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domingo, 13 de setembro de 2026

Segunda Vinda de Jesus Cristo

 

SEGUNDA VINDA DE JESUS

O livro do Apocalipse descreve a segunda vinda de Jesus Cristo com imagens e figuras vívidas, incluindo um falso profeta e uma besta vermelha de sete cabeças ou dragão, que pode representar Satanás. Nos Evangelhos, há referências ao retorno iminente de Cristo. Muitos de seus seguidores acreditavam que isso aconteceria logo após a sua morte. Mateus 24:42-44 diz: “Portanto, vigiem, porque vocês não sabem o dia em que o Senhor de vocês virá... Estejam preparados, porque o Filho do Homem virá numa hora em que vocês menos esperam.”

Escatologia é a doutrina que trata do fim do mundo, incluindo a Segunda Vinda de Cristo, o julgamento de Deus, o céu e o inferno. Michael J. McClymond escreveu: "Nos Evangelhos, o ensinamento de Jesus se concentrou no reino de Deus, e a Oração do Senhor inclui uma petição para que Deus traga uma realização terrena de seus propósitos: “Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10). Embora o reino de Deus já esteja presente de forma limitada, ele atingirá a perfeição somente quando Jesus retornar, “vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória” (Mateus 24:30). A escatologia cristã oferece a certeza de que Deus, em última análise, transformará os indivíduos, a sociedade e o mundo em geral em “um novo céu e uma nova terra” (Apocalipse 21:1).

A ressurreição de Jesus demonstra o propósito de Deus de vencer tudo o que ameaça a humanidade, inclusive a própria morte. Embora algumas versões da escatologia tenham encorajado os cristãos a se afastarem do mundo, muitas têm impulsionado os fiéis a lutarem por misericórdia, paz e justiça. A escatologia tem sido um motor de mudança social e até mesmo de revolução. O livro do Apocalipse oferece um retrato elaborado da esperança cristã, e ainda assim o texto é notoriamente difícil de interpretar. Alguns teólogos o veem como um relato mais ou menos literal do que acontecerá antes do retorno de Jesus, enquanto outros o consideram simbólico ou como referência a eventos que já ocorreram.

Visão dos cristãos evangélicos sobre a segunda vinda de Cristo

Os cristãos evangélicos de hoje acreditam que, quando Jesus retornar, descerá do Monte das Oliveiras e entrará pelo Portão Dourado na Cidade Velha de Jerusalém. Jerry Falwell declarou que, durante o período da Tribulação de sete anos, o Templo Judaico será reconstruído, Moisés e Elias aparecerão e serão assassinados nas ruas de Jerusalém diante de uma audiência internacional pela televisão, ressuscitando três dias depois e dando início a uma celebração global seguida por uma ressurreição em massa dos mortos. Então, um homem aparecerá e dirá ser o Cristo (mas na verdade será o Anticristo) e atrairá muitos seguidores cristãos e judeus, a maioria dos quais morrerá na luta entre o bem e o mal.

Muitos cristãos evangélicos acreditam que três eventos precisam ocorrer para que Cristo retorne, e dois deles já aconteceram: a fundação de Israel em 1948 e a restauração do povo judeu a Jerusalém em 1967, que cumpriram profecias bíblicas que apontam o caminho para a segunda vinda de Jesus Cristo. Para eles, a única profecia que ainda não se cumpriu é a reconstrução do Templo de Jerusalém.

Alguns grupos cristãos evangélicos se aliaram a grupos judeus ultra ortodoxos porque ambos os grupos querem ver os muçulmanos expulsos do Monte do Templo e o Templo Judaico reconstruído como cumprimento de suas profecias apocalípticas, nas quais os cristãos acreditam que Jesus retornará e os judeus ultra ortodoxos acreditam que o verdadeiro Messias aparecerá (o que os cristãos acreditam ser o Falso Messias que lutará contra Jesus).

“Essa é uma ideia muito popular. Ela sugere que o mundo será virado de cabeça para baixo e dominado pelos mansos — ou pelo menos pelos bons e justos — e que esse será um tempo de paz e justiça. Também implica uma solução para o problema do mal (ou seja, por que um Deus todo-bondoso e todo-poderoso permite que o mal floresça impunemente, sem punição ou correção) ao mostrar que, no fim dos tempos, haverá justiça para todos. Os malfeitores serão punidos por seu comportamento na Terra e os bons serão recompensados, à medida que Deus equilibra a balança da justiça no fim dos tempos.

O milenarismo apresenta-se em diferentes vertentes: 1) pré-milenismo; 2) pós-milenismo; 3) amilenismo; 4) dispensacionalismo — em parte uma forma particular de pré-milenismo popularizada por J.N. Darby, fundador dos Irmãos Exclusivos. O dispensacionalismo é também uma doutrina de interpretação bíblica.

Acontecimentos no Apocalipse

De acordo com o Apocalipse, os profetas do Antigo Testamento e algumas outras passagens do Novo Testamento, o fim do mundo começa com um evento chamado Arrebatamento, no qual todos os cristãos fiéis são repentinamente arrancados do mundo, enquanto os não-crentes são deixados para trás para enfrentar uma série de tribulações — incluindo fogo, granizo e sangue caindo do céu; enxames de gafanhotos com rostos humanos que emergem da fumaça de um poço sem fundo; bestas com seis asas e cobertas de olhos; cavalos com cabeças de leão que cospem fogo; um cordeiro com sete chifres; anjos vingativos vestidos de nuvens e arco-íris — que se desenrolam ao longo de um período de sete anos.

Durante as Tribulações, um dragão vermelho com seis cabeças coroadas e dez chifres persegue uma mulher, os mares se transformam em sangue e tudo neles morre; cidades e nações desmoronam, ilhas fogem e montanhas desaparecem em um terremoto colossal; pássaros, convidados para um grande banquete, “comem a carne de reis, a carne de capitães, a carne de poderosos”. Em certo ponto, João escreveu que esses eventos “devem acontecer em breve”. Os cristãos fiéis são poupados desses eventos porque foram arrebatados.

Durante o período das tribulações, o mundo é governado pelo Anticristo, um líder carismático, porém maligno, que faz as pazes com Israel apenas para quebrar sua palavra e perseguir os judeus. A perseguição aos judeus leva as principais potências mundiais ao Oriente Médio, onde ocorre a terrível batalha do Armagedom, com guerreiros satânicos liderados por um príncipe chamado Gogue, de uma terra ao norte chamada Magogue.

A batalha termina com o retorno de Jesus e um confronto celestial entre Jesus e o Anticristo, no qual Jesus finalmente derrota as forças do mal e inaugura seu reinado de 1000 anos de paz e justiça. Após o reinado de 1000 anos, ocorre o Juízo Final. Os fiéis são acolhidos no céu, os impenitentes são condenados e “uma nova cidade, uma nova Jerusalém” desce “do céu, da parte de Deus”.

A Besta de Sete Cabeças e os Quatro Cavaleiros do Apocalipse

A infame Besta de sete cabeças do Apocalipse "era semelhante a um leopardo, com pés como os de urso e boca como a de leão" (Ap 13:1). Esses são os três primeiros animais mencionados em Daniel 7, mas em ordem inversa. A Besta emerge do mar exigindo adoração. Suas sete cabeças simbolizam Roma. Na época de João, sete imperadores haviam governado Roma, e Roma era conhecida como a cidade das sete colinas. O Número da Besta — 666 — é descrito abaixo.

Candida Moss escreveu: A Besta recebe autoridade e poder do dragão (11:7; 13:1-10; 17:7-18). Uma segunda besta surge posteriormente da Terra e instrui as pessoas a adorarem a primeira besta. Essa segunda besta também é chamada de “falso profeta”. Juntas, essas bestas se opõem a Deus e àqueles que não adoram a imagem da (primeira) besta. Não nos é revelado o nome exato da besta que surge do mar, mas ele corresponde ao valor numérico “666”. E nos é dito que a besta reinará por um período específico: 42 meses, ou três anos e meio (Ap 13:5-8).

A imagem dos quatro cavaleiros do Apocalipse foi adaptada e atualizada a partir do profeta hebreu Zacarias. O cavalo vermelho simboliza a guerra e a destruição; o cavalo preto, a fome; o cavalo pálido, a morte; e o cavalo branco, a vingança e a salvação. A palavra Armagedom vem de al-Megido, um local na planície de Jazreel, no atual Israel. Na época de João, muitas batalhas famosas já haviam sido travadas ali, e no primeiro século o local abrigou o acampamento do brutal romano Ironsides.

“Na visão de João, este teria sido o lugar perfeito para a batalha final entre o bem e o mal. Portanto, parece que o Livro do Apocalipse não está profetizando o fim do mundo, mas sim apresentando uma polêmica contra o Império Romano. João estrutura seu ataque de uma forma que se assemelha a outros escritos religiosos da época e que faria sentido para os primeiros cristãos. João estava dizendo aos cristãos do primeiro século para se unirem contra qualquer compromisso com Roma, e que sua fidelidade seria recompensada.”

666 — O Número da Besta

De acordo com Apocalipse 14:9, a marca da Besta é recebida na testa ou na mão. “O número da Besta — 666 — sempre intrigou os cristãos e levou a muitas especulações sobre quem poderia ser. Os estudiosos agora acreditam que se tratava de numerologia, um enigma popular na antiguidade. As letras de um nome recebiam um valor numérico e, somadas, resultavam em um número. O nome do imperador Nero soma 666. Historiadores acreditam que a perseguição de Nero aos cristãos em Roma pode ter entrado na consciência dos primeiros cristãos, tornando-o uma figura odiada.

“No entanto, evidências de manuscritos antigos indicam que 666 pode não ter sido o número da Besta. No final do século XIX, arqueólogos britânicos que trabalhavam no sítio arqueológico da cidade egípcia de Oxirrinco descobriram um conjunto de papiros que foram levados para Oxford, onde acadêmicos vêm estudando-os desde então. Um desses fragmentos de papiro é do Livro do Apocalipse e apresenta o número da Besta como 616. Trabalhando com o mesmo princípio da numerologia, os acadêmicos deduzem que 616 representa o Imperador Calígula. Calígula havia mandado erguer uma estátua de si mesmo no templo de Jerusalém, o que ofendeu profundamente os judeus. Se João fosse de fato um judeu da Palestina, ele saberia disso.

Candida Moss escreveu: “666, o número da Besta mencionado em Apocalipse 13:17, é uma pista. É o número de uma pessoa que precisamos calcular usando gematria, um sistema no qual as letras têm valor numérico (Alfa=1, Beta=2, Gama=3, etc.). Some o valor das letras do nome da Besta e você obterá 666. Dependendo se você usa um sistema numérico grego, hebraico ou inglês, muitos nomes diferentes somam o número diabólico. Os estudiosos da Bíblia tendem a identificar a Besta com o imperador romano Nero. Mas, de acordo com esta calculadora de gematria altamente científica, descobriu-se que “Justin Bieb” também soma 666.

Grande Tribulação

“Milhões de cristãos acreditam que a tribulação é um período imediatamente anterior ao Milênio, quando o julgamento de Deus se realiza sobre o mundo e a humanidade sofre grande sofrimento. A maioria dos cristãos tradicionais considera a doutrina da tribulação como uma forma poética ou simbólica de descrever o conflito eterno entre o bem e o mal. No entanto, há muitos milhões que acreditam que a doutrina da tribulação é uma descrição literal e verdadeira do que acontecerá em algum momento no futuro.

Durante a tribulação, o anticristo (o emissário de Satanás) torturará a humanidade, e Deus entrará em guerra contra o anticristo. A tribulação termina após sete anos, quando Deus derrota o anticristo. A tribulação serviu de pano de fundo para muitos romances e uma grande quantidade de escritos proféticos. A maioria dos pré-milenistas acredita que a Igreja escapará completamente da Tribulação, por meio da doutrina do Arrebatamento.

Um grupo de pré-milenistas (chamados de 'pós-tribulacionistas') acredita que os crentes justos devem permanecer na Terra durante toda a tribulação, mas que Deus os mantém em segurança. Dispensacionalismo, pós-milenismo e amilenismo.

Êxtase

“O Arrebatamento é o evento em que Cristo leva os fiéis para o céu antes da Tribulação. Essa palavra se refere ao 'levantamento' de cristãos, vivos e mortos, no retorno de Cristo. A ideia se baseia em 1 Tessalonicenses 4:17, que fala de cristãos vivos sendo 'arrebatados' no retorno de Cristo. Arrebatamento deriva do latim 'rapere' (raptor, também a raiz de 'raptor', uma ave de rapina).

“Durante o Milênio, os crentes permanecerão no céu, e Deus estará trabalhando na terra com o povo de Israel. Alguns cristãos acreditam no arrebatamento, mas discordam sobre o momento. Alguns pensam que o arrebatamento ocorrerá no final do período da tribulação, e outros acreditam que ocorrerá no meio.

“Essa doutrina afirma que Cristo virá à Terra e levará todos os verdadeiros crentes para o céu antes da Segunda Vinda. Os cristãos discordam sobre o momento exato em que isso acontecerá nos 'últimos dias', e a própria Bíblia não diz explicitamente se ocorrerá antes, durante ou depois da grande tribulação. O arrebatamento é descrito em 1 Tessalonicenses 4, que diz que os crentes serão arrebatados nas nuvens para encontrar Cristo nos ares. Pois o próprio Senhor descerá do céu com um brado de comando, com a voz do arcanjo e com o ressoar da trombeta de Deus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.”

“Então nós, os que estivermos vivos e permanecermos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.” (1 Tessalonicenses 4)

Anticristo

“O anticristo é o inimigo de Deus que aparece durante os últimos anos da existência do mundo e assume o controle da Terra. Ele é um governante muito poderoso e maligno que finge ser Deus e realiza milagres. O anticristo é mencionado na Bíblia com esse título apenas em 1 João 2:18: Filhinhos, esta é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos têm surgido; por onde conhecemos que é a última hora.”

Algumas crenças sobre o anticristo são: 1) ele ou ela já está vivendo neste mundo e em breve descobriremos quem ele/ela é. 2) Ao longo da história, vários vilões foram acusados ​​de serem o anticristo. Papas foram acusados ​​por protestantes no passado de serem o anticristo; o imperador Frederico II foi outro candidato. 3) o anticristo é uma instituição, e não um indivíduo. A) Portanto, o próprio papado, e não papas individualmente, foi atacado como o anticristo. B) Após o 11 de setembro, alguns acusaram o Islã de ser o anticristo. C) Durante a Guerra Fria, a União Soviética às vezes era chamada de anticristo. D) As Nações Unidas e a Liga das Nações foram consideradas o anticristo. 4) hereges são os precursores do anticristo — isso provavelmente deriva da passagem em 1 João que diz "já agora muitos anticristos..."

Alguns cristãos acreditam que o anticristo dominará a Terra em algum momento futuro e trará grande destruição até ser finalmente derrotado por Cristo. Um escritor moderno (2002) sugeriu que o anticristo emergirá como líder de um superestado europeu, imporá um acordo de paz a Israel "e possivelmente seus vizinhos", será assassinado e depois ressuscitado, ganhará o Prêmio Nobel da Paz e será nomeado Homem do Ano pela revista Time; após esses triunfos, ele se autoproclamará Deus e governará o mundo. A doutrina cristã do anticristo é um desenvolvimento de uma crença judaica semelhante, o que torna ainda mais lamentável que essa doutrina tenha sido usada como arma de antissemitismo. As referências judaicas são encontradas no livro de Daniel.

“Há muitas passagens do Novo Testamento que são consideradas como referentes ao anticristo. Aqui estão algumas delas: E, quando eles tiverem acabado o seu testemunho, a besta que sobe do abismo fará guerra contra eles, e os vencerá, e os matará. — Apocalipse 11:7 ...Ai dos habitantes da terra e do mar! Porque o diabo desceu até vós, e tem grande ira, porque sabe que já tem pouco tempo. — Apocalipse 12. E eu me pus sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfêmia. — Apocalipse 13 A besta que viste era, e já não é; e há de subir do abismo, e irá à perdição. — Apocalipse 17.

Quem é o Anticristo?

Candida Moss escreveu: Na tradição cristã, o Anticristo é uma figura demoníaca que supostamente retornará no fim dos tempos para se opor aos cristãos e a Cristo. É a antítese literal do Messias, Cristo. A imagem que a maioria das pessoas tem do Anticristo vem de filmes como A Profecia, em que o Anticristo é a cria de Satanás, que governa com grande poder por um período de tempo antes do fim do mundo. Mesmo para aqueles que se baseiam nas escrituras em vez de filmes de terror, o Anticristo é uma figura composta com características reunidas a partir de uma variedade de textos, notadamente a descrição da Besta no Livro do Apocalipse (o último livro da Bíblia) e em 1 João (uma carta atribuída ao autor do Evangelho de João).

Vamos supor, por um momento, que todos concordamos que vários livros do Novo Testamento profetizam a chegada de um oponente crucial de Deus no fim dos tempos. O que a Bíblia nos diz sobre essa figura? No próprio Apocalipse, o principal candidato a Anticristo é "a Besta". Os textos do Novo Testamento realmente profetizam o aparecimento de uma única figura do Anticristo? A maioria dos historiadores acredita que não, considerando que os autores do Apocalipse e de 1 João abordavam situações enfrentadas por suas respectivas comunidades. Bert Jan L. Peerbolte argumenta: "Com as imagens das Bestas, o autor do Apocalipse está se referindo aos perigos de sua própria época". A maioria dos estudiosos identifica a besta conhecida pelo número 666 como o imperador Nero, cujo nome (Nero César) corresponde a 666. Embora Nero provavelmente já estivesse morto quando o livro do Apocalipse foi escrito, havia uma profecia de que ele poderia retornar.

Embora quando as pessoas pensam em "Anticristo" pensem no Apocalipse, o último livro da Bíblia nunca usa esse título para os monstros terríveis que descreve. Para o nome Anticristo, precisamos recorrer a uma carta atribuída a João, o evangelista. Em 1 João 2:18-20, somos advertidos: "Esta é a última hora; e, como ouvistes que o anticristo vem, já muitos anticristos têm surgido... Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco." Aqui, encontramos vários anticristos (no plural!) que em algum momento foram membros da comunidade de seguidores de Jesus, mas depois a abandonaram. Soros, um judeu húngaro, dificilmente se encaixa nessa descrição.

O Juízo Final

Segundo Mateus, o Dia do Juízo Final ocorrerá “quando o Filho do Homem vier em sua glória” e será anunciado por “anjos com um forte toque de trombeta” que estarão nos quatro cantos da terra. Naquele dia, todas as pessoas que viveram serão julgadas. Aqueles que praticaram o bem e mantiveram sua fé em Deus e em Jesus serão separados dos ímpios, que serão condenados “ao castigo eterno, e os justos à vida eterna”. Jesus desempenha o papel de juiz e redentor, pedindo a Deus que mostre misericórdia.

O Juízo Final é presidido por Jesus como governante do mundo. O livro de Apocalipse 20:11-21:8 diz: “Então vi um grande trono branco e aquele que estava assentado sobre ele; da sua presença desapareceram a terra e o céu, e não ficou lugar para eles. Vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e abriram-se livros. Abriu-se também outro livro, o livro dos viventes; e, de acordo com o que estava escrito nesses livros, os mortos foram julgados segundo o registro das suas obras.”

“O mar entregou os seus mortos”, continua a passagem, “e a Morte e o Hades entregaram os mortos que estavam sob seus cuidados; cada um foi julgado segundo o registro de suas obras. Então a Morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. Este lago de fogo é a segunda morte; e nele foram lançados todos aqueles cujos nomes não foram encontrados no registro dos viventes.”

Quando a vinda de Jesus não acontece na data prevista

Candida Moss escreveu: Cristãos vêm prevendo a Segunda Vinda e o fim do mundo desde o apóstolo Paulo. Hal Lindsey, autor do best-seller "O Fim do Mundo", teve que "ajustar" seus planos quando Jesus não retornou nem em 1981 nem em 1988. As Testemunhas de Jeová profetizaram o Armagedom pelo menos nove vezes no século XX. Mais recentemente, Harold Camping faliu ao prever que o Arrebatamento ocorreria em 21 de maio de 2011. Quando seu rápido recálculo para 21 de outubro de 2011 também não se concretizou, ele caiu no esquecimento. 

No início do século XIX, o fazendeiro e pregador batista nova-iorquino William Miller pregava que o retorno de Jesus Cristo era iminente. Sua profecia baseava-se em grande parte em seu estudo do livro bíblico de Daniel. Sua interpretação o levou a concluir, pelo menos inicialmente, que Cristo retornaria em algum momento entre março de 1843 e 1844. Quando março de 1844 passou sem a aparição de Cristo e seus anjos no céu, Miller escolheu outra data — 18 de abril de 1844 — que também passou sem nenhum incidente cósmico ou intervenção divina. Um seguidor de Miller, Samuel Snow, propôs uma terceira data em outubro, mas o Dia do Juízo Final ainda não havia chegado. Os milleritas estavam compreensivelmente desiludidos. Um membro, Henry Emmons, escreveu que precisou de ajuda para ir ao seu quarto, onde ficou “doente de decepção”.

Seria de se esperar que três falsas profecias, conhecidas coletivamente como a Grande Decepção, representassem o fim dos milleritas. De fato, alguns membros se juntaram aos shakers, mas outros começaram a reinterpretar as profecias sobre o fim dos tempos. Um grupo passou a argumentar que elas estavam apenas parcialmente erradas. As profecias não se referiam à Segunda Vinda e ao fim do mundo, mas sim à purificação de um santuário celestial. Não era um evento terreno, mas sim celestial, e isso explicava por que, para nós, meros humanos, poderia parecer que nada havia acontecido. Foi desse grupo que surgiu a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Hoje, a Igreja Adventista do Sétimo Dia possui entre 20 e 25 milhões de membros. Segundo a revista Christianity Today, ela é “a quinta maior comunhão cristã do mundo”.

Ironicamente, as profecias de Daniel que formaram a base para as profecias milleritas (e muitas outras!) sobre o fim do mundo foram, elas próprias, produto de expectativas frustradas. Embora ambientado no século VI a.C., Daniel foi escrito durante o reinado do rei selêucida Antíoco Epifânio IV (175-164 a.C.). Na época, os judeus lutavam contra as tentativas de Antíoco de erradicar costumes e tradições judaicas, como a observância do sábado, a circuncisão e as leis alimentares. Como resposta a essa crise, o livro contém uma série de profecias sobre o que aconteceria no fim dos tempos. As datas são muito específicas e, após a primeira data para a restauração do Templo, dada em Daniel 8:12, ter passado sem incidentes, um autor posterior foi obrigado a adicionar uma segunda profecia (Daniel 12:11-12) para explicar o erro.

A insistência em uma crença, apesar das evidências em contrário, não é um fenômeno exclusivamente religioso. Em 8 de junho de 68 d.C., o imperador romano Nero morreu a poucos quilômetros da cidade de Roma. Temendo a ira do Senado e receoso de um fim trágico, Nero pediu a seu secretário que o ajudasse a cometer suicídio. Mesmo após a morte de Nero, lendas sobre seu retorno persistiram por séculos. Pelo menos três impostores surgiram durante os reinados de seus sucessores. Cada um deles angariou seguidores, foi capturado e morto, mas a lenda de Nero Redivus continuou a ganhar força entre seus partidários.

Prosperar quando uma profecia não se cumpre

Candida Moss escreveu: Embora possa parecer que a moral desta história seja "seja vago sobre suas profecias", o livro de Daniel está em nossas Bíblias e a Igreja Adventista do Sétimo Dia é uma denominação importante no cristianismo. As profecias iniciais não eram estritamente precisas, mas os movimentos que elas geraram se transformaram e prosperaram. O fracasso da adventista do sétimo dia Ellen White em prever com precisão o curso da destruição humana inspirou a teoria da dissonância cognitiva do psicólogo social Leon Festinger. Seu livro, Quando a Profecia Falha, mostrou que, quando confrontadas com provas irrefutáveis ​​de que suas crenças estão erradas, algumas pessoas abandonam seus sistemas de crenças. Mas outras se apegam ainda mais a elas. Elas racionalizam os fatos, defendem sua posição e, na verdade, se tornam mais fervorosas.

Em sua obra clássica, "When Prophecy Fails" (Quando a Profecia Falha), Leon Festinger, Henry Riecken e Stanley Schachter estudaram o caso dos Buscadores, uma pequena religião ufológica que acreditava que deixaria a Terra em um disco voador antes do amanhecer de 21 de dezembro de 1954. Após a não chegada dos extraterrestres, a líder do grupo, Dorothy Martin, mudou de nome e continuou a profetizar. Festinger e seus colegas concluíram que, quando os grupos estão profundamente convencidos de que estão certos e os indivíduos têm apoio social de outros membros do grupo, as crenças podem ser mantidas mesmo diante de evidências contrárias esmagadoras. Segundo Festinger, membros marginais de um movimento que vivenciam um momento de dissonância cognitiva são mais propensos a admitir que estavam errados, mas os devotos se mantêm firmes em suas convicções, reinterpretam suas crenças e se reagrupam.

No Evangelho de Marcos, Jesus diz: "Ninguém sabe o dia nem a hora" da sua volta. Considerando quantas vezes fomos surpreendidos pelo Jesus apocalíptico, seria de se esperar que entendêssemos a mensagem. Mas, sendo tão bons em ignorar nossas repetidas falhas em prever esse dia, não há necessidade de darmos ouvidos às suas palavras tão cedo.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Millard Erickson, H.Thiessen, F. F. Bruce e a Escatologia Bíblica

Estamos no limiar do terceiro milênio. Nestes dias que antecedem os últimos momentos deste sistema dos reinos do mundo, muitas doutrinas e filosofias têm surgido e o esoterismo, misturado com os ensinamentos profusos da chamada Nova Era, tendem a confundir os mais desavisados e os desconhecedores da Bíblia.

É de suma importância que tenhamos um conhecimento mais aprofundado do que a Bíblia ensina a respeito dos acontecimentos mundiais mais importantes, e daquilo que está à nossa espera em breves dias futuros.

Inúmeras pessoas se filiam, a cada dia, às diversas igrejas espalhadas em todo mundo. Entretanto, sabemos, também, que um número razoável dessas pessoas se afastam em razão de interpretações errôneas e falsas das Escrituras Sagradas. Nessas oportunidades, surgem as seitas e religiões fanáticas (Exs. Jim Jones, na Guiana Inglesa e o líder espiritual David Koresh, de uma seita em Waco - Texas, EUA), marcando datas da volta de Jesus, do fim do mundo e outras heresias.

Para essa finalidade, o estudo sério e bíblico da Escatologia, é essencial para dirimir dúvidas e esclarecer muitas questões relacionadas com os eventos presentes e futuros e trazer uma compreensão de importantes temas bíblicos.

Importância do assunto

A Escatologia é um dos temas mais tratados na Bíblia. Sua importância despertava agudo interesse na igreja primitiva. Em toda a Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, o assunto é retratado de forma relevante e intensa.

O foco central, o âmago, o coração da Escatologia é A Segunda Vinda de Cristo. Como o próprio termo denota, a Escatologia não trata de toda a história do homem, mas focaliza e direciona o estudo para os acontecimentos finais da história humana e o estado eterno.

Segundo Henry C. Thiessen, a importância do retorno de Jesus é demonstrado por cinco motivos:
1. sua proeminência nas Escrituras - profusão de textos referindo-se ao assunto. Só no Novo Testamento encontramos mais de 300 referências à vinda de Jesus - Dn 7.13,14; Zc 14.4; Mt 24 e 25; Mc 13; Lc 21; 1 Co 15; 1 Ts; 2 Ts; Ap;
2. é uma chave para as Escrituras. Muitos temas, ordenanças, promessas e simbolismo na Bíblia ficam plenamente claros quando compreendemos bem a doutrina do retorno de Jesus à terra - Sl 2; 22; 24; 45; At 3.19-24; Tg 5.8; Hb 10.37; Ap 1.7; 22.12,20;
3. é a esperança da igreja - Tt 2.13 "... a bendita esperança...";
4. é incentivo para o cristianismo bíblico - induz a auto-purificacao; inspira vigilância e perseverança; 1 Jo 3.3; 2 Pe 3.11; Mt 24.44; Rm 13.11; 2 Ts 1.7-10;
5. tem efeito marcante sobre nosso serviço - Há maior incentivo ao testemunho cristão de vida e verbal do evangelho. Rm 13.11-12.

Por envolver um período futuro e uma série considerável de acontecimentos, vários pontos da Escatologia são controversos. Alguns estudiosos até têm se esquivado de discutir esses temas que geram muitos debates pela dificuldade das questões. Millard J. Erickson, no entanto, diz que "quer concordemos que estas questões são importante, quer não, devemos examiná-las, pois aqueles que as discutem as consideram importantes". "Opções Contemporâneas na Escatologia" - pg. 10.

Etimologia da Palavra
O termo Escatologia tem origem em duas palavras gregas (éschatos = "último", e logos ="estudo"). Portanto, a tradução da palavra seria algo como: "A Doutrina (ou estudo) das Últimas Coisas".

Premissas
1) Houve um início e haverá um fim do atual sistema mundial
2) desfecho da evangelização mundial
3) a justiça divina deve ser implantada
4) o Milênio de paz será estabelecido
5) é necessário iniciar-se o tempo eterno
6) a morte e o mal serão destruídos
7) o bem triunfará
8) o envelhecimento (murchação-deterioração das células) do ser humano cessará
9) o Reino eterno de Jesus será estabelecido
10) o pecado e suas conseqüências terão fim

Esboço Simplificado
A Escatologia pode ser dividida em cinco grandes blocos:
1. fim do mundo;
2. a segunda vinda de Cristo;
3. a ressurreição dos mortos;
4. juízo final;
5. a criação dos novos céus e da nova terra.

Esses cinco blocos envolvem, principalmente, os seguintes tópicos, com relação aos indivíduos e ao mundo, contemplando aspectos redentivos, de julgamentos e uma intervenção pessoal de Deus no mundo humano e físico:
a) acontecimentos importantes na história mundial;
b) o testemunho da igreja a todas as nações - Mt 24;
c) Israel: história, rejeição e salvação do remanescente
d) as duas ressurreições
e) os julgamentos intermediário e final
f) a Parousia de Jesus Cristo
g) o milênio de paz
h) o arrebatamento da igreja
i) a transformação dos salvos
j) morte física e eterna

Aspectos Históricos
Vários aspectos da doutrina cristã têm sido tratados no decorrer dos séculos passados. Desde o estabelecimento da igreja, no século I da Era Cristã, os grandes temas têm recebido atenção e desenvolvidos em períodos diferentes da história da igreja, conforme abaixo:
· século II - a igreja lidava especialmente com a Apologética e os fundamentos do Cristianismo;
· séculos III e IV - com a Doutrina de Deus;
· século V (início) - o homem e o pecado;
· séculos V até o VII - com a pessoa de Cristo;
· séculos XI até XVI - com a Expiação;
· século XVI - aplicação da redenção (fé, justificação, etc);
· século XIX - na metade deste século a Escatologia foi estudada precariamente. Vários erros foram introduzidos na igreja. Houve frustrações das expectativas, até então cridas, quando livros da Bíblia foram desconsiderados, inclusive o Apocalipse. Alguns teólogos chegaram ao absurdo de questionarem a autoridade de Jesus com relação aos eventos futuros, julgando-o, até mesmo, que havia se equivocado, e decidiram que, as predições bíblicas sobre o futuro do mundo eram meras invenções da igreja primitiva;
· século XX - bem no início deste século, entretanto, Albert Schweitzer fez uma revolução com o seu livro A Questão do Jesus Histórico, no qual demonstrou que a erudição crítica estava errada, e que a Escatologia devia ocupar posição central, e não periférica, nos ensinos de Jesus. Nos últimos tempos o assunto tem sido discutido até no governo da maior potência mundial, os EUA, inclusive, em debates presidenciais e televisionado para todos os países do mundo (ex. Reagan). Russell N. Champlin acha que o mundo tem de conhecer o tema e debatê-lo antes que os eventos finais sejam desencadeados em todo mundo (conforme veremos nas últimas lições). Por isso é que surgem místicos, dizendo as maiores heresias, das quais precisamos nos precaver para não sermos ludibriados por nenhuma delas.

A Escatologia no Antigo Testamento
Praticamente, quase todas as passagens do Antigo Testamento sobre a Escatologia está relacionada com a pessoa do Messias (Jesus Cristo) como Profeta, Sacerdote e Rei, em conexão com os diversos eventos.

As profecias referentes a Jesus e a tudo que ele realizaria, em boa parte, foram preditos na sua totalidade, sem fazer clara distinção entre os fatos referentes ao primeiro e segundo advento, por estarem intimamente ligados, parecendo, às vezes, tratar-se de apenas um, o que só se tornou mais compreensível mais tarde, com a concretização de alguns acontecimentos - Sl 2; Is 7.14;9.1-6; 53; Jl 3.9-17; Jó 19.25,26.

Esta foi uma das por que os judeus rejeitaram Jesus. Eles esperavam um Messias político, um rei que livrasse Israel do domínio do império romano pela força e estabelecesse um reino de paz. Quando se depararam com Jesus e seus ensinamentos de amor, ficaram decepcionados e o rejeitaram como o Messias.

As expressões: "tempo do fim" (Dn 11.1-4), "naquele dia" (Is 24.21; 25.9; 27.1), "últimos dias" (Is 2.2; Os 3.5), "dia do Senhor" (Jl 2.28-32; Am 5.18-20; Ml 4.5), "dia da sua vinda" (Ml 3.1,2), são expressões escatológicas para indicar o tempo da segunda vinda de Cristo, com todos os eventos a ela relacionados.

No capítulo 9.24 do livro de Daniel, temos o resumo de alguns acontecimentos escatológicos relacionados com a nação de Israel e à cidade de Jerusalém, dentro da profecia das Setenta Semanas, reveladas a Daniel. São eles:
a) cessar a transgressão;
b) dar fim aos pecados;
c) expiar a iniquidade;
d) trazer a justiça eterna;
e) selar a visão e a profecia;
f) ungir o santo dos santos.

Charles Caldwell Ryrie faz, segundo seu entendimento, um esboço interessante do significado de cada um desses acontecimentos profetizados pelo anjo Gabriel ao profeta Daniel. Mesmo que não haja concordância com toda a interpretação de Ryrie, pelo menos merecem ser cuidadosamente estudados pela importância daqueles eventos.
a. cessar a transgressão - pôr fim à apostasia dos judeus;
b. dar fim aos pecados - expiar os pecados ou selar os pecados, no sentido de julgá-los de modo definitivo;
c. expiar a iniquidade - uma referência à morte de Cristo na cruz, que é uma base para o futuro perdão de Israel;
d. trazer a justiça eterna - no reino milenar do Messias;
e. selar a visão e a profecia - colocar o selo divino de confirmação em todas as profecias concernentes ao povo judeu e Jerusalém;
f. ungir o santo dos santos - consagração do Santo dos Santos no templo, no Milênio.

Desde que tornou-se nação até o tempo dos Macabeus no relato histórico do período intertestamental, Israel inúmeras vezes se viu dominado por outros reinos que o subjugavam. Por isso, então, a idéia e esperança sempre viva na mente dos judeus era a do estabelecimento de um reino definitivo e a libertação do domínio romano.

A Escatologia no Novo Testamento
Mencionamos um pouco atrás, na segunda lição, a posição de alguns intérpretes, que chegaram até a dizer que Jesus teria se enganado a respeito de alguns fatos e acontecimentos aos quais teria se referido.

Escatologia Consistente, ou Radical
Pois bem, no meio de toda uma discussão da Escatologia e a vinda do Reino de Deus, se esse Reino seria literal ou não, onde prevalecia a posição de que o Reino de Deus não era literal na sua natureza mas ético, foi que surgiu Schweitzer com um posicionamento, iniciado por Johannes Weiss, de que o Reino do qual Jesus falou não era ético mas escatológico, isto é, que viria no fim, seria apocalíptico.

Com isso, ele então afunilou o ensino de todo o Novo Testamento para uma visão totalmente futurística. Na sua concepção, a chegada do Reino de Deus seria um clímax dramático, com distúrbios cósmicos, refutando, assim, os conceitos anteriores e não-escatológicos dos teólogos liberais, tendo esta sua posição sido chamada de Escatologia Consistente, ou Radical.

Para melhor compreensão, cabe dizer neste ponto que a Escatologia no sentido mais amplo e com tudo que a envolve, trata da implantação dos Reino de Deus aqui na terra, a começar dos corações humanos, e envolve uma série enorme de ações e acontecimentos previstos para ocorrerem na terra, o sobrenatural, vindo dos céus, entrando no natural e se estabelecendo no planeta.

Na verdade, o Reino de Deus deveria vir a ser estabelecido na terra com todas as características (já que é de Deus e de caráter justo) próprias de sua implantação: é claro, para os inimigos do Reino, o desfazimento do mal e seus agentes, com a aplicação da justiça e do juízo; mas, para os que o buscam e anseiam por ele, o estabelecimento da paz tão almejada e todas os benefícios que ela traz. Por que isso? É a destruição do reino atual, perverso, mal e corrupto, que é o de Satanás, e a implantação do justo e perfeito Reino de Deus.

Por isso, é que F. F. Bruce afirma que a pregação de Jesus, resumida em Mc 1.15 ("O tempo está cumprido e o Reino de Deus está próximo; arrependei e crede no evangelho"), declara o cumprimento da visão de Daniel: "E veio o tempo em que os santos possuíram o Reino" (Dn 7.22).

Diz Bruce que, em certo sentido, o Reino já estava presente no ministério de Jesus: "se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente é chegado o Reino de Deus sobre vós" (Lc 11.20; cf Mt 12.28). Mas, em outro sentido, o Reino ainda estava no futuro. Jesus ensinou seus discípulos a orar: "Venha o teu Reino" (Lc 11.2).

Escatologia Realizada
Logo após Schweitzer, veio C. H. Dodd com o que ele chamou de Escatologia Realizada, afirmando que o Reino de Deus não seria escatológico futurístico mas que já havia chegado com a primeira vinda de Jesus, ao contrário da posição de Schweitzer. Ou seja, na época do ministério de Jesus na terra foram cumpridas todas as promessas sobre o fim.

Hoje, sabemos que essas posições não expressam toda a verdade, mas parte dela. Os judeus, na época de Jesus, tinham uma compreensão mais ou menos nessa linha de raciocínio (Lc 19.11). Erickson diz que, segundo Dodd, o conceito do dia do Senhor foi transferido a um evento histórico específico já ocorrido ou a uma série de eventos - o ministério, a morte e a ressurreição de Jesus. Ou seja, a escatologia foi cumprida, ou "realizada". Esse entendimento de Dodd é falho, visto ser incompleto e desconsiderar todo o quadro futuro.

O Reino de Deus, na verdade, já começou a ser implantado entre os homens, como disse Jesus (Mt. 11.12; 12.28; 13.24,31,33; Mc 10.15; Lc 17.20,21), mas esse enfoque é apenas sob um ponto de vista porque, como parte da Escatologia, era tão somente o início da implantação do Reino de Deus entre os homens, o qual deveria começar dentro de cada pessoa, de maneira individual, para mais tarde ser implantado de forma literal e visível no meio de todos os homens, na terra (Mt. 6.10; 7.21; 8.11; 13.43; 16.28; 25.31-34; Mc 14.25; Lc 13.23, 27-29; 22.16,18,30,42).

Escatologia Inaugurada
George E. Ladd chama a percepção distinta de textos, como os acima, de Escatologia Inaugurada, que guardam coerência com as palavras e ensinos de Jesus e com todo o Novo Testamento. O período da encarnação de Cristo, sua vida, paixão, exaltação, o derramamento do Espírito Santo e o chamado dos gentios para se integrarem ao Novo Israel (o povo de Deus) e o cumprimento das predições proféticas a respeito do fim é, de fato, a Escatologia Bíblica.

O resumo de tudo é que, o "tempo do fim", "os últimos dias" começou com a encarnação de Jesus e vai até o início do estado eterno futuro, e disso falaram todos os profetas. De acordo com Shedd, o Reino de Deus veio na pessoa de Jesus Cristo e seu ministério, de forma legítima, mas não na sua totalidade.

Concluímos finalmente que a questão do estabelecimento do Reino de Deus na terra, no qual existe uma tensão até que tudo se cumpra, é o que alguns chamam de "já", mas "ainda não" da esperança cristã, isto é, já iniciou-se a sua implantação mas ainda não de forma completa.

Tudo que estudaremos a seguir é a exegese, a interpretação pormenorizada desse tema maior que é a Escatologia.

Correntes Teológicas de Interpretação:

1. CONCEITOS MILENISTAS - Estudos acerca do Milênio bíblico:
a. Pós-milenismo - essa linha de raciocínio não especifica uma data para o início do Milênio. Tem a concepção de algo parecido com um milênio já inaugurado e a chegada do Reino de Deus de forma gradual, lentamente;
a. Amilenismo - essa outra corrente nega um milênio terrestre propriamente dito, em que Cristo reinará;
b. Pré-milenismo - aquele que crê em um reino literal de Cristo na face da terra por um período de mil anos, que se iniciará com a sua vinda, inaugurando-o. Ele se entende também como o ponto de vista que situa o arrebatamento e a vinda de Cristo antecedendo o Milênio.

2. CONCEITOS TRIBULACIONAIS - Estudos sobre a natureza, duração e época da grande tribulação:
a. Pré-tribulacionismo - o que defende o arrebatamento da igreja para antes da Grande tribulação, colocando-a fora de cena no período tribulacional;
b. Pós-tribulacionismo - o que mostra a igreja passando necessariamente pela Grande Tribulação e Jesus livrando-a quando de sua vinda para inaugurar o Milênio e o seu Reino eterno;
c. Intermediários - vários pontos de vista, como abaixo:
Mid-tribulacionismo - o que diz que Cristo virá no meio da Grande Tribulação;
Arrebatamento parcial - o que afirma que Cristo arrebatará partes da igreja isoladamente, isto é, em grupos;
d. Pós-tribulacionismo iminente - o que diz que Cristo virá após a Grande Tribulação, porém, nossa espera é iminente.

A PAROUSIA ou SEGUNDA VINDA DE JESUS (O Retorno de Cristo)
Na língua grega, temos três termos técnicos para indicar a vinda de Jesus: Apocalipse, Epifania e Parousia sendo que, destes três, o mais freqüentemente utilizado é Parousia.

Apocalipse: o significado literal dessa palavra é "revelação", como em "a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Co 1.7). "Revelação de Jesus Cristo" (Ap 1.1). De acordo com 2 Ts 1.6-7 e 1 Pe 4.13, essa revelação parece ser um tempo de alívio das grandes provações que produzirá alegria e regozijo nos salvos.

Epifania: este termo significa "manifestação". Expressa a vinda de Cristo no fim da tribulação e envolve o julgamento do mundo e do Anticristo. A esperança dos crentes é colocada nessa manifestação, quando esperam a recompensa e sem recebidos por Cristo (1 Tm 6.14; 2 Tm 4.8).

Parousia: é um termo grego que significa "Presença", "Aparecimento", "Advento", "Chegada". É a "vinda" de alguém, a fim de "estar presente". Mt 24.3,27,37,39; 1 Co 15.23, 16.17; 2 Co 7.6-7; 10.10; Fp 1.26; 2.12; 1 Ts 2.19; 3.13; 4.15; 5.23; 2 Ts 2.1,8-9; Tg 5.7-8; 2 Pe 1.16; 3.4,12; 1 Jo 2.28.

A Natureza da Parousia
H. C. Thiessen diz que no Novo Testamento temos o testemunho de Jesus, dos "varões vestidos de branco" e dos apóstolos. Jesus declarou que voltaria pessoalmente (Jo 14.3; 21.20-23), inesperadamente (Mt 24.32-51; 25.1-13; Mc 13.33-36), repentinamente (Mt 24.25-28), na glória de seu Pai e seus anjos (Mt 16.27 19.28; 25.31-46), e triunfantemente (Lc 19.11-27). Os "varões de branco" testificaram quando da ascensão de Cristo de que ele viria em pessoa, corporal e visivelmente, e repentinamente (At 1.11).
O testemunho dos apóstolos é bastante intenso. Citaremos apenas parte dele. Pedro testifica que ele virá em pessoa (At 3.19-21; 2 Pe 3.3,4), e inesperadamente (2 Pe 3.8-10). Paulo testifica que ele virá em pessoa (1 Ts 4.16,17; Fp 3.10,21) e repentinamente (1 Co 15.51,52), em glória e acompanhado pelos anjos (Tt 2.13; 2 Ts 1.7-10). A epístola aos Hebreus testifica que ele virá pessoalmente (9.28) e com presteza (10.37). Tiago testifica que ele virá em pessoa (5.7,8). João testifica que ele virá em pessoa (1 Jo 2.28; 3.2,3), repentinamente (Ap 22.12), e publicamente (Ap 1.7). E Judas cita Enoque para demonstrar que ele virá publicamente (v. 14,15).

Alguns entendem a vinda do Senhor como sendo: a vinda do Espírito Santo no Pentecostes, a conversão da alma, a destruição de Jerusalém, a morte física, a conversão do mundo, a ressurreição de Jesus, etc. Tais posições são errôneas. A vinda de Jesus é literal e inconfundível. Ap 1.7 diz que "todo olho O verá".

O Propósito da Parousia
A vida do crente não teria nenhum significado do ponto de vista de sua esperança, se não fosse a promessa e a espera certa e confiante na vinda de Cristo. Por que este assunto é tão enfatizado? Haveria motivos para a tão grande ênfase que o próprio Senhor dá a este assunto e como os apóstolos o trataram? Atentemos para alguns motivos que destacamos como sendo reveladores desse intenso tratamento.
· Trazer a justiça eterna. Dn 9.24; diferença entre justos e injustos. Ml 3.18;
· Vingar dos que não se importaram de conhecer a Deus. 2 Ts 1.8; Rm 1.21;
· Estabelecer, no sentido mais pleno, o Reino de Deus. 1 Co 15.24-28; Fp 2.10-11.
· Destruir a morte que está sobre todos os homens. Hb 2.14; 1 Co 15.26;
· Dar posse no Reino de Deus a todos os salvos. Mt 25.34.

A GRANDE TRIBULAÇÃO
"Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido, e nem haverá jamais" (Mt 24.12).

Com essas palavras, Jesus esclarece os discípulos e enfatiza o tempo em que será intensificada a tribulação já sofrida pela igreja durante toda sua história, mencionando vários acontecimentos que estão ocorrendo nos últimos séculos tais como, guerras, rumores de guerra, fomes, perseguições e terremotos, revelados como sinais indicativos do período que ele chamou de "o princípio das dores". Com isso em mente, não podemos nos esquecer que estamos vivendo no "tempo do fim", um período claramente pré-tribulação.

Duração e Natureza da Grande Tribulação
W. H. Baker diz, com muita propriedade, que a Grande tribulação é um período de aflição sem precedentes, de alcance mundial, que introduzirá a Parousia, a volta de Cristo à terra em grande glória. (Paralelos: Mc 13.19; Lc 21.23; Ap 3.10). Acrescento, ainda, que afetará até mesmo os poderes dos céus com eventos catastróficos. No Antigo Testamento é o "tempo de angústia para Jacó" (Jr 30.5-7; ver Dn 12.1).

Há quem atribua uma duração de quarenta (40) anos para esse período, com base em que este número sempre simbolizou provação: o dilúvio; os dois jejuns de Moisés; desafio de Golias a Israel; anúncio de Jonas a Nínive e a tentação de Jesus. Outros, como os pré-tribulacionistas, pensam que a tribulação durará sete (7) anos. De fato, tomando como referência a profecia das setenta semanas de Daniel 9.24-27, resta, ainda, uma semana profética (7 anos) para completar os acontecimentos descritos pelo profeta Daniel.

O Anticristo
"O anticristo, com olhar vazio, tão sem misericórdia quanto o sol, já nasceu, o necessário precursor da Segunda Vinda". (Champlin)

A personagem principal desse tempo será, de fato, o Anticristo, comumente conhecido como A Besta do Apocalipse. Esse personagem, que será a própria personificação do mal, foi descrito pelo apóstolo Paulo como o Homem da Iniquidade, o Filho da Perdição, o Iníquo, o opositor de Deus, o qual o Senhor Jesus matará pelo assopro de sua boca e o aniquilará pelo esplendor de sua vinda (2 Ts 2.3-10).

Eu penso que essa última semana profética começará quando o Homem da Iniquidade (o Anticristo) iniciará ser reinado trazendo soluções fantásticas para os problemas políticos, econômicos e religiosos e, pouco a pouco, ganhando a simpatia do mundo e dos poderosos, adquirindo autoridade e poder, implantará o seu domínio, a ponto de exclamarem: "...quem é semelhante à besta?" (Ap 13.1-8). Já faz algum tempo que as nações poderosas do mundo buscam um líder mundial, que traga soluções para os seus graves problemas. Daniel 9.25-27, fala que o Anticristo ("...um príncipe que há de vir...ele...") fará firme aliança com muitos (provavelmente líderes da nação de Israel) por uma semana, mas na metade da semana fará cessar o sacrifício.

Com a quebra desse pacto na metade da semana, tirará sua máscara e estabelecerá o domínio de terror e perseguição, tanto de Israel quanto da igreja, no restante da semana, e que o sofrimento da igreja, causado pela perseguição satânica, durará um tempo definido de três (3) anos e meio ou quarenta e dois meses, ou um tempo, tempos e metade de um tempo ou 1.260 dias, com essas expressões significando o mesmo lapso de tempo que será, no meu entender, a Grande Tribulação propriamente dita ou o período mais intenso dela.

O período da Grande Tribulação terá como personagem principal o Anticristo e será um dos tempos mais terríveis da história do homem. Cenas indescritíveis na linguagem humana se desenrolarão em todo o planeta. Aquele será o tempo em que Satanás, na pessoa do Anticristo, agirá com maior liberdade e grande ferocidade contra o povo de Deus e tomará as rédeas políticas, religiosas e econômicas, com as quais deverá comandar uma espécie de Império Romano que, provavelmente, ressurgirá naqueles dias, composto de dez nações confederadas (Dn 7.7, 23-26; Ap 17.8-18. Besta de Ap 13 e 19; o Homem da iniquidade de 2 Ts 2).

Naquele tempo, a crueldade de Satanás somente não exterminará a igreja pela intervenção divina e pelo testemunho que ela terá de dar. Foi dado a ele, entronizado na besta, fazer guerra contra os santos e vencê-los (Dn 7.21e Ap 13.7). As duas testemunhas serão martirizadas (Ap 11.3-14). Será um tempo de martírio dos fiéis, até onde for permitido pelo Senhor, justificando plenamente o julgamento de Deus e a ira divina sobre o reino das trevas. Jesus disse que, se o tempo não fosse abreviado nenhuma carne se salvaria, tão grande e apertado será aquele tempo.

Nessa época, quando o Anticristo detiver todo o poder mundial nas suas mãos, deverá controlar todo o sistema mundial do comércio e comunicações. Ninguém poderá comprar ou vender sem a sua marca, nome ou número do seu nome - através do computador?

Após essa tribulação sofrida pela igreja, Jesus, vindo em defesa dos seus escolhidos, descerá dos céus com grande poder e glória (a Parousia, de que falamos), colocando fim na Grande Tribulação, executará o seu juízo na terra, com todos fatos dele decorrentes, tais como os descritos em Zacarias (4.1-7, 12-15, 2 Pe 3.7, 10-13; Ap 19.11-21). Esse dia apanhará muitos de surpresa, porquanto, os ímpios inimigos de Deus se acharão seguros e donos da situação, supondo terem dominado a igreja, quando lhes sobrevirá repentina destruição à qual não haverão de escapar (1 Ts 5.3), de forma semelhante aos dias de Noé, anteriores ao dilúvio (Mt 24.37-39).

Armagedom e Gogue e Magogue
Os acontecimentos, mencionados nessas passagens, que terão lugar naquele tempo, são inenarráveis. Porquanto, serão derramados sobre a terra os ais e as pragas e todos os acontecimentos previstos no livro de Apocalipse, descritos nas narrativas dos seis primeiros selos, das sete trombetas, das sete taças da ira de Deus. Jesus se referiu a essa ocasião como um tempo de catástrofes mundiais, tumultos de toda ordem, sinais nos céus, no sol, nos oceanos, na lua e nas estrelas, grandes terremotos e o abalo as potências dos céus.

A nação de Israel será invadida por Gogue, que alguns estudiosos acham que pode ser a Rússia, nessa época se dará a grande Batalha do Armagedom (Ar Megido) (Ap 16.16; 19.17-21), com a destruição dos exércitos dos inimigos de Israel e do povo de Deus, que o profeta Ezequiel (38.2-39.20) e o apóstolo João (Ap 20.8) chamaram de Gogue e Magogue, nos montes da Palestina.

A Conversão de Israel
Depois do rompimento da aliança com o Anticristo, Israel reconhecerá o Jesus, a quem rejeitaram, como o seu esperado Messias (Zc 12.10,11). Então se cumprirá a palavra de Jesus a respeito de sua aceitação por parte dos filhos de Israel (Mt 23.37-39). De Sião virá o libertador (Rm 11.26) Jesus, e .

Com a conversão de Israel (Ez 39.21-29), entendo que os israelitas, juntamente com a igreja, desencadearão um testemunho poderoso e eficaz, empreendendo uma ação missionária, provavelmente nunca havida até aquele tempo.

As Ações na Grande Tribulação
Os principais fatos, que ocorrerão na Grande Tribulação, podem ser assim resumidos:
a. domínio e revelação de Satanás, através da Besta e do falso profeta;
b. a grande apostasia (rebelião) contra Deus e Jesus;
c. ira da Besta e perseguição contra Israel e os cristãos que testemunharão enfrentando a própria morte (Ap 12.11);
d. juízos de Deus contra a Besta, o falso profeta e os ímpios (nações). Influência na atmosfera: escurecimento do sol e lua, queda das estrelas, estrepitoso estrondo, grande cataclisma no globo terrestre (2 Pe 3.7-13).

AS RESSURREIÇÕES E O ARREBATAMENTO
Esses dois acontecimentos terão lugar quando Jesus descer dos céus para colocar fim à Grande Tribulação e estabelecer seu Reino na terra. Além das referências no Antigo Testamento, acham-se registrados, no Novo, em quatro textos principais, destacados, a seguir: Mt 24.31;1 Co 15.1-55; 1 Ts 4.13-18; Ap 20.4-6.

As Ressurreições
Exemplos de ressurreições na Bíblia:

Antigo Testamento
O filho da viúva de Sarepta (1 Re 17.17-24);
O filho da Sunamita (2 Re 4.18-37);
um morto tocado pelo corpo de Eliseu (2 Re 13.20-21).

Novo Testamento
O filho da viúva de Naim (Lc 7.12-15);
a filha de Jairo (Mt 9.23-25);
Lázaro (Jo 11.1-44);
mortos no dia da morte/ressurreição de Jesus (Mt 27.51-53);
Dorcas (At 9.36-41);
Êutico (At 20.9,10)
e a de Jesus (Mt 28.1-10; Mc 16; Lc 24; Jo 20), diferente e mais poderosa que as demais (Ef 1.18-20).

Primeira ressurreição:
A primeira ressurreição compreende duas fases e uma ordem: a de Jesus, como as primícias (1 Co 15.20-24); a de todos os salvos, mortos em Cristo, tanto os do Antigo Testamento, como os de toda a história da igreja e os que forem mortos durante da Grande Tribulação. Ela é chamada de ressurreição dos justos (Lc 14.14).

Com exceção da de Jesus, que já aconteceu, a primeira ressurreição ocorrerá no momento exato da Parousia (vinda) de Cristo, antes do Milênio de paz (por isso, pré-milenista) Mt 24.29-31; Jo 5,28; Ap 20.4-6.

O caráter da ressurreição: não será simbólica nem espiritual, como alguns afirmam mas, literal e física, ou corpórea. Is 60.8; Dn 12.2; 1 Co 15.; 1 Ts 4.13-18. Ela será uma ressurreição "dentre (ek) os mortos".

Segunda ressurreição:
Essa é denominada de ressurreição do juízo e envolve os ímpios perdidos de todos os séculos. A sua ocasião será após o período de mil anos de paz na terra, o milênio. Dn 12.2; Ap 20.5,11-13.

O Arrebatamento
Alguns exemplos na Bíblia: Enoque (Gn 5.24); Elias (2 Re 2.11); Filipe (At 8.39-40), além de outros.

A palavra "Arrebatamento" não se encontra na Bíblia. A idéia e a certeza desse evento futuro, sim!
O texto principal encontra-se em 1 Ts 4.13-18. Na verdade, esse acontecimento se confunde muito com o evento da ressurreição, porque os fatos são intimamente ligados entre si.

Com efeito, o termo "ressurreição" significa "surgir novamente"; ressurreição é o fato de alguém, ou algo, voltar à vida que já havia sido perdida; o arrebatamento é a ação de algo ou alguém ser transportado de um lugar para outro. Esses dois acontecimento se misturam porque ocorrerão simultaneamente. Até mesmo porque, transformados em corpos incorruptíveis e arrebatados até às nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, serão todos os salvos (1 Co 15.51; 1 Ts 4.17) mas, ressuscitados serão apenas "os que já dormem".

Muitos cristãos, com base nos ensinamentos pré-tribulacionistas, estão aguardando o arrebatamento como o primeiro acontecimento a ter lugar na história a qualquer momento. No entanto, segundo ensina a Bíblia (Mt 24.29-31 e 2 Ts 2.1-3), o que precisamos esperar com vigilância, perseverantes e firmes na fé, como os próximos eventos a ocorrerem em todo o mundo, são: o aparecimento do anticristo e a Grande Tribulação. O arrebatamento será um evento literal, visível, de dimensões mundiais, catastrófico e, juntamente com o retorno de Jesus e todos os fatos que o acompanharão, marcará o fim desta era tenebrosa (2 Pe 3.10-13).

O MILÊNIO DE PAZ E O ESTADO ETERNO
Definição do Milênio
Alguns estudiosos não vêem na Bíblia um milênio (mil anos) literal na terra depois da volta de Jesus. De fato, as Escrituras são escassas com respeito ao tempo de duração desse período. Apesar disso, no curto trecho de Apocalipse 20.1-7 vemos os mil anos sendo mencionados nada menos que 6 (seis) vezes. Entendo que essa quantidade de referências é suficiente como base para a doutrina. A própria didática mostra que a repetição é uma das técnicas utilizadas no ensino. Além disso, um número enorme de textos se identificam com esse período. Eis alguns deles: Is 2.4; 4.2-6; 11.1-10; 65.20; Jl 2.21-27: 3.8-20; Mq 4.1-4; 5.7-8; Zc 14.9; 16-21.

O Caráter do Milênio
Esse período terá um governo teocrático (de Deus) na terra; será caracterizado pela prosperidade, paz, eqüidade, justiça e glória (Is 11.2-5) e sua sede é a Nova Jerusalém que descerá dos céus (Ap 21.1-22.15) e, segundo entendo, se estabelecerá no local da atual Jerusalém, em Israel, na Palestina (Zc 12.6, 8-10).

O Contexto do Milênio
A sucessão de acontecimentos, tão cronológico quanto possível, por ocasião da implantação literal do Reino de Deus aqui na terra, podem ser considerados em três fases: antes, durante e depois do Milênio.

Antes; acontecimentos finais da Grande Tribulação com todos os seus desdobramentos; invasão de Israel por Gogue; ressurreição e arrebatamento dos mortos em Cristo; transformação e arrebatamento dos salvos vivos; a grande batalha do Armagedom; Juízo intermediário e morte dos ímpios; escurecimento do sol, lua e estrelas caindo; destruição do reino da Besta (o Anticristo); Aprisionamento de Satanás e dos todos os demônios; lançamento da Besta e do falso profeta no lago de fogo; purificação e transformação do globo terrestre - vales aterrados e montes nivelados; a Nova Jerusalém desce dos céus; alguns preservados do juízo entram no Milênio;

Durante; Governo de paz na terra, os fiéis reinam com Cristo na Nova Jerusalém; Satanás e os demônios presos; afastamento do mal da terra, resultando na redução de pecados, afastamento de enfermidades e males; prolongamento da vida; mansidão dos animais; banimento das trevas; Bodas do Cordeiro; dádivas trazidas à Nova Jerusalém;

Depois; no fim do Milênio, soltura de Satanás por breve período de tempo, que sairá a enganar as nações; revolta das nações contra o Reino de Jesus e a Nova Jerusalém; manifestação da ira de Deus sobre os homens na terra; lançamento de Satanás no lago de fogo eternamente; destruição do pecado e da morte; segunda ressurreição dos restantes dos mortos para o juízo final; entrada no estado eterno; novos céus e nova terra.

O Estado Eterno
Este estado de eterna glória, em que Deus já terá enxugado as lágrimas de todos os salvos, jamais findará. Jesus Cristo entregará o Reino ao Pai. Haverá um novo céu e uma nova terra onde habitará a justiça. Não haverá mais tristeza, nem ódio nem dor, nem lembranças amargas do passado. Não haverá mais noite e o tempo cronológico provavelmente deixará de existir. Todos os salvos de todas as épocas se reconhecerão e estarão juntos eternamente. O puro e perfeito amor será desfrutado na sua inteireza. Acredito que não haverá mais a possibilidade de pecar. Os salvos serão unidos ao Senhor de maneira perfeita, física (corpo ressurreto e incorruptível) e espiritualmente, nas suas frontes estará gravado o Seu nome.

IMPLICAÇÕES DA ESCATOLOGIA NA OBRA MISSIONÁRIA
No eterno propósito de Deus, os relatos da Bíblia com respeito aos acontecimentos nestes últimos tempos do fim, como não poderia deixar de ser, estão intimamente relacionados com a salvação do ser humano.

O Problema da Interpretação
Segundo aquilo que cremos ou entendemos da Escatologia (segunda vinda de Jesus, existência ou não do milênio, tempo da grande tribulação, perdição dos ímpios, ressurreição dos mortos, vida eterna e castigo eterno, julgamento, arrebatamento, restauração de Israel, etc), é que agiremos com relação a tarefa missionária da evangelização do mundo, ordenada por Jesus, de maneira enfática antes de sua ascensão Mt 28.18-20.

O entendimento da possibilidade de não existir um milênio literal na terra, embute a idéia errônea da conversão gradual de todas as nações, e leva os cristãos à estagnação, desobediência, desmotivação e descompromisso com a tarefa de evangelizar o mundo pois, essa forma, não vê a necessidade das missões, visto que é esperada a conversão em escala mundial, invalidando, assim, a Palavra de Deus. Essa visão torna a igreja apenas expectadora dos acontecimentos, em que tudo ocorreria automaticamente, à parte da atuação da igreja.

A crença em um arrebatamento iminente (a qualquer momento) e secreto antes da Grande Tribulação, a fim de retirar a igreja da terra antes que ela ocorra, dá margem ao que Champlin chamou de "a igreja da fé fácil", ou seja, aquela que não pode sofrer os efeitos da perseguição. Isso resulta numa igreja desinteressada, fraca e sem poder para testemunhar, em meio aos sofrimentos impostos pela oposição ao evangelho de Jesus.

A Esperança
Com relação a Escatologia, temos duas importantíssimas instruções de Jesus a serem por nós observadas, de grande relevância na nossa esperança cristã e padrão de vida.

A primeira é a esperança. É a necessidade de conhecermos o assunto de forma mais aprofundada, de termos consciência da certeza irrefutável da vinda de Jesus e da implantação do Reino de Deus aqui na terra, com todos os seus desdobramentos, e esperarmos o cumprimento dessas promessas, mostradas através dos textos de Mt 24.3-13, 21-22, 29-35, 42-44 e Lc 21.20-28, 34-36. O resumo da promessa é que Ele virá (Ap 22.7,20) e que venceremos com Ele (Ap 12.11; 17.14).

O Compromisso
A segunda, é acerca do nosso compromisso e preocupação com o anúncio do evangelho e não com especulações. O que precisamos Jesus já nos informou na sua Palavra Mt 24.14, 36-39; 25.14-30; Lc 21.6-8, 12-18, 24.46-49; At 1.6-8. O Dr. Russell Shedd diz que a Escatologia não tem a missão principal de responder às perguntas suscitadas pela nossa curiosidade, mas sim de incentivar nossa responsabilidade (Ap 22.7). Quando os discípulos quiseram saber pormenores acerca da Vinda (sobre dia e hora), Jesus concentrou sua atenção sobre a evangelização mundial (At 1.6-8).

De fato, assim como agora nos cabe a tarefa da evangelização, viveremos eternamente para o servir (Ap 22.3), enquanto com Ele reinamos. Por isso, aguardemos os acontecimentos de forma correta, anunciando o evangelho do Reino, conforme ensinou em uma de suas parábolas: "Negociai até que eu volte" (Lc 19.13).

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Russel Shedd, Norman Champlin, e o debate escatológico sobre o Arrebatamento da Igreja

O debate escatológico sobre se o arrebatamento da Igreja dar-se-á antes, no meio ou depois da Grande Tribulação tem rendido muita reflexão teológica por parte dos estudiosos. Muitas linhas têm sido escritas e muitos discursos têm sido proferidos, principalmente quando há uma polarização das teorias pré e pós-tribulacionistas.

Os proponentes das três teorias indicam possuir fundamentos escriturísticos para posicionarem-se como posicionam-se. Contudo, parece-me que nessa dialética o argumento pós-tribulacionista é o que melhor calça-se escrituristicamente falando. Evidentemente não buscarei demonstrar isso aqui de maneira exaustiva. Porém, analisando mais detidamente 2 Tessalonicenses 2:1-3, desejo expor um indicativo cristalino da maior consistência que envolve a tese pós-tribulacionista.

Antes de procedermos a exegese do texto, faz-se necessário informar que a segunda epístola paulina endereçada aos crentes de Tessalônica teve como propósito aclarar questões concernentes à segunda vinda de Cristo. Como haviam alguns crentes que estavam distorcendo os ensinos sobre o assunto, transmitidos na primeira epístola, o apóstolo viu-se forçado a ajustar as coisas doutrinando-os pela instrumentalidade de uma nova epístola.

Russel Champlin supõe que alguns dos crentes daquela comunidade poderiam está afirmando que Cristo já teria retornado, ao passo que outros teimavam por enfatizar em demasia a sua iminência. Independente de quais erros escatológicos estivessem em circulação naquela comunidade, o fato é que aqueles crentes estavam sendo perturbados por uma confusão doutrinal que precisava ser corrigida.

No capítulo 2:1-3 Paulo inicia sua ação pedagógica com vistas a deixar claro que Cristo ainda não tinha vindo e que a Sua vinda deveria ser precedida por alguns eventos. Ele diz:
“Irmãos, no que diz respeito a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, nós vos exortamos…” (v 1).
Nesse verso encontramos o uso da palavra grega parousia que é traduzida por vinda, chegada. Rienecker e Rogers dizem que ela “era usada como um termo semi-técnico [...] para a aparição de um deus.”[1]

Originalmente, parousia era uma palavra de uso secular que fora incorporada pela Igreja para, tecnicamente, indicar a Segunda Vinda de Cristo.

Indicando como um evento cocomitante à parousia, o teólogo de Tarso faz menção ao arrebatamento da Igreja ao usar a expressão “e à nossa reunião com ele”. No texto grego, encontramos o uso da palavra episunagoge que traduzida significa encontro, reunião, assembléia. [2]

Observando o paralelismo de passagens é possível notarmos que não há, nem por inferência, uma sugestão paulina de diferenciação entre o rapto da Igreja apresentado em 1 Tessalonicenses 4 e a parousia abordada no texto que ora analisamos. Ou seja, a idéia pré-tribulacionista de duas fases da Segunda Vinda de Cristo – a primeira para o arrebatamento e a segunda para o acerto de contas com as nações ímpias – parece não estar presente no pensamento paulino.

Paulo diz mais:
“[...] a que não vos demovais da vossa mente, com facilidade, nem vos perturbeis, que por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se procedesse de nós, supondo tenha chegado o dia do Senhor” (v 2).

Como já foi dito anteriormente, havia uma celeuma doutrinária no interior da comunidade quanto ao assunto em foco. Objetivando ordenar as coisas, o apóstolo é enfático no redirecionamento da maneira daqueles crentes pensar. Ele diz: “não vos demovais da vossa mente”. A palavra grega usada aqui é saleuo que significa abalar, mover-se para lá e para cá, titubear[3] e, mover, chacoalhar, perturbar.[4]

O uso dessa palavra no texto indica-nos o estado presente da comunidade local e não a possibilidade dela vir a ficar assim. As coisas não iam bem ali. O estrago não era definitivo, mas era grande, e, assaz ameaçador.

Chamando-os ao equilíbrio mental, com vistas à estabilidade subjetiva e congregacional, Paulo continua pondo a casa em ordem afirmando que dele nada procedera indicando que “tenha chegado o dia do Senhor”. Para alguns, o Senhor já tinha vindo e eles tinham ficado de fora do arrebatamento. A palavra chegado, no grego, é enesthken, o indicativo perfeito de enistemi que traz o sentido de estar presente, ter vindo. [5] Leon L. Morris também diz que “a palavra pode ser traduzida por está agora presente.”[6]

Isso é o que se imaginava. Esse era o ambiente local.

No processo de ir sedimentando a paz e a correção doutrinal, o apóstolo fala de dois eventos que necessariamente hão de anteceder a parousia e que, obviamente, na compreensão escatológica dele, ainda não tinham ocorrido. Ele diz:
“Ninguém de nenhum modo vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniqüidade, o filho da perdição” (v 3).

Não há dúvidas que para Paulo o Segundo Advento de Cristo não se dará sem ser precedido pela apostasia e pela revelação do homem da iniqüidade (o Anticristo). Em Mateus 24:12, 15, encontramos também esse ensino declarado.

A palavra apostasia, segundo Ernest Best, I. Howard Marshall, e A. L. Moore[7] significa, no grego, queda, caída,rebelião, revolta.

A apostasia descrita aqui e em Mateus 24:12 indicada pela expressão “o amor se esfriará de quase todos”, refere-se a um acontecimento do tempo do fim e, portanto, jamais visto (1Tm 4:1-2; 2Tm 3:1-5). Suas características serão a universalidade (dentro e fora da Igreja), a intensificação da iniqüidade e uma profunda e radical malignidade.

Alguns intérpretes pré-tribulacionistas têm sugerido que a palavra apostasia aponta para uma saída da Igreja do mundo via arrebatamento. É evidente que essa compreensão é estranha ao uso comum de tal vocábulo no Novo Testamento.

Posterior à apostasia daqueles dias, há ainda, precedendo o retorno do Messias, um outro evento por acontecer: trata-se da manifestação do Anticristo.

Paulo usa dois hebraísmos para descrever o caráter desse homem: homem da iniqüidade e filho da perdição. A palavra usada no grego para iniqüidade é anomia que “descreve a condição de quem vive de modo contrário à lei.”[8] Já o vocábulo grego usado para perdição é apoleia que indica “aquele que está destinado a ser destruído.” [9] Ele é denominado filho da perdição por causa desse seu destino de ruína, mas, também, não foge a uma boa interpretação, compreendermos, mesmo que secundariamente, que ele levará muitos consigo ao fim que o aguarda. Ambas designações demonstram que o espírito no qual o Anticristo atuará é “segundo a eficácia de satanás” (v 9).

O contexto escatológico no qual o “abominável da desolação” (Mt 24:15) iniciará a implementação do seu reinado terrenal é o da Grande Tribulação (ambos estão entranhavelmente conectados). É nesse período que ele levantará uma perseguição contra os santos (a Igreja) do Senhor jamais experimentada (Ap 7:9, 11:7, 13:7, 10, 14:12, 15:3, 16:6, 17:6, 18:24).

Paulo, nos versículos 6 e 7, fala de um ”restringidor” que impede a revelação do Anticristo. Quem ou o que seria esse restringidor é razão de uma disputa grande entre os intérpretes. Para os teóricos do pré-tribulacionismo é a presença do Espírito Santo na vida da Igreja que não permite que o homem da iniqüidade se manifeste. Com o arrebatamento da Igreja o Espírito Santo seria removido e isso daria ao Anticristo a oportunidade de se mostrar ao mundo e iniciar o seu reinado de ilegalidades. Henry Clarence Thiessen, um pré-tribulacionista, referindo-se a Scofield, Grant, Lincoln, Gray e Ottman[10], diz que estes também “afirmam que o que detém é o Espírito Santo, e que ele será afastado quando Cristo voltar para os Seus.”

Para Russel Shedd,
“Não existe apoio no Novo Testamento para esta sugestão. Parece até insustentável à luz duma comparação entre duas afirmações nas Epístolas aos Tessalonicenses. A primeira indica que haverá crentes até a chegada do Senhor na parousia. Paulo inclui a si mesmo entre os salvos que esperam a vinda de Cristo: “nós os vivos, os que ficarmos até a vinda (parousia) do Senhor” (1Ts 4;15), com 2Ts 2:8 que diz que o iníquo “será destruído pela manifestação da sua (Cristo) vinda (parousia)”. Nós, os vivos, (membros da Igreja na terra), ficaremos até o Anticristo ser afastado do poder [...]“[11]

Champlin esboça a seguinte compreensão sobre a possibilidade desse restringidor ser o Espírito Santo:
“Devemos também meditar na possibilidade que ainda que o Espírito Santo seja aludido, poderia ele remover o poder restringidor do Anticristo, sem que isso significasse que ele teria de deixar sozinha a Igreja de Cristo; e esta poderia ser protegida das perseguições até àquele ponto escolhido pela soberana vontade divina”[12]

Diante do raciocínio de Shedd, que descansa em um paralelismo bíblico livre de suspeições interpretativas, fica difícil, senão impossível, sustentar a opinião pré-tribulacionista. No caso de Champlin, mesmo admitindo a possibilidade desse restringidor ser o Espírito Santo, ele não trabalha com o raciocínio pré-tribulacionista que intenta remover a Igreja do tempo da Grande Tribulação.

Um outro problema da maneira da doutrina pré-tribulacionista conceber a parousia de Cristo é que ela implica na invenção de dois estágios da segunda vinda de Cristo: o primeiro, nos ares, para arrebatar a Igreja e o segundo à terra para trazer juízo. Sobre esse assunto, o já falecido teólogo calvinista Louis Berkhof diz:
“Felizmente, alguns premilenistas não concordam com esta doutrina de uma dupla Segunda Vinda de Cristo, e se referem a ela dizendo que é uma novidade sem fundamento.”[13]

Seguindo à mesma linha de raciocínio,outro teólogo calvinista, Wayne Grudem, diz:
“O Novo Testamento não parece justificar a idéia de duas voltas distintas de Cristo [...] Mais uma vez, tal posição não é ensinada de maneira explícita em nenhuma passagem, sendo uma simples inferência baseada em diferenças entre várias passagens que descrevem a volta de Cristo a partir de perspectivas distintas.”[14]

Bom, voltando à questão do restringidor, o que se pode dizer com segurança é que ele poder ser o Espírito Santo, mas não como “aquele” (v 7 – o gênero é masculino no grego) que sairá da terra com a Igreja em um evento que fraciona a parousia de maneira indevida com implicações antibíblicas.

Concluindo, penso que foi possível deixar claro que o texto de 2 Tessalonicense 2:1-3 nos informa que a nossa reunião com Cristo (arrebatamento) não se dará sem que a apostasia e o surgimento do homem da iniqüidade aconteçam. Também vimos que o período em que o Anticristo será conhecido chama-se de Grande Tribulação. Na junção desses tópicos escatológicos compreendemos que 2 Tessalonicenses 2:1-3 é uma referência objetiva que favorece a teoria pós-tribulacionista. Optar pelo pré-tribulacionismo é optar por ser contrário a essa Escritura e as que se seguem: Mt 24:22; Lc 21:36; 1Tm 4:1-3; 2Tm 3:1-5; Ap 7:14. Todavia, penso ser necessário, a despeito do posicionamento defendido aqui, a continuidade do debate e dos estudos sobre a temática.
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[1] RIENECKER, Fritz, ROGER, Cleon: Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. São Paulo: Vida Nova, 1995, p. 442.[2] idem, p. 450.[3] CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo. São Paulo: Millenium, vol. 5, 1985 p. 239.[4] Walter Bauer, W.F. Arndt, Dnker e Zabatiero Gingrich em Rienecker e Rogers, p. 450.[5] Champlin, p. 240.[6] em Rienecker e Rogers, p. 450.[7] idem.[8] George Milligan, idem.[9] A. L. Moore e Ernest Best, idem.[10] THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: Regular, 2000, p. 330.[11] SHEDD, Russel P. A Escatologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1991.[12] Champlin, p. 246.[13] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 642.[14] GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 969

domingo, 4 de abril de 2010

A Invenção do Ensino do Arrebatamento Pré-Tribulacionista


Sempre que o cristão encontra uma doutrina que não foi ensinada por alguém de qualquer ramo da igreja de Cristo durante os dezoito séculos passados, ele deveria ter muita suspeita de tal ensino. Esse fato em e por si mesmo não prova que o novo ensino é falso. Mas, deveria definitivamente levantar suspeitas, pois se algo é ensinado na Escritura, não é absurdo esperar que ao menos uns poucos teólogos e exegetas tenham descoberto isso antes.

O ensino de um arrebatamento secreto pré-tribulacional é uma doutrina que nunca existiu antes de 1830. O arrebatamento pré-tribulacional veio à existência mediante uma exegese cuidadosa da Escritura? Não!

A primeira pessoa a ensinar a doutrina foi uma jovem chamada Margaret Macdonald. Margaret não era teóloga nem expositora bíblica, mas uma profetiza da seita Irvingita (a Igreja Católica Apostólica).

O jornalista cristão Dave MacPherson escreveu um livro sobre o assunto da origem do arrebatamento secreto. Ele escreve: “Temos visto que uma jovem escocesa chamada Margaret Macdonald teve uma revelação particular em Port Glasgow, Escócia, no começo de 1830, de que um grupo seleto de cristãos seria capturado para encontrar Cristo nos ares, antes dos dias do Anticristo.

Uma testemunha ocular, Robert Norton M.D., preservou o relato escrito a mão por ela da sua revelação de um arrebatamento pré-tribulacional em dois de seus livros, e disse que foi a primeira vez que alguém dividiu a segunda vinda em duas partes ou estágios distintos. Seus escritos, juntamente com muitas outras literaturas da Igreja Católica Apostólica, ficaram escondidos por muitas décadas do pensamento evangélico dominante, e apenas recentemente reapareceram.

As visões de Margaret eram bem conhecidas por aqueles que visitavam sua casa, entre eles John Darby dos Irmãos. Dentro de poucos meses sua concepção profética distintiva foi refletida na edição de setembro de 1830 do The Morning Watch e na primeira assembléia dos Irmãos em Plymouth, Inglaterra.

Os primeiros discípulos da interpretação pré-tribulacionista freqüentemente a chamavam de
uma "nova doutrina”.

John Nelson Darby (1800-1882), que foi o líder do movimento Irmãos e “pai do Dispensacionalismo moderno”, tomou o novo ensino de Margaret Macdonald sobre o arrebatamento, fez algumas mudanças (ela ensinava um arrebatamento parcial de crentes, enquanto ele ensinava que todos os crentes seriam arrebatados) e incorporou-o em seu entendimento dispensacionalista da Escritura e profecia. Darby gastaria o resto de sua vida falando, escrevendo e viajando para espalhar a nova teoria do arrebatamento.

Os Irmãos de Plymouth admitiam abertamente e até mesmo se orgulhavam do fato que entre os seus ensinos estavam alguns totalmente novos, que nunca tinham sido ensinados pelos pais da igreja, escolásticos medievais, reformadores protestantes e muitos outros comentaristas.

Porém, o maior responsável pela ampla aceitação do pré-tribulacionismo e dispensacionalismo entre os evangélicos foi Cyrus Ingerson Scofield (1843-1921). C. I. Scofield publicou sua Bíblia de Referência Scofield em 1909. Essa Bíblia, que expunha as doutrinas de Darby em suas notas, se tornou muito popular em círculos fundamentalistas.

Na mente de muitos – professores da Bíblia, pastores fundamentalistas e multidões de cristãos professos – as notas de Scofield eram praticamente igualadas à própria palavra de Deus.

Se uma pessoa não aderia ao esquema dispensacionalista e pré-tribulacional, ele ou ela seria quase que automaticamente rotulado de modernista.

Hoje existe uma abundância de livros advogando a teoria do arrebatamento pré-tribulacional e o entendimento dispensacionalista dos fins dos tempos. Aliado ao fato que entre os cristãos professos o arrebatamento pré-tribulacional é freneticamente popular.

Porém, uma comparação dessa teoria com os argumentos oferecidos pela Bíblia demonstra a falácia dessa falsa doutrina.