quarta-feira, 13 de outubro de 2010

E A Bíblia não tinha razão

Pesquisas arqueológicas criam polêmica ao desmentir as versões mais aceitas dos relatos bíblicos. Episódios como a fuga do Egito, a conquista da Terra Prometida e o reinado de Davi e Salomão compõem a obra essencial do mundo ocidental. É ela que deu o fundamento religioso ao judaísmo, e assim consolidou as aspirações de um povo. Sob o nome de Antigo Testamento, é ela que também deu início a uma religião revolucionária, com base nos ensinamentos de Jesus. Muitas pessoas hoje lêem esses textos sagrados como se fossem livros de História - ou seja, relatos ao pé da letra sobre o que aconteceu em determinada época. Outras afirmam justamente o contrário, que quase nada do que está descrito na Bíblia realmente ocorreu. O texto, segundo elas, consistiria simplesmente em uma pregação feita em linguagem figurada e poética, própria de seu tempo, e sem relação com a História factual. Nas últimas três décadas, esforços de arqueólogos, historiadores e lingüistas mostram que a Bíblia está em uma situação intermediária entre essas visões extremas. E o que eles revelam sobre as escrituras sagradas é uma série de surpresas.

Boa parte dessas descobertas é feita pelos arqueólogos Neil Asher Silberman e Israel Finkelstein, dois dos mais respeitados pesquisadores dessa área, traz revelações surpreendentes sobre ä esse período histórico. Ao que tudo indica, no decorrer de poucas décadas, há cerca de 2.600 anos, um esforço conjunto de escribas, sacerdotes e profetas deu forma a uma escritura sagrada que iria mudar o mundo. Ao unir uma coleção de memórias, poesias, lendas, folclore e relatos históricos, esses homens do pequeno reino de Judá, perdido entre as montanhas próximas ao Mar Morto, deram início ao Antigo Testamento e plantaram a pedra fundamental de religiões que iriam se espalhar por toda a Terra.

Entre as histórias da Bíblia, uma das mais contadas e recontadas é aquela em que Moisés, à frente do povo escolhido, desafia os poderes de um faraó egípcio, lançando-o numa viagem de 40 anos pelo deserto rumo à Terra Prometida, Canaã. Segundo o relato, os israelitas viviam no exílio no Egito, nas cidades a leste do Delta do Nilo, e tinham passagem livre para ir e voltar a sua terra natal. No entanto, com a chegada ao trono de um novo faraó, o povo foi escravizado - e só seria libertado por Moisés, um israelita criado por uma filha do faraó, que se revoltou diante do tratamento dispensado a seu povo e terminou por liderá-lo na revolta e no Êxodo. Em sua história estão descritos milagres como a sarça ardente, as dez pragas do Egito, a abertura do Mar Vermelho e o aparecimento de maná no deserto. É ele também que recebe de Deus, no Monte Sinai, as tábuas com os Dez Mandamentos.

EM BUSCA DO JESUS HISTÓRICO

Na época, fora dos livros religiosos, há somente duas menções ao nome de Jesus, filho de José. No século XIX, arqueólogos e historiadores chegaram a propor que Jesus não existiu. Hoje, os especialistas não seguem nem esse extremo, nem o outro - crer que tudo o que o Novo Testamento diz é exato. O consenso de historiadores, lingüistas, teólogos e arqueólogos é de que Jesus nasceu entre 7 a.C. e 6 a.C. e, por volta do ano 30 d.C., foi condenado à morte sob as ordens de Pôncio Pilatos. No entanto, os especialistas concordam que muitas das narrativas sobre ele têm um sentido figurado, e não factual. Das diversas histórias sobre Jesus, quatro - os Evangelhos da Bíblia, escritos entre os anos de 50 d.C. e 110 d.C. - são aceitas pelo cristianismo. Outras 60, os evangelhos chamados 'apócrifos', também o mencionam. Fora da literatura religiosa, há apenas duas referências, nos livros dos romanos Flávio Josefo (que escreveu a história dos judeus) e Plínio, o Moço. Segundo os especialistas, nenhum dos textos pode ser tomado ao pé da letra. 'Tudo o que se diz sobre Cristo foi escrito num período muito posterior aos acontecimentos. Não é uma história, e sim uma memória', diz o arqueólogo Francisco Marshall, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 'Nesse sentido, os livros revelam um ambiente cultural, e o que se dizia naquela época.'

Nas últimas décadas, inúmeros esforços foram feitos para descobrir um pouco mais da história de Jesus. Houve até uma tentativa de reconstituir seu rosto, a partir de dados e medidas do crânio de um judeu do século I d.C. Mas pouco se avançou, e houve até fraudes, como a urna funerária apresentada há dois anos com a inscrição 'Tiago, irmão de Jesus', que se revelaria uma falsificação.

Por anos, os cientistas buscaram o indícios de um Moisés histórico, sem sucesso. É pouco provável que existisse um líder tão importante comandando uma revolta de proporções, e ainda criado por uma filha de faraó, sem que isso fosse registrado nos documentos oficiais ä egípcios. Se a existência da figura de Moisés, porém, é posta em dúvida, há evidências de que a presença de povos originários de Canaã no Egito, entre os séculos XVI a.C. e XIII a.C., era comum.

Os egípcios eram um povo rico e poderoso, capaz de estocar grãos e manter sua produção estável devido à constância das cheias do Nilo e ao avançado sistema de irrigação. Isso naturalmente atraía seus vizinhos mais pobres. 'Quando havia fome, era comum que o povo de Canaã fosse ao Egito. É possível que houvesse uma tradição antiga, talvez imemorial, de migrações ao sul', conta Silberman. 'Além disso, os tipos de condição de servidão que vemos descritos no Êxodo parecem realistas.' Mas os indícios específicos de israelitas no Egito ou de uma fuga pelo deserto não foram encontrados. 'Não é razoável aceitar a idéia de fuga de um grande grupo de escravos do Egito, através de fronteiras fortemente vigiadas por guarnições militares, para o deserto e depois para Canaã, numa época com colossal presença egípcia na região', escrevem Finkelstein e Silberman em seu livro.

As escavações e os estudos de textos antigos podem não dar pistas precisas sobre a veracidade do Êxodo, mas ajudam a desenterrar algo de velado e surpreendente do relato bíblico. O que os especialistas vêm descobrindo, com cada vez maior clareza, é que o Antigo Testamento foi composto de uma série de lembranças ancestrais, lendas, mitos e histórias populares de diversas tribos israelitas, todos 'costurados' em um único texto. 'São como córregos que vão formando um rio'. 'Não é uma narrativa factual, não é uma reportagem histórica. Esse povo vai olhar para sua história e recontá-la à luz de sua fé. O que conta não são os fatos em si, mas a interpretação que será dada a eles', explica. Segundo os especialistas, a Bíblia pegou uma série de histórias e lendas de personagens como Abraão, Moisés e Josué, que existiam isoladamente, e colocou-as juntas em um mesmo texto. Essa composição ocorreu provavelmente nas últimas décadas do século VII a.C., no pequeno reino de Judá. A razão para ter sido feita justamente nessa época, sob o reinado de um rei chamado Josias, é fascinante.

'Nesse tempo havia uma nova situação mundial, em que os impérios antigos, particularmente o assírio, estavam perdendo seu poder', diz Silberman. Os assírios, que haviam dominado o Oriente Médio e controlado os reinos de Judá e Israel, mais ao norte, começaram a abandonar a região entre 630 a.C. e 640 a.C., criando, assim, um vácuo político. Ao mesmo tempo, o Egito ensaiava um renascimento militar e se tornava um forte candidato a ocupar o lugar deixado pela Assíria. Josias, rei de Judá, queria anexar Israel, o reino vizinho do norte, antes que outros o fizessem. Ao se preparar para uma guerra muito perigosa contra o Egito, contra os assírios remanescentes e os países vizinhos, a corte de Josias decidiu compilar uma história que iria validar o que estavam fazendo. 'Queriam deixar claro que era como se Deus tivesse ordenado a eles', diz Silberman. Nesse contexto, o Êxodo tinha uma importância fundamental. A história da fuga bem-sucedida do Egito e da ajuda de Deus contra os exércitos do faraó poderia servir de incentivo e justificativa para um novo confronto com esse poderoso vizinho.

ÊXODO SEM VESTÍGIOS

Não há indícios da existência de Moisés, nem da travessia épica pelo deserto. A história de Moisés é a mais cinematográfica da Bíblia. Colocado num cesto e jogado no rio para escapar à perseguição aos filhos dos hebreus. Adotado pela filha do faraó, revolta-se ao ver os maus-tratos contra os escravos hebreus. Recebe a revelação divina e as tábuas da lei. Lança as Pragas do Egito, leva os hebreus pelo deserto e abre o Mar Vermelho, que se fecha sobre o exército do faraó (leia mais sobre os milagres na página 92). A arqueologia procurou indícios do Êxodo. Encontrou sinais de que habitantes de Canaã - de onde os hebreus seriam originários - podem ter migrado gradualmente para o Egito. Mas uma inscrição egípcia do século XIII a.C. faz a menção mais antiga conhecida de um povo chamado Israel, num contexto completamente inverso ao da Bíblia - diz que o povo foi dizimado em uma campanha do faraó Meneptah. Não há nenhuma prova concreta da existência de Moisés, embora fosse de esperar que um jovem criado pela família do faraó, envolvido em brigas políticas, fosse citado em algum lugar. Não há nenhum indício palpável de que tenha havido um grande êxodo pelo deserto. Um povo numeroso, viajando por uma região de pouca vegetação, deveria deixar diversos vestígios arqueológicos, mas eles não existem. 'Eu diria que Moisés pode ser considerado como uma figura arquetípica de grande líder. Não se sabe nada de sua existência factual. Não dá para afirmar nem que existiu, nem que não.'

Esse ponto, no entanto, permanece polêmico. 'Ainda há debates intensos sobre muitos dos temas que tratamos no livro. Muitas de nossas idéias são altamente controversas e certamente não compartilhadas por todos', admite Silberman. Apesar disso, suas teorias ganham cada vez maior respaldo na comunidade acadêmica. 'A partir do final da década de 60, uma ä nova geração de arqueólogos com uma competência técnica extraordinária, como é o caso de Finkelstein, começou a revolucionar essa área de estudo', diz o historiador e arqueólogo Francisco Marshall, coordenador do núcleo de História antiga da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. 'O trabalho deles é notável. É preciso quebrar um conjunto de paradigmas muito forte, e isso não é uma coisa simples.'

Outra das questões delicadas diz respeito ao passado do reino de Judá. A Bíblia fala de uma era de ouro, por volta do século X a.C., em que há a unificação de Judá e Israel sob o comando de um rei, Davi. É o jovem Davi que derrota o gigante Golias e posteriormente se torna rei das 12 tribos de Israel, cumprindo uma profecia de unificação prevista havia séculos (leia o quadro na página 88). É seu filho, Salomão, que é lembrado como o mais sábio dos reis e como o maior dos construtores de grandes monumentos, como o Templo de Jerusalém. No entanto, a história parece não ter sido bem essa. Muitas teses da arqueologia que davam suporte ao reinado de Davi e Salomão foram questionadas, e hoje o quadro é bem diferente. Ao que tudo indica, existiu realmente um Davi. Escavações realizadas em 1993 num sítio arqueológico conhecido como Tel-Dan, ao norte de Israel, revelaram um monumento de basalto negro, quebrado e reaproveitado em uma construção posterior, que citava a existência de uma 'Casa de Davi', ou seja, de uma dinastia cujo fundador levava esse nome. 'Mas não dizia nada a seu respeito', comenta Silberman.

Sobre essa questão, os cientistas têm concluído que a dinastia real de Davi não era tão poderosa como diz a tradição bíblica. Tudo indica que Davi, Salomão e sua dinastia governavam apenas Judá, e não um reino unificado. Israel, mais poderoso que Judá entre os séculos XI a.C. e X a.C., possuía outros governantes e uma relação comercial mais intensa com as regiões adjacentes. Além disso, na época de Davi e Salomão, Jerusalém, centro administrativo de seu reino, era uma cidade pequena e pouco influente. Ela só iria se tornar um centro expressivo séculos depois. 'O reino de Judá permaneceu relativamente desocupado de uma população permanente, muito isolado e marginal durante e logo depois do tempo presumido de Davi e Salomão, sem grandes centros urbanos e sem hierarquia articulada de vilas, aldeias e cidades', escrevem Finkelstein e Silberman.

NEM TANTO PODER ASSIM

Para arqueólogos, Davi existiu de fato, mas não chegou a unificar as 12 tribos israelitas. O duelo mais famoso da história mundial está nas páginas da Bíblia. Armado de uma funda, o pastor Davi mata o gigante Golias e corta-lhe a cabeça. Mais tarde, Davi se tornará o novo rei de Israel, unificando sob seu comando as 12 tribos em um só reino e dando início à era de ouro do povo de Israel. Salomão, seu filho, se torna o rei mais sábio de seu tempo. Empreendedor de grandes obras, como o Templo de Jerusalém, mandou fortificar essa e outras cidades provinciais, como Hazor, Megiddo e Gezer. A história de Davi e seu filho Salomão, com suas manobras políticas e intrigas dinásticas, pareceu durante séculos uma descrição exata do que realmente havia acontecido em Judá e Israel. No entanto, nova luz sobre essa época, entre os anos de 1005 a.C. e 930 a.C., aponta para um mundo bem diferente. É certo que pelo menos Davi realmente existiu, devido à descoberta de uma inscrição do século IX a.C. que cita o nome de sua dinastia. No entanto, seu reinado não chegou a unificar as 12 tribos israelitas, nem foi tão vasto como diz a Bíblia. 'Quando olhamos para os padrões de assentamentos em Judá nessa época, só encontramos algumas pequenas aldeias, e não há nenhuma evidência de um comércio exterior de porte ou mesmo a capacidade para construções monumentais', comenta Silberman. O Templo de Salomão, descrito na Bíblia como tendo dimensões internas de 10 metros de largura por 30 metros de profundidade, era de fato grande para os padrões do Oriente Médio daquele tempo, mas não era o maior (esse posto cabe a um templo em Alep) e não pode nem de longe ser comparado aos templos gregos que seriam construídos alguns anos depois.

As contradições entre a Bíblia e as descobertas arqueológicas não param por aí. Os especialistas, por exemplo, questionam os relatos épicos que descrevem a conquista da Terra Prometida. Conforme o Antigo Testamento, depois do Êxodo, Moisés morreu antes de levar os filhos de Israel a Canaã. Quem conduz o povo é Josué, seu ajudante de longa data. A Bíblia fala de batalhas, cerco a cidades e milagres, como quando o Sol permanece parado nos céus, dando tempo para que Josué e seu exército aniquilem totalmente o inimigo. O relato mais impressionante descreve como os israelitas conquistam Jericó, localizada perto do Rio Jordão. Eles marcham em volta dos muros da cidade e, no sétimo dia, ao soar suas trombetas, as resistentes muralhas tombam a seus pés. O problema é que escavações arqueológicas nessa cidade mostram que ela nunca teve muros. 'Todas as cidades da região tinham apenas um palácio, algumas edificações em torno de um templo e uns poucos prédios públicos', contam os arqueólogos. 'Mas não existiam muros.' Esses e outros indícios levam a crer que a ocupação da Terra Prometida tenha ocorrido pacificamente e aos poucos, de forma diferente da descrita na Bíblia.

No atual estudo das escrituras sagradas, não é só o Antigo Testamento que é alvo de indagações. Outro foco de pesquisa de arqueólogos, historiadores e teólogos é o Jesus Cristo histórico. Apesar de a maioria dos especialistas concordar que ele deve ter existido, muito pouco de concreto se pode afirmar sobre sua vida. 'A arqueologia tem muito pouco a dizer em favor da existência de um Cristo histórico', afirma Marshall. 'Mas a gente tem de relativizar, porque no mundo antigo muitos fenômenos podiam ocorrer sem deixar vestígios.' Atualmente, o consenso é de que, em Belém ou Nazaré, nasceu Yeshua Ben Yossef, que significa 'Jesus filho de José', em aramaico. A data estimada varia entre os anos de 7 a.C. e 6 a.C. e a morte por volta do ano 30 d.C. De resto, pouco mais se sabe. 'O que é mais expressivo na história de Cristo não é a sua historicidade, e sim seu caráter mítico', diz Marshall. 'Quando falamos em mítico, é preciso explicar que não é no sentido de falso, mas de culturalmente significativo.' Embora possam criar dúvidas sobre os eventos históricos e mesmo a existência de Jesus, Moisés, Davi e Salomão, os arqueólogos tratam de observar que não querem contestar a Bíblia. 'Procuramos descobrir como o texto foi escrito, qual era seu significado, seu contexto. Tentamos dar às pessoas uma visão mais complexa e detalhada', afirma Silberman. 'Depois que se provou que o mundo não foi criado em sete dias, as pessoas continuaram a admirar a história de Adão e Eva, do Dilúvio. Agora estamos simplesmente levando essa fronteira um pouco mais além.'

CONQUISTA SEM MURALHAS

Jericó era uma cidade quase abandonada e nunca chegou a ser protegida por muralhas. Após conduzir os israelitas até as margens do Rio Jordão, Moisés, já com 120 anos, não será o líder na conquista da Terra Prometida. Ele indica Josué para, em seu lugar, liderar uma campanha militar fulminante. O livro de Josué, do Antigo Testamento, descreve o ataque dos israelitas a Canaã, com a conquista de cidades como Jericó, Hai e Hazor. Os arqueólogos Finkelstein e Silberman queriam descobrir como um exército em andrajos, viajando com mulheres, crianças e idosos, emergindo do deserto depois de décadas, poderia montar uma invasão efetiva. A resposta, segundo eles, é que a ocupação se deu de uma forma muito diferente do contado na Bíblia. Para começar, muralhas como as de Jericó - que teriam sido derrubadas com o soar das trombetas - simplesmente não existiam, nem ali nem nas outras cidades da região. Aparentemente por motivos econômicos, as grandes e médias civilizações do Mediterrâneo, como Canaã, começaram a se desagregar entre os séculos XIII a.C. e XII a.C. 'Esse foi um dos períodos mais dramáticos e caóticos da História, com velhos impérios caindo e novas forças chegando para substituí-los', dizem os arqueólogos. Silberman calcula que os israelitas, povos nômades e pastoris das redondezas, passaram a se fixar em Canaã por volta de 1200 a.C., após o colapso da civilização mais antiga ter transformado várias localidades em cidades quase fantasmas. 'É viável que a maioria das pessoas que mais tarde se tornaram israelitas tivesse ancestrais cananeus', diz Silberman. 'Assim, a distinção entre israelitas e cananeus não é tão aguda quanto a Bíblia faz crer.'

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