sábio.” (Alcorão 59:22-24)

Também,

“Não existe deus exceto Ele, o Vivente, o Eterno. Não O tomam nem sonolência nem sono. A Ele pertence tudo que está nos céus e na terra. Quem intercederá junto a Ele exceto com Sua permissão? Ele sabe o que o seu passado e o seu futuro, e não compreendem nada do Seu conhecimento exceto o que Ele quer. Seu Trono se estende sobre os céus e a terra. Preservá-los não O fadiga; Ele é o Altíssimo, o Glorioso.” (Alcorão 2:255)

Também,

“Povo do Livro, não vos excedais nos limites de vossa religião, e não digais acerca de Deus exceto a verdade. O Messias, Jesus, filho de Maria, era apenas o Mensageiro de Deus, e Seu Verbo que Ele colocou sobre Maria, e um Espírito vindo Dele. Então acredite em Deus e Seus Mensageiros, e não digam “Três”. Abstende-vos; é melhor para vós. Deus é um único Deus. Glorificado seja Ele – [Ele está] acima de ter um filho.” (Alcorão 4:171)

Portanto, nós temos três etapas em nosso reconhecimento de Deus como o Único Verdadeiro Deus. Nós devemos acreditar que Ele é o Criador, Controlador e Juiz supremo do universo e de tudo que ele contém; nós devemos nos abster de adorar qualquer coisa exceto Ele, e então direcionar a nossa adoração a Ele, de fato; e devemos saber que apenas Ele tem todos os atributos e nomes divinos, e não podemos aplicá-los a qualquer outro ser, não importa quem eles sejam. Alguém simplesmente reconhecer verbalmente essas condições, mesmo que se abstenha de aplicá-las a outros deuses, não é suficiente. Elas devem ser sinceramente direcionadas Àquele que as merece.