terça-feira, 7 de julho de 2026

Kant e o Bom Samaritano


 Immanuel Kant, um dos grandes filósofos, em seu livro  Fundação da Metafísica dos Trajes, propõe que o homem busque uma moral baseada no dever de agir sempre, sem esperar nada em troca. Ele ensina que as ações humanas podem se dividir em dois tipos:

a) Imperativo Hipotético: São ações onde o homem busca algum lucro, sendo que este lucro pode ser um retorno financeiro, um retorno em forma de uma prestígio.

b) Imperativo Categórico: É a ação onde o homem envelhece pelo dever de agir em busca da moral, sem esperar nada em troca, mesmo que isto possa lhe trazer algum prejuízo.

Kant mostra que para vivermos no imperativo categórico (o imperativo da moral), devemos estar sob uma máxima (ou regra) que nos orientamos. O filósofo escreve:

Mas que lei pode ser esta, cuja representação, sem qualquer espécie de consideração pelo efeito que dela se espera, deve determinar a vontade, para que esta possa ser considerada boa absolutamente e sem restrição? Após ter despojado a vontade de todos os impulsos capazes de nela serem suscitados pela ideia dos resultados provenientes da observância de uma lei, nada mais resta do que a conformidade universal das ações a uma lei em geral que deva servir-lhe de princípio: por outros termos, devo portar-me sempre de modo que eu também possa querer que minha máxima se torne em lei universal. 

– Quem pode viver assim?

Isto faz lembrar uma passagem do evangelho, onde Jesus, respondendo a um intérprete da Lei, que lhe perguntou: “Quem é o meu próximo?”, contou-lhe a seguinte história:

bom samaritano“Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

E, envolvimento descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.

E de igual modo também um levita, chegando ao lugar, e, vendo-o, passou de largo.

Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele;

E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao anfitrião, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu pagarei quando voltar.

Qual, pois, destes três  parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?

E ele (interprete da Lei) disse: O que usamos de misericórdia para com ele.

Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.“ 

Quando se relaciona o imperativo categórico de Kant com a parábola do bom samaritano, tudo ficou claro.

O que Kant filosofou, foi algo que Jesus já havia proposto muito tempo antes. A única diferença é que Kant se baseou no dever de buscar sempre a boa ação, que é aquela sem interesses ou motivações pessoais, ao passo que Jesus ensinou buscar a boa ação pelo amor ao nosso próximo, não olhando sua raça, sua posição social e nem suas opiniões.

Simplesmente pelo amor.

A dedução é que o imperativo categórico de Kant é uma busca filosófica de fazer com que o mundo seja uma aldeia global de bons samaritanos.

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