sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Confronto Manchete debate: O Conflito na Síria com os professores André Chevitarese & Daniel Justi

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O Paradoxo de Epícuro: O problema do mal e da existência de Deus


Esses questionamentos, que talvez já tenha sido feito por quase todos, seja ateu ou não, estão na base do Paradoxo de Epicuro, embora este seja mais bem elaborado filosoficamente. Muitas repostas foram dadas a essas questões, umas um tanto satisfatórias, outras nem tanto. A mais comum, mas também a mais fraca, é aquela que diz que o mal existe por culpa da desobediência de Adão e Eva. Por terem eles comido do fruto proibido, e com isso desobedecendo às ordens de Deus, todos os males entraram neste mundo. A primeira pergunta que vem à mente é por que temos que pagar pelo erro dos nossos antepassados? Isto é, se foram eles que desobedeceram as ordens de Deus, por que nós temos que sofrer também? Os defensores desta resposta alegam que Deus teria um paraíso reservado para aqueles que acreditassem nele e o seguissem, onde não existiria nenhum mal e onde todo sofrimento desta vida seria compensado. Mas por que temos que sofrer para chegar a um estado em que não existam mais sofrimentos? Não poderíamos simplesmente ter sido criados em um mundo assim? E quanto àqueles que não conseguirão a salvação, qualquer que seja o motivo? O teísta certamente dirá que esses não conseguiram a salvação porque não seguiram a Deus, portanto, são culpados dos seus sofrimentos. Mas acontece que o sofrimento já exista antes de eles nascerem, portanto, não podem ser responsabilizados pelo sofrimento que já sofreram antes de serem condenados, ou seja, o problema é anterior a isso, o que nos leva de volta ao pecado de Adão e Eva.

É aqui que começa o Paradoxo de Epicuro propriamente dito: Deus é onisciente, onipotente e todo-bondoso. Se Deus não sabia que Adão e Eva iam desobedecê-lo, trazendo assim todo o mal e todo sofrimento para o mundo, então não era onisciente; se sabia, mas não pode evitar, não era onipotente; se sabia, podia e evitar, e mesmo assim não o fez, então ele permitiu que o mal e o sofrimento viessem a existir, ele assim o quis, o que contradiz sua toda-bondade. O que diz o Paradoxo de Epicuro é que a existência de um Deus onisciente, onipotente e todo-bondoso é incompatível com a existência do mal. Se Deus existe, então não deveria existir o mal e o sofrimento. Mas o mal e o sofrimento existem, portanto, Deus não existe. E esse argumento é bastante intuitivo, tanto que talvez  todos nós já nos fizemos perguntas parecidas com o problema do mal. Parece haver uma incompatibilidade entre a existência de Deus e a existência do mal e do sofrimento. O problema é que geralmente nos contentamos com respostas simplórias, mas o Paradoxo de Epicuro vai até a raiz do problema e mostra que a justificação da desobediência dos nossos ancestrais simplesmente não se sustenta, dadas as propriedades de Deus. E o mesmo argumento serve para qualquer noção de Deus do teísmo tradicional, quer se acredite ou não na existência de Adão e Eva. Em outras palavras, o argumento diz que:

P1. Se Deus existe, então ele é onisciente, onipotente e todo-bondoso.

P2. Se Deus é onisciente, então sabe desde a eternidade que o mal viria a existir.
P3. Se Deus é onipotente, então ele pode acabar com o mal ou poderia tê-lo evitado.
P4. Se Deus é todo-bondoso, então ele iria querer acabar ou evitar o mal.
P5. Se Deus é onisciente, onipotente e todo-bondoso, então o mal e o sofrimento não deveriam existir.
P6. O mal e o sofrimento existem.
C1. Logo, Deus não é onisciente, onipotente e todo-bondoso [de P5 e P6 por modus tollens]
C2. Logo, Deus não existe [de P1 e C1 por modus tollens]

2. O PARADOXO DE EPICURO


Enquanto o problema do mal é apenas um questionamento acerca da relação entre a existência de Deus e a existência do mal, o paradoxo de Epicuro é um argumento solidamente construído para se inferir, da existência do mal, a inexistência de Deus. Em suma, ele diz que se Deus existe, então o mal não pode existir. Acima expus o argumento de forma mais detalhada e mostrei como dele se pode inferir que Deus não existe. Àqueles que recusarem a conclusão de que Deus não existe, restam duas alternativas: questionar a validade ou a correção do argumento. A validade de um argumento tem a ver com sua forma lógica, e se um argumento é válido, é impossível que suas premissas sejam verdadeiras e sua conclusão seja falsa. Ao que parece, o argumento acima é válido¹. Sendo assim, para rejeitar a conclusão de que Deus não existe, só resta dizer que o argumento é incorreto. Um argumento é incorreto quando, independentemente da sua forma lógica, ele contém premissas falsas. Se a conclusão do argumento acima é falsa, mas o argumento é válido, então alguma premissa é falsa. Mas qual?

Qualquer teísta tradicional deve aceitar que a premissa 1 (P1) é verdadeira. Caso contrário, o sujeito estaria abandonando o teísmo e assumindo algum outro tipo de crença relativa a Deus, como o deísmo ou o panteísmo. Sendo assim, todo teísta deve aceitar que P1 é verdadeira. Seria P2 a premissa falsa? Esta não parece ser falsa. Parece evidente que, se Deus é onisciente, então ele sempre soube que o mal viria a existir. Poderíamos até acrescentar algo à P2: se Deus é onisciente, então ele sabe qual seria o melhor mundo possível. Isso também parece aceitável, então P2 não é falsa. P3 também não parece ser falsa. Se Deus é onipotente, parece óbvio que ele poderia acabar com o mal. Existem coisas que Deus não pode fazer, mesmo que seja onipotente: Deus não pode fazer coisas que são contraditórias. Por exemplo, Deus não pode criar um quadrado redondo. Isso não quer dizer que ele não é onipotente, mas  que isso é contraditório, e Deus não pode fazer algo logicamente contraditório. Acabar com o mal com certeza não é algo contraditório, portanto, Deus pode fazê-lo. Logo, P3 não é falsa.

P4 não parece ser tão óbvia quanto as premissas  anteriores. Por que a bondade de Deus implica em ele querer acabar com o mal? Como podemos saber o que Deus  quer ou deixa de querer? Como dissemos antes, Deus não pode fazer  algo contraditório, mesmo sendo onipotente. Um ser que é todo-bondoso querer algo que é mau é uma contradição, portanto, Deus sempre irá querer coisas boas e nunca coisas más. Sendo assim, P4 também é verdadeira. P5  é, na verdade, a conclusão de outro argumento, que resolvi não postar para não complicar muito. A princípio ela não parece muito óbvia, mas se torna óbvio se nos fizermos a seguinte pergunta: Se Deus quer acabar com o mal (toda-bondade), pode fazer isso (onipotência), além do mais, sabe como fazer isso e conhece todas as consequências (onisciência), por que então não acaba com o mal? A conclusão mais fácil de chegar é que, dado tudo isso, ele deveria acabar com o mal. Melhor ainda, o mal não deveria existir, uma vez que Deus já previu que ele viria a existir. Esta é a conclusão mais fácil de chegar, porém não é necessariamente a conclusão verdadeira. E é justamente em cima dessa premissa que se concentrarão a maior parte dos argumentos contra o Paradoxo de Epicuro. Por enquanto, consideremos que P5 é verdadeira. Embora isso não tenha sido demonstrado ainda, demonstrarei quando analisar as objeções a essa premissa.

Seria P6 falsa? Esta parece ser a premissa mais evidentemente verdadeira desse argumento, no entanto, o adversário pode acusar essa premissa de ser ambígua. Podem perguntar, por exemplo, o que é o mal? Essa não é uma pergunta difícil de se responder: o mal é tudo que é indesejável. Como existem coisas que são indesejáveis para umas pessoas e não para outras, de que mal estamos exatamente falando? Do mal de uma forma geral, do que é indesejável para todas as pessoas. Por isso citei também o sofrimento. Este é uma forma de mal genérico: ninguém deseja sofrer gratuitamente. O sofrimento é algo indesejável para todas as pessoas, e neste argumento, os termos “mal” e “sofrimento” podem ser entendidos como quase sinônimos. Sendo assim, que o mal, isto é, o sofrimento, existe é algo bastante evidente. A conclusão 1 (C1) decorre logicamente das premissas. P5 diz, em outras palavras, que se Deus existe, então o mal não deveria existir, mas P6 diz que o mal existe. Ao se negar o consequente numa implicação material, nega-se também o antecedente. Por sua vez, C1 é a negação do consequente de P1. Ao negar o consequente, nega-se também o antecedente, o que leva à conclusão: Deus não existe! A forma lógica do argumento é válida, e as premissas são verdadeiras, portanto, a conclusão é necessariamente verdadeira. Porém, como disse anteriormente, existem duras críticas à premissa 5, que é o que iremos analisar adiante.

3. POR QUE DEUS PERMITIRIA O MAL?

As críticas dos teístas concentram-se, sobretudo, na premissa 5: de acordo com eles, não é verdade que se existe um Deus onisciente, onipotente e todo-bondoso, então o mal não existiria. Deus poderia permitir a existência do mal se ele tivesse um propósito maior para o ser humano, por exemplo. Essa objeção, no entanto, só funcionaria se tal propósito não pudesse ser atingido sem que existisse o mal e o sofrimento. Como já foi dito, Deus, mesmo sendo onipotente, não pode fazer coisas logicamente impossíveis. Assim, esse propósito teria que implicar logicamente na existência do mal, ou seja, teria que ser impossível atingir esse propósito sem que o mal exista, além do fato de que um mundo criado por Deus que contenha a existência do mal deve ser melhor que um mundo que não contenha. Apelar  para a existência do Paraíso é inútil, pois como já foi dito, seria possível chegar até ele sem passar por um mundo de sofrimentos, ou simplesmente ser criado diretamente nele. De fato o Paraíso é um propósito maior que este mundo, mas a possibilidade lógica de se poder viver nele sem passar por um mundo de sofrimentos torna o mal uma coisa realmente desnecessária e dispensável. Sem lembrar que nós só precisamos sofrer para chegar ao Paraíso por conta da Queda, que também poderia ter sido evitada, dadas as propriedades do Deus teísta. Sendo assim, neste caso, Deus não teria realmente que permitir a existência do mal.
Outra resposta diz que Deus poderia permitir a existência do mal para que possamos dar valor ao bem. Se o mal não existisse, o bem seria uma coisa sem valor algum. A caridade, a honestidade e todas as boas ações não receberiam o valor que realmente merecem, pois é justamente no contraste com ações más que percebemos a elevação moral de tais ações, assim como a guerra serve para darmos o devido valor à paz. De fato, se não existissem más ações, a caridade e a honestidade seriam coisas tão corriqueiras que não daríamos muita bola quando alguém praticasse tais ações, mas é muito duvidoso que um mundo onde podemos dar o devido valor ao bem seja realmente melhor que um mundo em que não exista nenhum mal. Alguém que sofre de fome e de miséria provavelmente preferiria não sofrer mais de fome a dar o devido valor à caridade. Não sofrer de fome é mais importante que dar valor a certas ações, além do fato de que, se esta pessoa morrer de fome, não terá mais como dar valor a ação alguma. Embora este argumento seja intuitivo no que diz respeito ao valor, não parece que um mundo em que tais coisas e ações recebam seu devido valor seja melhor que um mundo onde não exista sofrimento. Quem está na guerra não está preocupado com o valor da paz, ela só quer sair daquele inferno. Outros tentam argumentar que Deus deve ter uma boa razão para permitir que o mal e o sofrimento existam, mas que não sabemos quais seriam essas razões, ou até que não podemos compreender os “desígnios de Deus”. Isso, obviamente, não é uma objeção à premissa 5. Dizer que Deus tem propósitos desconhecidos e até mesmo incognoscíveis é assumir de antemão que tais propósitos existem, argumentando de forma circular, em vez de enfrentar o problema. Se o que queremos é provar que existe um propósito para que Deus permita a existência do mal, de nada adianta dizer que esse propósito é desconhecido, pois não estaria provado que tal propósito existe.

4. A DEFESA DO LIVRE-ARBÍTRIO

Outra famosa objeção à P5 afirma que a existência do mal é necessária para a existência do livre-arbítrio. Se não existisse um mau “caminho”, apenas um bom “caminho”, nós não teríamos poder de escolha, indo, desta forma, sempre para o bom caminho. Seríamos como robôs programados para sempre fazer o bem. Como não somos robôs, então a possibilidade de usarmos nosso livre-arbítrio para realizar más ações sempre existirá. Desta forma, seria impossível um mundo em que existam pessoas livres, mas que não poderiam realizar más ações. Elas poderiam não realizá-las efetivamente, mas a possibilidade de realizá-las sempre existiria. O argumento prossegue afirmando que não há valor maior que o livre-arbítrio. Entre fazer sempre o bem e ter o poder de escolher entre o bem e o mal, com certeza ter o poder de escolher é o melhor. Deus, mesmo sendo onipotente, não poderia criar um mundo em que pessoas livres não pudessem escolher entre o bem e o mal, até porque isso violaria a própria ideia de livre-arbítrio, e como o poder de escolha é melhor que qualquer outra coisa, Deus teria um bom motivo para permitir que o mal exista, embora todo mal que exista no mundo seja decorrente apenas do mau uso do nosso livre-arbítrio, e nunca responsabilidade direta de Deus. Se existem pessoas que passam fome no Piauí, isso não é culpa de Deus. Ele nos deu o livre-arbítrio, e podemos utilizá-lo para ajudar tais pessoas, ou simplesmente ignorar. Não seria justo que Deus nos tornasse senhor de nossas vidas, e na hora das dificuldades, aparecesse de repente para consertar os erros que são nossos. As crianças do Piauí passam fome porque nós usamos nosso livre-arbítrio e com ele criamos a desigualdade social. Deus não teria nada a ver com isso.

Esse argumento contém alguns defeitos graves. O primeiro é que ele considera que livre-arbítrio é apenas a capacidade de escolher entre o bem e o mal, o que é falso. Se, em vez  de, para cada situação, tivéssemos várias escolhas que são boas, em vez de apenas uma boa e uma má, não diríamos que somos menos livres por isso. Sendo assim, Deus poderia criar um mundo em que só pudéssemos escolher coisas boas e ainda termos livre-arbítrio. Seríamos livres para escolher entre os diversos bons “caminhos” disponíveis. Sendo assim, é falso que a existência do livre-arbítrio implica necessariamente na existência do mal. Em segundo lugar, esse tipo de argumento só daria conta, no máximo, do mal moral, isto é, aquele que é decorrente da ação humana, mas o Paradoxo de Epicuro se refere também ao que se chama de mal natural ou mal físico, como doenças e desastres naturais. Embora seja compreensível que uma parte dos males do mundo seja causada pela ação do homem, isto é, do mau uso do seu livre-arbítrio, outros parecem não ter nenhuma ligação conosco. O que o nosso livre-arbítrio tem a ver com o terremoto de Lisboa? Que más ações existam por conta da existência do livre-arbítrio é algo que faz sentido, mas não faz sentido achar que outros tipos de males também existem por conta dele. Por que, então, Deus permitiria a existência de um vírus mortal? Alguns dirão que o mal natural existe por conta da Queda, que trouxe ao mundo não apenas o mal moral, mas também o mal físico. Neste caso, não poderíamos levantar a mesma objeção levantada no outro argumento, pois aqui a intervenção de Deus seria também uma intervenção no livre-arbítrio. No entanto, não parece haver nenhuma ligação entre a desobediência existente na Queda e a existência do mal físico. Que a existência do livre-arbítrio implique na existência do mal moral, embora seja falso, como já demonstramos, é algo compreensível, mas não é compreensível como nosso livre-arbítrio pode implicar necessariamente na existência do mal físico. Sendo assim, não há razões para crer que P5 é falsa.

Uma outra versão desse mesmo argumento admite que é possível que Deus tivesse criado um mundo em que só pudéssemos fazer escolhas boas e ainda assim termos livre-arbítrio, mas defende que em um mundo como esse, nossas ações não seria moralmente significantes, isso porque alguém que só possa escolher fazer boas ações e nunca realizar uma má ação, não teria realmente nenhum mérito ao fazer alguma coisa boa. Ele foi limitado pelas suas possibilidades de escolhas, que eram poucas. Embora ele fosse realmente livre, sua liberdade não lhe dava a possibilidade de fazer algo que realmente tem valor, que é rejeitar uma má escolha e aceitar uma boa. Sem isso, mesmo que sejamos livres, nossas ações seriam quase que sem sentido ou sem valor. É preciso que exista o mal para que nossas boas ações tenham algum mérito, dando sentido moral para o nosso livre-arbítrio.

Este argumento enfrenta dois problemas. O primeiro é muito parecido com o problema no argumento dos valores das boas ações. É muito duvidoso que um mundo em que ações livres sejam moralmente significantes, mas que existem males e sofrimentos, seja realmente melhor que um mundo em que tais coisas não existem, mas no entanto nossas ações livres não sejam tão significantes. O segundo problema, este muito mais grave, mostra que existe uma clara contradição nesse argumento: ele diz que se não tivéssemos a escolha de fazer más ações, apenas boas ações, então nossas escolhas não teriam valor moral, nem méritos, nem seriam dignas de elogia, afinal de contas, não tivemos que rejeitar o mal e aceitar o bem. Acontece que o mesmo acontece com Deus: ele também não pode escolher fazer uma má ação. Como dissemos no começo do artigo, Deus não pode fazer algo que seja contraditório. Se Deus é perfeitamente bom, então ele não pode realizar nenhuma má ação. Mas se é verdade que nossas ações teriam menos valor se não pudéssemos optar pelo bem e pelo mal, então as ações de  Deus também não têm valor, uma vez que, mesmo sendo livre, ele só pode escolher boas ações. Isso mostra que é falso que uma ação livre é moralmente mais significante se fosse o caso de ter-se escolhido fazer o mal. Deus não pode realizar más ações e, no entanto suas ações são as que possuem maior valor moral possível.

5. UMA OBJEÇÃO NÃO-TEÍSTA

Vimos que provar que P5 é falsa fracassa em todas as suas tentativas. Para não assumir a verdade da conclusão de que Deus não existe, resta tentar provar que a premissa falsa é outra. Essa seria a estratégia dos deístas ou dos panteístas, para quem a premissa falsa é P1: deístas e panteístas negam que a existência de Deus implica que ele seja onipotente, onisciente e todo-bondoso. Assim, eles aceitam a conclusão 1 (C1) que afirma que Deus não é onisciente, onipotente e todo-bondoso, ou seja, ele não pode ter essas três propriedades, mas pode ter duas, uma ou nenhuma delas. Desta forma, se é falso que Deus possui esse conjunto de três propriedades, então a conclusão 2 (C2) que afirma que Deus não existe não se sustenta mais.

Sendo assim, qual propriedade Deus não teria? Parece um consenso que um ser que não seja onipotente e onisciente não poderia ser um Deus, caso contrário, ele não teria poder suficiente para criar o universo do nada, nem sabedoria suficiente para ajustar as variáveis físicas de maneira ideal a fim de criar um universo ordenável, portanto, parece que Deus precisa ser onipotente e onisciente. No entanto, parece que nada implique que ele precise ser todo-bondoso ou moralmente perfeito, portanto, deístas e panteístas geralmente negam que Deus tenha essa propriedade. Em outras palavras, o Paradoxo de Epicuro só provaria que Deus não pode ser todo-bondoso, mas não que ele não existe.

Essa objeção refutaria o Paradoxo de Epicuro, mas não numa visão de mundo teísta, que exige a existência de um Deus todo-bondoso e moralmente perfeito. Sem essa propriedade, muitas das crenças religiosas não se sustentariam. Se Deus não é todo-bondoso, ele não teria razão alguma para interferir na vida e no mundo, o que é coerente com a visão deísta de Deus, mas não com a visão teísta e religiosa.  A crença de que Deus se revelou nas Sagradas Escrituras, de que fez ou faz milagres, que enviou seu filho para morrer por nossos pecados, que recompensará os bons e punirá os maus e que existe um Paraíso se tornará totalmente infundada. A maioria das crenças religiosas se fundamenta na crença de que Deus é todo-bondoso, e sem isso a religião não faz sentido.

6. CONCLUSÃO

Como vimos, o Paradoxo de Epicuro é um problema grave para as crenças teístas. A existência de um Deus todo-poderoso, onisciente e todo-bondoso é contraditória com a existência do mal. Para tentar provar que isso é falso, é preciso mostrar que um mundo em que o mal existe é melhor que um mundo em que ele não exista, e os argumentos mais comuns, e talvez os mais fortes, são aqueles que apelam para o livre-arbítrio, mostrando que, com ele o mal é inevitável, e sem ele, perderíamos aquele que é o maior de todos os nossos bens, sendo, portanto, um mundo pior que um mundo onde o mal não exista. Acontece que esse contra-argumento não se sustenta porque é possível ter livre-arbítrio em um mundo onde só possamos escolher coisas boas, além de não ser evidentemente verdade que um mundo assim não seria melhor que um mundo onde o mal não existe. Além do fato de não conseguir explicar a existência do mal físico, que não é de nossa responsabilidade e não tem nada a ver com o nosso livre-arbítrio.

A melhor resposta, como vimos, seria a dos deístas e panteístas, que negam que Deus seja todo-bondoso, mas um teísta religioso jamais poderia aceitar isso, pois sem a bondade de Deus, grande parte de suas crenças religiosas não teriam fundamento e seriam sem sentido. Os teístas poderiam argumentar contra os deístas e panteístas que Deus é sim um ser todo-bondoso, o que acredito que podem fazer, mas isso jogaria toda e qualquer concepção de Deus nos braços do Paradoxo de Epicuro, fazendo, na verdade, um favor para o ateísmo.

NOTA:

1. Para quem não é muito familiarizado com lógica formal, o argumento pode parecer meio confuso e até inválido, mas ele não é. A conclusão 1 (abreviada como C1) foi inferida de forma válida de duas premissas, a saber: P5 e P6:
  • Se Deus é onisciente, onipotente e todo-bondoso, então o mal e o sofrimento não deveria existir.
  • O mal e o sofrimento existem.
  • Logo, Deus não é onisciente, onipotente e todo-bondoso
  • Da mesma forma, esta conclusão foi utilizada como premissa de um novo argumento, cuja conclusão é "Deus não existe", usando P1 como premissa:
  • Se Deus existe, então ele é onisciente, onipotente e todo-bondoso.
  • Deus não é onisciente, onipotente e todo-bondoso [conclusão 1]
  • Logo, Deus não existe.

(Video) God and the Problem of Evil: David Wood vs John W. Loftus / Deus e o Problema do Mal: David Wood vs John W. Loftus

"Será que Judas Iscariotes existiu? / "Did Judas Iscariot Exist?" Bispo John Shelby Spong


Alguns cristãos pensam que John Shelby Spong não vale a pena ler, mas se William Lane Craig pode debater com ele, então ele é digno de ler.

Eu acho que o problema com a maioria dos cristãos sobre Spong é que eles se perguntam como alguém como ele pode continuar a acreditar mesmo que ele desmascare os fundamentos da sua fé evangélica, e eu concordo com eles sobre isso. 

Mas ele apresenta os resultados de estudos sobre as questões que nos dividem muito bem.
Eu recomendo seus escritos. Vejam por si mesmos. 
Aqui está um trecho de seu livro Os Pecados da Escritura:

"O papel de Judas Iscariotes. Eu sou suspeito da historicidade de Judas Iscariotes e de seu papel na história cristã, como o traidor. Essa suspeita foi criada por cinco, fatos bem documentados facilmente identificáveis. Primeiro lugar, uma leitura cuidadosa do Novo Testamento revela a memória não suprimida de um homem chamado Judas, no círculo íntimo dos discípulos de Jesus, que não era mau e que não foi um traidor. No quarto Evangelho John refere-se a um discípulo chamado Judas, que não é o Iscariotes (14:22).

Lucas, em sua lista dos nomes de doze discípulos, além de Iscariotes, outro discípulo chamado Judas, identificado apenas como o irmão de Tiago (6:16). Este substitui Judas Tadeu na lista recontada por Mark (3:14-19) e Mateus (10:2-4). Além disso, há uma epístola que leva o nome de Judas, que foi incluído pelos cristãos no Novo Testamento. O autor deste livro é identificado como Jude, que é simplesmente uma outra variação do nome Judas, e ele é chamado na epístola que "um servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago" (Jd 1:1). Há claramente uma memória cristã primitiva de um Judas fiel no círculo interno do movimento cristão. 

A segunda fonte de minha suspeita vem do fato de que o ato de traição por um membro dos doze discípulos não é encontrado nos primeiros escritos cristãos . Judas é colocado pela primeira vez na história cristã por Mark (3:19), que escreveu nos primeiros anos da oitava década da Era Comum. Antes desse tempo, temos todo o corpus paulino, que foi escrito entre os anos 50 e 64 CE. Também pode ter o que os estudiosos chamam de Q (ou Quelle, ou seja, "fonte") do documento, que muitos acreditam ser uma perdida "ditos evangelho" que tanto Mateus e Lucas dizem ter incorporado em suas narrativas como um complemento à sua usar de Marcos.

Porque ainda temos Mark, podemos facilmente mostrar que Mateus e Lucas copiou alguns dos conteúdos de Marcos quase literalmente em seus evangelhos. Mas quando todo este material Marcano é retirado de Mateus e Lucas, estes dois escritores do evangelho ainda tem material tão idênticas que ele tem que ter tido uma origem comum. Esse material compartilhado tem levado muitos à suposição de que tanto Mateus e Lucas tiveram uma segunda fonte de escrita diferente do Marcos, uma fonte que já está perdida. Quando estas passagens idênticas ou quase idênticas são retiradas de Mateus e Lucas e estudados separadamente, eles parecem ser em grande parte uma coleção de ditos de Jesus. Assim Q é assumido como sendo uma coleção inicial de palavras de Jesus. Alguns estudiosos datam esse material Q no início dos anos 50. Se isso é preciso, então esta é a segunda maior fonte pregospel que deve ser examinado. " Começando Paulo, descobrimos que o conceito de traição antes da crucificação entre os escritos de Paulo apenas como um dispositivo de namoro, sem conteúdo algum.

Dirigindo uma carta aos Coríntios, em meados da década de 50, Paulo diz: "Porque eu recebi do Senhor o que também vos transmiti, que o Senhor Jesus Cristo na noite em que foi 'traído', tomou o pão e, quando ele tinha dado graças, partiu-o e disse: 'Este é o meu corpo que é dado por vós.' "(1 Cor 11. :23-24). intenção de Paulo aqui foi simplesmente contar a história da inauguração da Última Ceia. No entanto, ao fazer isso ele usou uma palavra que os tradutores ingleses no século XVII disse significa "traído". Na citação acima Pauline, eu coloquei 'traído' em uma única citação, porque esta palavra significa literalmente "entregue", o que faz não projetar o mesmo significado que vem à mente quando ouvimos a palavra traído. Vale ressaltar que, em toda a sua escrita corpus Paulo dá nenhuma evidência de que ele estava ciente de uma traição que ocorreu na mão de um dos doze discípulos, mas os tradutores ingleses conheciam as histórias do evangelho mais tarde, e por isso eles colocaram esse significado em sua interpretação dessa palavra. Era mais um dos muitos exemplos em que os cristãos posteriores eram culpados de ler Paul através dos olhos das narrativas evangélicas. 

Precisamos lembre-se que Paul havia morrido antes do primeiro evangelho foi escrito. Embora neste texto em particular Paul não descarta a possibilidade de traição, ele parece fazê-lo apenas quatro capítulos mais tarde. Em 1 Coríntios 15:1-6, Paulo uma vez novamente declara que ele está passando para seus leitores as tradições sagradas que ele recebeu. Então, ele dá a simples esboço para os detalhes dos eventos finais da vida de Jesus. Ele diz que "Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras , e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e que apareceu a Cefas [Pedro] 'e depois aos doze ". "Ele apareceu para ... os doze "Judas ainda estava entre eles quando a Páscoa ocorreu:.! que é o testemunho de Paul Quando Matthew relacionado a primeira história bíblica de Cristo ressuscitado aparece aos discípulos em uma montanha na Galiléia (Mt 28:16-20), afirmou que era apenas aos "onze" que Cristo apareceu.

Algum tempo entre quando Paulo escreveu 1 Coríntios (ca. meados dos anos 50 dC) e quando Mateus escreveu este relato de uma aparência ressurreição (ca. 82-85 dC), a história de Judas como um traidor parece ter entrado na história cristã. Paul não sabia sobre esta tradição. Seus escritos em 1 Coríntios fazer isso perfeitamente claro. Quando nos voltamos para a fonte Q, descobrimos que é nesse comum e, presumivelmente, mais cedo , tradição que tanto Mateus e Lucas Citação Jesus dizendo aos discípulos, com Judas presente "Na renovação de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, também vai sentar-se no doze tronos para julgar as doze tribos de Israel Você é daqueles que me apoiou nas minhas provações "(Mt 19:28) Lucas tem este texto lido,.", e eu confiro em você, assim como meu pai tem conferido me, um reino, de modo que você pode comer e beber à minha mesa no meu reino, e você vai sentar-se em tronos para julgar as doze tribos de lsrael "(Lucas 22:28-30). A suposição aqui é que, entre os doze discípulos que irá julgar as doze tribos de Israel, Judas está incluído. Os editores parecem esquecer que um dos doze será julgado indigno.

O material Q, se ele era de fato uma fonte separada e anterior, parece ter sido recolhido antes da história de Judas, o traidor entrou na tradição, e ambos Mateus e Lucas não conseguiu fazer a sua origem totalmente em conformidade com a tradição de mudança que agora incluiu a história de um traidor entre os doze. Isso é uma evidência adicional de que a história da traição de Jesus por um dos doze, chamado Judas, não era uma peça original da narrativa cristã. Foi adicionado mais tarde, o que naturalmente levanta a questão de quando e por que ele foi adicionado. A terceira razão pela qual eu sou suspeito sobre a historicidade da traição história é a forma como a conta de Judas tão obviamente cresce, uma vez que foi introduzido por Mark, em algum lugar entre 70 e 75 CE. Mark tem Judas ir aos principais sacerdotes para trair Jesus. Eles "promessa de lhe dar dinheiro", mas nenhuma quantidade é indicado, e "ele buscou como ele poderia traí-lo convenientemente" (Marcos 14:10-11, NVI). 

Na versão de Marcos da Última Ceia, Jesus identifica o traidor como "um dos doze, aquele que está mergulhando pão no tigela comigo "(14:20, NVI). Mark então, o ato de traição acontecem à meia-noite no Jardim do Getsêmani com um beijo (14:44-45). Essa é a última vez que vemos Judas no evangelho de Marcos . Mateus, escrevendo cerca de uma década depois de Mark, baseia-se em dados escassos de Mark. Em sua história de crescimento Mateus acrescenta ao preço pago pela traição. Foi, diz ele, trinta moedas de prata (26:15). Mateus introduz também o diálogo entre Judas e Jesus no momento da traição que Marcos não menciona (26:25). Os discípulos, Mateus nos diz, resistiu aqueles que levaria Jesus após essa traição, mas Jesus os repreendeu (26:51-54). Matthew então conta a história de Judas se arrepender e tentar devolver o dinheiro de sangue. Os líderes do templo recusou-se a receber o dinheiro de volta, assim que Judas lançou-a no templo e, de acordo com Matthew começou a enforcar. Matthew então diz-nos que os principais sacerdotes usado o dinheiro para comprar um campo de oleiro em que estranhos poderia ser enterrado (27:3-10).

Isso é o fim do Judas para Matthew. Lucas, escrevendo cerca de cinco a dez anos depois de Mateus, retrata os principais sacerdotes e escribas tão agressivamente buscando para impor as mãos sobre Jesus, mas sendo contido pelo medo da sua popularidade com o povo. Então eles mandaram espiões fingindo ser mensageiros justos tentando capturá-lo (Lucas 20:19-20). Judas, como traidor, é introduzido contra esta fundo. Lucas explica traição de Judas, dizendo que "Satanás entrou [ele)" (22:03) e levou a chegar a um acordo com os principais sacerdotes e diretores. Finalmente, o que foi que Judas traiu realmente é introduzido em Lucas para pela primeira vez: Judas era levá-los a Jesus para além da multidão (22:06) Esta é uma explicação bastante fraca Certamente as autoridades poderiam ter seguido Jesus durante a noite e descobriram onde ele dormia além da multidão Ele era facilmente... identificado, depois de tudo. Quando foi preso, ele lembrou a seus acusadores que ele tinha sido diariamente ensinando no templo (22:53). Vale a pena notar que o que Judas realmente fez por eles poderia ter sido realizado sem a sua ajuda. Assim, tem a sensação de uma história fabricada. Há Judas sai do evangelho de Lucas.

Entretanto, no livro de Atos, Lucas acrescenta, em um discurso proferido por Pedro para os discípulos, que era Judas, em vez de as autoridades judaicas que utilizaram a recompensa da iniquidade . comprar um campo Quando inspecionar aquele campo Judas caiu "de cabeça", diz Lucas, ". ele se abriu no meio e todas as suas entranhas se derramaram" (Atos 1:16-18) Era uma maneira um pouco mais bruto de morrer do que simplesmente por enforcamento e muito especificamente contradiz a conta de suspensão. Ambas as situações podem levar a morte, mas um de intestino não brotar quando se está pendurado pelo pescoço. A história, obviamente, ainda estava crescendo. John pinta Judas com uma escova ainda mais sinistro. Judas era realmente um ladrão, ele diz (12:06). Ele foi preenchido por um espírito satânico (13:27). Não há Última Ceia em João, mas, após a cerimônia do lava-pés, que é substituído por ele, João descreve uma discussão que teve lugar em que Jesus identificou o traidor como "aquele que comia do meu pão" (13:18). 

Os discípulos perguntou e olhou para o outro. O discípulo amado, em seguida, perguntou a Jesus muito especificamente o "quem" a questão, e Jesus respondeu: "Aquele a quem eu der o pedaço de pão quando eu mergulhei no prato" (João 13:26, NVI). seguida, mergulhar o pão no abastecimento alimentar comum, ele entregou a Judas e disse: "Faça rapidamente o que você vai fazer" (João 13:27, NVI) Judas, em seguida, saiu da sala superior, e como ele fez, João comenta: "Era noite" (13: 30).. após a última Ceia foi concluído, Judas chegou ao jardim do Getsêmani, no lugar onde Jesus estava orando, acompanhado por um grupo de soldados da parte dos principais sacerdotes, e o ato traiçoeiro foi realizado (18:2-9). Peter lutou com uma espada João diz, cortando a orelha do servo do sumo sacerdote (João 18:10-11). Essa foi a última aparição de Judas na tradição gospel.As distinções são fascinantes! Claramente, a história foi evoluindo, os detalhes fornecidos como cada fase da narrativa entrou na tradição.

Toda a história de Judas tem a sensação de ser artificial. Minhas suspeitas não são aliviados pelos detalhes. A quarta razão para a minha suspeita é que a história do ato de traição é definido de forma bastante dramática no meia-noite. Ele é apenas um detalhe muito legal ter o que os evangelistas acreditavam que era a ação mais negro da história humana ocorrer no momento mais escuro da noite. que mais parece um drama litúrgico do que um fato da história. Meu quinto e última fonte de suspeita é o nome do próprio traidor. Judas nada mais é que a ortografia grega de Judá. o nome do traidor é o próprio nome da nação judaica. 

Os líderes do partido ortodoxo dessa nação, que definiu o culto dos judeus, estavam no momento em que os evangelhos foram escritos cada vez mais o inimigo do movimento cristão. Ele é simplesmente muito conveniente para colocar a culpa pela morte de Jesus em todo o judaísmo ortodoxo, ligando o traidor pelo nome de toda a nação de os judeus. Quando esse fato é combinada com uma tentativa específica para exonerar os romanos por retratar Pilatos lavando as mãos e dizendo: "Eu sou inocente dessa [apenas] o sangue do homem", então vemos a mudança de culpa. Ele simplesmente parece composta. Os romanos mataram Jesus, mas pela oitava década da era cristã, quando a história de Jesus estava sendo escrito, algo que obrigou os escritores do evangelho para exonerar o procurador romano, Pilatos, e culpar os judeus. Foi quando Judas o traidor, identificado como um dos doze, entrou na tradição. Essa identificação selou o destino dos judeus como o objeto perene de um cristão anti-semitismo violento e perseguidor.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Jesus Histórico (Audiobook - TTC) / Historical Jesus (Audiobook - TTC)

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Podcast series 5: The Historical Jesus in context

Aqui estão os episódios de meia hora (em mp3, cerca de 40 MB cada) em "O Jesus histórico no contexto" série em formatos reproduzíveis e transferíveis:
Podcast 5.1: Estudar o Jesus histórico - Fontes e Problemas, parte 1 download (mouse e escolha "Salvar link como ..." à direita)
Podcast 5.2: Estudar o Jesus histórico - Fontes e Problemas, parte 2 download
Podcast 5.3: Estudar o Jesus histórico - Fontes e Problemas, parte 3 download
Podcast 5.4: Retratos acadêmicos do Jesus histórico, parte 1 - Crossan Descarregar
Podcast 5.5: Retratos acadêmicos do Jesus histórico, parte 2 - Sanders Descarregar
Podcast 5.6: Jesus, Galiléia e israelita História, parte 1 - Para o Segundo Templo de Download
Podcast 5.7: Jesus, Galiléia e israelita História, parte 2 - com o tempo de Jesus Baixar
Podcast 5.8: Jesus, o galileu e da Judéia download
Podcast 5.9: Jesus no contexto de grupos educados e Líderes Baixar
Podcast 5.10: Jesus e seu Mentor, João Batista de Download
Podcast 5.11: Jesus como Mestre, parte 1 - Método e Conteúdo de Download
Podcast 5.12:? Jesus como Mestre, parte 2 - Kingdom presente ou futuro download
Podcast 5.13: Jesus como curandeiro e exorcista download
Podcast 5.14: Jesus como profeta download
Podcast 5.15:? Jesus como Rei messiânico Baixar

(Vídeo) Biblical Archaeology: City of King David | BBC Documentary

http:Biblical Archaeology.com
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Ebooks: Páscoa: Explorando a Ressurreição de Jesus. Easter: Exploring the Resurrection of Jesus

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A Última Ceia de Jesus como uma refeição da Páscoa. The Passover Seder and Sacrifice


Muitas pessoas acham que a Última Ceia de Jesus foi um Seder, uma refeição ritual realizado em comemoração do feriado judaico da Páscoa. E, de fato, de acordo com o Evangelho de Marcos 14:12, Jesus preparou para a Última Ceia no "primeiro dia dos pães ázimos, quando imolavam o cordeiro pascal." Se Jesus e seus discípulos se reuniam para comer logo após o cordeiro pascal ser sacrificado, o que mais eles poderiam, eventualmente, ter comido se não a refeição da Páscoa? E se eles comeram o sacrifício da Páscoa, eles devem ter realizado um Seder.
Três em cada quatro dos Evangelhos canônicos (Mateus, Marcos e Lucas) concordam que a Última Ceia foi realizada somente após o feriado judaico tinha começado. Além disso, um dos estudos mais conhecidos e cuidadosamente detalhado de livro a Última Ceia-Joachim Jeremias As Palavras Eucarísticas de Jesus , apresenta nada menos do que 14 paralelos distintos entre a tradição da última ceia e da Páscoa Seder. 

O Seder de Pessach e Sacrifício

O feriado da Páscoa judaica comemora o Êxodo do Egito. As raízes do festival são encontrados em Êxodo 12, no qual Deus instrui os israelitas a sacrificar um cordeiro no crepúsculo no 14 º dia do mês judaico de Nisan, antes de o sol se põe (Êxodo 12:18). Naquela noite, os israelitas estão a comer o cordeiro com pães ázimos e ervas amargas. O sangue do cordeiro deve ser esfregada nas ombreiras das portas, como sinal. Deus, vendo o sinal, irá "passar por cima" das casas dos israelitas (Êxodo 12:13), enquanto que ferir os egípcios com a décima praga, a morte dos primogênitos.
A San Francisco seder. Califórnia rabino Jack Frankel e sua família levantar a primeira taça de vinho durante uma refeição Seder, realizado na primeira noite de Páscoa (e na segunda noite na diáspora). O Seder comemora o Êxodo do Egito.Durante a refeição, a história bíblica é recontada, a comida está ligada simbolicamente com o Êxodo. Photo by Rodger Ressmeyer, San Francisco / Corbis.
Êxodo 12 exige que os israelitas para repitam esta prática a cada ano, realizando o sacrifício durante o dia e, em seguida, consumi-lo depois que o sol se pôs. (Segundo a tradição judaica, o novo dia começa com o pôr do sol, de modo que o sacrifício é feito no dia 14, mas o início da Páscoa e a refeição são realmente no dia 15, embora essa seqüência de datas não é especificado no Êxodo. Êxodo 12) ainda fala de um festival de sete dias, que começa quando o sacrifício é consumido (Êxodo 12:15).
Uma vez que os israelitas se estabeleceram em Israel, e uma vez que um templo foi construído em Jerusalém, o sacrifício original descrita em Êxodo 12 mudou drasticamente. Páscoa se tornou uma das festas judaicas de peregrinação, e os israelitas eram esperados para viajar a Jerusalém para sacrificar um cordeiro pascal no templo durante a tarde do dia 14, e depois consumir o sacrifício da Páscoa uma vez que o sol se pôs, e  o festival teve formalmente começou no dia 15. Esse tipo de comemoração é descrito como tendo ocorrido durante os reinados dos reis Ezequias e Josias (2 Crônicas 30 e 35).

 
Com o tempo, a prática continuou a evoluir. Eventualmente, uma série de costumes, registrados na literatura rabínica, começaram a se acumular em torno da refeição, que se tornou tão altamente ritualizado que foi chamado Seder , a partir da palavra hebraica para "ordem": pão ázimo foi quebrado, o vinho foi servido, os comensais reclinada e hinos foram cantados. Além disso, durante a refeição, a história do Êxodo foi recontada eo significado do pão ázimo, ervas amargas e vinho foi explicado.

O pão e o vinho, o hino, a reclinada muitos desses elementos característicos são compartilhados na Última Ceia, como Jeremias apontou. O que é mais interessante e, assim como os judeus no Seder discutem o simbolismo da refeição pascal, Jesus em sua última ceia discutiu o simbolismo do pão e vinho à luz de sua própria vida e morte?
Não é apenas a longa lista de Jeremias sobre os paralelos que leva muitos cristãos modernos e judeus para descrever a Última Ceia como um Seder da Páscoa. A popularidade recente de Seders inter-religiosos (onde os cristãos e os judeus celebram juntos os aspectos da Páscoa e A Última Ceia) aponta para um impulso emocional, que também está trabalhando aqui. A celebração cristã da Eucaristia (comunhão), a Última Ceia, é o ritual fundamental para muitos cristãos. E entre os judeus a Páscoa Seder é um das mais amplamente praticadas de todas as observâncias. Nestes tempos de ecumenismo e bom sentimento geral entre cristãos e judeus, muitas pessoas parecem achar que é reconfortante pensar que a comunhão (Eucaristia) e do Seder de Pessach são historicamente relacionados.

Dúvidas históricas sobre Jesus 'Última Ceia como um Seder da Páscoa

A história, porém, é muitas vezes mais complexo e talvez um pouco menos confortável do que poderíamos esperar. Embora seja  bom esse clima ecumênico atual, devemos ter cuidado para não deixar que nossas emoções apaguem o melhor de nós, quando estamos à procura de história. Na verdade, embora a associação da Última Ceia com um Seder pascal permaneça arraigada na mente popular, um número crescente de estudiosos estão começando a expressar sérias dúvidas sobre essa alegação.
E dessa vez, uma série de estudiosos do Novo Testamento do Seminário Jesus, tendem a duvidar de que os Evangelhos tiveram a precisão de gravar muito em tudo a respeito de Jesus, com exceção de algumas de suas palavras. Obviamente, se os Evangelhos não são confiáveis, então não temos nenhuma razão para supor que houve a Última Ceia. E se não houve a Última Ceia, então ele não poderia ter ocorrido na Páscoa. 
O sacrifício do cordeiro pascal é realizado anualmente no Monte. Gerizim, em Nablus (antiga Siquém), na Cisjordânia, pelos samaritanos, um grupo religioso que se separou do judaísmo pelo segundo século aC Os samaritanos manteve a Torá (os Cinco Livros de Moisés) como Escritura, embora com algumas alterações . A Bíblia refere-se a Mt Samaritano.Gerizim, e não Jerusalém, como o centro do culto. David Harris.
Além disso, vários estudos eruditos como Jacob Neusner não acredita que textos rabínicos possam ser utilizado em reconstruções históricas da época de Jesus. Mas a literatura rabínica é a nossa principal fonte de informação sobre o que os judeus poderiam ter feito durante sua refeição Seder nos tempos antigos. Por razões que não são totalmente claras, outras fontes judaicas antigas, tais como Josephus e Philo, se concentram no que os judeus fizeram no Templo, quando o sacrifício da Páscoa foi oferecido, e não no que eles fizeram depois, quando na verdade eles comeram o sacrifício. Novamente, não podemos saber como os judeus celebraram a Páscoa no tempo de Jesus, então nós temos que alegar ignorância, o que seria, portanto, incapaz de responder a nossa pergunta.
Há algo a ser dito sobre estas posições céticas, mas eu não sou tão cético. E quero operar aqui, sob as premissas opostas: a de que os Evangelhos nos pode dizer sobre o Jesus histórico, as fontes rabínicas podem ser usadas, com cautela, para reconstruir o que os judeus na época de Jesus poderiam ter acreditado e praticado quatro. Mesmo assim, eu não acho que a Última Ceia foi um Seder da Páscoa.

Jesus 'Última Ceia nos Evangelhos

Embora três dos quatro evangelhos canônicos sugerem fortemente que a Última Ceia ocorreu na Páscoa, não devemos ficar muito confortável com base nisso. Os três Evangelhos que apóiam este ponto de vista são os três sinóticos Evangelhos: Mateus, Marcos e Lucas. Como qualquer um que tenha estudado estes três Evangelhos sabe, eles estão intimamente relacionados. Na verdade, o nome sinóptica refere-se ao fato de que estes três textos podem ser estudados de forma mais eficaz quando "considerados em conjunto" (como está implícito na etimologia grega de sinóptica ). Assim, na verdade, nós realmente não temos três fontes independentes aqui. O que temos, em vez disso, é um testemunho (provavelmente Marcos), que foi depois copiada duas vezes (por Mateus e Lucas).

Contra o testemunho dos sinóticos de  que a Última Ceia foi uma refeição pascal está o solitário Evangelho de João, que data da crucificação com o "dia da preparação para a Páscoa" (João 19:14). De acordo com João, Jesus morreu justamente quando o sacrifício da Páscoa estava sendo oferecido e antes do festival que começou ao pôr do sol (veja o quadro para este artigo). Qualquer última refeição que João não recorde teria ocorrido na noite anterior, ou ainda mais cedo do que isso. Mas certamente não poderia ter sido uma refeição da Páscoa, porque Jesus morreu antes do feriado tinha começado formalmente.

Então, nós estamos a seguir João ou os sinóticos? Há uma série de problemas com a conta sinópticos. Primeiro, se a Última Ceia foi um Seder realizada na primeira noite da Páscoa, então isso significaria que o julgamento de Jesus e a crucificação foi realizada durante a semana de férias. Se de fato autoridades judaicas estavam todos envolvidos no julgamento e morte de Jesus, em seguida, de acordo com os sinóticos essas autoridades teriam se envolvido em atividades de retenção de ensaios e realização de execuções, que foram proibidas ou certamente imprópria para realizar no feriado. Este não é o lugar para considerar se as autoridades judaicas estavam envolvidos na morte de Jesus.  Também não é o lugar para considerar se essas autoridades teriam sido praticantes devotos da lei judaica. Mas este é o lugar para salientar que se as autoridades judaicas antigas tinha sido envolvidas em algo que poderia ser interpretado como uma violação da lei judaica, os Evangelhos, com seu ódio das autoridades judaicas, provavelmente teria feito mais do mesmo. A conta sinóticos se estende a credulidade, e não apenas porque ele representa algo improvável, mas porque ele não consegue reconhecer a natureza improvável e problemática do que ela representa. É quase como se a tradição sinóptica perde-se toda a familiaridade com a prática judaica contemporânea. E se eles perderam a familiaridade com isso, eles provavelmente já perderam a familiaridade com a informação histórica confiável também.
Há, claro, algumas razões para duvidar sobre o relato de João também. Ele pode muito bem ter tido motivações teológicas para afirmar que Jesus foi executado no dia da preparação da Páscoa, quando o sacrifício estava sendo oferecido, mas antes da Páscoa começou no pôr do sol. O Calendário de eventos de João apóia a reivindicação cristã que Jesus era um sacrifício e que anuncia a sua morte um novo resgate, assim como a oferta de Pásco. Mesmo assim, a afirmação de João que Jesus foi morto pouco antes da Páscoa começar é mais plausível do que as afirmam os sinóticos "que Jesus foi morto na Páscoa. E se Jesus não foi morto na Páscoa, mas antes (como João faz alegações), depois da Última Ceia não poderia de fato ter sido um Seder de Pessach.

A Última Ceia judaica Celebração

O que então apresenta a longa lista de paralelos de Jeremias? Acontece que sob maior escrutínio os paralelos são demasiado genéricos para ser decisivo. Que Jesus comeu uma refeição em Jerusalém, durante a noite, com os seus discípulos não é tão surpreendente. Também não é uma grande coincidência que durante esta refeição os discípulos reclinados, comeram o pão e vinho, e cantaram um hino. Embora tal comportamento possa ter sido característica da refeição da Páscoa, é igualmente característico de praticamente qualquer refeição judaica.
Um número de estudiosos acreditam agora que o contexto ritual para a Última Ceia não foi um Seder, mas uma refeição judaica padrão. Que os cristãos celebraram a Eucaristia em uma base diária ou semanal (ver Atos 2:46-47) ressalta o fato de que ele não era visto exclusivamente no contexto da Páscoa (caso contrário, teria sido executado, como a Páscoa, numa base anual base).
Um manual da antiga igreja cristã chamado Didaqué também sugere que a Última Ceia pode ter sido uma refeição judaica comum. Nos capítulos 9 e 10 da Didaqué, as orações eucarísticas são notavelmente perto da Graça judaica após as refeições ( Birkat ha-Mazon ). Embora essas orações sejam recitadas após a refeição da Páscoa, eles eram de fato ser recitadas em qualquer refeição em que o pão fosse comido. Assim, isso também reforça a probabilidade de que a última ceia fosse uma refeição judaica comum de todos os dias.
Além disso, enquanto a narrativa nos sinóticos situa a Última Ceia, durante a Páscoa, a verdade é que os únicos alimentos que nos dizem os discípulos comiam pão e vinho são-os elementos básicos de qualquer refeição judaica formal. Se esta foi uma ceia pascal, onde está o cordeiro pascal? Onde estão as ervas amargas? Onde estão os quatro copos de vinho? 

A explicação simbólica do pão e do vinho na Páscoa e última ceia de Jesus

Ficamos com apenas um paralelo importante (Jeremias de 14), que pode ser explicada em termos de um Seder: o fato surpreendente que Jesus em sua última ceia envolvido em explicação simbólica do pão e do vinho, assim como os judeus no Seder envolve simbólicas explicações, os aspectos de interpretação da refeição da Páscoa, à luz do Êxodo do Egito: "Agora, quando comiam, Jesus tomou o pão, abençoou, partiu-o e deu-o aos discípulos e disse: 'Tomai e comei, isto é meu corpo. " E tomou um copo, e quando ele tinha dado graças, deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, pois este é o meu sangue da aliança "(Mateus 26:26-28 = Marcos 14: 22, ver também Lucas 22:19-20). Não é este um surpreendente paralelo com as formas em que os judeus celebram o Seder interpretar, por exemplo, as ervas amargas comidas com o sacrifício da Páscoa como representando a vida amarga os israelitas experimentaram como escravos no Egito?
No entanto, este último paralelo entre a Última Ceia e a Páscoa Seder assume que o ritual Seder que conhecemos hoje foi celebrado nos dias de Jesus. Mas este não é o caso.

O Desenvolvimento da Moderna Seder de Pessach

Quando os judeus hoje sentam-se para celebrar a Páscoa Seder, eles usam um livro conhecido como a Hagadá. A palavra hebraica Hagadá , literalmente, significa "dizer", o título refere-se a propósito do livro: para fornecer a estrutura ordenada através da qual a história da Páscoa é contada no Sede. Contando a história da Páscoa é, sem dúvida, um dos objetivos fundamentais da celebração, como dito em Êxodo 13:08: "E você deve dizer ao seu filho naquele dia: 'É por causa do que o Senhor fez para mim quando Eu saí do Egito. "
O texto esta página particular de um Hagadá iluminado criado por Zeev Raban (1890-1970) fornece comentário rabínico sobre uma passagem bíblica relativa a permanência de Israel no Egito. Depois de discutir a jornada de Jacob para o Egito, o texto continua: "E ele viveu there'-esta ensina que o nosso pai Jacó não ir ao Egito para se estabelecer lá permanentemente, apenas temporariamente, como está escrito:" E os filhos de Jacob, disse a Faraó:. "Viemos para viver nesta terra temporariamente, porque não há pasto para os rebanhos que pertencem aos teus servos, porquanto a fome é duro na terra de Canaã" '"(citando Gênesis 47:4) De Hagadá Raban / Courtesy of Mali Doron.
O texto tradicional do Hagadá como existe hoje incorpora uma variedade de material, começando com a Bíblia, e correndo através de canções medievais e poemas. Para muitos judeus (especialmente os judeus não-ortodoxos), o processo de desenvolvimento continua, e muitas edições modernas do Hagadá contêm leituras contemporâneas de um tipo ou de outro. Até mesmo muitos judeus tradicionais, por exemplo, adaptou o Hagadá de modo que pode ser feita menção do Holocausto.
Quanto do Hagadá remonta a tempos antigos? Nos anos de 1930 e 1940, o americano Louis Finkelstein (1895-1991), afirmou que várias partes do Hagadá de Pessach eram muito recentes, decorrente, em parte, a partir do terceiro século aC. Em 1960, o pesquisador israelense Daniel Goldschmidt (1.895-1.972 ) efetivamente refutou praticamente todas as reivindicações de Finkelstein. É lamentável que o artigo Hebraica de Goldschmidt não foi traduzido, porque continua a ser, na minha opinião, a obra clássica sobre o início da história da Hagadá de Pessach. Felizmente, uma série de tratamentos breves sobre a história Hagadá já estão disponíveis. Uma geração mais tarde, o debate Goldschmidt-Finkelstein parece ter sido resolvido, e em favor de Goldschmidt. Quase toda a gente que estava fazendo um trabalho sério sobre o início da história das tradições da Páscoa, incluindo Joseph Tabory, Israel Yuval, Lawrence Hoffman, e da equipe de pai e filho de Shmuel e Ze'ev Safrai, rejeitou as alegações de Finkelstein para a grande antiguidade da maior parte do Hagadá de Pessach. O que é particularmente significativo sobre o consenso é de que esses estudiosos não são céticos radicais. Estes estudiosos acreditam que, de modo geral, podemos extrair informações historicamente confiáveis ​​de fontes rabínicas. Mas, como demonstrado por Baruch Bokser, em seu livro As Origens da Seder , praticamente tudo foi preservado nas tradições rabínicas sobre o Seder de Pessach, o que nos traz de volta para o tempo imediatamente após a destruição romana do Templo em 70 dC. Não é que literatura rabínica não se pode confiar nos dizer sobre a história no primeiro século da Era Comum. É que a literatura rabínica, no caso da Seder-não chegam a afirmar estar nos dizendo como o Seder foi realizada antes da destruição do Templo.
Deixe-me explicar sobre essa proposta, examinando requerimento de explicar os símbolos da Páscoa do Hagadá:
Raban Gamaliel dizia: Quem não faz menção das seguintes três coisas na Páscoa não cumpriu a sua obrigação, a saber: o sacrifício da Páscoa, pão ázimo ( matzá ) e ervas amargas.
(1) O sacrifício da Páscoa, que nossos ancestrais usavam para comer no momento em que o Templo Sagrado-se qual é a razão? Porque o Santo, bendito seja Ele, passou as casas dos nossos antepassados ​​no Egito. Como se diz: "É o sacrifício da Páscoa do Senhor ..." (Êxodo 12:27).
(2) O pão ázimo, o que comer, qual é a razão? Porque a massa de nossos ancestrais ainda não tinha levedado, quando o Rei dos reis, o Santo, Bendito seja Ele se revelou a eles e redimiu. Como se diz, "E cozeram bolos ázimos ..." (Êxodo 12:39).
(3) Estas ervas amargas, o que comemos, o que é a razão? Porque os egípcios faziam as vidas de nossos ancestrais amargas no Egito. Como se diz, "E eles fizeram amargar a vida ..." (Êxodo 01:14).
Raban Gamaliel instrui seus alunos neste iluminação da Hagadá de Sarajevo. Os créditos Hagadá Gamaliel com a introdução do requisito de que o significado simbólico da comida servida durante o Seder ser explicado durante a refeição.Alguns estudiosos supõem que a Última Ceia foi um Seder sugeriram que Jesus deliberadamente explicou o significado do pão e do vinho no cumprimento desta exigência. Mas a exigência não pode ter sido mesmo no lugar no tempo de Jesus.Havia dois líderes da academia rabínica chamado Gamaliel: Um viveram na época de Jesus, o outro, depois o Templo foi destruído em 70 dC Museu Nacional de Sarajevo.
Na primeira leitura, Jeremias pode parecer correto: explicação sobre o pão e o vinho de Jesus parece semelhante à explicação dos símbolos da Páscoa de Raban Gamaliel. Jesus não pode estar apresentando uma interpretação competindo destes símbolos?Possivelmente. Mas isso realmente depende de quando este Raban Gamaliel viveu. Se ele viveu até Jesus, então não faria sentido para ver as palavras de Jesus como base em Raban Gamalie.
Infelizmente, para o historiador contemporâneo, havia dois rabinos nomeados Gamaliel, tanto de quem tinha o título "Raban" (que significa "nosso mestre", e foi geralmente aplicada à cabeça da academia rabínica). O primeiro viveu na década da destruição do Templo, segundo a tradição rabínica. É este Gamaliel, que é referido em Atos 22:03, em que Paulo se diz ter alegou que ele foi educado "aos pés de Gamaliel". O segundo Raban Gamaliel foi, segundo a tradição rabínica, o neto do ancião Gamaliel. Este Gamaliel atuou como chefe da academia rabínica algum tempo depois da destruição do Templo. Praticamente todos os estudiosos que trabalham hoje acreditam que a tradição Hagadá atribuindo as palavras citadas acima para Gamaliel refere-se ao neto, Raban Gamaliel, o Jovem, que viveu muito tempo depois que Jesus havia morrido. Um pedaço de evidência para isso aparece no texto citado acima, em que Raban Gamaliel disse ter falado do tempo "quando o templo ainda estava de pé", como se esse tempo já tinha passado.Além disso, como Baruch Bokser tem mostrado, a maior parte do material rabínico início pertencente ao Hagadá de Pessach é atribuído na Hagadá-se a figuras que viveram logo após a destruição do Templo (e, portanto, contemporâneos de Gamaliel, o Jovem). Finalmente, uma tradição preservada no Tosefta (um volume de companheiro rabínica para a mais antiga lawbook rabínica, a Mishná, editado talvez no terceiro ou quarto século) sugere que Gamaliel, o filho, desempenhado algum papel nas celebrações da Páscoa logo após o Templo foi destruído, quando sacrifícios de animais poderia, por esta razão deixará de ser oferecido. 
Assim, a Páscoa Seder como sabemos se desenvolveu após 70 CE. Eu gostaria que pudéssemos saber mais sobre como a Páscoa foi celebrada antes do Templo foi destruído. Mas, infelizmente, nossas fontes não responder a essa pergunta com toda a certeza. Presume-se que Jesus e seus discípulos teriam visitado o Templo durante o abate do sacrifício da Páscoa. Em seguida, eles teriam consumido juntamente com pães ázimos e ervas amargas, como exigido pelo Livro do Êxodo. E, presumivelmente, eles se envolveram em uma conversa pertinente para a ocasião. Mas não podemos saber com certeza.

Por que os Evangelhos Sinópticos retratar a Última Ceia como uma refeição da Páscoa

Tendo determinado que a Última Ceia não foi um Seder e que provavelmente não ocorreu na Páscoa, devo tentar explicar por que os Evangelhos sinópticos retratar a Última Ceia como uma refeição de Pessach. Claro, a proximidade temporal da crucificação de Jesus (e, com ele, a Última Ceia) para a Páscoa judaica fornece um motivo: Certamente esta coincidência histórica não pode ser descartada como apenas isso.
Outro motivo relaciona-se com uma questão bastante prática: Dentro de poucos anos após a morte de Jesus, as comunidades cristãs (que a princípio consistia principalmente de judeus) começaram a perguntar quando, como e até mesmo se eles devem celebrar ou comemorar a Páscoa judaica. Cristãos que acreditavam que a data da Páscoa deveria ser calculada de modo a coincidir com a celebração da Páscoa judaica, ou se essa data caiu em um domingo. O calendário judaico era (e é) lunar e, portanto, há sempre uma lua cheia na noite do Seder de Pessach, isto é, a noite após o 14 de Nisan. Mas naquela noite não é sempre um sábado à noite. O costume de celebrar a Páscoa  no início da noite seguinte ao dia 14 aparentemente começou relativamente cedo na história cristã e persistiu pelo menos até o século V dC. A visão de que a Páscoa deve ser em um domingo, independentemente do dia prevaleceu. Possivelmente, as divergências dos Evangelhos sobre o momento da Última Ceia foram o resultado dessas disputas dos primeiros cristãos sobre quando a Páscoa deveria ser celebrada. Afinal, se você queria encorajar os cristãos para celebrar a Páscoa na Páscoa, será que não faz sentido para enfatizar o fato de que Jesus celebrou a Páscoa com seus discípulos, pouco antes de morrer?
Relacionada com a questão de quando os cristãos devem lembrar últimos dias de Jesus era uma questão de como eles devem ser recolhidos. Logo no início, um certo número de cristãos e outros, sentiram que a forma adequada de marcar a Páscoa judaica não era de festa, mas com o jejum. Por um lado, este costume reflete uma antiga tradição judaica do jejum durante o período imediatamente anterior à refeição da Páscoa (como relatado no Mishnah Pesachim 10:1). Por outro lado, os motivos distintamente cristãos para este rápido também podem ser identificados, de recordar o sofrimento de Jesus na cruz para rezar para a eventual conversão dos judeus.
Jesus é o cordeiro pascal no Evangelho de João, que associa a crucificação, ao invés de a Última Ceia, com a festa da Páscoa. De acordo com João, Jesus morreu na "dia da preparação para a Páscoa" (João 19:14), quando o sacrifício da Páscoa estava sendo oferecido, mas antes do festival começou ao entardecer. 
In retábulo de Matthias Gruenewald (1510-1516) para o mosteiro do Altar, Alemanha (mas agora no Museu Unterlinden, em Colmar), o Jesus crucificado é explicitamente relacionada com o sacrifício pascal. À direita da cruz está o cordeiro ferido, que carrega uma cruz e sangra em um cálice.O discípulo a quem Jesus amava conforta a mãe de Jesus na esquerda. Maria Madalena se ajoelha aos pés da cruz, seu frasco de alabastro pomada ao lado dela. À direita, João Batista aponta para Jesus. Sua previsão de que Jesus irá ultrapassá-lo ("Ele deve crescer e que eu diminua" João 3:30) está escrito ao lado dele em latim. Giraudon / Art Resource, NY.
O alemão estudioso do Novo Testamento Karl Georg Kuhn argumentou que o Evangelho de Lucas coloca a última ceia no contexto da Páscoa, a fim de convencer os cristãos a não celebrar a Páscoa. Ele observa que a tradição sinóptica Última Ceia atribui a Jesus uma declaração bastante curiosa de abstinência: "Tenho desejado ardentemente comer esta cordeiro pascal com você antes de eu sofrer, pois eu vos digo que não vou comê-la até que ela se cumpra no reino de Deus ... [e] eu não beberei do fruto da videira, até o reino de Deus "(Lucas 22:15-18;. cf Mark 14:25 [" eu não beberei mais do fruto da videira, até aquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus "] = Mateus 26:29). Os sinópticos "colocação da Última Ceia, em um contexto de Páscoa deve ser lida juntamente com Jesus" declaração sobre a abstinência, neste ponto de vista, a tradição de que a última ceia foi uma refeição pascal argumenta que os cristãos devem marcar a Páscoa não celebrando, mas por jejum, porque Jesus já celebrou sua última Páscoa. Desse modo, até o reino de Jesus está cumprido, os cristãos não devem celebrar durante todo Páscoa.
Estudioso do Novo Testamento Bruce Chilton apresentou recentemente uma teoria alternativa. Ele argumenta que a identificação da Última Ceia com um Seder Páscoa originou-se entre os cristãos judeus que estavam tentando manter o caráter judaico de celebrações da Páscoa mais cedo. Ao chamar a Última Ceia uma refeição da Páscoa, estes cristãos judeus estavam tentando limitar a prática cristã de três maneiras. Como o sacrifício da Páscoa, a lembrança da Última Ceia só poderia ser celebrada em Jerusalém, na época da Páscoa, e por judeus. 
Sem decidir entre estas duas alternativas contraditórias, podemos pelo menos concordar que há várias razões pelas quais a igreja primitiva teria tentado "Passoverize" a tradição da Ceia. Colocando a Última Ceia em no contexto da Páscoa era uma ferramenta literária em debates cristãs sobre se ou não, e como os cristãos devem celebrar a Páscoa.
Outros exemplos de Passoverization podem ser identificados. O Evangelho de João, como observado anteriormente, e São Paulo (1 Coríntios 5:7-8) equivale a crucificação de Jesus com o sacrifício da Páscoa: "O nosso cordeiro pascal, Cristo foi sacrificado. Portanto, vamos celebrar a festa, não com o velho fermento, o fermento da malícia e do mal, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade. "Isso também é uma Passoverization da tradição de Jesus, mas é aquele que contradiz a identificação de a Última Ceia com o Seder ou refeição da Páscoa.
Ambos os Passoverizations pode ser colocado no contexto mais amplo de Êxodo tipologia em geral. WD Davies e NT Wright argumentam que várias fontes do Novo Testamento retratam os acontecimentos da vida de Jesus como um novo Êxodo. Os primeiros cristãos interpretaram a vida e a morte de Jesus à luz da antiga narrativa judaica de redenção por excelência, a história do Êxodo do Egito. Certamente a representação da Última Ceia como uma observância da Páscoa poderia desempenhar um papel nesse esforço maior de argumentar que a morte de Jesus ecoa o Êxodo do Egito.
Este processo de Passoverization não terminou com o Novo Testamento. O bispo Melito do segundo século de Sardes (na Ásia Menor), uma vez fez um sermão pascal amplamente popular, que poderia muito bem ser chamado de "Hagadá cristão", refletindo longamente sobre as várias conexões entre a história do Êxodo e da vida de Jesus.
Passoverization ainda pode ser encontrada na Idade Média. Ao contrário da crença popular, o costume católico de usar coscorões ázimos, na Missa é de origem medieval. As igrejas ortodoxas preservam o costume de usar pão levedado. Não é possível ver a mudança de uso levedada para pão ázimo como um "Passoverization" das sortes?
Foi a Última Ceia um Seder Páscoa? O mais provável é que não era.

Quando Páscoa começa: Os Sinópticos contra John

14 de Nisan 
(que termina em Sundown)
15 de Nisan 
(Início at Sundown)
Dia da preparação 
para a Páscoa. 
cordeiro pascal 
sacrificado no final 
da tarde.
Páscoa feriado 
começa e festiva 
refeição Seder é realizada na 
noite. Cordeiro pascal 
é consumido.
Mateus 26-27,Marcos 14-15 e Lucas 22-23 



Jesus e seus discípulos 
se preparar para a Páscoa.
Jesus e seus discípulos realizar uma Última Ceia no momento da PáscoaSeder. Jesus é preso naquela noite. Ele foi morto na manhã seguinte, que é o dia do 15 de Nisan. 












João 19Jesus crucificado, enquanto os cordeiros pascais estão sendo sacrificados. (A Última Ceia não émencionada por João, mas que teria tomadolugar na noite anterior à crucificação, ou mesmoantes.)